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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

História de Panóias (Ourique) e imagem de 1860 do antigo brasão



História de Panóias (Ourique) e imagem de 1860 do antigo brasão

A VILA DE PANÓIAS


Esta pequena mas antiga povoação está situada na província do Alentejo, distrito administrativo de Beja. Dista duas léguas noroeste da vila de Ourique e outras duas sudoeste da vila de Messejana.

Pertenceu Panóias á ordem militar de Santiago; deu-lhe foral el rei D. Manuel, em 10 de Julho de 1512 e tinha voto nas cortes da velha monarquia, com assento no banco décimo quarto. Por esta ultima circunstancia mostra que foi terra de alguma importância. Todavia poucas memorias encontramos desta povoação.

O seu brasão d armas é do modo seguinte. Em campo azul, dois braços de homem cruzados, um vestido de amarelo e o outro de carmesim e com as mãos apontando para cima. Entre os braços está uma cabeça humana de barbas e cabelos loiros, que parece ser a de Jesus Cristo. Acha-se assim pintado este brasão na Torre do Tombo. Não nos consta, porém, que venha descrito e explicado em obra alguma; pelo menos tendo o procurado nos autores que mais particularmente se deram ao estudo das antiguidades pátrias não achamos noticias a seu respeito.

A vila de Panóias, que no começo do século passado (18) tinha duzentos e sessenta fogos, apenas contava, em 1820, cento noventa e oito, com uns setecentos e setenta habitantes. Supomos que este é, com pouca diferença, o seu estado actual. Tem uma única paroquia da invocação de Santa Maria.

A meia légua da vila, para o lado ocidental, está um templo de muita antiguidade, dedicado a S. Romão, que nasceu em França e faleceu num convento que fundou e que foi o primeiro que houve em Portugal, de que existem ainda alguns vestígios no meio de charnecas, a três léguas da vila de Mértola. Na igreja matriz de Panóias, venera-se a cabeça deste santo, em relicário de prata e o corpo na referida ermida de S. Romão, onde se lhe faz, no ultimo dia de Fevereiro, uma grande festa, a que concorrem muitas romagens e povos das vilas e aldeias vizinhas.

O termo de Panóias produz em abundância os mesmos frutos que o de Ourique, pois que ambos se estendem pelo celebrado campo que tomou o nome desta ultima vila.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Panóias é uma freguesia do concelho de Ourique.
Panóias é vila e foi sede de concelho até 1836, quando foi anexada ao município de Messejana. 

História de Ourique e imagem de 1860 do antigo brasão




História de Ourique e imagem de 1860 do antigo brasão

A VILA DE OURIQUE

Na extremidade meridional da província do Alentejo, distrito administrativo de Beja, a sete léguas e meia sudoeste da cidade de Beja e outras tantas oeste da vila de Mértola, acha-se a vila de Ourique, edificada sobre uma pequena elevação.

Não consta a época da sua fundação. Apenas se sabe que el rei D. Dinis lhe deu foral a 8 de Janeiro de 1290, estando na cidade de Beja.

Junto da vila estende-se um vasto campo, célebre na nossa historia com o nome de Campo de Ourique. Foi aí que teve principio a monarquia portuguesa. Entranhando-se o jovem infante D. Afonso Henriques pela província do Alentejo, em busca de infiéis para combater, saíram-lhe ao encontro nos plainos de Ourique o rei moiro Ismar e mais quatro régulos, seguidos de um poderoso exercito. Apesar da imensa desigualdade das forças, pois que os portugueses, a par dos moiros, apenas eram um punhado de valentes, travou- se a peleja no dia 25 de Julho de 1139. Este mesmo dia presenciou o destroço completo dos sarracenos, com a morte dos cinco régulos e a aclamação de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, pelos seus soldados ébrios de gloria e maravilhados do valor e coragem do moço infante.

Este insigne feito e memorável sucesso esteve por muitos séculos sem um padrão que o comemorasse, além da tradição popular e das memorias escritas, até que a rainha D. Maria I mandou elevar naquele sitio uma pirâmide de mármore, com uma inscrição que refere o acontecimento.

A vila de Ourique tinha voto nas antigas cortes com assento no banco décimo quinto. O seu brasão de armas é, em campo vermelho, um guerreiro com armadura e elmo, com o braço direito levantado e empunhando a espada, montado num cavalo, sobre terra firme; e na parte superior do escudo, uma torre em cada ângulo, tendo por cima uma o crescente e a outra uma estrela, tudo prata.

Esta vila é cabeça de comarca. Conta uma só paroquia dedicada a S. Salvador, que pertencia outrora, juntamente com o senhorio dr Ourique, á ordem militar de Santiago, que tanto ajudou os nossos primeiros Reis a expulsar os moiros de Portugal. Tem casa de Misericordia, hospital, as ermidas de S. Sebastião, S. Luís, N. Senhora do Castelo, S. Brás, S. Lourenço e Nossa Senhora da Cola e um castelo.

Nos subúrbios passam as ribeiras de Cobres e Tergis que, depois de se unirem, vão lançar-se no Guadiana. Pouco mais distante, mas ainda no termo vila, tem o seu nascimento o rio de S. Romão, que vai entrar no rio Sado em Porto de Rei. Segundo refere a tradição, as águas daquelas ribeiras correram até ao Guadiana tintas de sangue sarraceno, no dia da batalha de Ourique.

O termo possui bons terrenos, em que se cultivam cereais, frutas, alguns olivais e vinhas. Há nele alguma criação de gado e muita caça.

A vila de Ourique encerra uma população de duas mil e quatrocentas almas. A 29 de Setembro tem a sua feira anual. Sobre as ribeiras de Cobres e Tergis está em construção uma bela ponte de cantaria.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelos Censos 2011 Ourique conta com 5387 habitantes

Freguesias de Ourique 

Conceição, Garvão, Ourique, Panóias, Santa Luzia, Santana da Serra 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

História de Moura e imagem de 1860 do antigo brasão


História de Moura e imagem de 1860 do antigo brasão

VILA DE MOURA

É a vila de Moura uma das praças de guerra da fronteira do Alentejo. Está situada em terreno elevado e acidentado, ao qual cercam, por todos os lados, extensas planicies. A meia legua para este corre o Guadiana. Banham-lhe os muros as ribeiras de Brenhas e de Lavandeira, que pagam tributo ao rio Ardila, como este o paga ao Guadiana. Dista quatro leguas ao nor-nordeste de Serpa e sete es-nordeste da cidade de Beja.

A origem d esta povoação perde se na escuridão dos tempos. Para não referirmos as fabulas que a este respeito contam alguns autores, buscaremos para ponto de partida as noticias mais certas que se encontram sobre a antiguidade desta terra.

