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sexta-feira, 29 de março de 2013
Turistas ameaçam não voltar ao Algarve por causa das portagens « situação "caótica" e "terceiro-mundista"»
Turistas ameaçam não voltar ao Algarve por causa das portagens « situação "caótica" e "terceiro-mundista"» (JN)
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Portimão: Administrador do Hospital dá emprego à família
Portimão: Administrador do Hospital dá emprego à família
Correio da Manhã de 15 de Julho de 2012, edição impressa
VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO: CAFÉS ASSALTADOS OU CICLISTA ATROPELADO PELO CORREIO DA MANHÃ?
VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO: CAFÉS ASSALTADOS OU CICLISTA ATROPELADO PELO CORREIO DA MANHÃ?
Correio da Manhã de 15 de Julho de 2012, edição impressa.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
História de Loulé e imagem de 1860 do antigo brasão
História de Loulé e imagem de 1860 do antigo brasão
A VILA DE LOULÉ
É esta vila uma das mais antigas povoações do reino do Algarve. Nada se sabe ao certo sobre a sua origem, apesar de que alguns antiquários lhe assinalem por fundadores os cartagineses. Outros, menos positivos, pretendem que se erigira das ruínas da antiquíssima cidade de Querteira, isto é, que se serviu para a sua edificação dos materiais da destruída cidade. Dizem que esta existira junto ao mar, entre Faro e Albufeira, sobre um rio que conserva o mesmo nome de Quarteira e que ainda no começo do século passado (18) se mostravam nesse lugar vestígios de edifícios antigos.
De entre tantas noticias inverosímeis ou confusas, o que há de mais averiguado é que a vila de Loulé já existia ao tempo da invasão dos moiros na Península, fosse qual fosse então o seu nome e a sua categoria.
Esteve portanto sujeita aos árabes em todo o seu longo domínio no nosso país, sendo das ultimas terras que a espada vitoriosa dos nossos Reis resgatou do poder dos infiéis para a coroa portuguesa. Coube esta empresa a D. Afonso III, o conquistador do Algarve, no ano de 1249.
Como depois da conquista a maior parte dos moiros se recolhesse ás cidades africanas do litoral do Mediterraneo, deixando as terras do Algarve despovoadas e arruinadas, el rei D. Afonso III, logo que se viu desassombrado de inimigos, cuidou de as reconstruir e povoar de novo. Para este fim em Agosto de 1266 concedeu a Loulé o mesmo foral que havia dado a Faro, Silves e Tavira, o qual se compunha de grandes privilégios e isenções, próprios para chamar a estas terras novos moradores. D
Afonso V fez conde e senhor de Loulé a D. Henrique de Menezes, filho de D. Duarte de Menezes, conde de Viana. Depois passou este senhorio para D. Francisco Coutinho, conde de Marialva, que o deu em dote a sua filha, D. Guiomar Coutinho, quando casou com infante D. Fernando, filho mais novo del rei D. Manuel. Não ficando geração deste matrimonio, vagou a vila para a coroa. Depois foi dada a alcaidaria mor aos condes de Vale de Reis.
Em 1799 foi criado marquês de Loulé pelo príncipe regente, em nome da rainha D. Maria I, Agostinho Domingos José de Mendonça Rolim de Moura Barreto, oitavo conde de Vale de Reis, pai do actual marquês.
Loulé gozava, no antigo regímen, da prerogativa de enviar procuradores ás cortes, os quais tomavam lugar no banco nono. O brasão de armas desta vila consta de um simples escudo branco, sem mais divisa, conforme se acha na Torre do Tombo.
Está situada numa arborizada colina, duas léguas ao norte da cidade de Faro e cinco ao oeste da cidade de Tavira, contendo uma população de pito mil e duzentas almas, pouco mais ou menos.
Apesar da sua grandeza, não tem mais de uma paroquia, da invocação de S. Clemente. Os seus edifícios religiosos, além deste, limitam se á igreja da Misericordia, com um hospital bem dotado e a duas ou três ermidas. Antes da extinção das ordens religiosas em 1834, contava dentro dos seus muros e fora, a pouca distancia os seguintes conventos: um de eremitas de Santo Agostinho, que pertenceu primitivamente aos Templários e fora fundado em 1312; o de capuchos da província da Piedade, erigido em 1546, por Nuno Rodrigues Barreto e feito de novo, mudando de lugar em 1692; o de religiosos Agostinhos Descalços, construído no século XVII; e um convento de freiras da Conceição, que começou em recolhimento de mulheres pobres e que também se acha suprimido.
Era antigamente a vila toda cercada de muros, com seis portas e um forte castelo. Com o tempo, porém, cresceu a população e se foi estendendo para fora da cerca. Hoje vêem-se ainda os muros, mas no centro da vila. O castelo está arruinado.
São muito formosos os subúrbios de Loulé. Por toda a parte se encontram copados arvoredos, fontes e arroios de boas e fresquíssimas águas e muitas hortas e pomares bem cultivados. Há neles varias ermidas. O termo produz cereais, legumes, frutas, vinho, azeite algum gado e caça. Os figos e alfarroba constituem um dos principais ramos da sua cultura.
Segundo se lê em vários autores nacionais, a três léguas desta vila, junto ao lugar de Alte, que está situado nas faldas de um monte, existem duas minas, uma de prata e outra de cobre.
A 29 de Agosto tem Loulé a sua feira anual de três dias.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
***
Pelo Censos 2011 Loulé conta com 70 240 habitantes
Loulé é uma cidade do distrito de Faro
Freguesias de Loulé
Almancil, Alte, Ameixial, Benafim, Boliqueime, Quarteira, Querença, Salir, São Clemente (Loulé), São Sebastião (Loulé), Tôr
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
História da Cidade de Lagos, Portugal e imagem de 1860 do antigo brasão
História da Cidade de Lagos, Portugal e imagem de 1860 do antigo brasão
A CIDADE DE LAGOS
O autor da Corographia Portugueza dá á cidade de Lagos dois mil setecentos cinquenta e seis anos de existência, atribuindo a sua fundação a um suposto rei Brigo, no ano de 1899 antes do nascimento de Cristo. Depois diz que, tendo caído em ruínas, fora reedificada e novamente povoada no ano de 350 antes da era vulgar, por um capitão de Cartago chamado Boodez.
Os fundamentos desta opinião são em parte inverosímeis, em parte duvidosos. Porém, o que é certo, é ter sido Lagos uma cidade de alguma importância no tempo dos romanos. Chamava se então Lacobriga, cidade ou povoação do lago, ao que parece por causa de um que havia na sua proximidade.
Na luta que a republica romana sustentou contra Sertorio, que se colocara á frente da independência da Lusitânia, foi posta Lacobriga em apertado cerco por um exercito romano, comandado pelo cônsul Quinto Cecilio Metelo. A cidade não foi entrada pelo inimigo, porque veio socorre-la o valente Sertorio, com os seus bravos lusitanos, mas junto dos seus muros pelejou-se uma renhida batalha, em que a Victoria se decidiu por estes últimos.
