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sexta-feira, 29 de março de 2013
segunda-feira, 16 de abril de 2012
História de Portel e imagem do antigo brasão
História de Portel e imagem do antigo brasão
A VILA DE PORTEL
Na província do Alentejo, distrito administrativo de Évora, seis léguas ao sudoeste da cidade de Évora, e outras seis ao nordeste da cidade de Beja, está situada a vila de Portel, sobre um alto cabeço.
Foi fundada por D. João Pires de Aboim. e seu filho D. Pedro Annes, ricos homens do tempo de el rei D. Afonso III, chamados de Portel por serem os fundadores desta povoação. Foram estes ilustres cavaleiros que deram foral á vila pelos anos de 1262.
Não sabemos quem lhe edificou o seu castelo, talvez fosse el rei D. Dinis, pois que este soberano pôs todo o cuidado e desvelos na defensa do país, fortificando grande numero de povoações e construindo fortalezas em muitos pontos apropriados a esse fim. Do reinado, porém, de D. João I é que data o maior desenvolvimento de Portel, porquanto o Condestável D. Nuno Álvares Pereira fundou a igreja matriz, e os duques de Bragança edificaram aí um palácio onde costumavam passar de vez em quando algum tempo, e também construíram um convento, que nessas eras dava importância e outras vantagens ás pequenas povoações.
Enquanto os duques de Bragança tiveram a sua corte em Vila Viçosa, prosperou a vila de Portel, á sombra do impulso e protecção desta opulenta casa, a cujo estado pertencia e chegou a possuir mais de mil fogos. Depois que esta Augusta família foi elevada ao trono, e também por causa das guerras com Castela, que se sucederam á sua elevação, começou Portel a decair, de tal modo que hoje pouco mais conta de quinhentos fogos.
Gozava esta vila da regalia de enviar procuradores ás antigas cortes do reino, nas quais tomavam assento no banco décimo quinto. O seu brasão de armas compõe-se de sete torres de oiro em campo vermelho, na forma que representa a estampa junta.
Há na vila uma única paroquia, da invocação de Nossa Senhora da Lagoa, cuja primeira fabrica foi obra do Condestável D. Nuno Álvares Pereira. Tem casa de misericórdia, hospital, as ermidas de Santo António, Santo Estêvão e Espírito Santo, dentro da povoação; e fora as de S. Luís, Nossa Senhora da Saúde, Nossa Senhora da Serra, S. Pedro, S. Bento, S. Lourenço, S. Brás, Santa Catarina, Santiago e S. Lázaro.
Teve dois conventos, um de frades paulistas, intitulado de S. Paulo, construído em 1420, e outro de piedosos capuchos, dedicado a S. Francisco e fundado perto da vila, em 1547, por D Teodósio I, duque de Bragança.
O castelo com a sua cerca de muros, ergue-se na parte mais alta da povoação. Dentro está o antigo palácio dos duques de Bragança.
Próximo da vila corre o rio Dejebe. que se vai lançar no Guadiana, a duas léguas dali.
O termo é muito produtivo em toda a variedade de frutos que se cultivam naquela província. Nele há uma serra chamada dos Velhascos, que fica na freguesia de Santa Ana, na qual se encontra muita caça miuda, rasteira e do ar e também corças e javalis.
Na aldeia de Vera Cruz do Marmelar, pertencente também ao mesmo termo, há um rico templo e um palácio que era dos balios da ordem de Malta.
No ultimo sábado de Agosto começa a feira anual de Portel. Porém na aldeia do termo, Vera Cruz do Marmelar, fazem-se duas feiras anuais, uma no 1 de Maio e a outra a 14 de Setembro.
Portel contém uns mil e oitocentos habitantes.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelo Censos 2011 Portel conta com 6428 habitantes
História de Portalegre e imagem do antigo brasão
História de Portalegre e imagem do antigo brasão
A CIDADE DE PORTALEGRE
Esta cidade está na província do Alentejo, duas léguas ao sudoeste da praça de Marvão, três da fronteira do reino de Leão e nove ao norte da cidade d Elvas. Campeia sobre um pequeno monte, que faz parte da serra também chamada de Portalegre, estendendo-se pela ladeira que olha para o norte. De um lado desce o monte suavemente para um vale arborizado e regado de varias ribeiras. De outro lado precipita-se em barrancos e profundas quebradas, sombreadas aqui e ali por oliveiras e outras árvores. Da parte do norte, enfim estende-se com suave declive por baixo de um continuado bosque de castanheiros e outras árvores frutíferas, com muitas vinhas e quintas que, chegando ao vale, guarnecem as margens da ribeira de Nisa. Portalegre é capital do distrito administrativo do seu nome.
Como povoação antiquíssima, a sua origem esconde-se por entre mil fábulas. No tempo dos romanos era uma cidade de alguma importância. Por um cippo, obra romana, que se achou fora dos muros da cidade, abrindo-se os alicerces da ermida do Espírito Santo, parece que se chamava então Ammaia. Este cippo, que sem duvida servia de base a alguma estátua e se vê na referida ermida, tem seguinte inscrição: Imp. Cae. L. Aurelio Vero Aug. Divi Antonini F. Pont. Max. Cons. II. Trib. Pop. P.P. Municip. Ammaia.
Vertido em linguagem quer dizer: O município de Ammaia erigiu esta memoria ao imperador César Lúcio Aurélio Vero Augusto, filho de Antonino, pontífice máximo, cônsul duas vezes, tribuno do povo e pai da patria.
Padeceu provavelmente esta povoação completa ruína na invasão dos bárbaros do norte, pois que não consta dela mais noticia.
Conforme uma tradição popular, em tempos anteriores á monarquia, havia aqui umas vendas chamadas Portellos e estavam junto ao lugar onde mais tarde se edificou a ermida de S. Bartolomeu. Destas vendas ficou o nome ao sitio. Aceitando pois a tradição, serviram estas vendas de núcleo á nova povoação, que em torno delas foi edificando com os materiais da destruída cidade romana. Correndo porém o tempo, veio a ter a mesma sorte da antiga Ammaia. Nas guerras entre os campeões de Cristo e os sectários de Mafoma, que devastaram durante séculos o belo solo da península, foi aquela terra inteiramente arruinada e despovoada.
Levantou-a das ruínas e mandou a novamente povoar el rei D. Afonso III no ano de 1259, dando-lhe foral de vila com vários privilégios. Nas escrituras dessa época. que eram escritas em latim, dá-se-lhe o nome de Portus Alacer, Porto Alegre. Dizem que tomou a primeira parte dele de um sitio denominado Porto, que aí fica entre a penha de S. Tomé e Cabeça de Mouro, e a segunda do muito alegre que é a sua posição, vindo ao diante a unir-se as duas partes em Portalegre.
El rei D. Dinis tratou de fortificar bem Portalegre, construindo-lhe um castelo e cercando-a com uma dupla muralha guarnecida de doze torres e com oito portas denominadas: da Deveza, do Postigo, de Alegrete, de Elvas, de Évora, do Espírito Santo, de S. Francisco e do Bispo. Quis a sorte, que este mesmo soberano tivesse de experimentar contra si próprio a fortaleza daquelas muralhas.
Tendo o infante D. Afonso, seu irmão, levantado o estandarte da rebelião e seguindo Portalegre o partido do infante, a cujo senhorio pertencia, foi el rei D. Dinis, em pessoa, sitiar a vila. Principiou o cerco em Maio de 1299 e durou até Outubro, acabando afinal por uma capitulação que pôs a vila nas mãos del rei. Vieram a fazer-se as pazes entre D. Dinis e D. Afonso, mas a torreada vila, que tão valente se mostrara na defensa, bem como Marvão, ficaram incorporadas na coroa, recebendo o infante em troca as vilas de Sintra Ira e Ourem. E para que não se desse ali outro caso semelhante, concedeu D. Dinis aos moradores de Portalegre o privilegio de que a sua vila se não desanexaria em tempo algum do património real. Este privilegio foi depois confirmado por el rei D. Afonso V e por D. João II.
Passados anos, intentou el rei D. Manuel dar o senhorio de Portalegre a D. Diogo da Silva de Menezes, que fora seu aio e por quem tinha particular estima. Opuseram, porém, os habitantes tal resistência, que el rei, depois de ter empregado para a vencer, primeiro ameaças e em seguida degredos e outras penas, viu-se obrigado a desistir, contentando-se com fazer mercê ao seu valido do titulo de conde de Portalegre e da alcaidaria mor desta terra.
Tendo obtido el rei D. João III a bula de 2 de Abril de 1550, que erigiu o bispado de Portalegre, desmembrando-o da diocese da Guarda, elevou nesse mesmo ano aquela vila á categoria de cidade. O primeiro bispo da nova diocese foi D. Julião d' Alva, prelado muito aceito del rei D. João III e da rainha D. Catarina.
Durante a guerra da sucessão de Espanha, reinando em Portugal D. Pedro II, foi Portalegre sitiada pelo exercito espanhol de Filipe V, ao qual teve de render-se, mas em breve voltou ao domínio do seu soberano.
No antigo regímen gozava da prerrogativa de ter voto em cortes, nas quais os seus procuradores tinham assento no banco quarto. O seu brasão de armas é um escudo coroado e nele duas torres, que dizem significar as duas que estão defronte da porta da Deveza.
