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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

terça-feira, 11 de outubro de 2011

História de Guimarães e imagem de 1860 do antigo brasão


História de Guimarães e imagem de 1860 do antigo brasão


A CIDADE DE GUIMARÃES

Se dermos credito aos  nossos antiquários, a  origem de Guimarães  quase que se perde na  escuridão dos tempos.  Alguns dão-lhe por  fundadores os galos  celtas e como se isto não  bastasse para sua nobreza, ainda há quem  lhe atribua um principio  mais remoto. Deixando  porém estas noticias  meio fabulosas e  destituídas de bons  fundamentos, diremos  contudo que a sua  primeira fundação é  anterior alguns séculos á  monarquia e que teve por  assento a pequena  eminencia vizinha, onde  vemos o castelo.


Começou a actual  povoação junto a um  mosteiro, que a condessa  Mumadona, tia de D.  Ramiro II, rei de Leão,  edificou em o ano de 927.  Apenas concluída a  fabrica do mosteiro, que  em relação ao tempo era  uma obra grandiosa, no  qual se acomodaram  monges e freiras, vivendo  com bastante largueza, pelas avultadas doações  que a fundadora lhes  fizera, foram-se  construindo em torno do  convento algumas casas  para habitação de  pessoas dependentes  dele. Cresceram pouco a  pouco estas edificações,  mudando-se para este  sitio os moradores da  antiga vila Vimaranense,  que assim veio a despovoar-se e a  arruinar- se de todo,  restando hoje poucos  vestígios dela.

Para defesa do mosteiro,  aonde Mumadona se  recolhera, depois de  viúva e do burgo, que já  contava bom numero de  habitantes, mandou a  condessa fundar, a pouca  distancia do mosteiro, no  sitio em que outrora se  erguia a vila velha, um  forte castelo, cercado de  altas muralhas e  flanqueado de sete torres.


Neste venerando castelo,  que ainda se levanta  majestosamente sobre  trono de rochedos, veio  no fim do século seguinte  assentar a sua corte, D.  Henrique de Borgonha,  conde de Portugal, pelo  seu casamento com D.  Tareja, filha de D. Afonso  VI, rei de Leão e de  Castela.

Aí dentro do recinto  dessas toscas muralhas,  que seriam hoje estreito  espaço para residência  de um simples  governador, nasceu e  criou-se o vencedor de  Ourique, o primeiro rei  dos portugueses.

O mosteiro da condessa  Mumadona, santuário  consagrado á Virgem sob  a invocação de Nossa  Senhora da Oliveira e  venerado em todo o reino  pelo milagre que deu  origem á invocação,  tornou se mais tarde  nessa real Colegiada que  desfruta honras quase de  Sé.

Deu foral á nova vila o  conde D. Henrique,  conservando-lhe o  mesmo nome da antiga,  que se chamava Vimarães. Parece que a  etimologia daquele nome  eram as duas palavras  latinas - Via maris, que se viam esculpidas numa  pedra numa torre da vila  velha, que na edificação  do castelo ficou no  centro, servindo de torre  de menagem. Esta  inscrição, sem duvida do  tempo da dominação  romana, indicava que a  estrada que por ali  passava conduzia à costa  do mar. Da inscrição pois  proveio á terra o nome de  Vimaranes ou Vimarães, que ao diante se  corrompeu no de  Guimarães, Pela mesma  razão se denominava  quinta de Vimarães a  propriedade em que  Mumadona erigiu o seu  mosteiro,

Por morte do conde D.  Henrique, continuou seu  filho, o príncipe D. Afonso  Henriques, a residir em Guimarães, aonde o veio  cercar, no ano de 1130,  seu primo D. Afonso VII,  rei de Leão e Castela, por aquele se querer eximir  de lhe render  vassalagem. Foi este  cerco que deu lugar á  memorável acção de D.  Egas Moniz em que este  tão esforçado cavaleiro  quão dedicado aio do  jovem príncipe, tendo conseguido de D. Afonso  VII o levantamento do  sitio, sob promessas que  ao depois se não  cumpriram, apresentou-se  em Toledo, perante o  monarca castelhano, com  sua mulher e filhos, todos  vestidos de alva e com  baraço ao pescoço,  oferecendo assim a sua  vida e a de sua família  pela palavra não cumprida. Afonso VII  soube corresponder com  generoso perdão a  tamanho rasgo de  lealdade e nobreza de  carácter, tanto mais digno  de admiração por ser  praticado numa época em  que os próprios príncipes  faziam ostentação de  falta de cumprimento das  suas mais solenes  promessas.


As gloriosas empresas de  D. Afonso Henriques  contra os sarracenos,  dilatando de ano para ano  os limites da nascente  monarquia, fizeram perder  á vila de Guimarães a  prerogativa de corte, que  se mudou com grande  prejuízo seu para a cidade  de Coimbra, mais central  em relação às novas  conquistas, que se tinham  estendido pela  Estremadura e Alentejo  até ao Algarve. Porém do  que a vila perdeu com a  saída da corte, não  tardou a ser compensada  com a grande afluência  de peregrinos e romeiros  quem vendo-se  desafrontados do maior  perigo das correrias dos  moiros, vinham de longes terras venerar a  sagrada e milagrosa  imagem de Nossa  Senhora da Oliveira.

Nesses primeiros séculos  da monarquia, em que as  guerras absorviam todas  as atenções e em que as armas constituíam, por  assim dizer, o único  exercício nobre e  honroso, a vila de  Guimarães engrandecia-se á sombra do santuário,  cujos milagres ecoavam  de um a outro extremo do  reino, vindo aqui  estabelecer-se muitas  famílias nobres e varias  ordens religiosas. E  quando Portugal, já  grande e temido pelas  suas vitorias e  conquistas, começou a  colher os frutos da paz,  prosperou então  Guimarães pelo poderoso  impulso da industria.  Porém, a separação do  Brasil, para onde  exportava a maior parte  dos seus produtos fabris,  ocasionou-lhe a  progressiva decadência  do seu comercio e da sua  industria manufactora.

Nas discórdias que  rebentaram entre el rei D.  Dinis e seu filho, o  príncipe D. Afonso e na  luta travada para a  independência do país,  entre o mestre de Avis e  D. João I de Castela,  padeceu Guimarães  cercos e combates. As  pestes que flagelaram  Portugal no século XVI,  dizimaram-lhe grande  parte da sua população.

No antigo regímen gozava  de voto em cortes com  assento no banco  terceiro. A imagem da  Virgem, tendo nos braços  o Menino Jesus, que  empunha na mão  esquerda um ramo de  oliveira em campo de prata, constitui o brasão  de armas da antiga vila  de Guimarães, há pouco  elevada á categoria de cidade.

Está situada Guimarães  na província do Minho, em  terreno um tanto alto,  próximo das faldas da  serra de Santa Catarina.  Dista do Porto oito léguas  para o norte e três de  Braga para o nascente.

Tem as seguintes  paroquias: a Colegiada de  Nossa Senhora da  Oliveira; S Miguel do  Castelo; S. Sebastião; S.  Paio e Santiago. A  primeira, cuja fundação  primitiva pertence á  condessa Mumadona, como acima dissemos, foi  erigida em capela real  pelo conde D. Henrique,  deixando então de ser mosteiro. D. Afonso  Henriques e os Reis seus  sucessores, concederam-lhe muitas honras e bens e alcançaram-lhe do papa  grandes privilégios, com  os quais veio a ser uma  das mais ricas e insignes colegiadas do reino.  Compõe-se o cabido de  varias dignidades e  cónegos, presididos por  um prelado que se intitula  dom prior de Guimarães.


O templo da condessa  Mumadona durou, com  poucas alterações, até ao  reinado del rei D. João I,  que o fez demolir pelo seu  estado de ruína,  mandando construir o que  hoje existe, o qual os  cónegos modernamente  deturparam, mascarando-lhe com estuques e  doiraduras suas  venerandas e góticas
feições.