Nas invasões dessas hordas de bárbaros que destruíram o colosso do Tibre, na dos árabes, em que se aluiu a monarquia dos godos e nas guerras dos nossos primeiros Reis, de que resultou a expulsão dos moiros, Lacobriga foi por muitas vezes arruinada e despovoada. As vantagens, porém, da sua situação geográfica para o comercio de África e do estreito de Gibraltar, por outras tantas vezes a ergueram do meio das ruinas e lhe atraíram novos moradores. Todavia, nessas vicissitudes, perdeu a preeminencia de cidade, que só veio a readquirir na segunda metade do século XVI, por mercê que lhe fez el rei D. Sebastião, quando juntou na sua baía a armada que o levou a África.
A peste assolou por vezes esta cidade, e o terremoto de 1755 causou -lhe horríveis estragos, bem como em todo o Algarve. O que os impulsos da terra pouparam, foi destruído pelos acometimentos do mar- Quase todos os seus principais edifícios ficaram derrocados e alguns deles, como o palácio do governo, à casa da câmara, a torre do relógio e o convento d Trindade, nunca mais se ergueram.
Por causa desta tornou Lagos a perder prerogativas de muita importância, deixando de ser a capital do Algarve, que passou primeiramente para Tavira, onde foi residir o capitão general, e mais tarde para Faro.
Em 1833 veio a terrível epidemia de cólera dizimar os seus habitantes. Logo depois padeceu os tristes efeitos da guerra civil, que durante dois anos devastou Portugal. E depois, ainda esta malfadada terra passou por outras calamidades de epidemias e terremotos, que mais ou menos a danificaram.
Lagos tinha voto em cortes na velha monarquia, e os seus procuradores tomavam assento no terceiro banco. O seu brasão de armas compõe-se de um escudo coroado e nele uma fortaleza com três torres, banhada pelo mar e tendo, de cada lado, uma lança ao alto.
Ao presente é Lagos a segunda cidade do Reino do Algarve e dista seis léguas do Cabo de S. Vicente e vinte e duas da foz do Guadiana. Acha-se agradavelmente situada na costa ocidental de uma grande baía do seu mesmo nome, erguendo-se sobre três colinas na margem direita de um pequeno rio ou esteiro, que tem meia légua de extensão, o qual a maré faz acessível a embarcações costeiras de pequena lotação.
A baía pode oferecer amplo ancoradoiro a esquadras de grandes vasos. A barra do esteiro, que forma o porto da cidade, é defendida pela fortaleza da Ponta da Bandeira, que serve de registro, e pelo forte da Meia Praia. Para defensa da baía há diversos fortes, em melhor ou pior estado de conservação, sendo o principal a fortaleza do Pinhão, edificada primitivamente em terra firme e que, ainda nos princípios do século passado (18), formava uma península, mas que actualmente está cercada de mar e arruinada, passando pequenas embarcações entre ela e a terra. Outra fortaleza, que se construiu defronte desta, para a substituir, também o mar a pôs em ruína.
A barra, que há cem anos apresentava sete a oito braças de fundo, agora apenas tem uns dez palmos. Alguns cachopos e bancos de areia lhe dificultam um pouco a entrada.
São duas as paroquias da cidade: Santa Maria, que é a matriz e S. Sebastião. A primeira acha-se estabelecida na igreja da Misericórdia, desde o cataclismo de 1755, que lhe destruiu o seu antiquíssimo templo, o qual campeava sobre uma eminencia. Na tentativa, que se fez para o reedificar, apenas lhe levantaram as paredes até meia altura. Depois pararam inteiramente as obras, ficando a servir o seu recinto de cemitério.
A segunda paroquia está edificada num alto. É um grande templo de três naves, de muito antiga fundação e reconstruído por rel rei D. João II, que lhe trocou a invocação primitiva de Conceição, pela de S. Sebastião, por ser este santo padroeiro e advogado contra a peste, que então afligia todo o Algarve.
Havia em Lagos quatro conventos, três de frades um de freiras. Este era de religiosas carmelitas, do titulo de Nossa Senhora da Conceição. Foi fundado em 1554, arrasado quase totalmente em 1755 e reconstruído depois.
Os conventos de religiosos eram: o de S. Francisco,de franciscanos, edificado em 1560; o da Trindade, do trinos, fundado em 1599; o de S. João de Deus, em que se estabelecera um hospital militar levantado em 1696.
Os outros edifícios religiosos são a casa da Misericórdia com seu hospital, a igreja de Santo António, que é capela militar, e varias ermidas. O edifício outrora ocupado pelo trem e igreja de Santa Barbara, serve agora de quartel militar, e a antiga igreja de S. Brás e a de Nossa Senhora do Porto Salvo, construída no século XVI por comerciantes italianos, que vieram estabelecer se em Lagos, acham-se transformadas em armazéns de arrecadação, pertencentes ao quartel.
Conta a cidade quatro praças e algumas ruas boas, porém as outras são estreitas e tortuosas e todas mal calçadas. Um aqueduto, obra del rei D. Manuel, que conduz boa copia de agua do sitio do Paul, na extensão de quatrocentas e dez braças, abastece a povoação e fornece cómoda aguada aos navios. Para este fim, tem um chafariz junto da Porta Nova e da muralha, que cai sobre o rio.
Lagos é praça de armas. As suas primeiras fortificações datam do reinado de D. Afonso IV, ou talvez do tempo de el rei D. Dinis. Constava de uma cerca de muros, com suas torres e portas. Nos fins do século XVI, ou principio do XVII, edificou-se nova cerca de muralhas, que ao presente se conserva com oito portas e quatorze baluartes. Para o lado do rio, tem as portas de S. Gonçalo, do Cais, de S. Roque e Nova, e cinco redutos. Para o lado de terra tem as portas de Portugal, do Postigo, de Quartos e da Vila e nove baluartes.
Os subúrbios de Lagos são aprazíveis. Tem campos mui bem cultivados, muitos figueirais, vinhas, hortas e pomares.
Lagos exporta cereais e legumes, muitos figos, algum vinho, aguardente de figos, muito peixe salgado, azeite de oliveira e de peixe e diversos produtos fabris de obra de palma e de fio de piteira. A agricultura tem tido há anos bastante desenvolvimento, todavia as pescarias constituem o principal ramo, talvez da industria dos habitantes e da riqueza publica. Empregam-se nelas muitas embarcações e alguns centos de pescadores, que não se limitando ás costas do Algarve, demandam também as de Marrocos, notáveis pela sua produção. A pesca do atum é objecto de muita importância,
A 12 de Outubro faz se nesta cidade uma feira anual. A população de Lagos sobe a oito mil e quatrocentos habitantes.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
***
Pelo Censos 2011 Lagos conta com 30 755 habitantes
Freguesias de Lagos
Barão de São João, Bensafrim, Luz, Odiáxere, Santa Maria (Lagos), São Sebastião (Lagos)
sábado, 8 de outubro de 2011
História da Cidade de Faro e antigo brasão (imagem de 1860)
História da Cidade de Faro e antigo brasão (imagem de 1860)
A CIDADE DE FARO
No tempo da dominação romana existia na parte meridional da Lusitânia, então chamada Céltica, é hoje Algarve, a cidade de Ossonoba, de origem antiquíssima e que floresceu por muitos séculos, logrando nas primeiras eras do cristianismo a prerogativa de sede episcopal. Na invasão dos moiros foi inteiramente arruinada e os seus moradores ou foram cativos para terras de África, ou buscaram refugio nas serras de Monchique e Caldeirão.