Portalegre é uma cidade industriosa. Em meados do século XVII já possuía uma grande fabrica de panos de lã, que empregava inumeráveis braços e cujos produtos exportava para as principais terras do país. Nesta época os seus panos tinham chegado a bastante perfeição e vestia- se deles a maioria dos portugueses. Tão importante trato fez rica e prospera esta cidade, que então contava três mil fogos, como refere o cronista mor frei Francisco Brandão, que escreveu isto pelos anos de 1649 ou 1650.
A importação dos panos ingleses, que ao principio fora e se conservara por muito tempo limitada a Lisboa, onde esses produtos apenas achavam consumidores nas classes mais abastadas e principalmente entre as pessoas nobres, foi aumentando progressivamente na capital e estendendo se ao Porto e outras terras. As fabricas nacionais em breve se ressentiram desta concorrência. Ferido desta forma o principal ramo da industria manufactora de Portalegre e um dos principais do seu trato comercial, decaiu tanto a cidade que em 1707 encerrava apenas mil e oitocentos fogos, os quais, no ano de 1820 se achavam reduzidos a mil setecentos cinquenta e um.
Felizmente teve um termo esta progressão decadente. Portalegre está em caminho de prosperidade, pelo desenvolvimento da sua agricultura e pelo grande impulso que á sua fabrica de panos têm dado os actuais proprietários, os senhores Larcher & Cunhado, que conseguiram elevar estes produtos a muita perfeição. A isto acrescerá brevemente a imensa vantagem de lhe passar próximo a via férrea que há-de ligar Lisboa com Madrid e as outras capitães da Europa.
Dividia-se a cidade em cinco paroquias, que eram: a Sé, Santiago, S. Lourenço, S. Martinho e Santa Maria Madalena. Porém em 1857 as duas ultimas foram suprimidas, afim de se estabelecer um mercado no local da igreja de S. Martinho e construir- se um chafariz no da segunda.
A sé ergue-se no sitio mais alto da cidade. Foi fundada pelo primeiro bispo desta diocese, D. Julião d'Alva, no lugar onde estava a igreja paroquial de Santa Maria do Castelo. A capela-mor, porém, é obra do virtuoso prelado e elegante escritor, D, frei Amador Arraes, terceiro bispo de Portalegre. Esta catedral é o melhor edifício da cidade. Consta de três naves sustentadas por colunas goticas, posto que revestidas de estuque com ornatos de mau gosto. A abobada é de laçaria. A fachada já não conserva a arquitectura primitiva. Tem duas torres e ornam-lhe a porta duas colunas de mármore. No meio da capela-mor está a sepultura do bispo D. Julião. Para esta Sé bordou a rainha D. Catarina, mulher de D. João III, umas alfaias que aí se devem conservar.
A casa da misericórdia, o hospital, umas dez ermidas, o paço episcopal, a casa da câmara, os extintos conventos de S. Francisco, que foi de franciscanos fundado em 1265, o de Santa Maria, de Agostinhos descalços, edificado em 1683, o colégio de S. Sebastião, dos jesuítas, construído em 1605 e os dois mosteiros de freiras ainda habitados, são os principais edifícios da cidade.
Um destes é de religiosas da ordem de Santa Clara, o outro é de freiras de S. Bernardo e foi fundação do bispo da Guarda D. Jorge de Melo, na primeira metade do século XVI. Na capela de Nossa Senhora da Conceição, da igreja deste mosteiro, repousa o fundador, num sumptuoso túmulo.
As ruas de Portalegre são em geral estreitas, tortuosas e com maior ou menor declive, Vêem-se todavia nelas muitas casas de boa construção e agradáveis á vista. Tem um grande campo ou rossio, para o lado do norte, onde estava a antiga fabrica de panos.
Modernamente edificou-se nesta cidade um bonito teatro para representações de curiosos ou de alguma companhia volante.
A povoação é abastecida de excelente água por diversos chafarizes.
Os arrabaldes, já dissemos, que são muito lindos e pitorescos. Os acidentes de terreno, os arvoredos frondosos que os cobrem, as vinhas, hortas e pomares que descem pela colina até ao vale e aí se estendem ao longo das ribeiras que o cortam e fertilizam os mananciais de puríssimas águas, que por todos os lados brotam, fazem com que os arredores de Portalegre ofereçam ao viajante belos panoramas e alguns sítios deliciosos.
O termo de Portalegre é de muita fertilidade em todo o género de produções agrícolas. Há nele magnificas herdades, com grandes montados em que se cria muito gado suíno. Cereais, azeite e vinho constituem a sua cultura mais especial. Todavia produz grande copia de castanhas e outras frutas, tem criação de gados de diversas espécies e exporta muita madeira de castanho. É regado pelas ribeiras de Xever, de Xevera, de Xeverete, de Xola e de Nisa, que nascem na serra de Portalegre e que fazem trabalhar muitas azenhas. Esta serra é ramo da da Estrela. Tem muita variedade de caça e brotam dela grande quantidade de fontes, que fazem todos os seus vales muito frescos, risonhos e produtivos.
A população da cidade de Portalegre passa de seis mil e trezentas almas. Como cabeça de distrito e de comarca, é sede de um governador civil, de um juiz de direito e outras autoridades, de um liceu, etc.
A 13 de Setembro tem a sua feira anual, que é muito concorrida de gente das terras vizinhas, de géneros e de gado.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelo Censos 2011 Portalegre conta com 24 930 habitantes
Freguesias de Portalegre
Alagoa, Alegrete, Carreiras, Fortios, Reguengo, Ribeira de Nisa, São Julião, São Lourenço, Sé, Urra
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Fotos Antigas da Sé de Évora, Portugal
Fotos Antigas da Sé de Évora
Por Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian
Fotógrafo: Mário Novais, 1899-1967.
Orientador científico: Mário Tavares Chicó, 1905-1966.
Data aproximada da produção da fotografia original: 1954.
Sem restrições de direitos autorais conhecidas
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
História de Panóias (Ourique) e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Panóias (Ourique) e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE PANÓIAS
Esta pequena mas antiga povoação está situada na província do Alentejo, distrito administrativo de Beja. Dista duas léguas noroeste da vila de Ourique e outras duas sudoeste da vila de Messejana.
Pertenceu Panóias á ordem militar de Santiago; deu-lhe foral el rei D. Manuel, em 10 de Julho de 1512 e tinha voto nas cortes da velha monarquia, com assento no banco décimo quarto. Por esta ultima circunstancia mostra que foi terra de alguma importância. Todavia poucas memorias encontramos desta povoação.
O seu brasão d armas é do modo seguinte. Em campo azul, dois braços de homem cruzados, um vestido de amarelo e o outro de carmesim e com as mãos apontando para cima. Entre os braços está uma cabeça humana de barbas e cabelos loiros, que parece ser a de Jesus Cristo. Acha-se assim pintado este brasão na Torre do Tombo. Não nos consta, porém, que venha descrito e explicado em obra alguma; pelo menos tendo o procurado nos autores que mais particularmente se deram ao estudo das antiguidades pátrias não achamos noticias a seu respeito.
A vila de Panóias, que no começo do século passado (18) tinha duzentos e sessenta fogos, apenas contava, em 1820, cento noventa e oito, com uns setecentos e setenta habitantes. Supomos que este é, com pouca diferença, o seu estado actual. Tem uma única paroquia da invocação de Santa Maria.
A meia légua da vila, para o lado ocidental, está um templo de muita antiguidade, dedicado a S. Romão, que nasceu em França e faleceu num convento que fundou e que foi o primeiro que houve em Portugal, de que existem ainda alguns vestígios no meio de charnecas, a três léguas da vila de Mértola. Na igreja matriz de Panóias, venera-se a cabeça deste santo, em relicário de prata e o corpo na referida ermida de S. Romão, onde se lhe faz, no ultimo dia de Fevereiro, uma grande festa, a que concorrem muitas romagens e povos das vilas e aldeias vizinhas.
O termo de Panóias produz em abundância os mesmos frutos que o de Ourique, pois que ambos se estendem pelo celebrado campo que tomou o nome desta ultima vila.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Panóias é uma freguesia do concelho de Ourique.
Panóias é vila e foi sede de concelho até 1836, quando foi anexada ao município de Messejana.
História de Ourique e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Ourique e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE OURIQUE
Na extremidade meridional da província do Alentejo, distrito administrativo de Beja, a sete léguas e meia sudoeste da cidade de Beja e outras tantas oeste da vila de Mértola, acha-se a vila de Ourique, edificada sobre uma pequena elevação.
Não consta a época da sua fundação. Apenas se sabe que el rei D. Dinis lhe deu foral a 8 de Janeiro de 1290, estando na cidade de Beja.
Junto da vila estende-se um vasto campo, célebre na nossa historia com o nome de Campo de Ourique. Foi aí que teve principio a monarquia portuguesa. Entranhando-se o jovem infante D. Afonso Henriques pela província do Alentejo, em busca de infiéis para combater, saíram-lhe ao encontro nos plainos de Ourique o rei moiro Ismar e mais quatro régulos, seguidos de um poderoso exercito. Apesar da imensa desigualdade das forças, pois que os portugueses, a par dos moiros, apenas eram um punhado de valentes, travou- se a peleja no dia 25 de Julho de 1139. Este mesmo dia presenciou o destroço completo dos sarracenos, com a morte dos cinco régulos e a aclamação de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, pelos seus soldados ébrios de gloria e maravilhados do valor e coragem do moço infante.
