Jesus relacionou-se com as mulheres em completa liberdade. Não as considerava de segunda classe e nunca as discriminou. A ideia não fica desmentida pelo facto de que não havia mulheres entre os doze apóstolos, pois esta é claramente uma construção tardia, que corresponde aos doze Patriarca e às doze Tribos de Israel. As mulheres formavam parte dos discípulos de Jesus e talvez até fossem mais numerosas que os homens. Segundo uma antiga versão de S. Lucas, Jesus foi acusado pelos judeus, entre outras coisas de seduzir e extraviar as mulheres (e as crianças). Jesus dirigia-se às mulheres, o que num homem, e ainda mais num rabino, resultava inapropriado e desconcertava os seus prosélitos. Violou o sabbat por uma mulher, curou espetacularmente muitas mulheres e estas agradeceram-lhe, ajudaram-no e mantiveram-se a seu lado até à cruz, quando os seus discípulos, com excepção de José de Arimateia, há muito haviam desaparecido do mapa.
Jesus foi a um casamento. Como se não bastasse, nem sequer condenou uma adúltera, uma sentença que muito incomodou os primeiros cristãos. Nenhum outro texto neo-testamentário foi tão reinterpretado e tantas vezes tentaram eliminá-lo. Lutero tirou da história a conclusão que, provavelmente o próprio Jesus, com Maria Madalena (considerada pelos cátaros como sua mulher ou amante) e outras pessoas, tinha violado o matrimónio para participar completamente da natureza humana. Em qualquer caso, como não considerava a mulher como uma coisa, tão-pouco considerou o adultério como um delito contra a propriedade. Ainda que alguns detalhes apontem nessa direcção, continua sem se poder provar que ele mesmo estivesse casado; o que seria muito possível.
Jesus considerou o matrimónio tão estritamente como quase ninguém antes Dele, mas não disse uma palavra sobre a sua finalidade. E não se encontra nenhuma palavra sua contra o mesmo. Se fosse o caso, com que ganas se teria Paulo agarrado a tais palavras, em vez de admitir que não tinha nenhum preceito do Senhor a esse respeito. Qualquer mitigação da líbido no seio do matrimónio - que depois se converteu numa exigência da Igreja - só podia aparecer-lhes como absurda, uma posição a que alude aquela frase - rotunda afirmação do amor físico - segundo a qual os esposos devem se «uma só carne».
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