De varias lapidas e cippos romanos que se têm achado dentro da vila e nos seus arredores, consta que ali existira a cidade de Aruccitana ou Arucia a Nova para diferença de outra, do mesmo nome, situada na Serra Morena. No tempo do imperador Trajano era uma cidade mui nomeada e importante. Desde esta epoca até ao principio da nossa monarquia a sua historia é inteiramente desconhecida. É provavel que nas vicissitudes porque passou toda a peninsula com a entrada dos barbaros do norte e mais tarde com a dos arabes, fosse alternativamente destruida e levantada das suas ruinas. O que é certo é que no seculo XII era uma povoação acastelada, que os moiros tinham a bom recado. Como a lenda da tomada desta terra pelos cristãos seja a mesma que deu origem ao seu brasão de armas, vamos referi-la.








Lenda da Tomada de Moura

Corria o ano de 1166, D. Afonso Henriques, aclamado rei de Portugal nos plainos de Ourique, tinha expulsado os infieis da Estremadura e combatia sem descanso para os expelir do Alentejo, cujo terreno lhe disputavam palmo a palmo em luta porfiosa e desesperada.

Era então alcaide do castello da antiga Aruccitana um moiro nobre e opulento, senhor de muitas terras do Alentejo. Abu Assan, que assim se chamava, tinha uma filha por nome Saluquia, a quem amava ternamente. Em prova do seu afeto, dera-lhe em dote aquele castelo, por ele reedificado e guarnecido com tudo quanto era mister para conforto e defensa. A joven moira, tão ricamente dotada não tardou a contratar o seu casamento com um agareno não menos rico e poderoso e tambem alcaide do forte castelo de Arouxe.

Chegada a ocasião dos desposorios pos-se a caminho Braffma, era o nome do noivo, seguido de uma numerosa e luzida cavalgada. Ao entrarem porem num vale estreito e sombreado por espesso arvoredo, cairam sobre eles alguns cavaleiros cristãos, tão de improviso e com tal furia e denodo, que em breve espaço de tempo se viu o chão juncado de cadaveres, não escapando com vida um só sarraceno.

Foi esta acção uma empresa de antemão combinada e disposta; e foram autores dela dois fidalgos da corte de Afonso Henriques, chamados Alvaro Rodrigues e Pedro Rodrigues.

Apenas foi concluido este primeiro acto do drama, apressaram-se os dois fidalgos e os outros seus companheiros de armas a despojar os corpos dos moiros de todos os fatos e adornos e trocando-os pelos seus, num momento se acharam transformados em perfeitos cavaleiros mauritanos.

Assim disfarçados, seguiram o caminho do Castelo da noiva, entoando alegres vozes e gritas ao modo dos sarracenos. A desditosa Saluquia, que esperava ansiosa a vinda do consorte, viu da janela do alcaçar aproximar-se a brilhante e jovial comitiva. Com o riso nos labios e no coração a falaz esperança da felicidade, correu a ordenar á sua gente que baixasse a ponte levadiça e abrisse de par em par as portas da fortaleza, para receber o seu novo senhor. A sua ilusão porém passou rapidamente, como o relampago. As vozes de alegria e paz, que os cavaleiros entoavam ao transpôr os fossos do castelo, em breve se converteram no retinir das armas, nos alaridos da guerra e emfim nos brados de vitoria.


O sagrado pavilhão das quinas tremolava jà triunfante sobre as ameias da cidadela. A praça estava rendida aos pés do vencedor, mas não assim a sua altiva senhora. A desgraçada Saluquia, preferindo a morte á escravidão, arremeçara-se do alto da torre que defendia a entrada da fortaleza.

Em memoria deste sucesso, tomou a terra o nome de vila da Moura e por seu brasão de armas um escudo com um castelo e junto á porta deste, uma mulher morta.

Esta é a lenda, mas pretendem alguns autores que a povoação, antes desta conquista já era denominada Moura. Outros dizem, que durante o dominio dos arabes, davam-lhe estes o nome de Ilma-nijah.

O que é verdade historica, é ter sido conquistada aos infieis por aqueles dois cavaleiros, que tomaram desta empresa o appelido de Moura, que transmittiram aos seus descendentes, actualmente representados na pessoa do senhor marquês de Loulé.

A pouca distancia da vila, ha um sitio ainda hoje denominado Braffma de Arouxe, onde a tradição popular diz que foi assassinado o infeliz noivo.

No meio de certa confusão de noticias que se dá a respeito da tomada desta vila, parece depreender-se que, depois daquela primeira conquista, tornou a cair em poder dos moiros, sendo mais tarde outra vez resgatada pelos cristãos.

Reinando el rei D. Dinis, o senhorio de Moura, juntamente com o de algumas outras terras do Alentejo, foi causa de um rompimento entre Portugal e Castela, pelos annos de 1295. Terminada a guerra e reconhecido o direito de possessão a Portugal pelo tratado de paz de Ciudad Rodrigo, el rei D. Dinis deu foral á vila de Moura em Dezembro daquele mesmo ano.

Por ocasião da lcta da restauração de 1640, fizeram- se na vila de Moura importantes obras de defensa, que a elevaram á categoria de praça forte. Em Junho dc 1707, durante a guerra da sucessão de Espanha, rendeu-se esta praça por capitulação ao exercito espanhol, comandado pelo duque de Ossuna, depois de quinze dias de defensa. Passado algum tempo abandonou-a o inimigo, fazendo antes voar o Castelo e grande parte das fortificações da praça.

No nosso antigo sistema monarquico, a vila de Moura tinha voto em cortes com assento no banco quinto.

Ha na vila duas paroquias, S. João Baptista e Santo Agostinho, pertencentes outrora á ordem de Avis. Tem casa da Misericórdia, hospital e umas doze ermidas. Tem dois conventos de freiras, o de Nossa Senhora da Assunção, de religiosas dominicas fundado em 1562 dentro do castelo, e o de freiras de Santa Clara; e teve tres conventos de frades, um da ordem de S. Francisco, outro de carmelitas calçados e o terceiro de hospitaleiros de S. João de Deus, que tem servido de Hospital militar.

Conserva grande parte das antigas fortificações, posto que muito arruinadas, tais como a cerca de muralhas, com as suas quatro portas, do Carmo, Nova do Fojo, de S. Francisco e de Santa Justa; uma magestosa torre, fabrica del rei D. Dinis e varias reliquias de construções mais antigas, umas que se atribuem aos arabes e outras aos romanos.

As fortificações modernas acham-se tambem em muita destruição, pelo efeito daquela catastrofe e depois pelo abandono dos homens e pela acção do tempo.