Este insigne feito e memorável sucesso esteve por muitos séculos sem um padrão que o comemorasse, além da tradição popular e das memorias escritas, até que a rainha D. Maria I mandou elevar naquele sitio uma pirâmide de mármore, com uma inscrição que refere o acontecimento.
A vila de Ourique tinha voto nas antigas cortes com assento no banco décimo quinto. O seu brasão de armas é, em campo vermelho, um guerreiro com armadura e elmo, com o braço direito levantado e empunhando a espada, montado num cavalo, sobre terra firme; e na parte superior do escudo, uma torre em cada ângulo, tendo por cima uma o crescente e a outra uma estrela, tudo prata.
Esta vila é cabeça de comarca. Conta uma só paroquia dedicada a S. Salvador, que pertencia outrora, juntamente com o senhorio dr Ourique, á ordem militar de Santiago, que tanto ajudou os nossos primeiros Reis a expulsar os moiros de Portugal. Tem casa de Misericordia, hospital, as ermidas de S. Sebastião, S. Luís, N. Senhora do Castelo, S. Brás, S. Lourenço e Nossa Senhora da Cola e um castelo.
Nos subúrbios passam as ribeiras de Cobres e Tergis que, depois de se unirem, vão lançar-se no Guadiana. Pouco mais distante, mas ainda no termo vila, tem o seu nascimento o rio de S. Romão, que vai entrar no rio Sado em Porto de Rei. Segundo refere a tradição, as águas daquelas ribeiras correram até ao Guadiana tintas de sangue sarraceno, no dia da batalha de Ourique.
O termo possui bons terrenos, em que se cultivam cereais, frutas, alguns olivais e vinhas. Há nele alguma criação de gado e muita caça.
A vila de Ourique encerra uma população de duas mil e quatrocentas almas. A 29 de Setembro tem a sua feira anual. Sobre as ribeiras de Cobres e Tergis está em construção uma bela ponte de cantaria.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelos Censos 2011 Ourique conta com 5387 habitantes
Freguesias de Ourique
Conceição, Garvão, Ourique, Panóias, Santa Luzia, Santana da Serra
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
História de Nisa e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Nisa e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE NISA
Esta edificada esta povoação na provincia do Alentejo, distrito de Portalegre, em lugar baixo, entre as
ribeiras de Nisa e de Figueiró. Dista três leguas da vila de Castello de Vide e outras tantas da margem
esquerda do Tejo.
Foi fundada por el rei D. Dinis e el rei D. Manuel deu- lhe foral de vila em 15 de Novembro de 1512.
Conforme refere a tradição, existiu a meia legua dali, numa serra onde está a ermida de Nossa Senhora
da Graça, uma povoação mui antiga também chamada Niza e que, por se achar arruinada e quase
inteiramente despovoada, fundara el rei D. Dinis a nova em sitio menos aspero e mais fertil. Dizem que
ainda se descobrem alguns vestigios de Niza a Velha.
Este mesmo soberano cercou Nisa de muralhas com suas torres e seis portas, edificando no centro um
castelo torreado. No antigo regimen disfrutava a prerogativa de se fazer representar em cortes, onde os
seus procuradores tinham assento no banco setimo. O brasão de armas de Niza ó do modo seguinte: em
campo vermelho e no centro do escudo, um castelo de oiro com tres torres e sobre a do meio a cruz de
Cristo de prata; á direita do castelo o escudo das quinas portuguesas e á esquerda a lua em quarto
crescente de prata e nos dois angulos superiores do escudo duas estrelas igualmente de prata.
A alcaidaria mór desta vila andou na casa, hoje extinta, dos condes de Santa Cruz. É cabeça de
marquesado desde o reinado de João IV, que fez primeiro marquês de Nisa a D. Vasco Luiz da Gama, quinto conde da Vidigueira e terceiro neto do ilustre descobridor da Índia, D. Vasco da Gama.
Contém a vila de Nisa dois mil e quatrocentos moradores, divididos em duas freguesias, que se intitulam Nossa Senhora da Graça, que é a matriz e o Espirito Santo. Ambas estas igrejas pertenciam á ordem militar de Cristo. Tem casa da Misericórdia e hospital, varias ermidas dentro e fora da vila e um belo teatro, com tres ordens de camarotes, edificado ha pouco desde os alicerces.
Os suburbios são povoados de hortas e olivais. As margens da ribeira de Nisa são muito lindas. O termo produz cereais, azeite, algum vinho, fruta e linho. Cria-se n elle bastante gado e caça e recolhe-se muito mel e cera. Do Tejo vai algum peixe para a vila. Tem esta a sua feira anual que começa a 29 de Setembro. Concorrem a esta feira muitos generos e gado, bem como muita gente, não só do Alentejo mas da Estremadura e da Beira.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelo Censos 2011 Nisa conta com 7350 habitantes
Freguesias de Nisa
Alpalhão, Amieira do Tejo, Arez, Espírito Santo, Montalvão, Nossa Senhora da Graça, Santana, São Matias, São Simão, Tolosa
História de Mourão e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Mourão e imagem de 1860 do antigo brasão
VILA E PRAÇA DE MOURÃO
Ergue-se esta villa em sitio alto, na provincia do Alentejo, meia legua além do Guadiana, uma legua áquem da fronteira de Espanha e seis ao nordeste da vila de Moura.
A memoria mais antiga que encontramos desta terra é de 1226, ano em que a mandou povoar D. Gonçalo Egas, prior do Hospital da ordem militar de S. João. Foi ele tambem que lhe deu o seu primeiro foral e que el rei D. Dinis confirmou em 1298. Este monarca enobreceu a vila com um forte castelo. Não se sabe ao certo quem foi que mandou fazer a antiga muralha torreada que cercava a povoação. Só da torre de menagem se conhece o fundador pelo seguinte letreiro gravado na mesma: «EMCCCLXXXI annos ao primeiro dia de Março Bom Affonso IV Rey de Portugal, mandou começar a fazer este castello de Mouron. O Mestre que o fazia avia nome João Affonso. O qual Rey foi filho do mui nobre Rey D. Diniz e da Rainha Dona Isabel, aos quaes Deus perdoe, e elle foi casado com a Rainha Dona Beatriz, avia filho herdeiro o Infante Dom Pedro.»
Quando pela acclamação d el rei D. João IV, Portugal se preparou para manter com as armas o grito de independencia, que levantara, a vila de Mourão foi uma das terras escolhidas para praça de guerra. Aproveitando-se das antigas fortificações o que podia servir de defensa, construiram-se outras segundo o moderno sistema.
Durante esta grande luta, correndo o anno de 1657 e sendo governador de Mourão D. João Ferreira da Cunha, foi esta praça assaltada e tomada pelos espanhois. O inimigo arrasou logo a povoação, poupando todavia a fortaleza que guarneceu e pretendeu conservar. Porém, pouco tempo, depois no principio de Novembro desse mesmo ano, foi expulso, tornando a flutuar nas ameias da praça o estandarte de Portugal.
Segundo refere a Monarchia Lusitana a vila de Mourão passou por muitas mais vicissitudes, sendo usurpada, restituida, dada, vendida e comprada em varios tempos.
Foram aicaides móres de Mourão os marqueses de Montebello. Tem a villa por brasão de armas cinco escudos com as quinas, postos em cruz, sobre campo azul, tendo o escudo inferior de um lado o sol de oiro e do outro a lua de prata.
Ha na vila uma só paroquia, casa da Misericórdia, hospital e cinco ermidas. Tem uma praça espaçosa e algumas ruas largas e regulares, posto que na maior parte guarnecidas de casas baixas. A igreja paroquial e algumas casas estão situadas dentro do castelo ea parte principal da povoação estende-se pela falda de leste do monte do Castelo.
As cercanias de Mourão não são feias. Cultivam-se nelas cereais, olivais, algumas vinhas e montados onde se cria bastante gado. Tambem abundam em variadas especies de caça. O Guadiana fornece á vila algum peixe.
Mourão tem duas feiras anuaes que começam uma a 21 de Abril e a outra a 13 de Setembro. Conta uns mil e quinhentos habitantes.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelo Censos 2011 Mourão conta com 2666 habitantes
Freguesias de Mourão
Granja, Luz, Mourão
História de Moura e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Moura e imagem de 1860 do antigo brasão
VILA DE MOURA
É a vila de Moura uma das praças de guerra da fronteira do Alentejo. Está situada em terreno elevado e acidentado, ao qual cercam, por todos os lados, extensas planicies. A meia legua para este corre o Guadiana. Banham-lhe os muros as ribeiras de Brenhas e de Lavandeira, que pagam tributo ao rio Ardila, como este o paga ao Guadiana. Dista quatro leguas ao nor-nordeste de Serpa e sete es-nordeste da cidade de Beja.
A origem d esta povoação perde se na escuridão dos tempos. Para não referirmos as fabulas que a este respeito contam alguns autores, buscaremos para ponto de partida as noticias mais certas que se encontram sobre a antiguidade desta terra.
De varias lapidas e cippos romanos que se têm achado dentro da vila e nos seus arredores, consta que ali existira a cidade de Aruccitana ou Arucia a Nova para diferença de outra, do mesmo nome, situada na Serra Morena. No tempo do imperador Trajano era uma cidade mui nomeada e importante. Desde esta epoca até ao principio da nossa monarquia a sua historia é inteiramente desconhecida. É provavel que nas vicissitudes porque passou toda a peninsula com a entrada dos barbaros do norte e mais tarde com a dos arabes, fosse alternativamente destruida e levantada das suas ruinas. O que é certo é que no seculo XII era uma povoação acastelada, que os moiros tinham a bom recado. Como a lenda da tomada desta terra pelos cristãos seja a mesma que deu origem ao seu brasão de armas, vamos referi-la.
