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segunda-feira, 10 de junho de 2013

História: Fenícios e Romanos nos Açores

Fenícios e Romanos nos Açores

São vários os vestígios arqueológicos encontrados nos Açores que parecem provar a presença dos Fenícios naquelas ilhas: dezenas de túmulos escavados na rocha (hipogeus) parecidos com os que foram construídos pela civilização fenício-púnica em toda a região do Mediterrâneo há mais de 2 mil anos; construções de pedra que apontam para  uma época ainda mais recuada, o período neolítico (10 mil a 3 mil anos antes de Cristo); uma coluna com inscrições aparentemente do tempo dos romanos. Nos últimos anos têm-se multiplicado os achados arqueológicos que sugerem uma provável presença humana continuada muito antes da chegada dos portugueses aos Açores, em 1427.

No a ilha do Corvo, são pelo menos 100 os possíveis hipogeus espalhados por toda a ilha. Muitos estão tapados por pedras, mas os que se encontram abertos foram sucessivamente reutilizados por gerações de agricultores para guardar gado ou utensílios agrícolas. Na ilha Terceira, no Monte Brasil, que domina a baía de Angra do Heroísmo, os hipogeus repetem-se, embora sejam de maiores dimensões e muito menos numerosos. A 4 quilómetros a norte da cidade, na zona do Espigão, construções em pedra que parecem megalíticas emergem no meio de uma mata.

José Malhão Pereira, membro da Academia da Marinha afirma que «era possível navegar do Mediterrâneo para os Açores com os veleiros existentes nas épocas dos fenícios ou dos romanos, embora fosse mais fácil regressar, por causa da direcção dos ventos no sentido do nordeste».

Nuno Ribeiro, Presidente da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA) afirma que os fenícios, cartagineses ou romanos não podiam navegar do Mediterrâneo para o Atlântico, contra os ventos dominantes, em barcos de vela quadrada. «Mas os fenícios, por exemplo, chegaram a ocupar uma parte da  Mauritânia navegando ao longo da costa africana, e qualquer barco que quisesse regressar ao Mediterrâneo tinha que passar obrigatoriamente pelos Açores, devido à direcção dos ventos e das correntes marítimas. Era a famosa volta da Guiné, ou volta da Mina, de que falavam os navegadores portugueses das Descobertas, rota que passava nas cinco ilhas do grupo central (Terceira, Faial, Pico, S. Jorge e Graciosa), onde os melhores portos naturais estavam onde hoje são as cidades de Angra do Heroísmo, na Terceira, e da Horta, no Faial».

Romeo Hristov, arqueólogo da Universidade do Texas em Austin, que visitou em Abril as estruturas da ilha Terceira, considera que «há a possibilidade de se descobrir algo de importante nos Açores que aponta para uma navegação muito antiga no Atlântico...»

Fonte: Virgílio Azevedo, Expresso, edição impressa de 8 de Junho de 2013


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

História de Ponta Delgada, Açores e imagem do antigo Brasão




História de Ponta Delgada, Açores e imagem do antigo Brasão


A CIDADE DE PONTA DELGADA 

No ano de 1431 mandou o sábio infante D. Henrique a Gonçalo Velho Cabral, comendador de Almourol, descobrir novas terras nos mares de oeste. Depois de baldadas diligencias regressou o navegante tendo apenas encontrado no meio do oceano uns rochedos que por serem muitos e encarreirados denominou-os baixos das Formigas. Animado o infante com este achado, enviou-o no ano seguinte ás mesmas paragens, e desta vez descobriu, a cinco léguas daqueles rochedos, uma ilha a que deu o nome de Santa Maria, por a ter descoberto em 15 de Agosto, dia consagrado á Assunção da Virgem. E foi esta a primeira ilha que se descobriu do arquipélago dos Açores.

Passados doze anos, em 1444, o mesmo comendador de Almourol, fez a descoberta de uma outra ilha, a que chamou S. Miguel, por ter ali chegado a 8 de Maio, dia da aparição do Arcanjo. Ao diante foram-se descobrindo as outras sete, que com aquelas formam três grupos distintos na direcção de oes-noroeste e les-sueste. O grupo mais oriental é formado pelas ilhas de Santa Maria de S. Miguel e rochedos das Formigas. O Ocidental pelas das Flores e do Corvo. O central pelas Terceira, S. Jorge, Faial e Graciosa. Estão situadas a 27º, 20º de longitude Ocidental e 37º, 40º latitude norte. Dividem se em dois distritos administrativos, Angra e Ponta Delgada; e compreendem vinte e um concelhos, cento e dezoito paroquias e cinquenta e quatro mil duzentos oitenta e dois fogos, com uma população de duzentos quarenta mil e novecentos habitantes.