As duas ribeiras de Brenhas e Lavandeira, que cercam e banham a vila e regam hortas e pomares; o rio de Ardila, onde estas vão desaguar, que mais caudaloso, faz moer muitas azenhas; e emfim, o Guadiana, que passa nas vizinhanças, tornamos suburbios de Moura bonitos frescos e amenos. O termo produz em abundancia cereais e azeite. Recolhe algum vinho, cera e mel e possui excelentes montados, onde se cria muito gado suino. Os montes abundam em caça e o Guadiana fornece variedade de peixe.

A vila de Moura é cabeça de comarca, distrito administrativo de Beja e encerra perto de quatro mil habitantes.

A 8 de Setembro tem a sua feira anual, muito concorrida de gente e de generos.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Moura conta com 15 186 habitantes

Freguesias de Moura 

Amareleja, Póvoa de São Miguel, Safara, Santo Agostinho, Santo Aleixo da Restauração, Santo Amador, São João Baptista, Sobral da Adiça 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

História de Mértola e imagem de 1860 do antigo brasão



História de Mértola e imagem de 1860 do antigo brasão

A VILA DE MÉRTOLA


Foi Mértola uma das mais importantes e nomeadas cidades da antiga Lusitânia, com o nome de Mirtilis Julia.

Segundo a opinião de alguns escritores, deveu a sua origem aos tírios e fenícios que, fugindo das armas vitoriosas de Alexandre Magno, vieram aportar á Lusitânia e aí fundaram, trezentos e dezoito anos antes do nascimento de Cristo, uma povoação sobre o Guadiana a qual denominaram Mirtilis, que quer dizer Nova Tiro e que, ao diante, se corrompeu em Mértola.

Seja ou não verdade esta origem, pelo menos não repugna dar-lhe credito. Os fenícios eram o povo mais industrioso da antiguidade. Foi a primeira nação, de que há noticia, que se deu com fervor e perseverança ao trafico comercial, saindo do seu país para permutar as suas mercadorias no estrangeiro e para explorar fontes de riqueza em remotas regiões.

A Península Ibérica, país então selvagem e mui afastado do centro de civilização dessa época, era uma das regiões que os fenícios mais frequentavam. Navegando terra a terra, percorriam todas as costas do Mediterraneo, devassando os rios que nele vêm desaguar e, saindo ao oceano, vinham também surgir nos nossos rios, principalmente no Guadiana no Sado e no Tejo. Exploravam as terras vizinhas; recolhiam os produtos que mais lhes convinham, sobretudo miniferos; e nos sítios mais ricos, ou que mais apropriados lhes pareciam a quaisquer vantagens, fundavam pequenas colónias.

É possível, portanto, que no caso de não ser exacta aquela noticia, aqueles navegadores aventureiros, em algumas das suas excursões pelo Guadiana, fundassem junto ás suas margens uma povoação.

O que é fora de duvida é que no tempo em que Roma estendia por toda a parte o seu domínio, era Mirtilis uma cidade de tal importância que mereceu ser elevada, pelos orgulhosos senhores do mundo, á preeminencia de município do antigo Lacio, prerogativa que bem poucas cidades das Hespanhas puderam alcançar. Os seus moradores, talvez em sinal de gratidão por alguns favores recebidos, acrescentaram-lhe o nome de Júlio César, ou este, para a honrar, lhe deu o seu nome, com o que se ficou chamando Mirtilis Julia. Encontram-se muitas noticias desta cidade nos autores antigos e também se têm achado, nos próprios lugares, muitos vestígios seus, que atestam a sua prosperidade e grandeza.

Nas invasões dos bárbaros do norte, que destruíram o império romano e depois, na dos árabes, que derrocaram a monarquia goda, padeceu muito aquela cidade, na espoliação das suas riquezas, na ruína dos seus edifícios e na morte e dispersão dos seus habitantes. É provável que tantas calamidades a deixassem inteiramente arruinada, como aconteceu a todas ou quase todas as principais cidades da peninsula. Os moiros reconstruíram-na e de novo a povoaram, porém na guerra cruenta que em breve se acendeu entre o islamismo e cristianismo, viu-se exposta a novos desastres e vicissitudes até que o nosso rei D. Sancho II a conquistou no ano de 1239, unindo-a para sempre á coroa de Portugal.

Desta vez não foi mais feliz que nas guerras anteriores, pois que nessa luta tremenda de cristãos e moiros, a espada do vencedor era tão inexorável para os homens como para os monumentos. D. Sancho II mandou-a povoar e fez doação dela á ordem militar de Santiago, para que os seus cavaleiros tomassem o encargo de defender aquela posição importante, por ficar fronteira á Andaluzia e próxima do Algarve, onde os moiros conservavam florescentes estados e grande poder.

Já se vê que em tais circunstancias não podia crescer e desenvolver se a povoação, que não era por certo apetecível uma vivenda tão vizinha de inimigos tão figadais. Por conseguinte só veio a tomar algum incremento depois que os sarracenos foram expulsos da Andaluzia e do Algarve.

Deu-lhe foral de vila el rei D. Dinis, sendo de há muito conhecida pelo seu actual nome de Mértola. Gozava então de voto em cortes, sentando-se os seus procuradores no banco décimo oitavo. Eram seus alcaides mores os condes de Santa Cruz, titulo e família hoje extintos.

O seu brasão de armas é um escudo de prata e nele um cavaleiro de Santiago a cavalo e armado de escudo e espada, em acção de arremeter. Na parte superior, juntos a um canto do escudo, tem dois martelos.

Está sentada esta vila na encosta de um monte, cujas faldas banha o Guadiana pelo lado de este e o pequeno, mas fundo, rio de Oeiras pelo sul. Dista da cidade de Beja nove léguas, para o sul e onze da foz do Guadiana.

Contém a vila de Mértola uns dois mil e quatrocentos habitantes, com uma paroquia, igreja e hospital da Misericórdia e cinco ermidas. Teve um convento da ordem militar de Santiago.

A sua posição é bastante defensável por natureza e alguma coisa fez a arte em outros tempos para a tornar mais forte. As margens do Guadiana e da ribeira de Oeiras fazem-lhe alegres e aprazíveis os subúrbios, assim como as águas dos dois rios concorrem para os fazer produtivos o termo, que se estende até ás serras de Caldeirão, Agra e S. Varão, é dos mais férteis do Alentejo. Produz cereais, legumes frutas, vinho, cêra, muito mel, gado e caça. O Guadiana fornece a vila de diversas espécies de peixe, sobretudo de solhos, em que abunda. Tem duas feiras no ano, uma a 13 de Junho e a outra a 21 de Setembro.

Tanto no terreno ocupado pela vila, como nas imediações, têm-se encontrado em diferentes épocas, muitos objectos de antiguidade e alguns de grande apreço artístico, como estátuas, vasos, colunas, cippos, etc. De uma bela ponte, que os romanos construíram sobre o Guadiana, ainda restam vestígios. O nosso erudito escritor D. frei Amador Arraes, bispo de Portalegre, falando numa sua obra da vila de Mertola, diz que entre umas estátuas de mármore que nos fundamentos da Misericórdia desta vila se acharam, vira uma de uma matrona admiravelmente lavrada.