Passados anos, sujeita quase toda a península hispânica ao jugo sarraceno, começaram alguns pobres pescadores a edificar varias casas num sitio a légua e meia para o ocidente da destruída cidade de Ossonoba, de cujas ruínas tiravam os materiais precisos. As edificações foram aumentando e os foragidos habitantes daquela cidade vieram pouco a pouco estabelecer-se na nova povoação. Tal foi o principio da cidade de Faro.
Quanto á etimologia do seu nome, há diferentes opiniões. A que parece mais provável, é a que a faz derivar de um farol que aí se erigiu para guia dos nautas que frequentavam aquele porto, o que deveria ser muito posterior á fundação da cidade, por que esta se chamou no seu principio de Santa Maria.
Em 1249 veio el rei D. Afonso III em pessoa pôr cerco a Faro. A cidade achava-se então bem fortificada e abastecida de tudo o necessário, pela facilidade com que recebia socorros de África. Acometida, porém, ao mesmo tempo por terra e por mar, rendeu-se enfim aos portugueses, mas ficou em tal estado de ruína que a maior parte dos seus habitantes viu-se obrigada a abandona-la.
Passados quase dezassete anos, no de 1266, achando-se já o reino inteiramente desafrontado de moiros, cuidou D Afonso III em reedifica-la e povoa-la de novo, para o que lhe deu foral com muitos privilégios que lhe atraíssem moradores.
El rei D. João II fez doação de Faro á rainha D. Leonor, sua mulher, e daí em diante ficou sendo apanágio das rainhas de Portugal.
As vantagens comerciais que o seu porto lhe proporcionava, fizeram engrandecer tanto a povoação que el rei D. João III elevou-a á categoria de cidade e, no ano de 1580, reinando ainda o cardeal rei D Henrique, foi trasladada para Faro a cadeira episcopal de Silves, então ocupada pelo sábio e virtuoso bispo D. Jerónimo Osório, não menos celebre pelo seu patriotismo e elevação de carácter.
Achando-se Portugal subjugado por Filipe II de Castela, surgiu na costa do Algarve, em Julho de 1596, uma esquadra inglesa. Em seguida as tropas que trazia a seu bordo fizeram um desembarque e entraram á força de armas na cidade de Faro no dia 25 do dito mês, tornando a embarcar depois de terem saqueado e incendiado a povoação.
Esta catástrofe deixou a cidade no mais triste estado de ruína e miséria. O fogo devorou a maior parte dos seus edifícios. Dos templos só escaparam ao incêndio a paroquia de S Pedro e a igreja da Misericórdia. A rica livraria do bispo D. Jerónimo Osório foi levada pelos ingleses para a sua universidade de Oxford.
Passado pouco mais de século e meio, veio uma nova desgraça afligir esta povoação. O terremoto do 1 de Novembro de 1755, que abismou Lisboa, estendeu a todo o Algarve a sua terrível influencia, causando graves estragos á cidade de Faro, que já no ano de 1722 havia padecido bastante nos edifícios e nas vidas dos seus moradores pelos deploráveis efeitos de outro grande tremor.
Acha-se situada a cidade de Faro numa planície arenosa na margem esquerda de um pequeno rio ou esteiro que, comunicando com o oceano a distancia de légua e meia, forma-lhe um porto acessível a barcos de navegação costeira e a navios de duzentas toneladas. Dista doze léguas da cidade de Lagos, oito de Silves e cinco de Tavira.
Divide-se Faro em duas paroquias: a Sé e S. Pedro. É a primeira um templo muito antigo de três naves quadradas sustentadas por colunas de ordem jonica. Há na cidade casa e hospital da Misericórdia, fundada aquela pelos anos de 1583, e este no século passado; a igreja de S. Luís e varias ermidas Teve três conventos de frades que eram: o de S. Francisco, de religiosos franciscanos, construído em 1529; o de Santo António, dos Capuchos, de piedosos, erigido em 1620; e o colégio da Companhia de Jesus, edificado em 1602. De freiras teve um só convento intitulado de Santa Clara, de religiosas capuchas, fundação da rainha D. Catarina, mulher del rei D. João III, em 1527, hoje extinto. Os principais edifícios da cidade, além destes, são o paço do bispo, contíguo á sé; o seminário episcopal, que se comunica com o paço; e a casa da Câmara, próxima de ambos.
Faro apresenta um aspecto agradável, pela alvura e asseio das casas. Tem ruas espaçosas e em geral limpas, e uma grande praça de forma rectangular, cujo lado do sul deita para o rio onde tem um cais e barbacã. No lado de leste desta praça eleva se um formoso arco de cantaria, ornado de colunas jonicas e coroado por uma bela estátua de S. Tomas de Aquino, feita em Itália, de mármore branco e com oito palmos de altura. Este elegante monumento foi mandado fazer pelo bispo do Algarve D. Francisco Gomes de Avelar, na segunda metade do século passado (18), sendo o desenho do arquitecto Francisco Xavier Fabri. Nesta praça faz- se todos os dias mercado de hortaliças, frutas, etc.
Faro é praça de guerra. Foi começada a fortificar com redentes para o lado do mar e com alguns baluartes para a parte de terra, nos fins do século XVII. Da fortificação antiga ainda conserva o seu velho castelo e muralhas torreadas. Dentro do castelo há bons quartéis onde permanece um regimento de infantaria.
É residência de um general, comandante da oitava divisão militar, de um governador civil e mais autoridades que competem á capital de um distrito. Possui um liceu, alfandega e um teatro.
Nos subúrbios há alguns sítios aprazíveis. O da ermida de Santo António do Alto, que é uma pequena elevação próxima da cidade, oferece lindas e variadas perspectivas. O grande banco de areia, a que chamam a Ilha, que, juntamente com outros menores, divide a barra em dois canais, um denominado a barra grande e outro a barreta, é um lugar de agradável passeio, pela sua pitoresca situação e pela vista da cidade.
O termo de Faro é fértil e bem cultivado. Produz alguns cereais, azeite, vinho e muitos figos, amêndoas e alfarroba, constituindo estes três últimos géneros o ramo mais importante da sua agricultura e do seu comercio de exportação, a que se deve acrescentar o das pescarias.