S Miguel é a segunda ilha na ordem do descobrimento e é a primeira pela sua grandeza, população e importância comercial. Tem dezoito léguas de comprimento e pouco mais de três a quatro de largura. A sua ponta de leste dista do cabo do Espichel pouco mais ou menos duzentas e doze léguas. Tem dois portos principais, ambos do lado do sul e desabrigados, o de Ponta Delgada e o de Vila Franca. O solo é, como o das outras ilhas deste arquipélago, de origem vulcânica. O clima é temperado e saudável. A sua população excede a noventa mil almas.

É capital desta ilha a industriosa e rica cidade de Ponta Delgada, que se acha sentada em lugar plano, nas margens de uma enseada de três léguas de largura, formada por dois cabos chamados Ponta da Galé e Ponta Delgada, que deu o nome á cidade. A esta ultima também chamam de Santa Clara, por causa de uma ermida desta invocação que aí se edificou há muitos anos.

A perspectiva da cidade vista do mar é de muita beleza. A casaria resplandecente de alvura e coroada pelas torres de varias igrejas e conventos, estende-se numa longa linha á borda do oceano e pelo lado de terra, cercam-na como o caixilho ao painel, verdejantes colinas ligeiramente ondeadas e cobertas em grande parte de pomares.

Começou a povoar-se a ilha por ordem e diligencias do infante D. Henrique, no ano de 1445; porém até ao de 1499 era Ponta Delgada um simples lugar sujeito ao governo de Vila Franca, então a principal povoação. As vantagens da situação fizeram desenvolver-se e crescer tanto a primeira durante a ultima década daquele período que, mal sofrendo a sujeição ás autoridades de Vila Franca, deu origem a disputas e rixas entre os moradores das duas povoações. Para obviar a este mal e deferir á suplica dos habitantes de Ponta Delgada, erigiu el rei D. Manuel este lugar em vila no ano de 1499.

Em 1522 houve na ilha um grande terremoto, que sepultou a maior parte de Vila Franca debaixo dos montes do Rabaçal e Louriçal. Morreram nesta catástrofe perto de cinco mil pessoas. Ponta Delgada também padeceu muita ruína, mas tão depressa se reparou e aumentou que, em 1546, el rei D. João III a fez cidade e capital da ilha.

Os vulcões de João Ramos e do Paio, que rebentaram em 1552 e o do Pico do Sapateiro, que rebentou em 1563 e que por muitos dias vomitou torrentes de lavas abrasadoras, produziram abalos da terra que danificaram mais ou menos todas as povoações da ilha.

Em Julho de 1582 surgiu nas águas de S. Miguel uma armada de sessenta navios, com oito mil soldados, quase todos franceses. Trazia a seu bordo o pretendente á coroa de Portugal, D. António, prior do Crato, que demandava a ilha Terceira. A 16 de Julho desembarcaram três mil homens no porto dos Calhaus, com o prior do Crato na sua frente e em breve se assenhorearam, além de outras povoações, de Ponta Delgada, excepto a fortaleza da cidade que não quis render-se, conservando.se por Filipe II de Castela. Dispunha.se D. António para lhe dar assalto; porém, avistando- se no dia 21 a esquadra espanhola, que vinha a panos largos em busca da do pretendente, recolheu- se tudo aos navios. No dia 24 travou-se o combate naval, que foi renhido e porfioso. Mortos o almirante português, conde de Vimioso e.o general francês, Filipe Estrosse, comandante das tropas de desembarque, decidiu-se a vitoria pelos castelhanos e os restos da armada contraria, com o prior do Crato, puderam ganhar o mar e acolherem-se na Terceira, onde em vão os foi perseguir o almirante de Filipe II. Por ocasião daquele desembarque, cometeram os franceses toda a sorte de roubos e estragos nos campos, nas povoações pequenas e na propriedade, que puseram a saque.

Filipe II, como em indemnização destas perdas ou para recompensar o que ele chamava fidelidade, concedeu a Ponta Delgada, no ano seguinte, os mesmos foros e privilégios de que gozava no continente a cidade do Porto. Mas, apesar de tais favores, assim que ali chegou a feliz nova da aclamação de el rei D. João IV, a 1 de Dezembro de 1640, Ponta Delgada e toda a ilha de S. Miguel, sacudiram cheias de entusiasmo, o ominoso jugo de Castela.

Em 1720 e 1755 sobreviveram dois grandes terremotos, que lançaram por terra muitos edifícios, Em 1810 houve, ao sul do Pico dos Ginetes, uma pequena erupção e em Junho do ano seguinte rebentou no mar, junto á ponta da Ferraria, uma horrível explosão submarina, de que resultou a formação de um ilhéu de trezentos pés de altura, com uma circunferência aproximadamente de um quarto de légua e rematando em uma enorme cratera.

Em Outubro desapareceu repentinamente esta pequena ilha, sem deixar mais vestígio que o susto e terror que infundiu nos habitantes de S. Miguel e os estragos que causou, particularmente nos navios que se achavam surtos nos seus portos. Finalmente, em 1839, padeceu a cidade de Ponta Delgada um flagelo de outro género, mas não menos horroroso e devastador. O mar, agitando-se e crescendo de improviso, arremessou- se contra a cidade com tal fúria, que derrubou o paredão, que abrigava o porto do areal de S. Francisco e a praça da feira do gado: fez consideráveis estragos no Castelo de S. Brás e noutras fortificações, na alfandega e cais contíguo, arruinando também muitas casas e armazéns particulares.