Na antiga Mirtilis padeceu martírio o bispo S. Fabricio e nela nasceu S. Varão, irmão de Santa Barbara e de S. Brissos, o qual, vivendo vida eremitica na serra a que deu o seu nome, aí morreu pelos anos de 300 da era cristã. No sitio da sua sepultura, fundou-se depois uma ermida que, de reconstrução em reconstrução tem chegado até aos nossos tempos e é muito venerada e procurada daqueles povos. Próximo da ermida mostra-se a gruta em que o santo eremita viveu.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Mértola conta com 7289 habitantes

Freguesias de Mértola

Alcaria Ruiva, Corte do Pinto, Espírito Santo, Mértola, Santana de Cambas, São João dos Caldeireiros, São Miguel do Pinheiro,São Pedro de Solis, São Sebastião dos Carros

domingo, 9 de outubro de 2011

História de Garvão, Ourique e imagem de 1860 do antigo brasão


História de Garvão, Ourique e imagem de 1860 do antigo brasão


A VILA DE GARVÃO

É esta uma vila pequena, mas muito antiga. A sua origem é duvidosa, atribuindo-a alguns autores aos moiros e outros aos cavaleiros de Santiago, logo no principio da monarquia. Os primeiros aduzem, como argumento, o seu nome de Garvão, que dizem ser de procedência arabica. Os segundos fundam a sua opinião na circunstancia de lhe ter sido dado o seu primeiro foral de vila pelo mestre de Santiago, D. Paio Peres Correia, no meado do século XIII. É porém indubitável, que na infância da monarquia, já era povoação importante, pois gozava da prerogativa de enviar procuradores ás cortes, os quais tinham assento no banco décimo quarto.

El rei D. Manuel reformou lhe o foral, em 10 de Julho de 1512, dando-lhe novos e maiores privilégios, talvez por se achar decadente. Outrora contou muitos mais moradores do que os que ao presente tem, que não chegam a novecentos.

Está situada na província do Alentejo, a duas léguas para oeste da vila de Ourique e junto á estrada real, que comunica com o Algarve.

Tem uma só paroquia, intitulada de Nossa Senhora da Assunção. Os seus principais edifícios e estabelecimentos reduzem-se á casa de Misericórdia, hospital casa da câmara e ermidas do Espírito Santo, de S. Pedro e de S. Sebastião.

O termo é muito fértil; produz abundância de cereais, legumes e frutas, e cria-se nele muito gado, especialmente suíno, bem como varias espécies de caça.

A 10 de Maio tem uma feira anual de três dias.

O brasão de armas desta vila é um escudo com uma árvore verde em campo de prata e na parte superior duas cruzes de purpura da ordem de Santiago.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Garvão é uma freguesia do concelho de Ourique

sábado, 8 de outubro de 2011

História de Ferreira do Alentejo e antigo brasão (imagem de 1860)


História de Ferreira do Alentejo e antigo brasão (imagem de 1860)


A VILA DE FERREIRA

Na província do Alentejo, três léguas ao ocidente da cidade de Beja, tem seu assento a vila de Ferreira, em lugar um pouco mais elevado que os terrenos circum-vizinhos, que são inteiramente planos.

Segundo a tradição, foi no tempo dos romanos uma cidade com o nome de Singa, na qual se fez celebre uma matrona, defendendo valorosamente a porta do castelo da mesma cidade, por ocasião da invasão dos godos e suevos. Em memoria deste feito, dizem que tomara esta povoação por armas a figura de uma mulher com dois malhos nas mãos, brasão que a vila actual adoptou como prova da sua antiguidade. No principio do século passado (18) ainda se viam junto á vila, para o lado do nascente, restos de edifícios em uma extensão de meia légua.

A cidade de Singa, se com efeito ali existiu, perdeu-se como muitas outras na entrada dos árabes. Do começo da vila de Ferreira não encontramos noticias. O seu foral de vila foi lhe dado por el rei D. Manuel em 5 de Março de 1517.

Sobre um monte, ao nascente da vila, vê- se o seu antigo castelo, cercado de muros com barbacã e nove torres.

Ferreira tem uma só paroquia, dedicada a Nossa Senhora d Assunção e conta perto de dois mil habitantes.

Cortam e regam os seus subúrbios as ribeiras de Valdouro e de Safrins, a primeira distante da vila um quarto de légua e a segunda meia légua. Trazem algum peixe, principalmente pardelhas e bordalos, que são muito estimados naqueles sítios. O termo produz bastante azeite, algum vinho e frutas, porém a sua maior produção consiste em trigo. Abunda também em caça miúda.

A 16 de Setembro faz- se nesta vila uma feira bastante concorrida.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelo Censos de 2011 Ferreira do Alentejo conta com 8265 habitantes

Freguesias de Ferreira do Alentejo :

Alfundão
Canhestros
Ferreira do Alentejo
Figueira dos Cavaleiros
Odivelas
Peroguarda
Santa Margarida do Sado

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

D. Afonso Mendes, o Patriarca português da Etiópia

D. Afonso Mendes, o Patriarca português da Etiópia

D. Afonso Mendes, jesuíta, doutor em Teologia pela Universidade de Évora, foi sagrado Patriarca da Etiópia a 12 de Março de 1623.

Depois de exercer as suas funções durante alguns anos, teve que sair do império, desterrado como os outros católicos, refugiando-se em Goa, onde viria a falecer a 29 de Junho de 1656 quando já tinha sido nomeado Arcebispo daquela metrópole.

Tinha nascido em Santo Aleixo, Moura, a 20 de Agosto de 1575 ou 1579.

Escreveu:

sábado, 17 de setembro de 2011

História de Beringel (Beja) e brasão antigo (imagem de 1860)




História de Beringel (Beja) e brasão antigo (imagem de 1860)

A VILA DE BERINGEL

Na província do Alentejo, a duas léguas de distancia da cidade de Beja, para o poente, está edificada a pequena vila de Beringel, na encosta de um monte que olha para o norte.

A noticia mais antiga que se encontra da sua existência, data do ano de 1225, no qual el rei D. Afonso III fez doação dela ao mosteiro de Alcobaça. Tendo-a incorporado na coroa el rei D. Afonso V, no ano de 1477, por troca que fez com aquele mosteiro, deu-a, em 1497, a Ruy de Sousa, pai do primeiro conde do Prado, ascendente dos marqueses das Minas. Porém el rei D. Manuel é que lhe concedeu o seu foral de vila, aos 23 de Novembro de 1519.