Lenda da Tomada de Moura
Corria o ano de 1166, D. Afonso Henriques, aclamado rei de Portugal nos plainos de Ourique, tinha expulsado os infieis da Estremadura e combatia sem descanso para os expelir do Alentejo, cujo terreno lhe disputavam palmo a palmo em luta porfiosa e desesperada.
Era então alcaide do castello da antiga Aruccitana um moiro nobre e opulento, senhor de muitas terras do Alentejo. Abu Assan, que assim se chamava, tinha uma filha por nome Saluquia, a quem amava ternamente. Em prova do seu afeto, dera-lhe em dote aquele castelo, por ele reedificado e guarnecido com tudo quanto era mister para conforto e defensa. A joven moira, tão ricamente dotada não tardou a contratar o seu casamento com um agareno não menos rico e poderoso e tambem alcaide do forte castelo de Arouxe.
Chegada a ocasião dos desposorios pos-se a caminho Braffma, era o nome do noivo, seguido de uma numerosa e luzida cavalgada. Ao entrarem porem num vale estreito e sombreado por espesso arvoredo, cairam sobre eles alguns cavaleiros cristãos, tão de improviso e com tal furia e denodo, que em breve espaço de tempo se viu o chão juncado de cadaveres, não escapando com vida um só sarraceno.
Foi esta acção uma empresa de antemão combinada e disposta; e foram autores dela dois fidalgos da corte de Afonso Henriques, chamados Alvaro Rodrigues e Pedro Rodrigues.
Apenas foi concluido este primeiro acto do drama, apressaram-se os dois fidalgos e os outros seus companheiros de armas a despojar os corpos dos moiros de todos os fatos e adornos e trocando-os pelos seus, num momento se acharam transformados em perfeitos cavaleiros mauritanos.
Assim disfarçados, seguiram o caminho do Castelo da noiva, entoando alegres vozes e gritas ao modo dos sarracenos. A desditosa Saluquia, que esperava ansiosa a vinda do consorte, viu da janela do alcaçar aproximar-se a brilhante e jovial comitiva. Com o riso nos labios e no coração a falaz esperança da felicidade, correu a ordenar á sua gente que baixasse a ponte levadiça e abrisse de par em par as portas da fortaleza, para receber o seu novo senhor. A sua ilusão porém passou rapidamente, como o relampago. As vozes de alegria e paz, que os cavaleiros entoavam ao transpôr os fossos do castelo, em breve se converteram no retinir das armas, nos alaridos da guerra e emfim nos brados de vitoria.
O sagrado pavilhão das quinas tremolava jà triunfante sobre as ameias da cidadela. A praça estava rendida aos pés do vencedor, mas não assim a sua altiva senhora. A desgraçada Saluquia, preferindo a morte á escravidão, arremeçara-se do alto da torre que defendia a entrada da fortaleza.
Em memoria deste sucesso, tomou a terra o nome de vila da Moura e por seu brasão de armas um escudo com um castelo e junto á porta deste, uma mulher morta.
Esta é a lenda, mas pretendem alguns autores que a povoação, antes desta conquista já era denominada Moura. Outros dizem, que durante o dominio dos arabes, davam-lhe estes o nome de Ilma-nijah.
O que é verdade historica, é ter sido conquistada aos infieis por aqueles dois cavaleiros, que tomaram desta empresa o appelido de Moura, que transmittiram aos seus descendentes, actualmente representados na pessoa do senhor marquês de Loulé.
A pouca distancia da vila, ha um sitio ainda hoje denominado Braffma de Arouxe, onde a tradição popular diz que foi assassinado o infeliz noivo.
No meio de certa confusão de noticias que se dá a respeito da tomada desta vila, parece depreender-se que, depois daquela primeira conquista, tornou a cair em poder dos moiros, sendo mais tarde outra vez resgatada pelos cristãos.
Reinando el rei D. Dinis, o senhorio de Moura, juntamente com o de algumas outras terras do Alentejo, foi causa de um rompimento entre Portugal e Castela, pelos annos de 1295. Terminada a guerra e reconhecido o direito de possessão a Portugal pelo tratado de paz de Ciudad Rodrigo, el rei D. Dinis deu foral á vila de Moura em Dezembro daquele mesmo ano.
Por ocasião da lcta da restauração de 1640, fizeram- se na vila de Moura importantes obras de defensa, que a elevaram á categoria de praça forte. Em Junho dc 1707, durante a guerra da sucessão de Espanha, rendeu-se esta praça por capitulação ao exercito espanhol, comandado pelo duque de Ossuna, depois de quinze dias de defensa. Passado algum tempo abandonou-a o inimigo, fazendo antes voar o Castelo e grande parte das fortificações da praça.
No nosso antigo sistema monarquico, a vila de Moura tinha voto em cortes com assento no banco quinto.
Ha na vila duas paroquias, S. João Baptista e Santo Agostinho, pertencentes outrora á ordem de Avis. Tem casa da Misericórdia, hospital e umas doze ermidas. Tem dois conventos de freiras, o de Nossa Senhora da Assunção, de religiosas dominicas fundado em 1562 dentro do castelo, e o de freiras de Santa Clara; e teve tres conventos de frades, um da ordem de S. Francisco, outro de carmelitas calçados e o terceiro de hospitaleiros de S. João de Deus, que tem servido de Hospital militar.
Conserva grande parte das antigas fortificações, posto que muito arruinadas, tais como a cerca de muralhas, com as suas quatro portas, do Carmo, Nova do Fojo, de S. Francisco e de Santa Justa; uma magestosa torre, fabrica del rei D. Dinis e varias reliquias de construções mais antigas, umas que se atribuem aos arabes e outras aos romanos.
As fortificações modernas acham-se tambem em muita destruição, pelo efeito daquela catastrofe e depois pelo abandono dos homens e pela acção do tempo.
As duas ribeiras de Brenhas e Lavandeira, que cercam e banham a vila e regam hortas e pomares; o rio de Ardila, onde estas vão desaguar, que mais caudaloso, faz moer muitas azenhas; e emfim, o Guadiana, que passa nas vizinhanças, tornamos suburbios de Moura bonitos frescos e amenos. O termo produz em abundancia cereais e azeite. Recolhe algum vinho, cera e mel e possui excelentes montados, onde se cria muito gado suino. Os montes abundam em caça e o Guadiana fornece variedade de peixe.
A vila de Moura é cabeça de comarca, distrito administrativo de Beja e encerra perto de quatro mil habitantes.
A 8 de Setembro tem a sua feira anual, muito concorrida de gente e de generos.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelo Censos 2011 Moura conta com 15 186 habitantes
Freguesias de Moura
Amareleja, Póvoa de São Miguel, Safara, Santo Agostinho, Santo Aleixo da Restauração, Santo Amador, São João Baptista, Sobral da Adiça
terça-feira, 25 de outubro de 2011
História de Montemor-o-Novo e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Montemor-o-Novo e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE MONTEMOR O NOVO
Na província do Alentejo, distrito administrativo de Évora, cinco léguas ao noroeste desta cidade, ergue se a vila de Montemor o Novo, meia sentada nas faldas de um monte cuja crista se divide em três cabeços, meia subindo pela encosta.
Teve por fundador a el rei D. Sancho I, no ano de 1201, recebendo deste monarca muitos privilégios e isenções, que lhe foram atraindo moradores.
Nestes tempos em que andava sempre ateada a guerra entre moiros e cristãos, não se fundava, ou pelo menos não podia medrar povoação alguma sem se prover á sua defensa. Assim pois em breve Montemor foi cercada de muros ameiados, edificando-se na parte mais alta um castelo que passava então por um dos maiores e mais fortes do reino.
Com tais condições de segurança, foi crescendo a povoação até romper o seu cinto de muralhas, vindo estender-se pela raiz do monte. Desassombrado finalmente o país da presença dos infiéis, voltados para a agricultura os braços e as atenções que quase exclusivamente se empregavam na guerra, prosperou muito Montemor o Novo graças à imensa fertilidade dos vastíssimos campos que a cercam. No século XVI, apogeu da sua prosperidade, dizem que chegou a contar três mil fogos.
Honraram-na com a sua residência, por varias vezes, os Reis D. Afonso V, D João II e D. Manuel. Este ultimo aí reuniu as cortes para a cerimonia do juramento e menagens dos três estados do reino, por ocasião da sua exaltação ao trono, em 1495.
Este mesmo soberano a fez vila, reformando e ampliando o foral que lhe havia concedido D. Sancho I. Deu- lhe o titulo de «notavel», a regalia de ter assento em cortes no banco quarto e por brasão de armas, um castelo sobre rochedos e uma ponte com seu rio, comemorando assim a origem da povoação, pois que tanto a fortaleza como a ponte, chamada de Alcácer, que atravessa junto á vila a ribeira de Cunha, foram obra de D. Sancho I.
Deriva esta vila o seu nome da eminencia em que está fundado o seu castelo e da necessidade de se diferenciar de Montemor o Velho, vila da Beira.