Todavia, sem embargo de tantas e tão amiudadas calamidades, Ponta Delgada tem-se engrandecido, prosperando de ano para ano.

Compõe-se o seu brasão de um pórtico, sustentado por quatro colunas, tendo no centro as armas reais. Sobre as duas colunas da parte interior, avultam duas esferas armilares e sobre as colunas exteriores, duas tochas ardentes. Na volta do arco está no lugar superior a cruz da ordem de Cristo, tendo de um lado o sol, significando a justiça e do outro a lua, simbolizando Nossa Senhora da Conceição. Como remate do pórtico está uma coroa real e por cima três setas com uma palma atravessada. A cruz de Cristo e as esferas são as divisas de el rei D. Manuel, que a fez vila. As setas e a palma são o emblema do martírio de S. Sebastião, padroeiro da cidade.

No dia 1º de Agosto de 1831, desembarcou na ilha de S. Miguel, vindo da Terceira á frente de uma força de mil e quinhentos homens, o conde de Vila Flor, depois criado duque da Terceira, resolvido a plantar ali o estandarte da liberdade e o governo legitimo da Senhora D. Maria II. Saindo-lhe ao encontro, no dia seguinte, as tropas realistas que defendiam a ilha, em numero de três mil homens, travou-se um mortífero combate nas alturas da Ladeira da Velha, que terminou com o triunfo da causa liberal. No dia 3 fez o conde de Vila Flor a sua entrada na cidade, no meio de grandes regozijos populares. Há pouco mais de um ano foi visitada Ponta Delgada por sua alteza real, o infante D. Luís, duque do Porto.

O primeiro capitão donatário da ilha de S. Miguel foi o seu descobridor, frei Gonçalo Velho Cabral. Seu sobrinho e herdeiro, João Soares de Albergaria, vendeu esta capitania por trinta e dois mil cruzados, em 1474, a Rui Gonçalves da Câmara, filho de João Gonçalves Zarco, o descobridor da ilha da Madeira. Continuou o senhorio de S Miguel nos descendentes de Rui Gonçalves da Câmara, que mais tarde foram agraciados com o titulo de condes de Vila Franca, depois mudado no de Ribeira Grande, que há poucos anos foi elevado a marquês.

É a cidade de Ponta Delgada capital de um distrito administrativo que compreende toda a ilha de S. Miguel e a de Santa Maria. É sede de um comando militar e do tribunal da relação dos Açores, criado por decreto de 16 de Maio de 1832- Dividem-se os seus moradores pelas três seguintes paroquias: S. Sebastião, que é a matriz, templo vasto e de três naves; S. Pedro e S. José. A igreja da misericórdia, com o seu hospital anexo, é um estabelecimento pio bem dotado e administrado.

Os principais edifícios, além dos que ficara mencionados, são o antigo palácio dos capitães donatários, a alfandega, a casa da câmara, os edifícios de cinco extintos conventos, três de frades e dois de freiras e os dois de religiosas ainda habitados. Os dos frades eram: o colégio dos jesuítas, edificado em 1590 e cuja igreja se concluiu em 1666; o convento dos eremitas de Santo Agostinho, que teve a primeira fundação em 1606 e a segunda, com mudança de local, em 1680; e o convento dos franciscanos, também fundado primeiramente em 1525 e mudado em 1709 para o sitio em que ao presente se vê. Os quatro conventos de freiras eram: Nossa Senhora da Esperança, construído por D. Filipa Coutinho, mulher de Rui Gonçalves da Câmara, segundo do nome, em 1541; o de Santo André, fundado em 1567; o de S. João ante Portam Latinam, edificado em 1602; e o de Nossa Senhora da Conceição, acabado em 1671. Destes conventos foram suprimidos dois, passando as religiosas para os dois que ficaram, as quais actualmente não são menos de cem, Há na cidade umas oito ermidas.

Apesar de ser edificada esta povoação em terreno plano ou levemente inclinado, não tem nenhuma praça nem rua de traçado regular. Mas conta muitas casas de bom prospecto, com seus jardins e pomares. Tem teatro e casa de assembleia. A guarnição da cidade e defensa da ilha é feita por um dos regimentos de infantaria do continente, que para esse fim se revezam de dois em dois anos. O porto é defendido pela fortaleza de S. Brás, que encerra uma grande cisterna e há outras fortificações menores. Em 1851 entraram neste porto trezentos oitenta e dois navios, com trinta e quatro mil setecentas vinte e nove toneladas e saíram quatrocentos e treze, com trinta e cinco mil setecentas quarenta e duas toneladas.

Contém Ponta Delgada catorze mil habitantes, mas se se incluir a parte dos arrabaldes, que forma uma continuação não interrompida da cidade, neste caso eleva-se a sua população a dezoito mil almas.