Fazem-se na cidade as seguintes feiras: a 16 de Julho; a 20 de Outubro; e a 10 de Julho em Estoi, no lugar onde existiu a antiga Ossonoba.
Faro conta uns sete mil e oitocentos habitantes. No antigo regímen gozava de voto em cortes, tendo os seus procuradores assento no banco terceiro. Tem por brasão de armas um escudo coroado e nele a imagem de Nossa Senhora da Conceição entre duas torres.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelo Censos 2011 Faro conta com 63 967 habitantes
Freguesias de Faro
Conceição de Faro
Estoi
Montenegro
Santa Bárbara de Nexe
São Pedro (cidade de Faro)
Sé (cidade de Faro)
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Relíquias Sagradas em Portugal - Aljezur
Relíquias Sagradas em Portugal - Aljezur
Na Freguesia de Nossa Senhora da Alva, existente em Aljezur, no Reino dos Algarves, veneram-se as cabeças de dois bem aventurados Lavradores, João Galego e Pedro Galego, pai e filho, cuja virtude tem Deus confirmado com os contínuos milagres que obra por meio deles, especialemte com feridos de mal contagioso e mordidos por cães danados, os quais concorrem ali com tanta fé, que infalivelmente se recolhem utilizados de tão saudável medicina.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
História de Castro Marim e brasão antigo (imagem de 1860)
História de Castro Marim e brasão antigo (imagem de 1860)
A VILA DE CASTRO MARIM
É esta vila um dos portos marítimos do reino do Algarve e uma das suas principais praças de guerra. Está edificada na margem direita do Guadiana, uma légua distante da foz do rio e quase defronte da cidade espanhola de Ayamonte. Sentada nas faldas de duas montanhas, que aí se unem por meio de duas linhas de muralhas, não se espelham seus edifícios nas águas do Guadiana. Fica um pouco arredada do rio, porém um pequeno esteiro ou canal facilita ás embarcações chegarem junto aos muros da vila.
EI rei D. Afonso III mandou- a povoar em Julho de 1277, concedendo-lhe vários foros e privilégios. Não consta porém ao certo se a fundou ou simplesmente reedificou. El rei D. Dinis, deu-lhe novo foral em Maio de 1282 e quando, pela extinção dos templários se criou a ordem de Cristo, fê-la cabeça da nova ordem, que depois se mudou para Tomar. Parece que o mesmo soberano lhe fez as primeiras obras de fortificação. As mais consideráveis foram empreendidas no tempo das guerras da aclamação de D João IV.
Castro Marim tinha voto nas antigas cortes e os seus procuradores tomavam nelas assento no banco décimo terceiro.
Na parte mais aliada vila está o seu antigo castelo, de forma circular com cinco torres e cinco portas, que comunicam para a povoação e para os arrabaldes. Os condes de Soure, como alcaides mores que eram de Castro Marim, tinham casas dentro deste castelo. Também nele se acha fundada a igreja matriz, única paroquia da vila, a qual é dedicada ao apostolo Santiago. Tem casa e hospital da Misericórdia e quatro ermidas. A de Nossa Senhora dos Mártires, que é um santuário de muita devoção daquele povo, e á qual concorrem muitas romarias, tem junto um hospital militar.
As vizinhanças do Guadiana fazem aprazíveis os seus subúrbios, que produzem cereais, vinho, azeite, amêndoas e figos e criam muito gado e caça. O rio e o mar fornecem na abundantemente de muita variedade de pescado. Recolhe muito sal das suas marinhas, de que se abastecem quase todas as terras do Algarve. Este produto, juntamente com os figos, amêndoas e pescaria salgada, constitui os seus principais géneros de exportação que é importante e lhe entretém activo comercio com Lisboa e outros portos do reino.
Castro Marim tem perto de dois mil e trezentos habitantes. O seu brasão de armas é um escudo com uma povoação cercada de muralhas e por cima as armas reais de Portugal.
Por Ignacio de Vilhena Barbosa
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Pelo Censos 2011 Castro Marim tem 6719 habitantes
Castro Marim é uma vila do Distrito de Faro
Freguesias de Castro Marim
Altura, Azinhal, Castro Marim, Odeleite
Eleições Autárquicas - 11/10/2009
Votação por Partido em CASTRO MARIM
PSD: 54,3% - 3 mandatos
PS: 40,1% - 2 mandatos
Candidatos Eleitos pelo Circulo: Castro Marim
PPD/PSD - José Fernandes Estevens
PS - Manuel de Almeida Martins
PPD/PSD - Filomena Pascoal Sintra
PS - Sílvia Martins Paulino da Cruz
PPD/PSD - Nuno Miguel Gonçalves Pereira
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
Câmara de Loulé pretende contratar médico por 200 000 ano
Gazeta de Lisboa, 15 de Março de 1806
Câmara de Loulé pretende contratar médico por 200 000
A Câmara da Vila de Loulé tem de prover o Partido de Medico da mesma Vila, cujo rendimento anual é de 200$000 réis, além de outros interesses. Quem a ele se quiser opor pode dirigir se á mesma Câmara.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
História: Templários em Portugal - 4ª parte - Ordem de Cristo - Castro Marim e Salado
História
Templários
4ª parte
Ordem de Cristo - Castro Marim e Salado
Posto que a instituição da ordem de cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo fosse celebrada solenemente em Santarém a 14 de maio de 1320, só no ano seguinte é que se estabeleceu em Castro Marim, em razão das obras a que se procedeu dentro do castelo para acomodação dos cavaleiros, para os exercícios do culto divino e serviço da ordem.
Pela bula da sua instituição foi determinado que se regeria esta ordem pela regra de S. Bento e reformação da de Cister, ficando sujeita á visitação do dom abade geral do mosteiro de Alcobaça, da dita ordem de Cister ou de S. Bernardo.
Assim que a ordem se instalou em Castro Marim, fez o seu mestre D. Fr. Gil Martins a constituição pela qual se havia de reger a nova milícia. Passados cinco anos foi ampliada esta constituição, e no decurso do tempo por varias vezes a reformaram os mestres segundo as necessidades da época e sempre com a aprovação do dom abade do mosteiro de Alcobaça.
O habito primitivo dos cavaleiros assemelhava-se, segundo parece, ao de que usava a ordem de Calatrava em Castela. com escapulario branco- Em 1330 acrescentou-se-lhe a cruz vermelha. e no capitulo celebrado em Tomar no ano de 1503, a que presidiu el rei D. Manuel, foi ordenado o habito na forma de um manto branco que cobria todo o corpo do cavaleiro, de maneira que, para servir-se das mãos, era mister traze-lo arregaçado, só dos lados sobre os braços. No lugar correspondente ao peito, tinha o manto uma cruz vermelha, mas só parecida com a dos templários na cor não no feitio. A destes era composta de quatro braços iguais, cujas pontas quase se tocavam descrevendo um circulo. A cruz dos cavaleiros de Cristo tinha então como hoje tem o distintivo desta ordem. que todos conhecem. dois braços mais curtos que a haste. A cruz vermelha tinha dentro em si outra, fendida, que a alvura do manto fazia branca; e que nas veneras actualmente usadas pelos cavaleiros e comendadores é feita de esmalte branco.