Com a usurpação de Castela começou a decadência de Montemor o Novo, juntamente com a de toda a monarquia. Depois a longa e porfiosa guerra da restauração, fazendo da província do Alentejo o principal teatro da luta, estagnou todas as fontes de prosperidade daquela vila e afugentou do seu seio a maior parte das famílias nobres e abastadas.
A paz e os muitos recursos do solo têm ressarcido em grande parte aquelas avultadas perdas, mas não poderá ainda restituir a vila ao seu antigo esplendor. Este condão estará destinado sem duvida á via férrea que promete pôr em breve Montemor o Novo em rápida e fácil comunicação com toda a província e com Lisboa.
Os edifícios religiosos desta vila são os seguintes: as igrejas paroquiais de Santa Maria do Bispo, Nossa Senhora da Vila, S. João e Santiago; a igreja da Misericórdia; o convento de Nossa Senhora da Saudação, de freiras dominicas, fundado em 1506; e varias ermidas. Teve quatro conventos de frades, um da ordem de S. Francisco, outro de S. Domingos, fundado em 1559, outro de Santo Agostinho e o ultimo de S. João de Deus. Este foi edificado em 1627 na rua Verde, nas casas onde nasceu S. João de Deus, o piedoso instituidor da ordem dos hospitaleiros.
Possui a vila um hospital desde o século XVI e varias casas particulares de aparência nobre.
O castelo está hoje cm grande ruína, bem como a cerca de muralhas em que havia quatro portas e cinco torres. Na luta com a Espanha, em 1640, acrescentaram-se a estas antigas fortificações outras obras de defensa segundo o sistema moderno, as quais ao diante se abandonaram, vindo também a arruinar-se.
Os arrabaldes da vila são cheios de hortas e pomares, correndo pelo meio deles a ribeira de Canha e outros arroios. O termo compõe-se de ricas herdades, abundantissimas de cereais e de azeite, em que se recolhe algum vinho e outros produtos agrícolas e nas quais se vêem extensos montados, onde se criam anualmente muitas mil cabeças de gado suíno.
No primeiro de Maio e no primeiro domingo de Setembro têm lugar nesta vila as suas feiras anuais, em que só faz bastante comercio.
El rei D. Afonso V fez esta vila cabeça de marquesado, em favor de D. João, filho segundo do duque de Bragança D. Fernando I. A alcaidaria mor andava na casa dos condes de Santa Cruz, que tinham o seu palácio dentro do castelo.
Montemor o Novo encerra uma população de duas mil e novecentas almas.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelos Censos 2011 Montemor-o-Novo conta com 17 409 habitantes
Freguesias de Montemor-o-Novo
Cabrela, Ciborro, Cortiçadas, Foros de Vale de Figueira, Lavre, Nossa Senhora da Vila, Nossa Senhora do Bispo, Santiago do Escoural, São Cristóvão, Silveiras
História de Monsaraz e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Monsaraz e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE MONSARAZ
Ergue-se esta povoação na província do Alentejo sobre um alto cabeço formado de um grupo de penhascos. A falda oriental deste monte desce até ao Guadiana. A vila fica a cinco léguas ao sul de Vila Viçosa e uma ao noroeste da vila de Mourão.
A memoria mais antiga que achamos desta terra, é que el rei D. Dinis a mandou povoar pelos anos de 1310 e lhe edificou o castelo.
Enquanto as guerras com os nossos vizinhos se sucediam umas ás outras, com pequenos intervalos, Monsaraz era um sitio apetecido e procurado pelos povos daqueles contornos, que achavam naquela posição fortificada e quase inacessível, a tranquilidade e segurança que se não podia desfrutar nos campos. Assim cresceu e prosperou esta vila. Porém, logo que vieram tempos mais bonançosos e que a paz começou a dar alguma garantia de duração, tornou-se incomoda a todos os respeitos aquela vivenda e os seus moradores foram pouco a pouco desertando dali.
A duas léguas de Monsaraz, para o lado de leste, no meio de dilatadas e férteis campinas, via-se então uma ermida dedicada a Santo António. Aproximava-se ao seu fim o século XVII, quando se principiaram a edificar algumas pequenas casas em torno da ermida. No começo do século seguinte já era uma aldeia chamada do Reguengo, com sua igreja paroquial da invocação de Nossa Senhora da Caridade. A fertilidade do terreno, a bela situação do lugar e a industria dos moradores em vários tecidos de lã ordinários e na fabricação de chapéus grossos, fizeram aumentar por tal modo esta aldeia que, em 1838, foi transferida para aqui a cabeça de concelho que até então se achava em Monsaraz. Passados dois anos, por carta regia de 29 de Fevereiro de 1840, foi a aldeia de Reguengo elevada á categoria de vila, com o nome de Vila Nova dos Reguengos.
A historia do engrandecimento desta povoação é portanto a mesma da decadência de Monsaraz. A expensas desta, até certo ponto, tem aquela crescido e prosperado. E daqui se tem originado um ódio entranhável entre os habitantes das duas terras.
Monsaraz, que teve outrora três paroquias, hoje apenas conta uma, que tem a invocação de Santa Maria da Lagoa. A primeira fabrica deste templo foi obra do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, mas ao presente acha-se amodernada. É uma igreja espaçosa, de três naves e com três portas na frontaria. Entre a porta do meio e a da parte esquerda, entrando no templo. vê-se um grande túmulo de mármore, assente sobre leões. Sobre a tampa está estendida a estátua de um cavaleiro com um cão deitado aos pés. Na face do mausoléu, que está voltada para a capela mor, estão lavradas em relevo quatorze figuras de santos e na face que corresponde aos pés do finado, avulta a imagem de um cavaleiro empunhando um falcão em quanto outro vôa direito a uma árvore, em que estão poisadas duas aves, para as quais correm também dois cães. Na borda da tampa tem um letreiro gótico meio apagado, em que apenas se pode ler que ali descansa Tomas Martins, Vassalo del rei. No chão, junto a este túmulo, está a sepultura de Martim Silvestre, pai de Tomas Martins, que morreu em 1371.
Tem a vila de Monsaraz casa de misericordia com um pequeno templo, edificado em frente da matriz e no qual se vêem dois painéis pintados em madeira da escola do Grão Vasco.
A vila é cercada de muros hoje bastante arruinados. O castelo ainda se conserva de pé, com as suas torres e muralha,s porém os mais edifícios que encerrava estão inteiramente derrocados. Das ameias da torre de menagem, avistam- se em dilatadissimo horizonte, as cidades de Évora e de Elvas, as vilas de Évora Monte, de Estremoz, de Mourão, de Alconchel, de Vila Nova del Fresno, de Olivença, que foi nossa e agora é de Espanha e além doutras povoações menos importantes a Serra d 'Ossa e outras cordilheiras de montanhas.
Como a vila de Monsaraz cresceu muito, depois da construção dos seus muros, acha-se fora deles, como arrabalde, uma parte da povoação. Tem muitas casas desertas e pouca vida nas ruas, pois que os seus habitantes estão reduzidos a pouco mais de mil e duzentos.
Não há fontes na vila. Os moradores ou se hão-de prover de agua numa grande cisterna que aí há ou na fonte do Outeiro, que está nas faldas do monte. A cisterna é uma casa de abobada, com porta para a rua, da qual desce uma escada de pedra até ao fundo do deposito. Conta o povo, por tradição, que esta casa foi mesquita dos moiros. A 15 de Agosto tem esta vila a sua feira anual.
Nos subúrbios de Monsarás está o edificio do extinto convento de Nossa Senhora da Orada, que foi de Agostinhos descalços e fica a meia légua da vila. Em igual distancia corre o Guadiana, apertado entre montes. Na raiz da mesma montanha em que campeia a vila, há uma ermida, cuja capela mor de forma oitavada e de grossa muralha dizem ter sido templo romano.
Cereais, algum azeite, muitos montados em que se cria grande quantidade de porcos, mel e cera, são as principaes produções do termo. Os montes são abundantes de caça e o Guadiana de peixe.
Monsaraz tinha voto nas antigas cortes com assento no banco décimo sexto. O seu brasão é um simples escudo de prata. A alcaidaria mor desta vila andava na família dos Britos Pereiras.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Monsaraz é uma freguesia do concelho de Reguengos de Monsaraz
História de Monforte e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Monforte e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE MONFORTE
Acha-se situada esta vila na província do Alentejo, entre a cidade de Portalegre e Vila Viçosa, distando quatro léguas da primeira para o sul e outras tantas da segunda para o norte.
Não há noticia certa sobre a fundação desta vila, mas sabe-se que já existia no principio da monarquia, pois consta de um alvará de D. Afonso IV, que se guarda no arquivo municipal, que el rei D. Afonso Henriques lhe concedera grandes privilégios e isenções.
Com as guerras dos moiros, durante os quatro primeiros reinados, se arruinou e ficou quase deserta. El rei D. Afonso III mandou-a reedificar e povoar de novo em 1270 e seu filho, el rei D. Dinis, construiu o seu castelo e cercou-a de muros. Tinha voto nas antigas cortes, sentando-se os seus procuradores no banco decimo segundo. São seus alcaides mores os senhores condes das Galveias. Tem por armas três torres com seus corucheos e sobre estes três bandeiras.
Está fundada esta vila sobre um monte alto e de difícil acesso, principalmente do lado do norte e desta sua posição tirou o nome de Monforte, abreviatura de Monte forte.