Todavia ainda  conserva muitas  antigualhas de alto  apreço histórico e  artístico. Em frente das  primeiras, poremos a pia  em que S. Giraldo,  arcebispo de Braga,  baptizou a D. Afonso  Henriques, e o oratório de  prata de D. João I de  Castela. tomado na  batalha d Aljubarrota por  D. João I de Portugal, que  logo o ofereceu, com  outros despojos de tão  grande vitoria, a Nossa  Senhora da Oliveira. Entre as segundas figuram  muitos e riquíssimos  vasos e alfaias, que  compõem o precioso  tesouro daquela insigne  Colegiada.


A imagem de  Nossa Senhora da Oliveira é muito antiga e, conforme a tradição, trouxe-a á Lusitânia o apostolo Santiago.

Em  frente da igreja ergue- se um curioso monumento, obra do reinado de Afonso IV. É um cruzeiro de pedra, com varias imagens e ornatos de alto e baixo relevo e colocado do centro de quatro arcos goticos, que sustentam a abobada que o cobre tudo de pedra. Próximo vê-se uma oliveira cercada de grades de ferro, que recorda o milagre de Nossa Senhora e que consistiu, segundo a lenda, em que uma oliveira que para ali se transplantara em tempos remotos, secando-se, logo depois reverdeceu, assim que por ela passou a dita imagem da Virgem.


A igreja de S. Miguel do Castelo, era a matriz da vila velha. Está edificada perto do castelo. É um pequeno templo de mesquinha arquitectura que mostra mui grande antiguidade. Nele é que foi baptizado o nosso primeiro rei. A pia que serviu nesta solenidade foi transportada para a igreja de Nossa Senhora da Oliveira em 1664.

A igreja de Santiago, reconstruída em tempos modernos, dizem que fora outrora um templo gentílico dedicado a Ceres Os antiquários fundamentam esta opinião  com uma inscrição que  aí se achou, quando se procedeu á reedificação da igreja.


Guimarães possui muitos outros templos e capelas, conventos e estabelecimentos de caridade Mencionaremos apenas os mais importantes. A igreja da Misericordia foi fundada em 1585. Nossa Senhora da Consolação, templo moderno, de boa arquitectura, está edificado num sitio aprasivel cercado de árvores num extremo da cidade. A igreja de S. Dâmaso foi erigida em 1641, em memoria deste santo pontífice natural de Guimarães. O convento de S. Domingos, da extinta ordem dos pregadores, foi  fundado em 1397 e depois reedificado. O convento de S. Francisco, de religiosos franciscanos, teve começo em 1290. O convento de Santo António, de frades capuchos, foi construído em 1644. Os templos destes conventos acham-se em bom estado e consagrados ao culto. Os conventos de freiras de Santa Clara, feito em 1561; de Santa Rosa, fundado em 1680; de Capuchas, erigido em 1681; o de Santa Teresa, construído em 1685, ainda estão ao presente habitados. Os hospitais da Misericordia, de Santo António dos Capuchos, e dos terceiros de S. Domingos e, de S. Francisco, são bem administrados. Os dois últimos, podem-se contar entre os melhores estabelecimentos deste género que há no país. Contíguos aos seus edifícios, têm os terceiros dois templos em que se fazem as festas com bastante luzimento.


Guimarães tem vários terreiro e praças, das quais a principal, por sua extensão e certa regularidade, é a praça do Toural. E ornada nas extremidades com um esbelto chafariz, feito em 1588 e com um bonito cruzeiro, levantado em 1650. As ruas, pela maior parte, são estreitas, tortuosas, mal calçadas e pouco limpas, mas vêem-se nelas muitas casas nobres de boa aparência. A casa da câmara. situada na praça em que está o templo de Nossa Senhora da Oliveira, é obra del rei D. Manuel. cujas armas e esfera armilar avultam na frente do edifício.


Possui esta cidade um teatro construído, regularmente denominado de D. Afonso Henriques.


Além dos monumentos de antiguidade já referidos, encerra os seguintes, também apreciáveis: varias torres e alguns lanços da sua cerca de muralhas, estes fabricados por el rei D. Dinis e por D. Afonso IV e aquelas por D. João I; o vasto palácio dos duques de Bragança, principiado no século XV por D. Afonso, primeiro duque de Bragança, onde se admiram duas grandes e formosas janelas góticas, que pertenciam á capela. Neste paço residiram por vezes alguns príncipes e princesas desta família. Hoje está parte em ruínas e parte servindo de quartel ao batalhão de caçadores nº 6. Infelizmente o vandalismo que tantos monumentos históricos tem destruído no nosso país, arrasou até aos alicerces as mais belas torres que o mestre de Avis edificou para defesa das portas de Guimarães.


Abastecem a cidade muitas fontes de excelente agua e de todos os géneros necessários á vida; fornece- a um mercado todos os sábados, que é sem duvida o mais importante mercado semanal de todo o reino, ao qual concorrem de muitas léguas em redor muitos gados, aves, cereais, frutas, loiças, diversas qualidades de tecidos de lã, seda, linho e algodão, ferragens, etc. Nos primeiros dias de Agosto, tem uma feira anual, porém insignificante.


Guimarães não tem passeio publico, propriamente dito, porém o jardim dos terceiros de S. Domingos e o Campo da Feira, são dois lugares de recreio muito aprasiveis. Este ultimo tem a primazia pela sua pitoresca situação, que é uma das saídas da cidade; pelo ribeiro que o corta; pela sua formosa ponte, guarnecida de estátuas, assentos e árvores; e pela colina arborizada, em que se ergue a esbelta igreja de Nossa Senhora da Consolação.

Os subúrbios são encantadores. Em nossa opinião, nenhuma outra cidade de Portugal os possui mais belos. Os palácios dos senhores condes de Arrochela e de Vila Pouca, com os seus jardins em terrados, dispostos como em trono; o Castelo do conde D. Henrique, vestido de heras e cercado de árvores; o mosteiro da Costa, da extinta ordem de S. Jerónimo, rico de memorias da rainha D. Mafalda e de D. António, prior do Crato, sentado majestosamente a meia encosta de um monte, todo coberto de arvoredos, entre os quais se admira um carvalho colossal, que conta mais de sete séculos; a serra de Santa Catarina, com seus bosques frondosos, cascatas e grutas; o ribeiro Celho, junto á cidade; e o Ave, um pouco mais distante, com suas viçosas e sombreadas margens, formam variadíssimos quadros, qual deles mais delicioso.

O termo é de grande fertilidade, pela muita abundância de águas, que por todo ele rebentam e se cruzam. Produz muitos cereais, especialmente milho, boa quantidade de legumes, de vinho, linho, algum azeite, etc. Tem óptimas pastagens em que se cria muito gado.

A população de Guimarães ascende a sete mil e trezentos habitantes, grande parte dos quais se empregam no fabrico das ferragens e dos tecidos de linho e nos curtumes de coiros.

Guimarães, finalmente, conta entre os seus filhos muitos santos, que honram o martirológio e muitos homens ilustres nas armas, nas ciências e nas artes 

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

***

Pelo Censos 2011 Guimarães conta com 158 108 habitantes


Freguesias de Guimarães:

Brito, Caldelas (vila das Caldas das Taipas), Lordelo, Moreira de Cónegos, Ponte, Ronfe, São Jorge de Selho (vila de Pevidém), São Torcato (AMU), Serzedelo. Aldão, Azurém, Costa, Creixomil, Fermentões, Gondar, Mascotelos, Mesão Frio, Oliveira do Castelo, Pencelo, Polvoreira, Santiago de Candoso, São Cristóvão de Selho, São Lourenço de Selho, São Martinho de Candoso, São Paio, São Sebastião, Silvares, Urgezes, Calvos, Conde, Corvite, Gandarela, Gémeos, Guardizela, Nespereira, Pinheiro, Santa Eufémia de Prazins, Santa Maria de Airão, São Faustino, anteriormente São Faustino de Vizela, São Martinho de Sande, Serzedo, Vermil, Vila Nova de Sande, Arosa, Atães, Balazar, Barco, Castelões, Donim, Figueiredo, Gominhães, Gonça, Gondomar, Infantas, Leitões, Longos, Oleiros, Rendufe, Salvador de Briteiros, Santa Leocádia de Briteiros, Santa Maria de Souto, Santo Estêvão de Briteiros, Santo Tirso de Prazins, São Clemente de Sande, São Lourenço de Sande, São João Baptista de Airão, São Salvador de Souto, São Tomé de Abação, Tabuadelo

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Imagens Milagrosas em Portugal: Barcelos



Imagens Milagrosas em Portugal: Barcelos


Senhor Bom Jesus da Cruz


Em Barcelos é reverenciada uma Santa Imagem de Cristo com a Cruz às costas, a qual no ano de 1505 foi encontrada nas praias da Biscaia e levada para o sítio onde hoje está, com grande decência e ornato, fazendo logo o primeiro milagre na sua colocação na Capela de Santa Cruz, porque entrou pela porta da Ermida com facilidade, sendo a imagem grande e a porta pequena.