Consta esta povoação de uma só paroquia, intitulada de Santo Estêvão. É templo antigo, de três naves, e na sua primitiva foi igreja de um mosteiro de frades bernardos, do qual se descobrem ainda vestígios. Numa das capelas estão sepultados Rui de Sousa e sua mulher D. Branca de Vilhena.

Tem hospital e casa de misericordia e nos arrabaldes quatro ermidas.

Abastecem a vila quatro fontes de excelente agua, chamadas da Andreza, do Marquês, de Palhetes e Fonte Velha. O pequeno rio Galego rega e fertiliza-lhe os campos dos seus subúrbios, que produzem cereais, legumes, azeite, vinho e frutas, contêm belas pastagens em que se cria bastante gado. Na serra das Pedras, que lhe fíca vizinha, ha muita abundância de perdizes e coelhos.

A vila de Beringel tem por brasão de armas, em campo vermelho, um braço de oiro com asas, empunhando na mão uma espada.

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Beringel é uma vila do concelho de Beja

História de Beja e brasão antigo (imagem de 1860)




História de Beja e brasão antigo (imagem de 1860)

A CIDADE DE BEJA

A fundação desta cidade atribui-se aos celtas, os mais antigos povoadores das Hespanhas de que há noticia. Dizem que os cartagineses a ocuparam; porém o que é fora de toda a duvida é que, senhoreada pelos romanos, esteve muitos anos sob o seu domínio e tanto floresceu nessa época, que logrou a proeminência de ser um dos três conventos jurídicos da Lusitânia.

Destruído o império romano, esteve sujeita primeiramente aos suevos e depois aos godos. Sob o governo destes últimos foi erecta em sede episcopal.

No começo do seculo VIII, correndo o ano de 715, seguiu a triste sorte das mais terras da península, recebendo o jugo muçulmano. Depois essa luta gigantesca e sem tréguas, que durante séculos fez de todo o solo das Hespanhas um vasto campo de batalha, correu fortuna varia a cidade de Beja, sendo agora cristã, para logo ser outra vez moira. O primeiro rei católico que a disputou e ganhou aos árabes, foi D Afonso I, rei de Leão e das Astúrias, no ano de 750. Retomada pelos sarracenos, foi novamente resgatada por D. Ordonho II em 914, que a perdeu pouco depois, tornando a ser recuperada em 1038 por el rei D. Fernando Magno. Caída de novo em poder dos árabes, conquistou-a primeira e segunda vez o nosso rei D. Afonso Henriques, em 1155 e em 1162. Desde este tempo ficou para sempre cristã.

Não se sabe qual foi o nome que teve anteriormente ao domínio dos romanos. Júlio César deu lhe o nome de Pax Julia em comemoração da paz que acabava de celebrar com os lusitanos. O seu sucessor Octaviano Augusto quis que se chamasse Pax Augusta, porém o primeiro é que prevaleceu e se conservou até á invasão dos moiros, que o foram corrompendo em Pache, depois Baxu, e finalmente Beja.

Pelo efeito natural das guerras que padeceu, foi-se despovoando e empobrecendo, de sorte no tempo dos nossos primeiros Reis estava reduzida ás condições de uma pequena vila.

El rei D. Afonso III deu-lhe foral e cercou-a de muros em 1253, para cuja obra se serviu materiais da celebre via militar construída pelos romanos. El rei D. Dinis mandou-a povoar e edificou- lhe o castelo.

D. João II a fe-la cabeça de ducado, em favor seu primo D. Manuel, e este príncipe, tendo-lhe sucedido no trono, elevou Beja á sua antiga categoria de cidade em 1512. O infante D. Luís, segundo filho de el rei D. Manuel, foi criado por seu pai duque de Beja, e desde então ficou pertencendo este titulo aos filhos segundos dos nossos Reis. Tendo determinado o imortal duque Bragança, o Senhor D. Pedro, quando foi regente na menoridade de sua Augusta filha, que, em galardão á cidade do Porto, se intitulasse duque dela o filho segundo do monarca português, passou o ducado de Beja para o imediato, por cuja goza hoje deste titulo o sereníssimo infante D. João.

No antigo regímen mandava esta cidade os seus procuradores ás cortes, aonde tinham assento no banco terceiro. Eram seus alcaides mores os marqueses das Minas.

Beja é sede episcopal, e capital de um distrito administrativo na província do Alentejo. Está situada em um terreno alto, que de muita distancia vai subindo gradual e quase insensivelmente. Dista de Évora onze léguas para o sudoeste e quatro de Serpa para o noroeste.


Divide-se a cidade em quatro paroquias, todas anteriores ao século XIV. A mais antiga é a matriz, Santa Maria, chamada da Feira. É tradição que fora mesquita dos moiros. Está no centro cidade. As outras freguesias são: S. João Baptista, templo de muita antiguidade; a do Salvador  e a de Santiago.

A casa da Misericórdia foi fundada e dotada pelo infante D. Luís, filho de el rei D Manuel. O seu templo é grandioso, bem como o hospital que esta anexo, que é obra do infante D. Fernando, pai de el rei D. Manuel.

O colégio de S. Sisenando, que pertenceu aos jesuítas, foi fundado em 1670, na rua Cega, aonde aquele santo morou. Não estando concluído, ao tempo da extinção desta ordem, continuou-se para servir o templo de sé e o convento de paço do bispo. Actualmente está ocupado pela câmara, celeiro publico e outras repartições. Guardam-se neste edifício vários objectos de antiguidade, que atestam a dominação dos romanos e a florecencia de Beja nessa remota época.



Antes da extinção das ordens religiosas, em 1834, contavam na cidade e subúrbios três conventos de frades e três de freiras. Aqueles eram: o de S. Francisco, edificado pela rainha Santa Isabel em 1324; o dos carmelitas calçados, fundado sobre um outeiro a um quarto de légua dos muros de Beja no ano de 1526; e o de Santo António, de capuchos, construído junto ás muralhas no ano de 1609. Os de religiosas são: o de Nossa Senhora da Conceição, de freiras franciscanas, situado na rua dos Infantes, e que teve por fundadores os infantes D. Fernando e D. Brites, pais de el rei D. Manuel, que jazem na capela mor; o de Nossa Senhora da Esperança, de carmelitas calçadas, edificado em 1541; e o de Santa Clara, de franciscanas, fundado a pequena distancia dos muro no ano de 1340. Estes três ainda estão habitados.



Conserva-se ainda em bom estado uma grande parte das muralhas da cidade com suas torres. De quarenta, que eram estas, restam vestígios de trinta. Abriam-se em toda esta cerca de muros sete portas, de que existem cinco, chamadas de Évora, de Avis, de Moura, de Mértola e de Aljustrel, pelas quais saem as estradas que conduzem ás povoações que lhes dão o nome. Entre estas antigas fortificações, vêem-se ainda de pé algumas partes mui curiosas pela sua forma e construção. A torre, denominada «a grande», que se ergue junto á porta de Évora, é um belo monumento e perfeitamente conservada.