Divide-se a povoação em três paroquias: Santa Maria, que é a matriz; S Pedro e Santa Maria Madalena. Tem casa de Misericórdia, hospital, um convento de freiras franciscanas fundado no reinado de D. João III por Fernão Ribeiro Montoso, natural de Monforte e no qual residem mui poucas religiosas; e as ermidas de Nossa Senhora, S. Sebastião, S. Domingos, o Espírito Santo, S. Gião e Nossa Senhora da Conceição. Esta ultima é um belo templo, bem ornado e servido e onde concorrem muitas romagens daqueles arredores.
O termo de Monforte é cortado por varias ribeiras. As principais, chamadas de Avis e Leça, têm aprazíveis margens e regam campos fertilissimos, em que se cultivam muitas e boas frutas. Possui este termo mui ricas herdades, com magníficos montados de lande e bolota, onde se cria muito gado suíno e, além deste, que é o principal, de todo o mais. Produz muitos cereais e vinho. Os montes abundam em caça de todo o género.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelos Censos 2011 Monforte conta com 3351 habitantes
Freguesias do Monforte
Assumar, Monforte, Santo Aleixo, Vaiamonte
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
História de Mértola e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Mértola e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE MÉRTOLA
Foi Mértola uma das mais importantes e nomeadas cidades da antiga Lusitânia, com o nome de Mirtilis Julia.
Segundo a opinião de alguns escritores, deveu a sua origem aos tírios e fenícios que, fugindo das armas vitoriosas de Alexandre Magno, vieram aportar á Lusitânia e aí fundaram, trezentos e dezoito anos antes do nascimento de Cristo, uma povoação sobre o Guadiana a qual denominaram Mirtilis, que quer dizer Nova Tiro e que, ao diante, se corrompeu em Mértola.
Seja ou não verdade esta origem, pelo menos não repugna dar-lhe credito. Os fenícios eram o povo mais industrioso da antiguidade. Foi a primeira nação, de que há noticia, que se deu com fervor e perseverança ao trafico comercial, saindo do seu país para permutar as suas mercadorias no estrangeiro e para explorar fontes de riqueza em remotas regiões.
A Península Ibérica, país então selvagem e mui afastado do centro de civilização dessa época, era uma das regiões que os fenícios mais frequentavam. Navegando terra a terra, percorriam todas as costas do Mediterraneo, devassando os rios que nele vêm desaguar e, saindo ao oceano, vinham também surgir nos nossos rios, principalmente no Guadiana no Sado e no Tejo. Exploravam as terras vizinhas; recolhiam os produtos que mais lhes convinham, sobretudo miniferos; e nos sítios mais ricos, ou que mais apropriados lhes pareciam a quaisquer vantagens, fundavam pequenas colónias.
É possível, portanto, que no caso de não ser exacta aquela noticia, aqueles navegadores aventureiros, em algumas das suas excursões pelo Guadiana, fundassem junto ás suas margens uma povoação.
O que é fora de duvida é que no tempo em que Roma estendia por toda a parte o seu domínio, era Mirtilis uma cidade de tal importância que mereceu ser elevada, pelos orgulhosos senhores do mundo, á preeminencia de município do antigo Lacio, prerogativa que bem poucas cidades das Hespanhas puderam alcançar. Os seus moradores, talvez em sinal de gratidão por alguns favores recebidos, acrescentaram-lhe o nome de Júlio César, ou este, para a honrar, lhe deu o seu nome, com o que se ficou chamando Mirtilis Julia. Encontram-se muitas noticias desta cidade nos autores antigos e também se têm achado, nos próprios lugares, muitos vestígios seus, que atestam a sua prosperidade e grandeza.
Nas invasões dos bárbaros do norte, que destruíram o império romano e depois, na dos árabes, que derrocaram a monarquia goda, padeceu muito aquela cidade, na espoliação das suas riquezas, na ruína dos seus edifícios e na morte e dispersão dos seus habitantes. É provável que tantas calamidades a deixassem inteiramente arruinada, como aconteceu a todas ou quase todas as principais cidades da peninsula. Os moiros reconstruíram-na e de novo a povoaram, porém na guerra cruenta que em breve se acendeu entre o islamismo e cristianismo, viu-se exposta a novos desastres e vicissitudes até que o nosso rei D. Sancho II a conquistou no ano de 1239, unindo-a para sempre á coroa de Portugal.
Desta vez não foi mais feliz que nas guerras anteriores, pois que nessa luta tremenda de cristãos e moiros, a espada do vencedor era tão inexorável para os homens como para os monumentos. D. Sancho II mandou-a povoar e fez doação dela á ordem militar de Santiago, para que os seus cavaleiros tomassem o encargo de defender aquela posição importante, por ficar fronteira á Andaluzia e próxima do Algarve, onde os moiros conservavam florescentes estados e grande poder.
Já se vê que em tais circunstancias não podia crescer e desenvolver se a povoação, que não era por certo apetecível uma vivenda tão vizinha de inimigos tão figadais. Por conseguinte só veio a tomar algum incremento depois que os sarracenos foram expulsos da Andaluzia e do Algarve.
Deu-lhe foral de vila el rei D. Dinis, sendo de há muito conhecida pelo seu actual nome de Mértola. Gozava então de voto em cortes, sentando-se os seus procuradores no banco décimo oitavo. Eram seus alcaides mores os condes de Santa Cruz, titulo e família hoje extintos.
O seu brasão de armas é um escudo de prata e nele um cavaleiro de Santiago a cavalo e armado de escudo e espada, em acção de arremeter. Na parte superior, juntos a um canto do escudo, tem dois martelos.
Está sentada esta vila na encosta de um monte, cujas faldas banha o Guadiana pelo lado de este e o pequeno, mas fundo, rio de Oeiras pelo sul. Dista da cidade de Beja nove léguas, para o sul e onze da foz do Guadiana.
Contém a vila de Mértola uns dois mil e quatrocentos habitantes, com uma paroquia, igreja e hospital da Misericórdia e cinco ermidas. Teve um convento da ordem militar de Santiago.
A sua posição é bastante defensável por natureza e alguma coisa fez a arte em outros tempos para a tornar mais forte. As margens do Guadiana e da ribeira de Oeiras fazem-lhe alegres e aprazíveis os subúrbios, assim como as águas dos dois rios concorrem para os fazer produtivos o termo, que se estende até ás serras de Caldeirão, Agra e S. Varão, é dos mais férteis do Alentejo. Produz cereais, legumes frutas, vinho, cêra, muito mel, gado e caça. O Guadiana fornece a vila de diversas espécies de peixe, sobretudo de solhos, em que abunda. Tem duas feiras no ano, uma a 13 de Junho e a outra a 21 de Setembro.
Tanto no terreno ocupado pela vila, como nas imediações, têm-se encontrado em diferentes épocas, muitos objectos de antiguidade e alguns de grande apreço artístico, como estátuas, vasos, colunas, cippos, etc. De uma bela ponte, que os romanos construíram sobre o Guadiana, ainda restam vestígios. O nosso erudito escritor D. frei Amador Arraes, bispo de Portalegre, falando numa sua obra da vila de Mertola, diz que entre umas estátuas de mármore que nos fundamentos da Misericórdia desta vila se acharam, vira uma de uma matrona admiravelmente lavrada.
Na antiga Mirtilis padeceu martírio o bispo S. Fabricio e nela nasceu S. Varão, irmão de Santa Barbara e de S. Brissos, o qual, vivendo vida eremitica na serra a que deu o seu nome, aí morreu pelos anos de 300 da era cristã. No sitio da sua sepultura, fundou-se depois uma ermida que, de reconstrução em reconstrução tem chegado até aos nossos tempos e é muito venerada e procurada daqueles povos. Próximo da ermida mostra-se a gruta em que o santo eremita viveu.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelo Censos 2011 Mértola conta com 7289 habitantes
Freguesias de Mértola
Alcaria Ruiva, Corte do Pinto, Espírito Santo, Mértola, Santana de Cambas, São João dos Caldeireiros, São Miguel do Pinheiro,São Pedro de Solis, São Sebastião dos Carros
domingo, 23 de outubro de 2011
História de Marvão e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Marvão e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA E PRAÇA DE MARVÃO
Num dos mais altos cabeços da serra de Portalegre, na província do Alentejo, está assentada a vila e praça de Marvão. Todavia, posto que este monte conte meia légua de elevação, o cume é perfeitamente plano.
Para os lados de norte, sul e oeste, é formado todo o monte de rocha viva, como que cortada a prumo, até a um profundíssimo vale, com tais quebradas e tão escarpada penedia, que o acesso por ali é impossível. O ingresso para a vila é pelo lado de leste, onde o dorso da montanha está despido de rochedos e se eleva com menos precipitada inclinação. Porém ainda assim e apesar de subir em voltas, o caminho é muito íngreme e penoso.
Como esta parte é a que olha para a fronteira de Espanha, de onde dista uma légua, é nela que se acham as principais fortificações da praça, pois que as outras estão defendidas pela natureza. Na raiz do monte ergue-se pois a primeira muralha, que é banhada pelo pequeno rio Aramenho, o qual lhe serve de fosso. Dentro da vila para oeste levanta-se o castelo, acompanhado de alguns baluartes.
Dizem os nossos antiquários que foi fundada esta vila quarenta e quatro anos antes do nascimento de Cristo, pelos herminios, antigo povo da Lusitânia que habitava na serra da Estrela e suas circunvizinhanças e que, vindo a arruinar-se ou sendo destruída na invasão dos sarracenos, foi mandada reedificar e povoar no ano da era cristã de 770, por um moiro chamado Marvão, que era senhor de Coimbra e do qual tomou o nome.