Tem a cidade a melhor agua, que dizem haver em toda a ilha, não sendo tão boa a dos subúrbios, que pela maior parte é salobra. Os mercados são abastecidos de muita variedade de excelentes hortaliças e frutas, tanto da Europa como dos trópicos, de muita criação e caça e de muita diversidade de pescado, em que abunda toda a costa da ilha.

O seu comercio é importantíssimo, sobretudo o de exportação. A ilha de S. Miguel exporta anualmente, termo médio, dez mil moios de cereais e legumes para o reino e Madeira e cem mil caixas de laranja para Inglaterra. E além disso, entre outros produtos, aguardente e carnes salgadas. Este avultado trato comercial dá ao porto de Ponta Delgada um grande movimento anual de embarcações nacionais e estrangeiras, aumentado ainda pelas que ali tocam simplesmente, para receber provisões. A carreira de navios movidos a vapor da companhia União mercantil, que estabeleceu comunicações regulares entre Lisboa e os portos de S. Miguel, Terceira, S. Jorge e Faial, deve influir poderosamente no desenvolvimento e prosperidade de Ponta Delgada e de todo o arquipélago açoriano.

Os arrabaldes de Ponta Delgada são de singular beleza e amenidade. Vê-se por toda a parte uma vegetação pomposa e variada, entremeando-se as árvores e plantas da Europa com muitas da América. Bonitas quintas de regalo e uma infinidade de pomares de laranja, frondosos como bosques de árvores silvestres, povoam e sombreiam todos esses arredores, ora embalsamando o ar com o perfume de suas flores, ora matizando com os seus frutos de oiro aquele vastíssimo manto de verdores.

O termo, como todo o terreno da ilha, é de uma fertilidade prodigiosa e as suas produções são variadíssimas, com óptimas pastagens em que se cria muito gado. Outrora floresceram nele a cultura da cana de açúcar, do pastel e do tabaco. Infelizmente estes ramos da sua industria agrícola, de que tanto proveito começou a tirar, acabaram inteiramente. O primeiro cessou por falta de lenhas para engenhos. O segundo, que produzia uma bela tinta de anil, muito procurada pelo comercio, finou-se sob o peso dos impostos que lhe lançou el rei D. João V. O terceiro foi vitima das necessidades do tesouro publico, que o sacrificou aos interesses do monopólio.

A pouca distancia do termo da cidade, que se estende tende a uma légua, está o Pico das Camarinhas, também chamado Pico das Ferrarias. Dizem que há aí minas de enxofre, de ferro, de salitre e de marcasitas ou pirites angulosas.

Apesar de ser um tanto afastado da cidade, não se deve deixar de fazer menção do  Vale das Furnas, sitio de grande nomeada pelas curiosidades naturais que encerra e de muita concorrência, por causa das suas águas termais. Servir-nos-emos para esta descrição de um extracto que o Panorama publicou da interessante obra do nosso sábio e falecido compatriota, Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque, intitulada Observações sobre a ilha de S. Miguel.

«O Vale das Furnas é uma bacia cercada de montanhas elevadas, inferior em nível a todos os terrenos adjacentes, á excepção somente da estreita garganta, pela qual as águas que nela brotam ou se ajuntam, se despejam no mar na Ribeira Quente. Existem aqui três solfatáras (enxofreiras), acompanhadas de nascentes de águas minerais; os terrenos delas consistem em lavas, terras argilosas e destroços de cinzas e pomes, atacados pelos vapores sulfurosos que do solo se exalam e dos quais uma parte cristalisa nas cavidades e fendas do terreno e outra acidificando-se com o contacto do ar e dos vapores aquosos, que cobrem a solfatára, provindos das nascentes de aguas, que por todas elas rebentam, ataca o terreno essencialmente aluminoso e forma, na sua superficie, eflorescencias de supersulfato de alumina, de que as terras se acham impregnadas, bem como do sulfato de ferro, unido áquele e proveniente da acção do acido sulfúrico sobre o oxido de ferro dos terrenos e das lavas e sobre o que depõem as águas ferruginosas, que ali correm copiosamente.