Beja tem muitas casas nobres, mas não possui fonte alguma. A agua de que se abastecem os seus moradores é tirada de poços, porém é de excelente qualidade.

Os arrabaldes não são formosos, porque consistem em dilatadissimas campinas, sem acidentes de terreno, nem contrastes e cuja principal cultura é trigo. Contudo, em torno da cidade, há bastantes hortas e ao longe extensos bosques de azinheiros, sobreiros, etc. Em compensação a sua fertilidade é extraordinaria. Achamos memorias do século passado (18), que dizem que o dizimo do trigo que a mitra arquiepiscopal de Évora recebia anualmente do termo de Beja regulava por trinta mil moios. Além de trigo e outros cereais abundam em azeite, algum vinho e grandes montados aonde se criam muitos rebanhos, ou, falando mais adequadamente, muitas varas de porcos. Todos aqueles contornos são ricos de caça variada e de minerais infelizmente não explorados.

A posição elevada da cidade, desafrontada de montanhas e de mui suave acesso, dá-lhe a vantagem de gozar de puríssimos ares, os mais proficuos de Portugal para as moléstias de peito. Pela mesma razão se desfruta de muitos pontos da cidade, um dilatadissimo panorama, chegando-se a descobrir o castelo de Palmela a dezoito léguas de distancia.

A 10 de Agosto faz-se, na praça de Beja, uma feira mui concorrida e de grande comercio. A população da cidade eleva-se a cinco mil e trezentas almas.

Beja foi pátria de S. Sisenando, que padeceu martírio em Córdova, no ano de 851; de António de Gouveia, que foi lente em varias universidades estrangeiras e morreu em Turim em 1565; de Amador Arraes, de Jacinto Freire de Andrade e de José Agostinho de Macedo, nosso contemporaneo, e todos três distintissimos escritores.

O seu brasão de armas é um escudo com uns muros torreados á parte direita, e à esquerda uma cabeça de toiro até ao pescoço, sustentando as armas reais de Portugal, com uma águia de cada lado.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Beja tem 35 730 habitantes

Beja é cidade capital do Distrito de Beja, na região Baixo Alentejo.

Freguesias de Beja

Castelo (Beja), Albernoa, Baleizão, Beringel, Cabeça Gorda, Mombeja, Nossa Senhora das Neves, Quintos, Salvada, Salvador (Beja), Santa Clara de Louredo, Santa Maria da Feira (Beja), Santa Vitória, Santiago Maior (Beja), São Brissos, São João Baptista (Beja), São Matias, Trigaches, Trindade

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em BEJA
PS: 8579/45,7% - 4 mandatos
PCP: 7815/ 41,6% - 3 mandatos


Candidatos Eleitos pelo Circulo: Beja

PS - JORGE PULIDO VALENTE
PCP-PEV - FRANCISCO DA CRUZ DOS SANTOS
PS - JOSÉ DOMINGOS NEGREIROS VELEZ
PCP-PEV - MIGUEL DOMINGOS CONDEÇA RAMALHO
PS - CRISTINA MARIA GOMES MARTINS VALADAS
PCP-PEV - MARIA DE JESUS VALENTE ROSA RAMIRES
PS - ANTÓNIO MIGUEL CATARINO GÓIS



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

História do Alvito (Alentejo) e dois brasões antigos (imagens de 1860)





 
História do Alvito e dois brasões antigos (imagens de 1860)

Alentejo

No coração da província do Alentejo, seis léguas sudoeste da cidade de Évora e quatro nor-noroeste da de Beja, está a vila de Alvito, assentada em campo chão.

Nos primeiros tempos da monarquia havia nesse sitio uma herdade chamada de S. Romão, pertencente parte ao senado de Évora, e parte aos Pestanas, descendentes de Giraldo sem Pavor. Reinando D. Afonso III, por comum acordo das partes interessadas, foi dada esta herdade ao chanceler mor do reino, D. Estêvão Annes, colaço daquele soberano, que a principiou a cultivar e depois foi edificando nela algumas casas que alugava a uns e dava a outros. Teve isto lugar pelos anos de 1255, e sete anos depois, já havia naquela propriedade tantos moradores, que Estêvão Annes lhe edificou uma igreja, que passado pouco tempo foi erecta em paroquia com o titulo de S. Romão.

Tal foi o principio da vila de Alvito, a qual D. Afonso III, passando por ali em 1265, lhe deu alguns privilégios. Por sua morte, deixou o chanceler mor todas estas suas propriedades aos religiosos da Santíssima Trindade, que logo trataram de ir aforando os terrenos a quem queria edificar, com o que se aumentou muito a povoação.

Quanto á etimologia do seu nome, dizem que é a seguinte. Por ocasião de uma festividade que ali se fez, no começo da povoação, em que havia corrida de toiros. fugiu um destes animais, lançando nos circunstantes grande perturbação. Debalde andaram por algum tempo em procura dele. Já todos estavam cansados e descoroçoados, quando apareceram alguns homens com o toiro agarrado gritando «alvitre, alvitre», por alvissaras. Foi de todos tão bem recebida e festejada a nova que esta palavra anunciava, que ficou por nome á terra, donde ao diante, por corrupção, se pronunciou Alvito.

Foram os frades trinos que lhe deram o seu primeiro foral, no ano de 1321, o qual el rei D. Dinis, depois de lho ter contestado por muito tempo, confirmou finalmente em 1327.

Tendo crescido muito o numero dos habitantes, e sendo já pequena para eles a igreja de S. Romão, construiu-se um novo templo para paroquia, que foi consagrado a Nossa Senhora da Assunção, ficando a antiga como uma simples ermida. É a nova igreja, de três naves, bem ornada e muito espaçosa. Nela têm seu jazigo em duas capelas, onde avultam bons mausoléus de mármore, os condes barões de Alvito, que foram senhores desta vila.

Em 1618 fundaram os frades trinos um convento junto á igreja de Nossa Senhora da Assunção, que ficou servindo simultâneamente de paroquia e de casa de oração dos frades. Além desta igreja, conta Alvito a da Misericordia, com hospital anexo, e nove ermidas na vila e arrabaldes, em cujo numero entra a de S. Romão, que se acha fora da vila, mas a pouca distancia e que foi a sua primeira igreja matriz.

A casa da câmara é um bom edifício construído nos princípios do século passado (18). Tem uma alta torre de relógio, toda de cantaria. Está no centro da vila, no ponto mais elevado.

O monumento, porém, mais notável desta vila, é o seu castelo, obra de el rei D. João II, que fez dele doação a João Fernandes da Silveira, primeiro barão do Alvito, chanceler mor do reino, escrivão da puridade, vedor da fazenda, e por dez vezes enviado embaixador a diversas cortes da Europa. É um palácio acastelado, com cinco torres em bom estado de conservação, que pertence ainda hoje, e outrora foi residência habitual dos senhores condes barões do Alvito.