Em circuito desta ermida se vê cada ano o celebérrimo prodígio da aparição das Cruzes nos dias 3 de Maio e 14 de Setembro e, algumas, vezes, pela Quaresma; porque no espaçoso rossio que cerca a Igreja, sendo o terreno de cor barrenta, aparecem por estes tempos várias Cruzes cinzentas ou a sombra delas, uns anos em maior numero, noutros em menor, umas grandes e outras pequenas.

E não aparecem só na superfície da terra; por mais que se cave encontra-se sempre a mesma Cruz.

Passado o dia desaparecem, ficando o terreno da mesma forma.

Em 20 de Maio de 1730 foi notável o número de Cruzes, com que se alcatifou aquele terreno.

domingo, 18 de setembro de 2011

História: Fão (Esposende) - Águas Celenas, Cilinas ou Celanas

Águas Celenas, Cilinas ou Celanas

Era povoação que existiu na província do Minho. Lembram-se dela Ptolomeu  e Antonino no seu Itinerário, no segundo caminho de Braga para Astorga. Dos geógrafos modernos querem uns que fosse onde está hoje o lugar de Fão, meia légua acima do rio Cávado da parte Sul, e onde se celebrou o famoso Concílio contra os Priscilianistas, em que presidiu S. Toribio em tempo de S. Leão, Papa.

Outros, porém, o constituem em Barcelos, persuadidos da semelhança do vocábulo do rio Celano, que por ali passa, chamado hoje Cávado; porém estas conjecturas são muito falíveis para estabelecer uma Geografia verdadeira.






Fão é uma freguesia portuguesa do concelho de Esposende

sábado, 17 de setembro de 2011

História de Braga e brasão antigo (imagem de 1860)




História de Braga e brasão antigo (imagem de 1860)

A CIDADE DE BRAGA

Capital da província do Minho, sede do arcebispo primaz das Espanhas, corte dos Reis suevos, florescente município dos romanos, a cidade de Braga é uma das mais antigas e mais ilustres povoações de Portugal e de toda a península hespanica.


Atribui se a sua fundação aos galos celtas, duzentos e noventa e seis anos antes do nascimento de Cristo. Estes primeiros povoadores vieram ao diante a denominarem-se bracaros, dizem que por causa de uma espécie de calças curtas de que usavam, chamadas bracas, e parece que daqui se derivou o nome de Bracara, para a sua cidade, depois corrupto em Braga.


Não se passou muito tempo, que as legiões romanas avassalassem a península, e por conseguinte a nascente povoação dos bracaros. Em breve medrou e cresceu a cidade, pelo poderoso influxo dessa civilização que, partindo de Roma estendeu os raios de sua brilhante luz até ás mais longínquas regiões do mundo conhecido. Em honra do imperador Augusto se lhe deu o nome de Bracara Augusta, e em atenção ao seu desenvolvimento e importância, o governo romano estabeleceu nela uma das três chancelarias que houve na Lusitânia, chamadas conventos jurídicos, que eram tribunais de justiça.

Vários restos de edifícios, de que ao presente custam a descobrir os vestígios, cippos, e outros padrões, ainda hoje atestam a grandeza a que chegou, durante os quinhentos anos que durou esta dominação civilizadora.

Quando os povos do norte destruíram o império romano e se apossaram das suas conquistas, vieram os suevos estabelecer-se nesta parte da Lusitânia, fazendo de Braga a sua capital. Passados mais de cento e setenta anos, foram os suevos vencidos e expulsos pelos godos, e estes o foram a seu turno pelos árabes, no fim de um domínio de cento e vinte e sete anos.

Em todo este longo período, couberam á cidade de Braga a honra e gloria de lhe ser pregada e ensinada a lei evangélica. pelo apostolo Santiago. que lhe deixou por arcebispo a S- Pedro de Rates; de ser a primeira sede arquiebiscopal das Hespanhas; de ter por prelados a muitos santos e de se celebrarem no seu recinto vários concílios importantes.

Na longa e renhida luta que se travou entre os moiros conquistadores da península e os príncipes descendentes dos godos que tendo fundado pelo seu valor o pequeno reino de Leão o foram estendendo até assoberbar e vencer de todo o poder mauritano; nessas guerras terríveis teve Braga sorte varia, ora tomada pelos cristãos, ora reconquistada pelos sarracenos.

Entrada definitivamente no domínio dos Reis de Leão e Castela, foi cedida em dote por D. Afonso VI com as mais terras, que constituíam o condado de Portugal a sua filha D. Tareja (Teresa), por ocasião do seu casamento com o conde D. Henrique, filho do duque de Borgonha e sobrinho de Henrique I, rei de França. Desde então tem pertencido a cidade de Braga á monarquia portuguesa, fundada nos campos de Ourique por D. Afonso Henriques, o ilustre filho do conde D. Henrique.

A situação de Braga é das mais aprazíveis e formosas que se podem desejar para assento de uma povoarão do interior. Edificada no coração da província do Minho, delicioso jardim de Portugal, em terreno um pouco elevado mas perfeitamente plano, cercada de fertilissimos campos que o rio Deste banha e corta, e de frondosos arvoredos que ao perto dividem e guarnecem prados sempre verdes, e ao longe vestem e assombreiam montes que, em anfiteatro se vão elevando e fazendo graciosa moldura aos prados, campos e cidade; Braga goza desassombradamente para qualquer lado que olhe lindas perspectivas, ao mesmo tempo que oferece a quem a contempla, das alturas vizinhas, um quadro sumamente encantador.


Não há cidade alguma em Portugal, mesmo incluindo Lisboa, que na proporção da sua grandeza, tenha tantas e tão vastas praças como Braga. O campo de Santa Ana, que é a maior tem quase o dobro de comprimento da nossa praça de D. Pedro. Apesar desta imensa extensão, é todo guarnecido de edifícios, salvos os sítios aonde se abrem as diversas ruas que nele vêem desembocar. Ha aí muitas casas particulares de boa aparencia, alguns conventos e templos de arquitectura regular, e até grandiosa, como o da extinta ordem dos congregados de S. Filipe Nery, fundado em 1689.


Neste campo se vêem os restos do antigo castelo construído por el rei D. Dinis, e reedificado por el rei D. Fernando, pelos anos de 1375, do qual ainda existem algumas torres e lanços de muros. O campo de Sant'Ana foi modernamente plantado de árvores. Em uma das extremidades tem um belo chafariz e na outra uma elegante coluna corintia, com um globo sustentando a cruz arcebispal.


O campo da Vinha; a praça Nova; a do paço do arcebispo; o campo das Hortas; o campo dos Toiros; o campo dos Remédios; são boas praças orladas de grandes edifícios principalmente religiosos. Na primeira avulta o sumptuoso convento do Populo, que foi dos eremitas de Santo Agostinho e hoje é quartel do regimento de infantaria nº 8. Fundou-o, no ano de 1595, o arcebispo D. fr. Agostinho de Castro. Na capela mor, da sua vasta igreja, estão, em dois ricos túmulos, o fundador e D. fr Aleixo de Menezes, arcebispo de Goa e depois de Braga.