Eram cinco (?) as dignidades da ordem. A de mestre era a primeira e principal. Seguia-se-lhe a de dom prior mor do convento de Tomar, que, em conformidade com os estatutos, tinha a seu cargo o governo temporal do convento, e exercia jurisdição espiritual em todos os membros da ordem em qualquer parte que se achassem. Incumbia-lhe, por morte do mestre, convocar o capitulo geral para a eleição do novo mestre, chamando por cartas os cavaleiros ausentes, e tomando ao novo prelado o juramento de fidelidade e obediência ao sumo pontífice. A terceira dignidade era a de comendador mor, ao qual pertencia o governo da ordem quando por falecimento do mestre, o dom prior mor se achava ausente ou enfermo. Nos actos de solenidade a que assistia o mestre, gozava este da preeminencia de ter ou levar diante de si o comendador mor com um estoque desembainhado ao ombro, pegando-lhe pela ponta. Era claveiro a quarta dignidade. Tinha a seu cargo as chaves do convento, a administração e distribuição dos mantimentos e a fiscalização da despesa. A quinta dignidade era a de sacristão mor, o qual cuidava de tudo quanto dizia respeito ao serviço de ornamentação do templo e durante o capitulo tinha em suas mãos os selos da ordem. Alferes da ordem de Cristo era, finalmente a sexta e ultima dignidade O alferes levava a bandeira da ordem nos actos solenes em que o mestre comparecia, tais como nas procissões e na guerra em que esta milícia tomava parte. A bandeira era quadrada, de cor branca, e tinha no centro a cruz vermelha da ordem, na forma por que acima a descrevemos.
Tomaram posse os cavaleiros de Cristo do castelo de Castro Marim, com o firme propósito em desempenho do seu instituto de combater os infiéis que dominavam na vizinha Andaluzia e nas terras fronteiras d'além mar. Porém, antes que se lhes proporcionasse ocasião de medirem as suas armas com as dos sarracenos, tiveram de se defender em apertado cerco, e com encarniçada luta, no seu próprio castelo, contra hostes cristãs.
Casara el rei de Castela D Afonso XI com a infanta D. Maria filha do nosso rei D. Afonso IV; porém, rendendo-se logo depois em desordenada paixão á formosura de D. Leonor Nunes de Gusmão, esqueceu-se em breve de todos os deveres conjugais. Incendido cada vez mais nesses amores escandalosos, com tantos desprezos e afrontas tratava a rainha, que este procedimento deu origem, primeiro, a representações e queixas de seu sogro el rei D Afonso IV, e depois ao rompimento de uma guerra porfiosa.
Rebentou a luta em diferentes pontos da fronteira, de modo que, ao mesmo tempo que as tropas portuguesas entravam triunfantes por uma província de Castela, levando tudo a ferro e a fogo, invadiam os castelhanos o nosso país por outra parte, devastando quanto encontravam na passagem.
Saíram a oporem-se a uma destas invasões, sucedidas na província do Minho, o arcebispo de Braga, D. Gonçalo Pereira, e o bispo do Porto, á frente de pouco numerosa mas valente hoste, e o mestre da ordem de Cristo D. Estêvão Gonçalves Leitão, com os seus intrépidos cavaleiros. Foi tão glorioso para as armas portuguesas o resultado da acção, tamanho destroço experimentou o inimigo, perdendo, além das bagagens e de grande numero de prisioneiros, trezentos homens mortos no campo, entre os quais se contava um dos seus comandantes, D. João Rodrigues de Castro, que o rei de Castela jurou vingar se dos cavaleiros de Cristo, que pelo seu valor mais que os outros tinham contribuído para semelhante vitoria. Foram portanto a vila e castelo de Castro Marim como assento da ordem de Cristo o alvo da vingança castelhana.
O inimigo transpoz o Guadiana, atravessou o Algarve, e apresentou se inesperadamente diante dos muros de Castro Marim. Achava- se a praça mal guarnecida, porque a maior c melhor parte dos cavaleiros andava ocupada no extremo oposto do reino a castigar a ousadia do inimigo. Souberam, porém, resistir galhardamente os defensores da praça, auxiliados pelos habitantes da vila, mas este triumfo custou a perda de setenta portuguezes dos arrabaldes da villa, que os castelhanos levaram prisioneiros, e cento e oitenta que deixaram mortos na praça e fora dela.
Fora pequena a vingança para os rancores de Afonso XI. Assim tratou sem demora de aprontar mais numeroso e valente exercito, ao qual cometeu a empreza de destruir até aos fundamentos aquele baluarte de valorosos guerreiros, diante dos quais recuavam vencidos os leões de Castela.
Reunidas pois numerosas tropas, talvez o mais poderoso exercito castelhano que naquella campanha transpoz as fronteiras de Portugal, o inimigo entrou no Algarve junto á villa de Alcoutim e assolando tudo na passagem, para que o terror o precedesse e lhe facilitasse os triumfos marchou rapidamente sobre Castro Marim.
Desta vez não estava a praça desprevenida, antes pelo contrario, achava-se perfeitamente apercebida para uma resistencia a todo o transe. O ataque anterior pozera a ordem de Cristo de sobreaviso. O mestre D. Estêvão Gonçalves Leitão, logo que teve noticia do primeiro acometimento dos castelhanos, e do modo, vergonhoso para elles, por que um punhado de cavaleiros de Cristo lhes fez rosto com tanta gentileza, frustrando-lhes completamente o intento, previu que o orgulho de Castella não tardaria a vir mais temivel e reforçado buscar a desforra contra a ordem que o humilhára. Tratou, portanto, de se recolher a Castro Marim com todos os seus cavaleiros; e desde que aí chegou, não pensou nem lidou em outra coisa senão em dispor todos os meios para a defensa da praça,
Quando o inimigo, apenas chegado, investiu com as muralhas da villa, que crêra levar do primeiro assalto, tal era a confiança que tinha no seu grande poder, ficou desconcertado vendo-se repelido com extraordinaria perda de mortos e feridos. Crescia o seu assombro todas as vezes que empenhava em novo assalto mais vigoroso e decidido esforço; a sorte era sempre a mesma, sempre repelido e desbaratado.
Ao cabo de muitos dias de assedio, e de rijos e sucessivos combates, vendo baldadas todas as suas tentativas e tanto sangue castelhano derramado inutilmente, levantou cerco o general inimigo, e lá foi saciar nas povoações indefesas a vingança dos danos recebidos no campo da batalha em combate leal. O exercito castelhano regressou ao seu país depois de ter exercido crueis devastações nos suburbios de Tavira, em Faro, Loulé e outras terras. Todos estes successos se passaram no ano de 1335, em que D. Estêvão Gonçalves fora elevado á dignidade de mestre.