Junto d esta vila corre a ribeira de Odivelas, que tem aqui uma bela ponte de cantaria e produz algum peixe. Tanto na povoação como nos seus subúrbios há muita abundância de agua, não só para os usos domésticos, mas também para as necessidades da horticultura e para o emprego de muitas azenhas. Por esta razão, há em torno da vila bastantes hortas e pomares que fazem os arrabaldes amenos e agradáveis.

Nestes, perto da vila, fundaram os barões de Alvito, para os religiosos de S. Francisco da província dos Algarves, um convento que dedicaram a Nossa Senhora dos Mártires, o qual se concluiu em 1534 e que, exactamente três séculos depois, ficou devoluto pela extinção das ordens religiosas.

No ano de 1743, andando-se a abrir os alicerces para a nova capela mor da igreja, por ser a antiga pequena e estar arruinada, achou-se, no dia 8 de Junho, um túmulo formado de adobes, dentro do qual se encontrou um esqueleto que, segundo dizem as memorias do tempo, tinha quatorze palmos de comprimento, e junto dele três pequenas barras de um metal desconhecido. Em uma pedra de cinco palmos de comprido e dois de largo, que estava sobre o túmulo, lia se a seguinte inscrição: Hislonencas Selsas Florentis D.D.


Noutra parte do alicerce, encontraram se três pedras com cinco palmos e mais de comprimento, todas do feitio de pipas maciças, e com inscrições sepulcrais. No ano de 1745, numa escavação próxima deste sitio, achou-se outro cippo análogo.


Neste lugar, conforme a opinião de alguns antiquários, existiu uma povoação de origem céltica, que floresceu no tempo da dominação romana e que foi completamente destruída por ocasião das invasões dos suevos, alanos e mais nações do norte, ou no tempo da dos moiros.

O termo do Alvito é povoado de muitos olivais e montados. Tem muita caça e criação de gados, e abunda em azeite, cereais, frutas e mel. Tem uma feira de três dias que principia no 1º de Novembro. A sua população anda por duas mil almas.

Estando em Alvito el rei D. João III e a rainha D Catarina, no outono de 1531, deu esta soberana á luz, no 1º de Novembro, o príncipe D. Manuel, que morreu menino. Foi o primeiro filho que tiveram, e por este motivo, em cumprimento de um voto, mandou el rei fazer o magnifico retábulo de jaspe que se admira na igreja de Nossa Senhora da Pena em Sintra, que pertenceu ao convento dos frades Jerónimos e agora é capela do palácio de el rei o Senhor D. Fernando.

Tinha a vila do Alvito voto em cortes com assento no banco décimo oitavo. O seu brasão d armas é em campo vermelho, o escudo real, só com as quinas entre dois troncos de árvore, que rematam em duas únicas folhas e firmados sobre um arco de ponte.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelo Censos 2011 Alvito possui 2523 habitantes

Alvito é uma vila do Distrito de Beja


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portugal - Eleições 2011 - Resultados Beja


Resultado das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011 - Beja


PS - 29,79%, 1 deputado (Em 2009: 34,82%, 2 deputados)
Deputado eleito pelo PS em Beja: Luís Pita Ameixa


PSD - 23,65%, 1 deputado (Em 2009: 14,67%, nenhum deputado)
Deputado eleito pelo PSD em Beja: Carlos Felix Moedas


CDU - 25,39% 1 deputado (Em 2009: 28,92%, 1 deputado)
Deputado eleito pela CDU em Beja: João Espadeiro Ramos

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

História: Castelo de Moura imagem de 1849



História

Viagem ao passado de Moura

O Castelo de Moura em 1849


MOURA, na nossa província do Alemtéjo, a uma pequena légua do Guadianna, e a quatro de Monsaraz, está situada em terreno irregular, ainda que no meio de uma grande planície regada de dois ribeiros, o Lavandeira e o Brenhas. Varias inscripções, que tem apparecido, fazem crer que pouco mais ou menos, por aquelles sitios existiu Arouche a Nova, já no tempo de Trajano, povoação de alguma importância. Foi Moura conquistada aos sarracenos, correndo o anno 1 166, como consta da chronica dos Godos. Era praça bem fortificada ao systema mais seguido no século XVIII; em 1707 sofreu um cerco de quinze dias, capitulando, não sem larga resistência, nas mãos do duque de Ossuna, que depois mandou desmantelar todas as obras de defeza, abandonando em seguida a praça, como de feito abandonou.

A população em Moura pouco tem progredido, constando hoje apenas o concelho, de que é cabeça, de 8,000 a 9,000 almas, repartidas por 2,766 fogos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

História da Comarca de Ourique em 1755 (Ourique, Gravão, Panóias, Mértola)

História

Ourique em  1755


Comarca de Campo de Ourique


Ourique, Gravão, Panóias, Mertola

EM trinta e sete gr. e trinta e quatro minutos de lat. e 10 gr. e cinco min. de longitude, vinte e cinco legoas distante de Lisboa, em lugar eminente, dentro dos limites do Arcebispado de Evora, está a notavel Villa  de Ourique, famosa em Portugal pela batalha (Ourique) que EIRey D. Afonso I venceo nas suas cercanias a duzentos mil Mouros, com cinco Reys daquella nação commandante daquelle excessivo numero de bárbaros. Tem voto em Cortes com assento no banco quinze, Casa de Misericordia (Ourique), com Hospital (Ourique), e seis Ermidas. No seu termo que se estende por mais de três legoas, e contam quatro Freguesias (Ourique) com três mil e quinhentos e noventa e sete pessoas mayores. He abundante de pão, caças (Ourique), montados, vinho (Ourique), azeite, y outros géneros, com muita commodidade e barateza. 

Tem numa Freguezia, que he Commenda da Ordem do Santiago a quem pertence toda a Comarca (Ourique). Por esta razão assiste nella para o seu governo civel hum Ouvidor, Provedor, Juiz de fora, três Vereadores, hum Procurador do Concelho (Ourique), Escrivão da Câmara (Ourique), Juiz do orfãos com seu Escrivão, dous Taballioens, e hum Meirinho; em toda a Comarca se alistam trinta e uma companhias de Ordenanças; contam-se nella quinze Villas das quaes Gravão e Panoyas tem voto em Cortes com assento no banco quatorze, Mertola no banco dezoito, quarenta e sete Freguezias, doze mil fogos e cincoenta mil almas, e os Conventos seguintes:

Nossa Senhora da Conceição de ReligiososTerceiros de S. Francisco de Villa de Almodovar, fundado em 1680.