A segunda praça é moderna; está edificada sob um plano regular e tem um chafariz. A terceira, á qual o palácio do arcebispo faz três frentes, tem no centro um antigo chafariz em forma de castelo, e coroado por uma estátua. Na quarta erguem-se dois bonitos monumentos. À entrada, um elegante arco triunfal, todo de pedra, com muitos ornatos, construído no principio do século passado (18), no sitio aonde havia uma das antigas portas da cidade, pelo arcebispo D. José de Bragança, filho legitimado delcorintia


O campo dos Toiros é uma bela praça orlada de árvores e de bons edifícios, e para o qual deita a fachada principal do paço do arcebispo, reconstruída pelo arcebispo D. José de Bragança, no começo do século passado (18).  Esta parte do paço é ocupada actualmente pela repartição do governo civil.


No campo dos Remédios avultam dois dos melhores edifícios de Braga, a igreja de Santa Cruz e o templo e hospital de S. Marcos. Aquela foi obra do arcebispo D. Rodrigo da Cunha, em 1635, e estes devem a sua fundarão ao arcebispo D. Diogo de Sousa, no primeiro quartel do século XVI; porém em tempos modernos foi reedificado completamente com grandeza e magnificencia. Todo o edifício é coroado de balaustradas e estátuas dos apóstolos. Na igreja guarda-se, em rico sepulcro de jaspe, o corpo de S. João Marcos, mártir, bispo de Atina.

Em monumentos religiosos não é menos notável a cidade de Braga, tanto pelo numero dos templos, como pela riqueza de alguns. A sé é o principal, pela sua categoria, antiguidade, grandeza, preciosidade das alfaias e venerabilidade dos corpos santos e mais relíquias que encerra.


É um vasto templo de três naves, dedicado como todas as mais sés a Nossa Senhora da Assunção, no qual se vêem specimens de arquitectura de mui diversas épocas, A capela mor reedificada no principio do século XVI pelo arcebispo D. Diogo de Sousa, é um belo tipo do gótico florido desse género de arquitectura, que bem se pode chamar manuelino. O retabolo é todo de pedra lavrada e foi feito por artistas biscainhos. Aos lados do altar mor, estão os túmulos do conde D. Henrique e de sua mulher a rainha D. Tareja,  pais do nosso primeiro rei. O corpo da igreja é de reconstrução muito mais moderna. Junto ao guarda-vento acha-se um precioso monumento artístico único deste género em Portugal. É o mausoleo do infante D. Afonso, filho primogénito del rei D João I. Este riquíssimo túmulo é todo de bronze com a estátua do príncipe em cima e muitas outras figuras, tudo coberto com um baldachino do mesmo metal. Esta obra prima de escultura foi feita em Flandres e daí mandada para Portugal pela infanta D. Isabel, duquesa de Borgonha, também filha de D. João I e mulher de Filipe, o Bom, duque de Borgonha.


Os dois órgãos e o coro que lhe fica contíguo, são magníficos. A sacristia contém muitas relíquias e alfaias de muito apreço e valor. Nas capelas do templo e em outras inteiramente separadas, mas que se comunicam com este, algumas das quais são grandes como igrejas, veneram-se os corpos de vários santos. que foram arcebispos desta cidade. sendo um deles S. Giraldo, que baptizou a el rei D. Afonso Henriques.


Nas mesmas capelas admiram-se alguns sumptuosos túmulos de prelados mui distintos em saber e virtudes. Os mais singulares em estátuas e mais obra de escultura, são os dos arcebispos D. Gonçalo Pereira, avô do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, que viveu em tempo del rei D. Dinis, e D. Diogo de Sousa, de quem acima falámos. Na capela da Anunciação, que fica no claustro, está um túmulo de madeira que encerra o arcebispo D. Lourenço Vicente, que militou com heróico valor ao lado de D. João I na memorável batalha de Aljubarrota, da qual saiu ferido com uma grande cutilada. Através de uma vidraça, que tem o túmulo, vê-se o seu corpo incorrupto no mais perfeito estado de conservação. Nesta capela, que é antiquíssima, é que foram sepultados no século XII o conde D. Henrique e a rainha D. Tareja, e aí estiveram até ao século XVI, em que foram trasladados para a capela mor. É esta a única igreja de Portugal aonde se conserva o rito e breviário moçárabe, oficiando-se em uma das suas capelas, segundo esta antiga liturgia.



A sé metropolitana de Braga honra-se com uma longa serie de prelados, entre os quais figuram muitos santos desde S. Pedro do Rates até S. Giraldo; um papa, que sendo arcebispo se chamava D. Pedro Julião, e que elevado ao sumo pontificado tomou o nome de João XXI; quatro principes, que foram o cardeal infante D. Henrique, depois rei, D. Duarte, filho legitimado del rei D. João III, D. José e D. Gaspar, ambos filhos legitimados, aquele del rei D. Pedro II, e este de D. João V; quatro cardeais, o mesmo infante D. Henrique, D. Jorge da Costa, D. Verissimo de Lencastre e D. Pedro Paulo, falecido ha poucos anos; e finalmente muitos varões distintos por saber e virtudes, dos quais só nomearemos dois, D. fr. Bartolomeu dos Martires e D. fr. Aleixo de Menezes, tão illustres na historia, como populares em todo o país.


Além da Sé tem Braga mais cinco paroquias, que se intitulam S. João do Souto; Santiago da Cividade; S, Victor ou S. Victouro, como vulgarmente lhe chamam; S. Pedro de Maximinos e S. José. Junto da igreja de S. João do Souto, com a qual se comunica por um grande arco, está a gotica e formosa capela de Nossa Senhora da Conceição, toda ornada de estatuas e variadas esculturas em pedra, e com seu retabolo de alto relevo tambem de pedra. Foi edificada no começo do seculo XVI.



Em torno do templo de S. Pedro de Maximinos, têem- se descoberto muitos restos de edificios, que atestam que era ali o principal assento da antiga Bracara Augusta, que pela indicação dos mesmos vestigios se estendia até ao local em que agora vemos o hospital de S. João Marcos.

A igreja da Misericordia é contigua á Sé e se comunicam interiormente. É um templo de arquitectura moderna, com o frontispicio ornado de colunas e muita variedade de esculturas. A antiga igreja da Misericordia, chamada a Misericordia Velha, é actualmente uma capela do claustro da sé. O seminario arquiepiscopal fundado no Campo da Vinha pelo arcebispo D, fr, Bartolomeu dos Mártires, é um vasto edificio,

Havia em Braga quatro conventos de frades que eram: o de Nossa Senhora do Populo, de eremitas de Santo Agostinho, agora quartel militar de que acima falámos; o de Nossa Senhora do Carmo, de carmelitas descalços, fundado em 1653, que serve de hospital; o colégio de S. Paulo, dos jesuítas, edificado pelo arcebispo D. fr. Bartolomeu dos Martires em 1560; e o convento de Nossa Senhora da Assunção, dos congregados de S. Filipe Nery, fundado no meado do século passado (18), e ao presente ocupado pelo liceu.

De religiosas tem quatro conventos: o do Salvador, de freiras de S, Bento fundado em 1602; o de Nossa Senhora da Piedade, de religiosas terceiras de S. Francisco, construído em 1547, e cuja igreja se reedificou no século passado (18); o de Nossa Senhora da Conceição, de religiosas da ordem da Conceição, único que há em Portugal, fundado em 1625; o de Nossa Senhora da Conceição, de freiras capuchas, edificado em 1727. Há também na cidade quatro recolhimentos.