Os perigos por que passara a ordem de Cristo em questões alheias ao seu instituto, durante o curto periodo do seu estabelecimento em Castro Marim, o esforço sobrehumano que foi mister empregar para sair victoriosa sendo o inimigo tão poderoso e a praça tão fraca, por mal fortificada, a impossibilidade, ou pelo menos dificuldade de a tornar tão forte quanto o pediam a segurança e o decoro de uma corporação que, além de fazer vida da guerra por preceito religioso, lhe cumpria sustentar, em toda a sua altura a fama gloriosa da ordem de cavallaria de quem era herdeira e representante; todas estas considerações resolveram o mestre D. Estêvão Gonçalves a diligenciar a mudança da ordem para lugar mais conveniente.
Representou pois a el rei D. Afonso IV alegando por um lado as razões que aconselhavam esta mudança, e por outro lado as vantagens que ofereciam o castelo e villa de Tomar, tanto para segurança como para comodidade e lustre da ordem. A circunstancia de ser um ponto central e não estar longe de outros castelos tambem pertencentes á ordem de Cristo, o que collocava esta em estado de melhor poder defender-se a si propria e ao reino, no caso invasão inimiga; aquela circunstancia, repetimos, habilmente explorada pelo mestre. Não anuiu el-rei ao requerimento de D. Estêvão, apesar de se compenetrar das razões que lhe serviam de fundamento. Parece que receou oposição da sede pontificia, estando ainda recentes a catastrofe dos templários, e as duvidas do papa em instituir uma ordem que herdeira daquela, e até certo ponto sua representante.
Perseverando pois a ordem de Cristo em Castro Marim, não tardou a illustrar-se novamente parte activa e conspicua em uma das mais celebradas vitorias das armas portuguesas.
Os moiros de Africa e de Hespanha, sabendo os reis cristãos da peninsula andavam envolvidos em guerras entre si, julgaram ser ocasião propicia avassalar de novo os reinos que os campeões da cruz tinham subtrabido ao seu
Reunindo em um só corpo todos os homens dessas diferentes monarquias sarracenas, e animando-se com um supremo esforço, dispozeram-se os infiéis para dar principio á empreza, invadindo a Castella com um dos mais poderosos exercitos que tem pisado terras da peninsula.
Então é que D. Afonso XI caiu em si, arrependendo-se de ter sacrificado tantas vidas preciosas, e malbaratado tanto dinheiro em lutas mais caprichosas que honrosas para a sua coroa e para a nação. Dando de mão, em tais apuros, ao orgulho e aos caprichos, humilhou-se ante a esposa a quem tanto até então ultrajara, e patenteando-lhe o perigo que ameaçava derrubar o seu trono e reduzir seus vassallos á escravidão, pediu-lhe encarecidamente que fosse em pessoa solicitar del rei, seu pai, perdão para ele dos agravos que lhe tinha feito, e socorro a prol dos seus reinos e da cristandade.
A rainha D. Maria esquecendo-se de um longo passado cheio das mais pungentes afrontas que se podem fazer ao coração de uma esposa, veio pressurosa a Portugal. Ora procurando persuadir com razões, ora suplicando com lagrimas, logrou mover o animo del rei D. Afonso IV em favor da pretensão que a trazia aos braços paternais.
Juntou el rei á pressa as suas tropas, e, colocando-se á frente dellas poz-se a caminho de Sevilha, a reunir-se com o exercito castelhano, que era comandado pelo rei D. Afonso XI. Pouco depois encontraram-se os exercitos cristãos com os infiéis. Travou-se o combate proximo do Salado, rio que corre na Andaluzia entre as cidades de Sevilha e Granada. Era desigual a força dos combatentes, pois que as tropas musulmanas excediam muito em numero as cristãs. Mas com tal ardor e entusiasmo se precipitaram estas sobre o inimigo, que rompendo-lhe as fileiras, envolvendo-as e desordenando-as, viram alfim o seu arrojo coroado pelas palmas da vitoria 28 de outubro de 1340.
Fugiram os sarracenos, deixando no campo muitos milhares de mortos e prisioneiros, contando- se entre estes um principe; e no seu arraial, que todo caiu em poder dos vencedores, um riquissimo despojo, de que o nosso rei D. Afonso IV não quiz para si mais que algumas bandeiras que mandou collocar na sé de Lisboa e uma trombeta que, depois da sua morte, foi posta sobre o seu tumulo na capela mor da mesma igreja.
Tiveram os portuguezes a mais gloriosa parte neste memoravel triumfo, e de entre as hostes de Portugal a que mais se estremou em acções de valor e coragem foi a dos cavaleiros de Cristo, capitaneada pelo seu 4º mestre, D. Estêvão Gonçalves Leitão.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
História: Portimão, Algarve, em 1850 (imagem)
Portugal (Portimão) Antigo
História
Algarve
Portimão em 1850
Imagem 1850
Vila Nova de Portimão, uma das mais importantes, populosas e risonhas do nosso Algarve, está situada a duas léguas da cidade de Lagos, e uma de Alvor, na margem esquerda de um rio que depois de ter regado a famosa Silves, vem formar em frente desta vila um grande e seguro porto, que pode conter até duzentas embarcações de alto bordo.
A entrada deste porto era defendida, e ainda o é hoje, por duas fortalezas: a de Santa Catarina, ao poente, e a de S. João ao nascente.
A fundação desta vila atribui-se a uns indivíduos obscuros, que lhe deram princípio no ano de 1463, reinando el rei D Afonso V. O apelido do principal deles era Portimão, com que hoje se distingue esta povoação, de muitas outras do mesmo nome.
O primeiro senhor que Vila Nova de Portimão houve foi Gonçalo Vaz de Castello Branco, por mercê del rei D. Afonso V, a quem serviu de escrivão da Puridade.
Seu filho, D. Martinho de Castello Branco, foi feito por el rei D. Manuel primeiro conde de Vila Nova. Correndo o tempo entrou o senhorio dela na casa de Lancastro, pelo casamento de D. Magdalena de Vilhena com D. Pedro de Lancastro, segundo conde de Figueiró.
Está Vila Nova de Portimão assente em terreno plano, com ruas bem lançadas e direitas, terminando em dois arrabaldes, um para o lado do mar, outro para o lado da terra.
No tempo em que D. Luiz Caetano de Lima escreveu a sua Geographia, compunha-se a povoação de 487 fogos e 1721 almas de comunhão.
Há em Vila Nova de Portimão uma única paroquia dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Tem Casa de Misericórdia e um sofrível hospital anexo. Houve naquela vila um Convento de capuchos da Piedade, fundado em 1541, e no arrabalde para a parte da terra, um colegio de jesuítas, que fora fundado em 1660.