«Na solfatára maior, além dos nascentes mais consideráveis de águas quentes, por toda a parte borbulham pequenos olhos das mesmas. Aparecem alguns orifícios onde a agua não chega liquida á superfície do terreno, mas que só exalam vapores aquosos e de enxofres sublimados, que cristaliza pelas bordas; em alguns  escuta-se o som das águas debatendo-se com violência nas cavidades subterrâneas; noutros os vapores surgem sibilando e repuxam com vigor para a atmosfera. Na boca maior, com sete palmos de diâmetro, a emissão dos vapores é acompanhada de um som rouco e majestoso, que ressoa a grande profundidade, como o eco de um zabumba tocado ao longe; é impossível inclinar a cabeça sobre a abertura sem que a escalde cruelmente a coluna de vapor quentíssimo, que por ela se exala. Nas aberturas mais pequenas, os habitantes das vizinhanças costumam estender as raízes dos inhames sobre camadas de fetos e mato e assim obtêm, sem despesa, cozer estas raízes que são parte essencial do seu alimento. Na maior parte das caldeiras ou nascentes abertas, as águas repuxam límpidas e claras; nalgumas, porém, em que embatem contra paredes argilosas, saem opacas e lodosas, mas filtradas mostram-se em tudo idênticas ás primeiras. A mais notável destas nascentes lodosas é a que no país chamam Caldeira de Pedro Botelho; o seu aspecto espantoso e medonho faz com que o povo ignorante e supersticioso a tenha por um respiradoiro do inferno. Na escavação abre-se a boca de uma caverna, no fundo da qual espadana continuamente com um som rouco e alternado, um borbotão de agua turva e lodosa que, elevando-se ao ar, cai de novo no mesmo abismo, sem nunca vencer a abertura da gruta por onde se exalam redemoinhos de fumo denso e quentíssimo, combinados com o cheiro sulfúreo dos vapores.

«O aspecto do Vale das Furnas, do alto dos montes que o povoam, é pitoresco e agradável; este lugar é o mais fresco da ilha e tão húmido que qualquer objecto que se abandone, ainda nas casas altas, embolorece imediatamente e as chuvas são ali mais aturadas e copiosas.

«Proximo das caldeiras fundaram os habitantes os banhos que são proficuos em muitas enfermidades.»

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

D. António Soares de Noronha. arrenda Morgado das Ilhas Terceira e S. Jorge, nos Açores



D. António Soares de Noronha. arrenda Morgado das Ilhas Terceira e S. Jorge, nos Açores

Nas tardes dos dias 21 e 22 do corrente mês de Maio, em casa do desembargador João de Matos e Vasconcelos, se há-de arrendar o Morgado das Ilhas Terceira e S. Jorge, pertencente ao Excelentíssimo D. António Soares de Noronha.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

História de Angra do Heroísmo (Açores) e antigo brasão (imagem de 1860)




História de Angra do Heroísmo (Açores) e antigo brasão (imagem de 1860)

A CIDADE DE ANGRA DO HEROÍSMO 

A descoberta do arquipélago dos Açores deve-se ao patriótico impulso dado pelo ilustre infante D. Henrique á navegação do alto mar.

Gonçalo Velho Cabral, comendador de Almourol, na ordem de Cristo, enviado por aquele príncipe ao descobrimento de novos mares e novas terras, foi quem descobriu a primeira ilha daquele arquipélago, aos 15 de Agosto de 1432, á qual deu o nome de Santa Maria, por ser este dia consagrado a festejar a Assunção da Virgem.

Passados doze anos descobriu, o mesmo comendador de Almourol, a segunda ilha, que denominou S. Miguel, em memoria do dia em que a avistou.

Não se sabe ao certo o ano do descobrimento da ilha Terceira, mas é fora de duvida que este sucesso teve lugar entre os anos de 1444 e 1450, pois que neste ultimo fez o infante D. Henrique doação desta ilha a Jacome de Bruges; sabe-se que o seu nome lhe proveio de ter sido a terceira na ordem das descobertas do grupo açoriano. Chamaram-se ilhas dos Açores, pelas muitas aves deste nome que ali encontraram os primeiros navegantes.

Dividem-se estas ilhas em três grupos: ao ocidente, as do Corvo e das Flores; no centro, as do Faial, do Pico, de S. Jorge, Graciosa e Terceira; e ao oriente, as de S. Miguel e de Santa Maria.

A ilha Terceira tem treze léguas de comprimento e seis de largura. A sua capital é a cidade de Angra.

A parte mais importante da sua historia diz respeito a duas épocas em que Portugal se viu empenhado nas lutas gloriosas da sua independência e liberdade. Quando Filipe II, de Castela, conseguiu assenhorear-se de Portugal pela força das armas e, mais ainda, pelas desgraças que anteriormente tinham enfraquecido o país e quebrantado o alento dos portugueses, a ilha Terceira, afrontando o poder do monarca castelhano, resistiu por muito tempo, com heróico valor, ás suas armadas; e nas guerras da restauração da nossa independência, depois de receber o governo do legitimo rei, também se assinalou pela sua lealdade e coragem.

A outra época é dos nossos dias (século XIX). Não há aí por certo quem ignore que a liberdade, perseguida e desterrada do continente do reino, ali se foi acoitar e robustecer. Devem estar ainda presentes na memoria de todos, os actos de extremado valor e de patriótica dedicação, de que foi teatro aquele baluarte da fidelidade portuguesa, desde a memorável batalha da vila da Praia em 11 d Agosto de 1829, até á saída da expedição que, sob as ordens do imortal duque de Bragança, veio plantar nas praias do Mindelo, o invicto pendão da liberdade (8 de Julho de 1832).

