No século VI surgiu a primeira religião salvítica da Grécia: o orfismo. É atribuída ao mítico Orfeu e produziu um grande número de «textos sagrados». Quem vivesse de acordo com eles, diziam, sobreviveria entre os bem-aventurados; que se obstinasse, teria um terrível destino depois da morte. Segundo as crenças órficas, a alma encontra-se prisioneira do corpo, como o cadáver numa tumba. Regressa à Terra sob a forma de pessoas ou animais constantemente renovados, até à sua libertação definitiva mediante a negação do corpo, mediante a ascese. De modo que os órficos, que se chamavam a si mesmos «Puros» e praticavam já uma espécie de «indulgências» (formulas mágicas para libertar vivos e mortos das penas do Além) e algo parecido com as missas pelos defuntos, evitavam a carne, os ovos, os legumes e a lã no que vestiam, e não confiavam na sua própria força de vontade, mas na misericórdia e salvação divinas.
Provavelmente o orfismo depende da doutrina - em muitos aspectos análoga - de Pitágoras (580-510 a.C.), o qual, ainda em vida, gozou de uma verdadeira veneração quase divina: curou doenças do corpo e da alma, acalmou uma tempestade, foi insultado e perseguido, desceu aos infernos e ressuscitou finalmente dos mortos, antecipando muitos dos elementos do Novo Testamento. Pitágoras rebaixa a mulher: «Há um princípio bom, que criou a ordem, a luz e o homem, e um princípio mau, que criou o caos, a escuridão e a mulher.»
Sem comentários:
Enviar um comentário