Além destes edifícios religiosos, Braga conta ainda muitos outros templos e capelas publicas e particulares, que formariam um longo catalogo. Mencionaremos as principais, As sumptuosas igrejas de S. João Marcos, e de Santa Cruz, já especificámos. A igreja dos Terceiros de S. Francisco, na rua da Fonte da Carcova, construída no século antecedente (18), é um bom templo. A capela do paço arquiepiscopal, intitulada de Nossa Senhora da Conceição, é grande e bem ornada, e está franqueada ao publico. A igreja de Nossa Senhora da Lapa, no campo de Sant'Ana, é moderna e de boa arquitectura. A ermida de Sant'Ana, no mesmo campo, a que deu o nome, é antiga e tem na sacristia uma inscrição romana. A igreja de Nossa Senhora a Branca, fundada no campo do mesmo nome pelo arcebispo D. Diogo de Sousa, em uma das velhas torres da cidade, é um bonito templo. A capela de Nossa Senhora do Guadalupe, de origem antiquíssima, e outrora chamada de Santa Margarida, foi reedificada no século passado (18). É de forma circular e está colocada sobre uma pequena eminencia povoada de árvores, de onde se gozam lindas vistas dos arrabaldes. A igreja de S. Vicente, na rua dos Chãos de Cima, é um templo de construção moderna e bem ornado. A capela do seminário arquiepiscopal é grande e boa. A capela de S. Sebastião, de fundação antiga e modernamente reconstruída, é de forma circular e está situada em terreno um pouco elevado, povoado de frondoso arvoredo, com um belo e espaçoso adro, dividido em dois grandes tabuleiros com escadas de um para outro, plantados de árvores e cercados de muro, com assentos, erguendo-se no meio de um deles um chafariz que é dos melhores da cidade. Entre este arvoredo admiram-se carvalhos seculares, de proporções gigantescas e em toda a força da vegetação. Tanto no adro como em torno da Capela, estão colocadas varias colunas miliarias com inscrições, romanas que outrora guarneciam as vias militares que saiam de Braga. Estas colunas estiveram primeiramente no campo de Sant'Ana, aonde as mandou colocar o arcebispo D. Diogo de Sousa, que foi quem as fez conduzir para a cidade dos diversos sítios em que foram achadas.

Braga possui alguns estabelecimentos de caridade tanto para curativo de enfermos, como para asilo de infelizes. O principal e mais grandioso é o hospital de S. João Marcos, a que já nos referimos, o qual é administrado pela santa casa da misericordia. Tem grossas rendas e acha-se bem organizado e mantido. A casa da câmara é um edifício regular e de boa aparência. Uma empresa há pouco criada, acaba de fundar um teatro em edifício construído expressamente para esse fim, junto ao campo de Sant'Ana.


É tão abundante de agua a cidade de Braga, que se contam no seu recinto umas setenta fontes publicas e particulares. Entre as primeiras algumas possuem de aspecto agradável e arquitectura regular.

Além dos géneros que vêm diariamente á cidade para o seu abastecimento, concorrem ao sábado em maior numero, e mais variados de todas as vizinhanças e até de muita distancia, de modo que fazem um grande mercado. No terceiro domingo de Maio, começa a sua feira anual, que dura quinze dias e á qual aflui muito povo de todo o alto Minho.

Os principais estabelecimentos de instrução publica são o liceu, o seminário, e uma biblioteca publica, criada em tempos modernos.

É Braga uma das terras mais industriosas do reino. Ocupam-se aí muitos braços no fabrico de chapéus grossos, armas, ferragens e tecidos de linho, que exportam para muitas povoações do interior e para o Brasil. Os seus habitantes, que andam quase por dezesete mil, são muito activos, habilidosos e empreendedores. Encontram- se entre eles artistas de grande mérito. Actualmente há ali escultores em marfim e em madeira, que em outro qualquer país ganhariam boa fortuna e grande nomeada.

Os arrabaldes de Braga são celebres pela sua amenidade, cultura e beleza. São povoados de mui bonitas quintas e de campos sempre viçosos. As águas de muitas fontes, espalhadas por toda a parte, alguns ribeiros que correm junto á cidade e o rio Cavado, que passa a pouca distancia, entretêm em todos aqueles arredores uma vegetação pomposissima, quer nos bosques quer nos prados.


O Bom Jesus do Monte, a menos de meia légua da cidade, é um dos santuários mais notáveis, ricos e populares de todo o reino, e um dos pontos mais formosos e aprasiveis dos subúrbios Braga. Foi começado em 1718, e concluida a parte principal em 1725. Porém, desde então, com maiores ou menores intervalos, sempre ali tem havido obras de novos aumentos e melhoramentos. Nestes últimos vinte anos têem-se empreendido e levado a cabo muitas obras grandiosas e importantes aformoseamentos.


Nas cercanias de Braga acham-se edifícios de três mui celebres e antigos conventos: o de Tibães, cabeça da ordem de S. Bento, a uma légua da cidade, que traz a sua origem dos primeiros tempos da monarquia, e que é um dos mais vastos que se levantaram em Portugal; o de Vilar Frades, que foi da congregação dos cónegos seculares de S. João Evangelista, outra légua acima de Tibães, situado junto ao rio Cavado, e com uma das mais belas igrejas góticas que há no país; e o  de S. Frutuoso, mais próximo da cidade, de capuchos piedosos, e em tempos antigos de frades bentos, cuja primeira fundação é anterior á invasão dos moiros.

O concelho de Braga é mui produtivo e cultivado com esmero. A sua principal cultura é milho e vinho verde; mas também produz frutas, especialmente laranjas, que exporta para cidade do Porto e outras terras do interior. Colhe alguns outros cereais e legumes; cria muito e óptimo gado de varias espécies, em que faz importante comercio; fabrica boa manteiga; e abunda em muita variedade de caça.

No antigo regímen gozou a cidade de Braga da prerogativa de enviar procuradores ás cortes os quais tinham assento no segundo banco, Tem por brasão de armas um escudo coroado, tendo no meio a imagem de Nossa Senhora com o menino Jesus nos braços, colocada entre duas torres e sobre a Virgem a mitra pontifical, Alguns acrescentam a este brasão a letra seguinte: «Insignia fidelis et antiqua Brachara».

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Braga conta com 181 819 habitantes

Freguesias de Braga

 Adaúfe, Arcos, Arentim, Aveleda, Cabreiros, Celeirós, Cividade, Crespos, Cunha, Dume, Escudeiros, Espinho, Esporões, Ferreiros, Figueiredo, Fradelos, Fraião, Frossos, Gondizalves, Gualtar, Guisande, Lamas, Lamaçães, Lomar, Maximinos, Mire de Tibães, Morreira, Navarra, Nogueira, Nogueiró, Padim da Graça, Palmeira, Panoias, Parada de Tibães, Pedralva, Pousada, Priscos, Real, Ruilhe, Santa Lucrécia de Algeriz, Santo Estêvão do Penso, Semelhe, Sequeira, Sobreposta, São José de São Lázaro, São João do Souto, Passos (S. Julião), São Mamede de Este, São Paio de Merelim, São Pedro de Este, São Pedro de Merelim, São Pedro de Oliveira , São Vicente, São Vicente do Penso, São Victor, Sé, Tadim, Tebosa, Tenões, Trandeiras, Vilaça, Vimieiro

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em BRAGA

PS: 43 923/44,8% - 6 mandatos
PSD/CDS - 41197/42% - 5 mandatos

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Braga

PS - FRANCISCO SOARES MESQUITA MACHADO
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - RICARDO BRUNO ANTUNES MACHADO RIO
PS - VÍTOR MANUEL AMARAL DE SOUSA
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - MANUEL MAGALHÃES MEXIA MONTEIRO DA ROCHA
PS - ILDA DE FÁTIMA GOMES ESTEVES CARNEIRO
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - FILOMENA MARIA B. M. SALGADO FREITAS BORDALO
PS - HUGO ALEXANDRE POLIDO PIRES
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - SERAFIM FIGUEIRAL REBELO
PS - PALMIRA MACIEL FERNANDES DA COSTA
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - AMÉRICO DOS SANTOS AFONSO
PS - ANA PAULA ENES MORAIS PEREIRA

História de Barcelos e imagem do brasão antigo (imagem de 1860)


História de Barcelos e brasão antigo (imagem de 1860)



A VILA DE BARCELLOS

Não consta ao certo a origem desta povoação, mas sabe-se que é antiquíssima. Foi cidade no tempo dos romanos, e chamava-se Aguas Celenas, por correr junto dela o rio Celano, denominado Cavado pelos árabes, nome que ainda conserva.