No antigo regímen era Vila Nova de Portimão residência de um juiz de fóra; hoje forma o concelho do mesmo nome, e contém 1700 a 1800 fogos com 8 000 a 10000 habitantes.
O seu comercio é considerável e porventura debaixo deste ponto de vista, é Vila Nova de Portimão uma das mais importantes povoações do Algarve.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
História de Albufeira (Algarve) e brasão antigo (1860)
História
Algarve
Algarve
Albufeira em 1860
A VILA DE ALBUFEIRA
Está situada esta Vila no reino do Algarve, sobre o mar, sete léguas ao nascente da cidade de Lagos, e duas ao sueste da cidade de Silves.
Não há noticia certa da sua fundação, mas deve ser muito antiga, pois que já existia antes da invasão dos moiros, com o nome de Baltum, de origem romana. Logo que os árabes se apossaram dela começaram a chamar lhe Al Buhar, que significa o mar, isto por causa de uma grande lagoa que aí havia, formada pelas águas que o oceano arremessava para o interior na ocasião de temporais ou nas grandes marés. Daquela palavra árabe se derivou o nome actual de Albufeira.
Foi conquistada aos moiros por el rei D. Afonso III, que fez doação dela á ordem militar de Avis. Depois desta conquista decaiu bastante, por que se lhe acabou o elemento que fazia a sua prosperidade, e que consistia no importante comércio de exportação e importação, que os seus habitantes faziam com as povoações de África.
Com o decurso do tempo e com o desenvolvimento do país, foi melhorando e tirando partido do seu porto tanto para o comércio como para a pescaria, que naquela costa é objecto de grande importância.
O terramoto do 1 de Novembro de 1755, que arruinou tantas terras do Algarve, causou bastantes estragos em Albufeira, que ao depois se foram reparando. Ao presente conta Albufeira mais de dois mil e quinhentos habitantes.
Albufeira acha-se edificada sobre uma rocha sobranceira ao mar, parte em sítio plano, e parte no declive para a praia. Aquela é fortificada e dominada por um velho castelo, de que eram alcaides mores os condes de Vale de Reis, depois marqueses de Loulé. Tem uma só paroquia dedicada a Nossa Senhora da Conceição. A casa da misericórdia e hospital são de antiga fundação. A 3 de Fevereiro tem uma feira de três dias bastante concorrida.
O porto de Albufeira é espaçoso. Duas pontas de terra que entram pelo mar, uma do lado do nascente chamada o Porchel, e outra do ocidente, denominada a Baleeira, apresentando a feição de uma meia lua, formam uma boa enseada ainda que não muito abrigada. A praia de Albufeira é tão vasta, que dizem ter uns três mil passos de comprimento sobre duzentos de largura, porém no preamar é toda coberta pelas ondas, que vão bater contra as rochas que servem de alicerce á vila.
Albufeira gozou outrora da regalia de mandar procuradores ás cortes, os quais tinham assento no banco quinze. O seu brasão de armas é uma vaca de oiro em campo azul.
***
Pelos Censos 2011 Albufeira tem 40 657 habitantes
Albufeira é uma cidade do Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve
As freguesias de Albufeira são as seguintes:
Albufeira, Ferreiras, Guia, Olhos de Água, Paderne.
Praias
Praia de Santa Eulália, Praia dos Salgados, Praia da Galé Oeste, Praia da Galé Este, Praia do Evaristo, Praia do Castelo, Praia da Coelha, Praia de São Rafael, Praia dos Arrifes, Praia do Peneco, Praia dos Pescadores, Praia do Inatel, Praia do Forte de São João ou "Alemães", Praia dos Aveiros, Praia da Oura, Praia Maria Luísa, Praia da Balaia, Praia dos Olhos D'Água, Praia do Barranco das Belharucas, Praia da Falésia, Praia da Rocha Baixinha Oeste, Praia da Rocha Baixinha ou dos "Tomates", Praia da Rocha Baixinha Este
Pelos Censos 2011 Albufeira tem 40 657 habitantes
Albufeira é uma cidade do Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve
As freguesias de Albufeira são as seguintes:
Albufeira, Ferreiras, Guia, Olhos de Água, Paderne.
Praias
Albufeira tem cerca 30 km de costa e das mais belas praias do Mundo.
Praia de Santa Eulália, Praia dos Salgados, Praia da Galé Oeste, Praia da Galé Este, Praia do Evaristo, Praia do Castelo, Praia da Coelha, Praia de São Rafael, Praia dos Arrifes, Praia do Peneco, Praia dos Pescadores, Praia do Inatel, Praia do Forte de São João ou "Alemães", Praia dos Aveiros, Praia da Oura, Praia Maria Luísa, Praia da Balaia, Praia dos Olhos D'Água, Praia do Barranco das Belharucas, Praia da Falésia, Praia da Rocha Baixinha Oeste, Praia da Rocha Baixinha ou dos "Tomates", Praia da Rocha Baixinha Este
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Portugal - Eleições 2011 - Resultados Faro
Resultado das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011 - Faro
PSD - 37,03%, 4 deputados (Em 2009: 26,16%, 3 deputados)
Deputados eleitos pelo PSD em Faro: José Mendes Bota, António V. Oliveira, Elsa Cordeiro, Cristóvão Norte
PS - 22,95%, 2 deputados (Em 2009: 31,86%, 3 deputados
Deputados eleitos pelo PS em Faro: João Soares, Miguel Freitas
CDS/PP - 12,71%, 1 deputado (Em 2009: 10,71%, 1 deputado)
Deputado eleito pelo CDS/PP em Faro: Artur Rego
CDU - 8,57%, 1 deputado (Em 2009: 7,75%, nenhum deputado)
Deputado eleito pela CDU em Faro: Miguel Sá
BE - 8,16%, 1 deputado (Em 2009: 15,38%, 1 deputado)
Deputado eleito pelo BE em Faro: Cecília Honório
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
História da Comarca de Tavira em 1755 (Tavira, Faro, Loulé, Castro Marim, Albufeira)
História
Tavira e Faro em 1755
Comarca de Tavira
Tavira, Faro, Loulé, Castro Marim, Albufeira
Tavira, Faro, Loulé, Castro Marim, Albufeira
Em trinta e sete gr. e quatro min. de latitude e dez e quarenta e dous min. de longitude tem o seu assento a Cidade de Tavira, cincoenta legoas distante de Lisboa, na costa do mar Oceano que corre de Poente a Levante desde o cabo de S. Vicente até o estreito de Gibaltar. Attribuese a sua fundação (Tavira) a Brigo IV, Rey de Hespanha, chamando lhe Talabriga (Tavira) com alusão, que perpetuase a memoria do seu fundador. ElRey D. Afonso III a reedificou ultimamente das ruinas em que a deixaram os Mouros pelos quaes duas vezes foy conquistada.