El rei D. Dinis mandou edificar o castelo e a cerca de muralhas; e nos tempos da guerra da restauração contra o domínio de Castela, fizeram-se-lhe algumas obras de fortificação, segundo o sistema moderno.
Marvão gozava antigamente de voto em cortes com assento no banco décimo primeiro e tinha por alcaides mores os condes da Atalaia.
Consiste o seu brasão de armas de um castelo de oiro em campo azul, tendo por cima o escudo das quinas e duas chaves.
Divide se a vila em duas paroquias, uma da invocação de Santa Maria e a outra intitulada de Santiago. Tem casa de Misericórdia, hospital e quatro ermidas.
Os moradores fornecem-se de agua de uma grande cisterna que há no Castelo, junto á entrada de um poço de agua nativa e de uma fonte que fica na encosta do monte próximo ao caminho que conduz para a vila.
Marvão encerra uma população de mil e trezentas almas. De vários sítios da vila, descobre-se um horizonte dilatadissimo. Vêm-se, entre outras serranias, as da Estrela e de Beja e diversas povoações.
Nos subúrbios tinha um convento de frades franciscanos. O rio Aramenho faz férteis os campos circunvizinhos, onde há algumas hortas e pomares. O termo produz cereais, legumes e azeite e nele se criam gados e caça.
Numa quinta que ali possui o senhor conde da Atalaia, têm- se achado muitos vasos de barro, medalhas, inscrições e outras antiguidades. Não muito longe, ainda dentro do termo de Marvão, descobrem se ruínas de edifícios antigos em uma grande extensão de terreno, que bem mostram ter existido ali uma povoação importante. Conforme a opinião de um nosso escritor, que se deu muito ao estudo das antiguidades do nosso país, o padre Luiz Cardoso da congregação de S. Filipe Néri, essas ruínas são de uma cidade que se denominava Arménia. Diz o mesmo autor que o nome de Aramenha, que se dá ali a uma freguesia e o do Aramenho, porque se conhece o rio, são corruptelas do nome daquela cidade.
No distrito desta freguesia de Aramenha, ergue-se a serra da Portagem, nas abas da qual, para o lado do ocidente, há uma caverna de muita profundidade, que terá cento e cinquenta palmos de altura. Dela segue pelas entranhas da serra e em direcção do norte outra caverna compridissima, onde os curiosos não se têm atrevido a penetrar muito em razão da falta de luz e ar. As paredes e abobadas destas cavernas são de rocha e dizem que mostram sinais de terem sido abertas por esforço de arte humana. É tradição naqueles povos que foi uma mina de chumbo que aí esteve em exploração.
Dista Marvão duas léguas da cidade de Portalegre, para o nordeste e uma da vila de Castelo de Vide para o sueste. Valença de Alcântara é a povoação do reino vizinho que lhe fica mais perto, na distancia de duas léguas. Porém, á parte mais próxima da fronteira, como acima, dissemos não vai mais de uma légua.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelos Censos 2011 Marvão conta com 3553 habitantes
Freguesias de Marvão:
Beirã, Santa Maria de Marvão, Santo António das Areias, São Salvador da Aramenha
terça-feira, 11 de outubro de 2011
História de Juromenha, Alandroal, Alentejo e imagem de 1860 do antigo brasão
Alentejo
História de Juromenha, Alandroal e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE JUROMENHA
É esta vila uma das nossas praças de armas da fronteira do Alentejo. Está edificada junto á margem direita do Guadiana, sobre um outeiro escarpado para o lado do rio e guarnecido em torno com obras de fortificação. Dista da cidade de Elvas três léguas para o sudoeste e seis de Estremoz para o sueste.
Se houvermos de dar credito a alguns escritores que entre nós se têm dedicado ás antiguidades do país, Juromenha teve por fundadores os galos celtas e Júlio César cercou-a de muros, dando- lhe o nome de Julii-mosnia, depois corrupto em Juromenha.
Partindo porém de tempos mais conhecidos, diremos que el rei D. Dinis, achando-a em grande ruína e falta de moradores, mandou-a reedificar e povoar no ano de 1312. Um antigo castelo que ali havia, obra romana, conforme uns e mourisca segundo outros, foi também reparado pelo mesmo soberano. Por esta ocasião concedeu D. Dinis muitos privilégios a Juromenha, com o fim de atrair ali novos habitantes.
Não sabemos de que época data o seu brasão de armas, mas supomos que lhe foi dado naquele reinado. Consiste num escudo de prata com um castelo, cercado de agua, pendendo dele dois grilhões. O castelo e a agua são alusões á vila fortificada e ao rio que a banha. Os dois grilhões significam um antigo privilegio que os seus moradores gozavam, de não poderem ser mudados para outra cadeia fora da vila, estando presos sem que os tribunais pronunciassem sentença final.
Tem esta vila uma só paroquia, dedicada a Nossa Senhora do Loreto; casa de Misericórdia, hospital e quatro ermidas. A sua população não chega a seiscentas almas. Como praça de guerra, tem governador e uma pequena guarnição.
As margens do Guadiana fazem amenos os subúrbios da vila, próximo da qual entra naquele rio a ribeira de Mures, em cuja foz se costuma pescar varias espécies de peixes. O termo abunda em cereais, frutas e pastagens. Tem muitos azinhais e matos, onde há variada caça.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
Juromenha é uma freguesia do concelho do Alandroal
História de Grândola e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Grândola e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE GRÂNDOLA
D. Jorge de Lencastre, duque de Coimbra e filho legitimado del rei D. João II era muito afeiçoado aos exercícios da caça. Um dos sítios que mais procurava para esta distracção, era a serra de Grândola, nos limites da comarca de Setúbal, povoada de todo o género de caça.
Para sua maior comodidade, mandou edificar um palácio nas faldas da serra onde havia uma pequena e pobre aldeia, chamada o lugar de Grândola. Assim que o duque viu acabado o palácio, passou a viver nele uma boa parte do ano.
Achando-se em certo dia á janela, a recrear os olhos na mata de sobreiros e carvalhos que lhe ficava defronte e mui vizinha, um grande e sanhudo javali, rompendo com fúria o mato, perseguido dos cães veio parar ao terreiro do palácio. O duque, mal viu a fera, bradou pelos criados e vassalos, saltou as escadas de um pulo e saiu a campo para montear o javali.
Faltou-lhe porém o mais destro e ousado dos seus monteiros e a esta falta atribuiu D Jorge o pesar de lhe escapar o animal. A extensão de semelhante desgosto, só pode ser avaliada pelas pessoas que encontram na caça o maior prazer da vida. Julgue-se, portanto, da desesperação do duque, por não ter corrido á sua voz o monteiro que mais desejava ver ao pé de si. Todavia não fora culpa do vassalo o não se achar ao lado do seu real senhor quando este precisou dos seus serviços. Outros deveres imprescritiveis o tinham chamado a uma audiência judicial na vila de Alcácer do Sal, a cujo termo pertencia o lugar de Grândola.
Para evitar, pois, a repetição destes casos, impetrou e alcançou D. Jorge del rei D. João III, o foro de vila, para o seu lugar de Grândola, o que leve efeito no ano de 1543.
Empenhou-se desde então o duque de Coimbra em aumentar e aformosear a humilde aldeia, que de tudo necessitava para bem merecer a honra a que fora elevada. Com as imensas riquezas de que dispunha, fácil lhe foi dar grande impulso á edificação de novas casas, à reconstrução da matriz, que apenas era uma pequena ermida; e a outras fabricas mais. Com os privilégios do foral que obtivera da munificencia regia, com o fausto com que vivia e com a autoridade e consideração da sua pessoa, como príncipe e perfeito cavalheiro que era e como grão mestre da ordem de Santiago, também conseguiu sem muita dificuldade ir atraindo á sua vila numerosos moradores de diversas classes da sociedade, entrando nesta conta algumas famílias nobres e ricas que aí fundaram boas casas para sua residência.
Tal foi a origem da vila de Grândola e por tais razões é uma das terras do reino edificadas com mais regularidade.
Está situada, como dissemos, nas faldas de uma serra do mesmo nome, quase nos limites da província da Estremadura e quatro léguas ao sul da vila de Alcácer do Sal.
Compõe-se a povoação de cinco ruas, bem alinhadas e de varias travessas que as cortam. No centro está a matriz que é a única paroquia, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, a qual, quando era simples ermida, tinha a invocação de Nossa Senhora da Abendada.
Os templos de S. João Baptista, de S. Domingos, de S. Sebastião e de S. Pedro, estão colocados em quatro pontos opostos, de modo que formam uma cruz, ficando a matriz no meio dela.
A igreja e hospital da Misericórdia acham-se fundados em frente do antigo palácio do duque de Coimbra, no sitio onde o javali rompeu do mato para o terreiro.
No ano de 1679 fundou-se nesta vila um celeiro comum, á maneira do de Évora, para fazer empréstimos de trigo aos lavradores pobres, recebendo depois na mesma espécie o capital e um modico juro.