Angra, que el rei D. João III elevou á categoria de cidade em 1533, e á qual o magnânimo libertador, sendo regente na menoridade de sua Augusta filha, deu o honroso epíteto do Heroísmo como brasão das gentilezas de armas que ali obraram os seus intrépidos defensores, está situada na costa do sul da ilha, numa baía ou angra, de que derivou o seu nome. É formada esta baía por dois cabos, que entram pelo mar, um a leste e o outro a oeste, distantes entre si um quarto de légua e outro tanto da cidade. Defendem o porto as fortalezas de S. João Baptista e de Santo António, na ponta de oeste, e a de S. Sebastião, na de leste. A primeira destas é a principal. Edificada sobre um alto e negro morro de rochas escarpadas, e a cavaleiro da cidade, o qual é limitado a leste pela baía de Angra, ao sul pelo mar ,ao poente pela baía do Fanal, e ao norte por uma espécie de istmo que separa as duas baías, constitui uma praça de guerra, forte por arte e fortíssima pela natureza. O morro que lhe serve de base chama se Monte Brasil.

Este grande castelo, primitivamente denominado de Santo António, passou a chamar-se de S. Filipe no tempo de D. Filipe II de Castela, que o melhorou e aumentou, e pela restauração de 1640 foi-lhe outra vez mudado o nome no que ao presente tem, em obséquio a el rei D. João IV. No seu extenso âmbito há importantes terras lavradias, que no caso de apertado cerco podem fornecer o necessário alimento á sua guarnição. Há nele uma capela da invocação de S. João Baptista; e entre a muita artilharia de bronze, que o defende, existia, e julgamos que ainda se conserva, a grande peça de Malaca, troféu da gloriosa conquista da cidade deste nome.

Na ponta desta pequena península, ao nível da agua, está o forte de Santo António.

O porto d Angra é limpo, de boa ancoragem e com a capacidade para receber muitos navios que aí acham abrigo de todos os ventos, menos do de sueste que, entrando de travessia, levanta grosso mar e obriga as embarcações a demandar o largo.

A cidade está edificada com bastante regularidade. As ruas são largas direitas, bem calçadas, limpas e guarnecidas de casas de boa aparência, com seus passeios de lagedo. Tem muitas casas nobres, bons templos e alguns grandes edifícios públicos. Entre os segundos figuram em primeiro lugar a sé, e depois a misericordia. De entre os últimos, avultam o palácio do governo civil e a alfandega.

É a sé um vasto templo construído de excelente pedraria e bem ornado interiormente. Foi obra del rei D. Sebastião, que no ano de 1569 fundou esta igreja e o convento contíguo, a expensas do estado, para colégio da companhia de Jesus. Pela extinção desta ordem no reinado de el rei D. José, foi transferida a catedral do antigo templo edificado por el rei D. João III em 1534, para a igreja dos jesuítas.

A igreja e hospital da misericordia estão situados em frente de um belo cais. É um templo grande, de arquitectura moderna, com duas torres no frontispicio. Do cais, que é de cantaria, sobem duas escadas de pedra com grades de ferro que vão terminar em duas portas que saem para o largo da misericordia, deixando entre ambas um espaço em cujo fundo se vê uma bonita fonte encostada á parede.

A casa da alfandega fica ao lado da misericordia. É um vasto edifício, modernamente construído, e tão perfeitamente adaptado ao seu fim que depois do da alfandega grande de Lisboa não o há melhor no reino e nas suas províncias ultramarinas.

O palácio do governo civil, era a antiga residência dos capitães generais, primeira autoridade militar que governava em todo o arquipélago. É um palácio de grandes dimensões, de solida construção e de agradável aspecto. Toda a frente principal é ocupada pelo general comandante daquela divisão militar e pelas repartições respectivas. Na parte que deita para o jardim, estão as repartições do governo civil. O jardim é bastante espaçoso e muito aprazível. Decoram-no vários lagos, belas árvores e muitas flores.

Encerrava esta cidade antes da extinção das ordens religiosas, além de seis paroquias, sete conventos, três de frades e quatro de freiras. Os primeiros eram o de Nossa Senhora da Guia, de franciscanos, fundado no século XVI; o de eremitas de Santo Agostinho, edificado em 1584; e o de Santo António, de recoletos, fundação do mesmo século. Os segundos: S. Gonçalo, de religiosas de Santa Clara; Nossa Senhora da Esperança, da mesma ordem; S. Sebastião, de capuchas; e o de freiras da Conceição.

Há na cidade dois passeios públicos: um mais central e pequeno, dividido em ruas de arvoredo; outro é um grande campo, chamado de Gasão, com árvores em torno.

Os arrabaldes de Angra são mui arborizados e formosos. Ao ocidente da cidade, entre o mar e as serras, que se erguem na sua vizinhança, estende-se pelo espaço de uma légua de comprimento, e meia de largura, a deliciosa veiga da Terra Chã, povoada de varias quintas e casas de campo, e fertilizada por muitas fontes de boas águas. De todas as quintas dos subúrbios da cidade estrema-se a do senhor José do Canto. Plantada ao gosto inglês, enriquecida com uma numerosa e magnifica colecção de plantas exóticas, assombreada por bom arvoredo; e abundantissima de águas, que se represam em lagos ou brincam em saltos e repuxos, esta formosíssima vivenda podia servir de adorno aos arrabaldes de qualquer das capitais da Europa.