Com as invasões e guerras que assolaram a Lusitânia, na entrada dos povos do norte, e depois na dos árabes, arruinou-se por tal modo a cidade, que veio a ser objecto de questão o sitio aonde existira, querendo uns que fosse no lugar que actualmente ocupa Barcelos, opinião mais seguida, e julgando outros que estivera situada na foz do rio, dali duas léguas.

No tempo d el rei D. Afonso Henriques, já existia a povoação actual, pois que este monarca lhe deu o foral, que el rei D. Manuel reformou. Sobre a etimologia do seu nome, discordam os autores. Dizem uns que se deriva de Barracelos, porque foi conhecida antigamente, e equivalia a Barra Celani, barra do rio Celano. Outros afirmam que provém de uma barca de passagem, que ali houve no seu principio, a que chamavam Barca Celi. Alguns querem que os moiros lhe puseram o nome de Barcelenos, por lhe atribuírem a mesma origem da cidade de Barcelona, na Catalunha.

Está situada a vila de Barcelos na margem direita do rio Cavado, distante do oceano duas léguas, de Braga três e do Porto sete.

D. Afonso, filho legitimado del rei D João I, que foi conde e senhor de Barcelos, e depois primeiro duque de Bragança, cercou a vila de grossos muros, com duas elevadas torres, quatro portas e três postigos. Também fundou nela um palácio. aonde por vezes assistiu e que seus sucessores reedificaram. Deste monumento ainda se mostram estimáveis relíquias.

Tem a vila, dentro em si, uma só paroquia e outra no arrabalde chamado Barcelinhos. Aquela da invocação de Santa Maria Maior, é uma das celebres colegiadas do reino, com cinco dignidades e oito cónegos. Deve a sua fundação a D. Fernando, primeiro do nome e segundo duque de Bragança.

Possui esta vila uma boa igreja e hospital da Misericórdia, varias ermidas, algumas casas nobres, três chafarizes de excelente agua, além de quatro nos arrabaldes. São estes muito lindos, pelo bem cultivado dos campos e pelas deliciosas margens do Cavado, que ê atravessado em frente da vila por uma bela ponte de pedra.

O termo de Barcelos produz bastantes cereais, principalmente milho e centeio, legumes, vinho, linho, frutas, etc. Cria-se nela muito gado e abunda em caça de variadas espécies. Pescam-se no rio lampreias, salmões e outros peixes.

Conta esta vila perto de quatro mil habitantes. Acha-se hoje ligada ás cidades do Porto e Viana do Castelo por uma nova e bem construída estrada, em que anda uma carreira regular de diligencias.

Barcelos foi a primeira cabeça de condado que houve neste pais, depois da fundação da monarquia. El rei D. Dinis deu este titulo a D. João Afonso de Menezes, que foi seu mordomo mor, e por morte do segundo conde filho deste, fez o mesmo soberano mercê do titulo a seu filho bastardo D. Pedro, o autor do celebre Nobiliário. Depois de ter andado em pessoas de outras famílias, veio o condado de Barcelos a recair no Condestável D. Nuno Álvares Pereira e, pelo casamento de sua filha única, D. Brites, com D. Afonso, filho legitimado del rei D. João I, incorporou-se na casa de Bragança, aonde se conserva, tendo sido elevado a ducado por el rei D. Sebastião em favor dos filhos primogénitos desta Augusta família.



No antigo regímen gozou Barcelos da prerogativa de mandar procuradores ás cortes, os quais se sentavam no banco décimo quarto. O seu brasão de armas, foi-lhe dado por D. Afonso, primeiro duque de Bragança. Conforme se acha na Torre do Tombo, consiste em um escudo azul com uma ponte e uma árvore com pomos de oiro; por cima dois castelos de prata, e sobre estes três escudos, nos dois dos lados as quinas de Portugal, e no do meio uma aspa vermelha em campo de prata, que era a divisa de D. Afonso.

Entretanto o brasão que se vê em Barcelos na torre da casa da câmara, difere deste em ter sobre a ponte uma só torre, e junto uma ermida, com a árvore á porta. No mais é igual.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelo Censos 2011 Barcelos tem 120 492 habitantes

Barcelos é uma cidade do Distrito de Braga

Freguesias de Barcelos

Abade de Neiva, Aborim, Adães,  Aguiar, Airó,  Aldreu,  Alheira, Alvelos, Arcozelo,  Areias,  Areias de Vilar, Balugães, Barcelinhos, Barcelos, Barqueiros, Cambeses, Campo, Carapeços, Carreira, Carvalhal, Carvalhas, Chavão, Chorente, Cossourado, Courel, Couto, Creixomil, Cristelo, Durrães, Encourados, Faria, Feitos, Fonte Coberta, Fornelos, Fragoso, Galegos (Santa Maria), Galegos (São Martinho), Gamil, Gilmonde, Góios, Grimancelos, Gueral, Igreja Nova, Lama, Lijó, Macieira de Rates, Manhente, Mariz, Martim, Midões, Milhazes, Minhotães, Monte de Fralães, Moure, Negreiros, Oliveira, Palme, Panque, Paradela, Pedra Furada, Pereira, Perelhal, Pousa, Quintiães, Remelhe, Rio Covo (Santa Eugénia), Rio Covo (Santa Eulália), Roriz, Sequeade, Silva, Silveiros, Tamel (Santa Leocádia), Tamel (São Pedro Fins),  Tamel (São Veríssimo), Tregosa, Ucha, Várzea, Viatodos, Vila Boa, Vila Cova, Vila Frescainha, Vila Seca, Vilar de Figos, Vilar do Monte

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em BARCELOS
PS: 34911/44,5% - 6 mandatos
PSD: 33999/ 43,3% - 5 mandatos

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Barcelos

PS - MIGUEL JORGE DA COSTA GOMES
PPD/PSD - FERNANDO RIBEIRO DOS REIS
PS - DOMINGOS RIBEIRO PEREIRA
PPD - MANUEL CARLOS DA COSTA MARINHO
PS - ANA MARIA RIBEIRO DA SILVA
PPD/PSD - JOANA DE MACEDO GARRIDO FERNANDES
PS - JOSÉ CARLOS DA SILVA BRITO
PPD/PSD - FÉLIX FALCÃO DE ARAÚJO
PS - MANUEL PEREIRA VILAS BOAS
PPD/PSD - AGOSTINHO JOSÉ CARVALHO PIZARRO DA SILVA BRAVO
PS - MARIA ARMANDINA FÉLIX VILA CHÃ SALEIRO



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Vizela: ladrão solto porque o culpado era a vítima



Justiça em Portugal

Ladrão solto porque o culpado é a vítima

Vizela, 1843

Os arredores de Caldas de Vizela são, há bastante tempo, assolados por bandidos; Cristino, um dos mais terríveis e afamados foi, em certo assalto, levemente ferido com um tiro no pescoço, pelo que o levaram para o Hospital da Misericórdia.

Temendo que a Justiça aproveitasse a ocasião para o prender, poucos dias aí permaneceu e fugiu.

Mas o regedor de paróquia da freguesia de S. João das Caldas conseguiu prendê-lo. Tendo em conta os depoimentos das testemunhas, que devidamente o culpam, este famigerado ladrão e assassino vai ser rigorosamente castigado com... liberdade!!!

E assim o presume a opinião pública, porque o roubo, que deu ocasião à sua prisão, foi cometido contra o pároco, homem que noutro tempo pertencera ao partido de D. Miguel.

E assim é a Justiça em Portugal.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

História de Vila Nova de Famalicão


História


Vila Nova de Famalicão - 1861

Teve princípio esta povoação numa venda que ali estabeleceu um homem chamado Famelião. Lá pelos reinados de D. Dinis ou Afonso IV.