Muitas vinhas, hortas e olivais, alguns campos de trigo e, mais longe, bosques de sobreiros e carvalhos, o rio Davino com suas margens arborizadas e que passa junto da vila indo desaguar no Sado, depois de fazer trabalhar varias azenhas; o Borbolegão, e outros mananciais de puríssimas águas; o próprio Sado, que corre não mui distante, fazem as cercanias de Grândola muito produtivas, aprasiveis e formosas.
Além dos frutos próprios das culturas a que nos referimos, a criação de gado, principalmente suíno, constitui ali um ramo de grande comercio.
Grândola conta uns dois mil e duzentos habitantes e tem por armas um escudo com a cruz da ordem de Cristo, segundo dizem os autores que temos á vista, o que não se conforma muito com a circunstancia de ter sido o fundador da vila um grão mestre de Santiago e de ter pertencido a esta ordem a apresentação dos seus párocos.
Fazem-se na vila algumas feiras anuais.
Há nas vizinhanças de Grândola algumas curiosidades que devemos mencionar. O Borbolegão é um olho de agua que nasce junto da vila, apresentando um diâmetro como o da roda de um carro. É tal a violência com que rebenta, que expulsa qualquer corpo que lhe lancem por pesado que seja, arremessando-o fora da agua. O fragor, que as águas aí fazem, assemelha-se ao do mar embravecido e ouve-se em distancia.
Este manancial forma um rio, que vai entrar no oceano próximo da vila de Sines. Dois pontos tem no seu curso mui notáveis e dignos de exame. Um, a que o povo chama a Diabroria, é uma lagoa feita pelas águas do Borbolegão que se despenha, ao sair dela, de uma alta penedia. O outro, chamado a Ponte dos Aivados, é uma das mais belas curiosidades naturais que se encontram no nosso país. O rio, minando e gastando uma elevada rocha que impedia a passagem da sua furiosa corrente, formou aí uma ponte natural que a natureza foi vestindo de heras e tão ampla que lhe passam carros por cima com comodidade e segurança. Os arvoredos das margens do rio acrescentam muita beleza a este sitio pitoresco.
Outra curiosidade não menos digna de ser visitada, é a serra das Algares com as suas famosas grutas. Começa esta serra a uma légua ao nascente da vila de Grândola e vai correndo para leste por mais uma légua, ate ao sitio chamado Castelo Velho, por causa de um antiquíssimo castelo arruinado que aí se vê. Está minada esta serra na base e em todo o seu comprimento com extensas galerias, por onde se pode transitar até muita distancia.
Em diversas partes destas galerias se encontram profundos poços, que não deixam duvidar de que tudo isto foi obra dos homens em tempos mui remotos, dos romanos ou talvez dos fenícios, para explorações mineralógicas.
Pela extensão e fabrica das galerias e pela quantidade e grandeza dos poços, vê-se que os trabalhos da lavra destas minas foram executados com muita perícia e deve- se presumir que daqui se tirou grande porção de metais. Os terrenos contíguos á serra, para o lado do norte, estão cobertos de escumalho, provando assim que ali houve fundição de metais.
No principio do século passado (18), cavando-se á entrada de uma destas minas, achou-se uma moeda de prata romana.
No reinado del rei D. João V, foram estas minas inspeccionadas por pessoas peritas, mandadas a esse fim pelo governo. Segundo a opinião dessas pessoas, extraíram-se delas muita quantidade de ferro e prata.
Dá-se nesta serra dos Algares, a singularidade de serem potaveis e muito boas todas as águas que brotam do seu seio, pelo lado do sul, ao passo que nenhuma é potável das que rebentam pelo lado do norte. Todas estas são impregnadas de substancias que lhe dão diversos sabores e que imprimem diferentes cores nas pedras e terra por onde passam, obstando á vegetação nos terrenos que humedecem. Ao que parece são diferentes qualidades de águas minerais, que muito conviria que fossem examinadas por hábeis químicos.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelos Censos 2011 Grândola conta com 14 854 habitantes
Freguesias de Grândola
Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão
Carvalhal
Grândola
Melides
Santa Margarida da Serra
domingo, 9 de outubro de 2011
História de Garvão, Ourique e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Garvão, Ourique e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE GARVÃO
É esta uma vila pequena, mas muito antiga. A sua origem é duvidosa, atribuindo-a alguns autores aos moiros e outros aos cavaleiros de Santiago, logo no principio da monarquia. Os primeiros aduzem, como argumento, o seu nome de Garvão, que dizem ser de procedência arabica. Os segundos fundam a sua opinião na circunstancia de lhe ter sido dado o seu primeiro foral de vila pelo mestre de Santiago, D. Paio Peres Correia, no meado do século XIII. É porém indubitável, que na infância da monarquia, já era povoação importante, pois gozava da prerogativa de enviar procuradores ás cortes, os quais tinham assento no banco décimo quarto.
El rei D. Manuel reformou lhe o foral, em 10 de Julho de 1512, dando-lhe novos e maiores privilégios, talvez por se achar decadente. Outrora contou muitos mais moradores do que os que ao presente tem, que não chegam a novecentos.
Está situada na província do Alentejo, a duas léguas para oeste da vila de Ourique e junto á estrada real, que comunica com o Algarve.
Tem uma só paroquia, intitulada de Nossa Senhora da Assunção. Os seus principais edifícios e estabelecimentos reduzem-se á casa de Misericórdia, hospital casa da câmara e ermidas do Espírito Santo, de S. Pedro e de S. Sebastião.
O termo é muito fértil; produz abundância de cereais, legumes e frutas, e cria-se nele muito gado, especialmente suíno, bem como varias espécies de caça.
A 10 de Maio tem uma feira anual de três dias.
O brasão de armas desta vila é um escudo com uma árvore verde em campo de prata e na parte superior duas cruzes de purpura da ordem de Santiago.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Garvão é uma freguesia do concelho de Ourique
História de Fronteira e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Fronteira e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE FRONTEIRA
Na província do Alentejo, a quatro léguas norte da vila de Estremoz e cinco este da de Avis, acha- se situada a vila de Fronteira, em lugar alto mas plano.
A primeira fundação desta vila foi no século XIII, sobre um outeiro vizinho, chamado mais tarde Vila Velha. Parece que foi seu fundador D. Fernando Rodrigues Monteiro, quarto mestre da ordem de S. Bento de Avis.
No século seguinte, por estar a povoação arruinada com as guerras dos moiros, ou por outras razões, dizem que el rei D. Dinis a mudara para o sitio em que se acha, começando a denominar-se Fronteira, por ficar defronte da outra que se abandonou.
Há outra opinião que pretende que este nome lhe veio da circunstancia de ser edificada mesmo na fronteira das terras ainda então ocupadas por moiros, o que só se pode referir á fundação primitiva.
Deu lhe foral el rei D. Manuel em Julho de 1512 e, entre as suas prerogativas, tinha a de gozar de voto em cortes, sentando.se os seus procuradores no banco décimo segundo. O seu brasão de armas consiste simplesmente em um escudo de prata sem mais divisa.
Como documento da sua antiguidade, ainda possui um velho castelo, que se atribui a el rei D. Dinis. Tinha uma cerca de muralhas com sete torres, hoje em grande parte destruída.
Consta a povoação de uma só paroquia, da invocação de Nossa Senhora da Atalaia, titulo que lhe foi posto pela rainha Santa Isabel. Tem casa da Misericórdia, hospital e varias ermidas; e teve um convento de Santo António, dos Capuchos da província da Piedade.
Nos subúrbios desta vila, em um sitio chamado a Cerejeira, que fica no vale da Amoreira, descobriram- se em princípios do século passado (18), algumas peças de oiro de muito peso e valor, que se reputaram romanas. Por esse tempo viam- se nesse sitio vestígios de edifícios antigos.
Também não longe de Fronteira, deu-se a celebre batalha dos Atoleiros, em que o Condestável D. Nuno Álvares Pereira derrotou completamente os castelhanos.
O termo de Fronteira é de muita fertilidade. Corta-o a ribeira de Avis, ou Zeta, que passa a um quarto de légua da vila. Tem muitos e excelentes montados, onde se cria bastante gado. Produz muito trigo e azeite, algum vinho e frutas. É abundante de caça.
Fronteira conta uns mil oitocentos e quarenta habitantes. El rei D. Pedro II criou marquês de Fronteira o segundo conde da Torre, D. João Mascarenhas. O representante desta ilustre casa é hoje o sétimo marquês.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Peço Censos 2011 Fronteira conta com 3412 habitantes
Freguesias de Fronteira
Cabeço de Vide
Fronteira
São Saturnino
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Imagens Milagrosas em Portugal - Évora
Imagens Milagrosas em Portugal - Évora
Em Évora, no Mosteiro Agostiniano de Santa Mónica é venerada uma Imagem do Menino Jesus, o qual, pelos estupendos milagres que principiou a manifestar pelos anos de 1570, quer o Mestre Anjos que se propagasse em Portugal a grande devoção que nele há do Menino Deus.
Imagens Milagrosas em Portugal - Castelo de Vide
Imagens Milagrosas em Portugal - Castelo de Vide
No Convento da Conceição de Castelo de Vide existe uma preciosa lâmina de cobre com a esfinge de Cristo Nosso Senhor, metida numa vidraça, com um letreiro por fora, que diz ter sido tirado de Amiralda pelo Grão Turco e mandado de presente ao Papa Inocêncio VIII, para efeito de lhe resgatar um irmão, que tinha cativo.
Não sabemos qual dos dois retratos, este ou o de Aveiro, é o verdadeiro que se mandou ao Pontífice.
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