Jesus não foi nenhum asceta. O relato dos seus quarenta dias de jejum é claramente mítico e, além disso, tem numerosos paralelismos com Herácles, Zaratustra ou Buda. Por outro lado, este duvidoso jejum é muito particular. Jesus não se instala, como João Baptista, no deserto; pelo contrário, afasta-se dele, precisamente porque reprova a mortificação. E, claro, combate o ascetismo dos fariseus. Não evita o mundo, os prazeres ou as festas e, faz tão poucos jejuns que os seus inimigos o rotulam de «glutão e bebedor de vinho». Surpreende a quantidade de vezes em que é convidado ou anfitrião. E os seus discípulos, diz a Bíblia, «não jejuam»; assistiam a banquetes «com alegria» que por certo desaparecia quando lhes calhava jejuar em nome do Senhor.
No começo do século II ainda se sabia que Jesus não tinha predicado a mortificação. Não tinha dito: reservai uns dias de jejum; açoitai as costas... a ideia já de si é ridícula.
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