Pois o senhor Famelião casou com uma criada dos condes de Barcelos, que tinha Mota por apelido. Ainda por ali há um sítio chamado Carvalho da Mota, em memória de uma árvore plantada pela esposa do senhor Famelião.

Com o tempo, foram-se construindo casas em torno da venda do senhor Famelião que acabaram sendo uma aldeia de nome Famelicão, que cresceu e se tornou em Vila Nova de Famalicão.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

História: Guimarães em 1852



História

Guimarães em 1852


A vila de Guimarães é uma das mais importantes do reino. Foi berço da monarquia, porque ali assentou sua corte o conde D. Henrique, ali nasceu o grande Afonso I.

A industria de seus habitantes é bem conhecida pelas linhas, panos de linho e obras do cutelaria, que de Guimarães saem para todo o reino. A uma légua da vila estão os banhos chamados Caídas de Vizela, frequentados romanos, que ali erigiram um templo a Ceres.

A condessa Mumadona, tia de D. Ramiro, rei de Leão, e viuvá de Hermenegildo, conde de Tui, e governador da província de Entre Douro e Minho, fundou um mosteiro, para a ele se acolher na sua viuvez. Sobre o local onde estava a igreja fundada pela condessa, deu o conde Henrique principio a Colegiada, com o nome de capela real; nela pôs clérigos, e lhe deu por prior o seu físico mor, D. Pedro Amarello; mas o templo que ora existe foi mandado edificar pelo mestre e Avis D. João I, e dedicado a Santa Maria da Oliveira, em memoria da celebre batalha de Aljubarrota, como se vê na inscrição posta por baixo do escudo de armas que está colocado a entrada da porta principal, entre dois anjos e tem por timbre um Serafim que sustenta a coroa real.

A estampa representa o frontispício da igreja da Colegiada, cuja antiguidade está hoje profanada pela cal dos nossos dias. O tecto era de vigamento grosso, todo lavrado com aquele primor, que ainda hoje se admira na Se do Funchal. As arcarias eram majestosas, e as três naves estavam em harmonia com tudo o mais; mas as madeiras doiradas e as pedras brancas dos modernos tiraram ao templo aquele aspecto ancião, que o tornara tão venerando.

No ano de 1664 mandou o prior D. Diogo Lobo da Silveira abrir um nicho dentro do templo, do lado da epistola, para guardar a pia, em que Afonso Henriques fora baptizado pelo arcebispo de Braga S. Giraldo.

Na sacristia ainda se conserva o altar de prata tomado aos castelhanos em Aljubarrota, e o pelote que D. João I levava vestido no dia daquela gloriosa batalha.


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Pelo Censos 2011 Guimarães conta com 158 108 habitantes


Freguesias de Guimarães:

Brito, Caldelas (vila das Caldas das Taipas), Lordelo, Moreira de Cónegos, Ponte, Ronfe, São Jorge de Selho (vila de Pevidém), São Torcato (AMU), Serzedelo. Aldão, Azurém, Costa, Creixomil, Fermentões, Gondar, Mascotelos, Mesão Frio, Oliveira do Castelo, Pencelo, Polvoreira, Santiago de Candoso, São Cristóvão de Selho, São Lourenço de Selho, São Martinho de Candoso, São Paio, São Sebastião, Silvares, Urgezes, Calvos, Conde, Corvite, Gandarela, Gémeos, Guardizela, Nespereira, Pinheiro, Santa Eufémia de Prazins, Santa Maria de Airão, São Faustino, anteriormente São Faustino de Vizela, São Martinho de Sande, Serzedo, Vermil, Vila Nova de Sande, Arosa, Atães, Balazar, Barco, Castelões, Donim, Figueiredo, Gominhães, Gonça, Gondomar, Infantas, Leitões, Longos, Oleiros, Rendufe, Salvador de Briteiros, Santa Leocádia de Briteiros, Santa Maria de Souto, Santo Estêvão de Briteiros, Santo Tirso de Prazins, São Clemente de Sande, São Lourenço de Sande, São João Baptista de Airão, São Salvador de Souto, São Tomé de Abação, Tabuadelo




domingo, 12 de junho de 2011

História: Castelo de Guimarães, imagem 1867



História

Guimarães

O Castelo de Guimarães, imagem 1867

É muito notável o entusiasmo com que o autor do «Tratado Elementar de Geographia», D. José de Urculu, começa a falar de Guimarães - Vila linda, diz ele, vila linda e industriosa, no meio de uma campina tão agradável como fértil, entre os rios Ave e Vizela, cercada duma muralha de 3 685 passos geométricos de circunferência, fortificada com 7 torres... Guimarães foi a primeira capital da monarquia portuguesa; aqui nasceu D. Afonso Henriques; tem muita nobreza antiga; é pátria igualmente de muitos ilustres varões.»

Cumpre distinguir a Guimarães antiga da Guimarães moderna. Segundo vemos pela noticiosa «Corographia Portugueza» do Padre António Carvalho da Costa, o assento da primeira foi entre os dois rios já indicados, ao pé do monte Lafito, dividido depois em dois nomes: o de Santa Maria, e Monte Largo, entre o norte e o nascente. No cume desse lugar altíssimo mandou a condessa Mumadona edificar um castelo, e dentro dele uma torre, toda fechada, que muito de longe se avista. Á entrada dessa torre, à mão esquerda, estavam esculpidas em uma pedra as letras seguintes: Via maris, de que alguns autores tomaram o nome alatinado de Vimarães, facilmente convertido no de Guimarães. Outros, porém, inclinam-se a crer que algum senhor Godo possuiria a terra, e que tendo o nome de Vimareno, este fosse posto á mesma terra.

Dentro daquele castelo se encontram vestígios dos Paços do conde D. Henrique, assim como permanece o paço do primeiro duque de Bragança, D. Afonso; a majestade arquitectónica do qual paço o Padre António Carvalho encarece com hiperbólicos termos.

Sabido é que o conde D. Henrique estabeleceu em Guimarães a sua corte; bem como é também sabido que nos Paços Reais da velha Guimarães nasceu D. Afonso Henriques, o fundador da monarquia portuguesa.

Guimarães, a povoação nobre, foi sempre honrada pelos soberanos de Portugal. El rei D. Dinis começou a cercá-la de fortes muros; seu filho D. Afonso IV completou a fortificação; e D. João I, de boa memória, acrescentou as torres que melhoraram ainda mais os meios de defesa.

Voltando ao castelo, empregaremos as próprias expressões do mencionado Padre António Carvalho, que apresentam a medição exacta de sua área, e imaginosamente pintam a perspectiva que aquele ponto ofereceu. «Tem este castelo de terreno, dentro da sua muralha, de nascente a poente sessenta e nove passos, e de norte a sul trinta e seis; e no meio dele lhe está servindo de penacho a torre velha, que se a domina com a sua altura, elas com a valentia, e fortaleza da sua nova muralha a desassustam do risco das baterias, por ser a sua arquitectura mais forte.»

Com uma certa melancolia se nos apresentam á memoria as notícias dos tempos que já lá vão. Assim, e debaixo deste aspecto, acolhemos de bom grado estas palavras históricas. Enquanto este castelo foi assistido de seus primeiros Reis, eles mesmos eram os seus alcaides mores; ao depois seus sucessores, o entregavam por homenagem, e punham nele Alcaides para a sua defensa, que muitos anos o habitaram, fazendo sua morada no Palácio Real, que depois com a sua ausência chegou a ver mui breve sua ruína.