A cidade de Angra é sede episcopal desde o ano de 1534, em que foi erecto pelo papa Paulo III o bispado dos Açores, com o titulo de bispado de Angra, sufraganeo do patriarca de Lisboa. Também esta cidade é assento de um tribunal da relação.

Angra era, ainda não há muitos anos, a capital de todas as ilhas dos Açores; porém hoje apenas o é de um dos dois distritos administrativos em que modernamente se dividiu aquele arquipélago. No antigo sistema tinha voto em cortes, com assento no banco primeiro.


Abundante de todos os géneros necessários á vida, e de muitos que são de regalo para as classes abastadas, faz um comercio importante de exportação para o continente do reino e para Inglaterra. Os principais objectos deste comercio são cereais, legumes e laranjas.

O seu brasão de armas é um escudo esquartelado de branco e vermelho; sobre o vermelho tem uns braços empunhando espadas e sobre o branco tem umas pombas. No centro vê-se um escudete com as quinas. Tem por timbre coroa e um braço armado de espada.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


***
Pelo Censos 2011 Angra do Heroísmo tem 34 976 habitantes

Angra do Heroísmo é uma cidade na Ilha Terceira,  Açores.

Freguesias do concelho de Angra do Heroísmo

Altares, Cinco Ribeiras, Doze Ribeiras, Feteira, Nossa Senhora da Conceição (Angra do Heroísmo), Porto Judeu, Posto Santo, Raminho, Ribeirinha, Santa Bárbara, Santa Luzia (Angra do Heroísmo), São Bartolomeu de Regatos, São Bento, São Mateus da Calheta, São Pedro (Angra do Heroísmo), Sé (Angra do Heroísmo), Serreta, Terra Chã, Vila de São Sebastião

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em ANGRA DO HEROISMO

PS - 8285/45,5% - 3 mandatos
PSD - 6419/35,7% - 3 mandatos
CDS - 2479/13,8% - 1 mandato

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Angra do Heroísmo

PS - Andreia Martins Cardoso da Costa
PPD/PSD - António Lima Cardoso Ventura
PS - Francisco Cota Rodrigues
PPD/PSD - Maria Teresa Valadão Caldeira Martins
PS - Raquel Margarida Pinheiro da Silva
CDS-PP - Artur Manuel Leal Lima
PPD/PSD - Fernando Francisco de Paiva Dias

sábado, 18 de junho de 2011

História: Terremoto de 1841 na Ilha Terceira, Açores


História

Açores

Terremoto na Ilha Terceira, Açores, 1841




A duas e meia léguas ao nascente da cidade capital da ilha Terceira, quase a igual distancia desta e da vila da Praia da Vitoria, está a vila de S. Sebastião que foi erecta em 1503; nela, a caminhar da parte de Angra, tiveram lugar os primeiros ainda que comparativamente diminutos estragos da lastimosa catástrofe que em 15 de Junho do pretérito ano de 1841 arrasou a vila da Praia. Na de S. Sebastião, constante de 355 fogos, o fatal terremoto só derrubou 32 casas e arruinou 33, as igrejas pouca deterioração sofreram, experimentando-se estes danos no mesmo dia e hora que na Praia, tendo já na noite anterior cabido muitas paredes de cerrados, fazendo a concussão subterrânea algumas rachas nas casas; o que parece notável aviso da Providência para cautela dos habitantes, cujas vidas não perigaram como declara o Ex.mo Sr. Administrador Geral José Silvestre Ribeiro, iem seu oficio de 5 de Julho. «Se porém desabaram sobre a terra os edifícios daquela memorável vila, nem uma criatura humana foi vitima da catástrofe.»

Da vila de S. Sebastião até a freguesia Fonte do Bastardo, que tem 144 fogos e 634 moradores, o máximo numero das paredes ficou por terra, e as casas fronteiras ao nordeste em grande estado de ruína e inclinadas para traz, observando-se isto mesmo em as mais que sofreram por este terremoto, que pode inferir-se que o impulso partiu da banda do porto ou do nordeste, por efeitos grande vulcão submarino de que nestas águas tem havido exemplos. No Angrense se lê que a imediata freguesia do Cabo da Praia apresentou as mesmas ruínas, não tão notáveis pela construção das casas, que são todas baixas e o solo com melhor fundamento de lava, que se estende até o Porto Martim, que é uma extensa cratera, singular pelo vinho e saborosos frutos que produz. Nesta povoação apenas caiu uma casa e alguns muros de fazendas. A freguesia do Cabo da Praia com 212 fogos e 1 293 moradores é o local mais sadio da Terceira.