O Convento de Franciscanos extra muros da Villa de Sines.

N.S. da Piedade de Franciscanos da Villa de Messejana.

N. S do Loreto Convento dos mesmos, termo de Cacém.



 

Descripçam corografica do reyno de Portugal, 1755

História da Comarca de Beja em 1755 (Beja, Moura e Serpa)

História

Beja em 1755


Comarca de Beja 


Beja, Moura e Serpa

Em trinta e sete gr. e cincoenta e seis min. de latitude e dez e vinte e sete min. de longitude. vinte e cinco legoas dístante de Lisboa, está assentada a Cidade de Beja, cuja fundação se attribue aos Gallos Celtas, alguns seculos antes da vinda de Christo. No tempo dos Romanos (Beja) foy conhecida com o nome de Pax Júlia, porque nesta cidade concedeo Júlio Cesar pazes aos Portuguezes. Os Árabes a conquistaram (Beja) no anno de 715 e ElRey D. Afonso Henriques a tomou (Beja) em 1155 e tornando-se a perder, a reconquistou em 1162 Fernão Gonçalves, General das tropas daquelle invicto Principe.

Com tão repetidas hostilidades (Beja) ficou arruinada até que pelos annos de 1253 a reedincou D. Afonso IIl, cercando-a de fortes muros, que EIRey D. Dinis ampliou com quarenta torres e soberbo castelo (Beja), padroens eternos da magnificencia do seu Autor. O venturoso Rey D. Manoel a ennobreceo com o titulo de Cidade (Beja) e deo foral em 1512.

A sua povoação (Beja) se divide em quatro Parochias, a saber: a do Salvador, S. Maria da Feira, Santiago, e S. João Bautista. Tem Casa de Mísericordia (Beja) e grandioso Hospital (Beja), com muitas rendas, e os Conventos de S. Francisco (Beja), fundação da Rainha Santa em 1324. O dos Carmelitas calçados nos arrabaldes. S. António Convento de Capuchos Piedosos extra muros, e dentro da Cidade (Beja) N.S. da Conceição (Beja) Convento de Freiras de S. Francisco fundado pelo Infante D. Fernando pay delRey D. Manoel que foy Duque (Beja) desta Cidade e o dotou com dezoito mil cruzados de renda; o Convento de S. Clara (Beja) de Religiosas Franciscanas, o de nossa Senhora da Esperança de Carmelitas calçadas, e o Colegio (Beja) dos Padres da Companhia de Jesus, com cadeiras de Theologia Moral, e letras humanas. 


Porta da Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Beja, imagem de 1848

(Beja) Tem voto em Cortes com assento no banco terceiro e nove Ermidas com muito adorno e limpeza. He muito abundante de (Beja) pão, (Beja) vinho, azeite, frutas, hortaliças, caças e gados. Os dizimos de pão della e seu termo, em que se contão três mil e cento e dezoito herdades (Beja), importam em trinta mil moyos de pão, e os do mel, cabritos, e porcos (Beja), seis mil cruzados em dinheiro, que tudo se paga á Igreja de Évora, a cujo Arcebispado pertence esta Cidade. 

He cabeça de Comarca (Beja) e Capital (Beja) dos Estados da Casa do Infantado, que hoje desfrucea o Serinissimo Senhor Infante D. Francisco. Antigamente foy cadeira Episcopal, mas succedendo á sua opulência a ruina dos estragos, que padeceo, se transferio esta Dignidade a Badajoz. Foy natural dela (Beja) S. Sezinando, que paddeceo martyrio em Cordova a 6 de Julho de 851, e depois (Beja) que obteve hum braço deste glorioso Santo pelos annos de 1602, o (Beja) venera como Padroeiro e exalta com assínalado culto a este venturoso patrício.

No distrito desta Comarca se comprehende a notável Villa de Moura, situada em trinta e oito gr. e dous minutos de latitude, e dez e cincoenta e cinco min. de longitude, y (Moura)praça muito consideravel na fronteira de Castella além do Guadiana. Foy (Moura) sitiada pelo Duque de Ossuna General das tropas Castelhanas, que a tomou em junho de 1707, depois de se defender alguns dias, mas poucos mezes depois a desampararam os Castelhanos arrazando primeiro alguma parte de suas fortificaçoens. Na comarca (Moura) se contam hua Cidade, dezoito Villas, das quaes Moura tem voto em Cortes com assento no banco dezasete, e Serpa no banco sete, secenta e nove Freguezias, dezaseis mil fogos e cincoenta mil almas e os Conventos seguintes:

Nossa Senhora de Consolação Convento de Religiosos Paulistas de Serpa.

Santo Antonio Convento de Religiosos Franciscanos Observantes da mesma Villa de Serpa.

Nossa Senhora da Assumpção de Freiras Dominicas de Moura.

O de S. Clara de Freiras de S. Francisco da mesma Villa de Moura.

O Convento de Religiosos Franciscanos da mesma Villa de Moura..

O de Religiosos Carmelitas calçados da mesma Villa Moura.

O de Religiosos de S. João de Deos da mesma Villa Moura.

O Convento de Capuchos Piedosos da Vidigueira.

Nossa Senhora das Relíquias Convento de Carmelitas calçados, termo da Vidigueira fundado em 1496.

O Convento de Franciscanos da Villa do Torrão.

Nossa Senhora da Graça Franciscanas da mesma Villa do Torrão.

Nossa Senhora da Assumpção de Religiosos Trinos da Villa de Alvito.

O Convento de Franciscanos da mesma Villa de Alvito.

O Convento de Franciscanos da Villa de Odemira.







 


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Pelo Censos 2011 Beja tem 35 730 habitantes

Beja é cidade capital do Distrito de Beja, na região Baixo Alentejo.

Freguesias de Beja

Castelo (Beja), Albernoa, Baleizão, Beringel, Cabeça Gorda, Mombeja, Nossa Senhora das Neves, Quintos, Salvada, Salvador (Beja), Santa Clara de Louredo, Santa Maria da Feira (Beja), Santa Vitória, Santiago Maior (Beja), São Brissos, São João Baptista (Beja), São Matias, Trigaches, Trindade

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em BEJA
PS: 8579/45,7% - 4 mandatos
PCP: 7815/ 41,6% - 3 mandatos


Candidatos Eleitos pelo Circulo: Beja

PS - JORGE PULIDO VALENTE
PCP-PEV - FRANCISCO DA CRUZ DOS SANTOS
PS - JOSÉ DOMINGOS NEGREIROS VELEZ
PCP-PEV - MIGUEL DOMINGOS CONDEÇA RAMALHO
PS - CRISTINA MARIA GOMES MARTINS VALADAS
PCP-PEV  - MARIA DE JESUS VALENTE ROSA RAMIRES
PS - ANTÓNIO MIGUEL CATARINO GÓIS