EIRey D. Manoel a ennobreceo com o titulo de Cidade (Tavira); goza de voto em Cortes com assento no banco segundo, e (Tavira)tem duas Parochias a saber; a de S. Maria que he a Matriz com Prior, e Beneficiados da Ordem de Santiago, e a Freguezia de Santiago com Prior e Beneficiados do habito de São Pedro; Casa de Misericordia (Tavira) com Hospital (Tavira), e os Conventos de Religiosos de S. Francisco da Província dos Algarves, o de Capuchos da Provincia da Piedade, que tem por orago a S. António e foy fundado em 1612. O de N. Senhora da Ajuda de Religiosos Paulistas, e o de nossa Senhora da Graça de Eremitas de S. Agostinho: e extra muros hum Convento de Religiosas de S. Bernardo.
Faro
Nesta mesma Comarca em trinta e seis gr. e seis min. de latitude e cincoenta gr. e vinte e dous min- de longitude, sobre a costa do mar Oceano, está assentada a Cidade de Faro, antiga pela sua fundação que se attribue aos Gregos. EIRey D. Afonso lll de Portugal a conquistou (Faro) aos Mouros pelos annos de 1229 e mandou povoar (Faro) de novo em 1268. He esta (Faro) terra das Senhoras Rainhas, e a sua povoação se divide (Faro) em duas Freguezias a saber: a Sé, a nossa Senhora da Assumpção, e S. Pedro. Goza (Faro) de voto em Cortes com assento no banco segundo e (Faro) tem muitos edificios publicos que a ennobrecem, entre elles se distinguem a Casa de Misericordia (Faro) com Hospital (Faro), oito Ermidas e os Conventos de Religiosos Franciscanos da Província des Algarves, o de Capuchos da Província da Piedade com invocação de S. António o Colegio (Faro) dos Padres da Companhia de Jesus e hum Convento de Religiosas Capúchas dedicado a nossa Senhora Madre de Deos.
Correndo os annos de 1590 se trasladou para esta Cidade (Faro) a Cadeira Episcopal que até então estava em Silves, residindo nesta Igreja D. Afonso de Castello branco. Consta o seu (Faro) Cabido de trinta Prebendas que se repartem por sete Dignidades, doze Cónegos, seis meyos Conegos, dez Quartanarios e outros Ministros. Cada Conezia rende trezentos mil reis, e o Bispado trinta mil cruzados. Os Prelados (Faro) que até agora houve fazem o numero de quarenta e hum; e as Freguezias de (Faro) que consta a Diecese, todas as do Reyno do Algarve, que são secenta e sete.
As Villas desta Comarca (Faro) que têm voto em Cortes são Loulé, no banco nove, Castro Marim no banco treze, e Albufeira no banco quinze; e os Conventos que se acham nella são os seguintes:
O de Religiosos Gracianos de Loulé.
O Convento de Religiosos descalços de Santo Agostinho da dita Vílla
Santo Antonio Convento de Capuchos Piedosos da dita Villa.
Descripçam corografica do reyno de Portugal, 1755
História da Comarca de Lagos e Silves em 1755
História
Lagos e Silves em 1755
Comarca de Lagos
Entende-se que foy fundada esta Cidade (Lagos) por Brigo IV, Rey de Hespanha 1897 annos antes da vinda de Christo, ao que deo lugar o nome de Lacobriga (Lagos), que conservou nos seculos mais remotos, sendo já Cidade consideravel e fortificada no tempo dos Romanos. ElRey D. Sebastião lhe deo o titulo de Cidade (Lagos) e EIRey D. Manoel, poucos annos antes a tinha ennobrecido com a fabrica dos canos de agua, padrão de immortal memoria para aquelle venturoso Principe. Consta de duas (Lagos) Freguesias da invocação de S. Maria e S. Sebastião, Casa de Misericordia com Hospital, cinco Ermidas e os Conventos seguintes: S. Francisco, Convento de Capuchos Piedosos fundado em 1518. O Convento de Religiosos Trinos fundado cm 1599. Nossa Senhora da Conceição, Convento de Carmelitas descalças fundado em 1557.
(Lagos) Dista cincoenta legoas de Lisboa e (Lagos) he muito abundante de todos os frutos necessários á vida humana, e muito regalada de peixe, principalmente de (Lagos) atuns, que daqui se levam pêra todas as partes do Reyno em grande abundância e quantidade.
(Lagos) Goza de voto em Cortes com assento no banco terceiro, e he o lugar onde (Lagos) residem os Governadores do Algarve. (Lagos) Tem hum competente porto, e da parte da terra, e do mar (Lagos) está fortificada com muita despeza e regularidade, e por todas estas circunstancias, numero e nobreza dos seus moradores e formesura dos seus Edifícios, (Lagos) he das melhores praças e Cidades do Reyno.
Silves
Nesta Comarca se comprehende a Cidade de Silves fundada por huns povos da Lusitania chamados Curetes, quatrocentos e cincoenta annos antes da vinda de Christo. Os mouros a tomarão (Silves) por duas vezes até que correndo o annos de 1188 a conquistou (Silves) ElRey D. Sancho I de Portugal, mas tornando os bárbaros a sitialla a renderão (Silves) e experimentou o seu quarto cativeiro, que durou perto de hum seculo, até que reinando em Portugal EIRey D. Afonso II a conquistou (Silves) a elles o famoso varão D. Payo Peres Corrêa com exercito daquelle Príncipe, pelos annos de 1242, mas ficando (Silves) destruida com tantas hostilidades, permaneceo (Silves) deserta até o anno de 1266, em que a mandou povoar (Silves) ElRey D. Afonso III, concedendo-lhe os mesmos foros, usos e costumes da Cidade de Lisboa.
(Silves) He cercada de fortes muros com formosos edificios, por que algum tempo (Silves) foy Corte dos Senhores Reys deste Reyno. (Silves) Goza de voto em Cortes no banco segundo. (Silves) Tem hua Igreja Parochíal da invocação de S. Maria, Casa de Misericordia (Silves), três Ermidas e hum Convento de Religiosos Terceiros de S. Francisco que tem por orago a N.S. do Paraiso, em que entraram estes Padres pelos annos de 1621. O seu termo (Silves) he dos mais deliciosos que tem o Reyno, (Silves) com muita abundância de frutas de espinho e dos outros géneros, vinhos generosos, pão, caças e gados, e (Silves) comprehende onze freguezias com três mil quarenta e três fogos e nove mil novecentos secenta e quatro pessoas mayores com o Convento de Religiosos Franciscanos da Provincia do Algarve, o de Carmelitas calçados, e o dos Padres Terceiros de S. Francisco com a invocação de nossa Senhora do Desterro, e duas Casas de Misericordia nos lugares da Mexilhoeira, e de Monchique. Conventos desta Comarca:
O de Capuchos da Provincia da Piedade da Villa de Sagres.
Nossa Senhora da Esperança de Religiosos Franciscanos de Villa nova de Portimão fundado em 1541.
Descripçam corografica do reyno de Portugal, 1755
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