Porém о teatro da assolação foi a vila Praia; três mil habitantes, que se abrigavam em 562 fogos, viram-se súbito privados do lar domestico; os edifícios mais fortes e os templos também se derrocaram; uma povoação forecente converteu se em montes confusos ruínas.

Tomaremos o depoimento não simples, acompanhado de observações que nos ministra a testemunha ocular que devidamente citaremos no fim do seguinte extracto:

«A vila da Praia da Victoria, antes do ano de 1614 foi situada dentro das tas de Sta. Catarina e Espírito Santo, aonde estão hoje colocados os dois fortes que lhe deram os nomes, e o seu porto ficava entre pontas do parto e da má merenda, cuja baía e ancoradouro tem 12 a 15 braças de fundo, segundo vemos da planta das fortificações, desenhada por um hábil oficial artilharia, o Sr .major António Homem da Costa Noronha. O terremoto de 24 de de 1614 que destruiu a antiga vila, abateu-a a ponto de que o mar tomou logo posse terreno, formando aquele formosíssimo areal de três quartos de légua, em circunferência do qual estão colocados, em apropriadas distâncias, os nove fortes com 23 de bocas.

Arrasada e abatida a vila naquele ano, não desanimaram os praienses, pois começaram logo a erigir novos edifícios para que seus vindouros viessem talvez a descobrir as causas que destruíram a antiga vila, que são as mesmas que arrasaram a nova Praia da Vitória. Não pretenderemos tocar no espesso véu que encobre os segredos da natureza incompreensivel, nem nos atreveremos a decidir qual fosse a causa da destruição daquela vila, porque no grande teatro da natureza há fenómenos que se não podem absolutamente explicar, senão por conjecturas, e melhor é narra-los do que clausurar os direitos ao saber. Temos olhos, e por isso seja- nos licito emitir nossa opinião fundada sobre factos.

Todo o observador que entrar na vila pela estrada do Cabo da Praia, verá que muito próximo ао forte de S. João existe uma grande fenda que vem do mar cortando todo o areal, e estendendo- se até a Cruz do Marco, que não é menos de um quarto de légua. Se lançar os para o frente do extinto convento de S, Francisco verá a concussão que este recebeu em todo o frontispicio, fazendo tombar as colunas e paredes da igreja, toda construída de pedras de cantaria; verá que a mesma violenta concussão destruiu todas as casas, demolindo-as na mesma direcção, assim como todos os mais valentes edifícios, servindo de melhor exemplo a igreja matriz que tendo a capela mor voltada para o mar, o tecto o desta foi impelido para o corpo da igreja, e toda a frente e torre está inclinada para a serra da Praia, indicando que toda a força, que a fez partir e curvar, lhe veio do lado do porto, ou do nordeste.

Para não sermos fastidiosos, devemos concluir que a destruição da vila da Praia procedeu de um grande vulcão que rebentou no mar, bem em frente daquele porto, cuja força incompreensivel, e pela proximidade percutiu com mais intensidade a vila, e a freguesia das Fontinhas, estendendo a sua vibração com menos violência por todo o litoral até á vila de S. Sebastião, alem da qual não aparece vestígio algum de ruína; e tanto parece consentânea esta razão, que a incalculável força impelida pelo vulcão, e que causou o terremoto, abriu aquela grande fenda no areal, denotando a força sobrenatural da expansão, e que talvez comunicando-se por alguma caverna subterrânea, por baixo da serra de S. Tiago, fosse a causa de se arrasar a igreja das Fontinhas, cujo alicerce saltou para cima das ruínas daquele templo. Esta freguesia foi a que mais sofreu pela força vertical ou pulsação do terremoto, que arrasou todas as casas e paredes, sendo notável que do grande Pico do Celeiro que lhe fica próximo, nem uma só das paredes que o circundam lhe caiu, podendo afoutamente dizer: tumo me impunè lacessit; não há quem me despedace impunemente.

A freguesia das Fontinhas que tem 203 fogos e 1006 moradores, é na verdade, das paroquias arrasadas, a que mais sofreu comparativamente, não se prolongando as ruínas alem deste local. A demolição das casas e da igreja, segundo a posição em que tombaram, assas demonstra que a grande concussão veio do lado de nordeste, e que o abalo ali foi vertical pelo arrojo dos alicerces; o que se não observa na Praia que só foi percutida por violento tremor de inclinação e concussão, como fizemos ver a muitos de seus moradores e os convencemos.» Angrense de 24 de de Junho 1841, nº 246.




segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portugal - Eleições 2011 - Resultados Açores


Resultado das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011 - Açores

PSD - 47,36%, 3 deputados (Em 2009: 35,76%, 2 deputados)
Deputados eleitos pelo PSD nos Açores: Mota Amaral, Joaquim da Ponte, Lídia Silveira Dutra

PS - 25,67%, 2 deputados (Em 2009: 39,69%, 3 deputados)
Deputados eleitos pelo PS nos Açores: Ricardo Rodrigues, Carlos Enes