Falando-se de Guimarães, é dever de justiça recordar as honrosas expressões da Carta de 22 de Junho de 1853, pela qual foi aquela vila elevada á categoria de cidade, com a denominação de Cidade de Guimarães, e são as seguintes:«Atendendo a haver ela sido o berço da Monarchia e assento da primeira Corte dos Reis portugueses, onde nasceu e foi baptisado o poderoso D. Afonso Henriques; atendendo a que mesma vila desfruta a primazia de ser uma mais populosas da província do Minho, e a florescente em diversos ramos de industria, á qual são devidas a sua opulência e prosperidade, e suas relações comerciais dentro e fora do país; atendendo a que a famosa vila de Guimarães sempre foi honrada por meus augustos predecessores com especiais privilégios, possuindo condições e elementos necessários para sustentar a dignidade e categoria de cidade, etc....» A rainha, a senhora D. Maria II, de quem é esta Carta, aludia também ao que presenciara em Guimarães, por ocasião da sua visita á província do norte.


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Pelo Censos 2011 Guimarães conta com 158 108 habitantes


Freguesias de Guimarães:

Brito, Caldelas (vila das Caldas das Taipas), Lordelo, Moreira de Cónegos, Ponte, Ronfe, São Jorge de Selho (vila de Pevidém), São Torcato (AMU), Serzedelo. Aldão, Azurém, Costa, Creixomil, Fermentões, Gondar, Mascotelos, Mesão Frio, Oliveira do Castelo, Pencelo, Polvoreira, Santiago de Candoso, São Cristóvão de Selho, São Lourenço de Selho, São Martinho de Candoso, São Paio, São Sebastião, Silvares, Urgezes, Calvos, Conde, Corvite, Gandarela, Gémeos, Guardizela, Nespereira, Pinheiro, Santa Eufémia de Prazins, Santa Maria de Airão, São Faustino, anteriormente São Faustino de Vizela, São Martinho de Sande, Serzedo, Vermil, Vila Nova de Sande, Arosa, Atães, Balazar, Barco, Castelões, Donim, Figueiredo, Gominhães, Gonça, Gondomar, Infantas, Leitões, Longos, Oleiros, Rendufe, Salvador de Briteiros, Santa Leocádia de Briteiros, Santa Maria de Souto, Santo Estêvão de Briteiros, Santo Tirso de Prazins, São Clemente de Sande, São Lourenço de Sande, São João Baptista de Airão, São Salvador de Souto, São Tomé de Abação, Tabuadelo

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portugal - Eleições 2011 - Resultados Braga



Resultado das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011 - Braga

PSD - 40,09%, 9 deputados (Em 2009: 30,82%, 6 deputados)
Deputados eleitos pelo PSD em Braga: Miguel Macedo, Fernando Negrão, Francisca Almeida, F. Ribeiro dos Reis, Emídio Guerreiro, Clara Marques Mendes, João S. Oliveira, Clara Mota, João Araújo

PS - 32,85%, 7 deputados (Em 2009: 41,74%, 9 deputados)
Deputados eleitos pelo PS em Braga: António José Seguro, António Braga, Gabriela Canavilhas, Miguel Laranjeiro, Nuno Sá, Fernando Moniz, Sónia Fertuzinhos

CDS/PP - 10,39%, 2 deputados (Em 2009: 9,67%, 2 deputados)
Deputados eleitos pelo CDS/PP em Braga: Telmo Correia, Altino Bessa

CDU - 4,89%, 1 deputado (Em 2009: 4,63%, 1 deputado)
Deputado eleito pela CDU em Braga: Agostinho Lopes

BE - 4,22%, perde um deputado (Em 2009, 7,82%, 1 deputado)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

História: Braga 1755 (Relíquias: leite de Nossa Senhora e braço de S. Lucas)


História

Braga, 1755



Comarca de Braga 

Foi fundada esta Metrópole pelos Galos Celtas duzentos e noventa e seis annos antes da vinda de Cristo em distância de sessenta léguas de Lisboa. Foi Corte dos antigos Reis Suevos, que dominarão a Lusitania, aos quaes a tomarão os Godos, a estes os Saracenos no anno de 716 aquém a reconquistou EIRey D. Pelayo poucos anos depois de sua perda

Goza de voto em Cortes com assento no banco segundo, e se enobrece com o !)Convento de Capuchos da Provincia da Soledade, que tem por orago a S. Frutuoso, o de 2)S. Salvador de Religiosas de S. Bento, o de 3)N. Senhora do Populo de Eremitas de S. Agostinho fundado em 1536. O 4)Colégio de S. Paulo de Padres da Companhia de JESUS, o 5)Convento de N. Senhora do Carmo de Carmelitas descalços, 6)o dos Padres da Congregação do Oratório, e o de 7)N. Senhora da Conceição de Terceiras de S Francisco com as Freguesias de N. Senhora da Cidade, S. João de Souto, S. Pedro de Maximinos, S. Victor e a Sé, que também serve de Freguesia.

A Sé de Braga é um templo antiquissimo, cuja fundação se atribui a Osiris. Tem tanta capacidade, que se rezam as Horas Canónicas em sete coros diferentes e em voz alta, sem se confundirem. Desde o anno 36 de Cristo, que nesta Cidade pregou o Patrão das Hespanhas Santiago Apóstolo, teve até o presente cento e treze Prelados, dos quais gozam culto de Santos por suas clarissimas virtudes vinte e três, que são S. Pedro de Rates seu primeiro Bispo, S. Basilio, S. Ouvidio, S. Policarpo, S. Fabião, S. Félix, S. Secundo, S. Narciso, S. Salomão, S. Leôncio, S. Paterno, S. Profuturo, S. Ausberto, S. Martinho de Dume, S. Thobeu, S. Pedro Juliano, S. Fructuoso, S. Quirico, S. Leodecifio, S. Félix segundo, S. Victor Martir, S. Giraldo, e o Beato Dom Godinho.

Ilustrasse com inestimavel número de reliquias, entre outras os corpos de S. Pedro de Rates, S. Giraldo, S. Martinho de Dume, de S. Ovídio, o de Santiago Interciso Mártir, e o de D. Lourenço de boa memoria, um espinho da coroa de N. Senhor, leite de sua santissima Mãe, um braço do Evangelista S. Lucas, todas em relicários de prata, e ourom Na Capela mór tem a sua sepultura (Ver aqui em Antikuices) o Conde D. Henrique e a Rainha D. Teresa sua mulher.

O tesouro desta Catedral de Braga é das coisas maiores que há em toda Hespanha; consta de vasos de prata e ouro de grande primor, e de extraordinário custo, de armações riquissimas, Pontificaes, e ornamentos, em que os materiaes mais preciosos se vem excedidos pela valentia do artificio e tudo em prodigiosa quantidade


Presentemente está eleito em Prelado desta Igreja Primaz o Senhor D. Joseph filho do Senhor Rei D. Pedro II. As Dignidades de que se compõem o Cabido, são Deão, Chantre, Arcediago do Couto, Arcediago de Barroso, Arcediago de Vermoim, de Neiva, de Fonte Arcada, de Oliveira, de Cerveira, e o de Labruja, Mestre Escola, Tesoureiro mór. As Conezias trinta e oito, doze Tercenarias, e outro grande numero de Capelães, e Ministros.

Toda a Diecese consta de mil e oitocentas e oitenta e cinco Freguesias, em cinco Comarcas, que compreende, a saber, a de Braga, a de Valença, a de Chaves, a de Vila Real, e a da Torre de Moncorvo.

Passam de duas mil as Abadias, Priorados, Vigararias, Alcaiderias mores, e outros ofícios, e empregos, que provê a Mitra. A renda da Mesa Arcebiscopal passa de cem mil cruzados. Os reditos dos dizimos, e outros bens Eclesiásticos de Arcebispado chega a milhão e meio, e por este computo se pode inferir os rendimentos, que os seculares desfrutam naquelas fertilissimas Provincias, sendo a melhor circunstancia ser riqueza natural procedida da cultura das terras, e dos frutos que dela resultam, cuja abundância se manifesta, de que sem embargo da barateza do paiz chegam convertidos em dinheiro a fazer tão crescidas somas.

Os Coutos de Ervedelo, Dornellas, Goivaens, e Riba-tua estão situados em outras Comarcas, e se faz deles menção por compreender nesta todos os lugares do domínio temporal dos Arcebispos Primazes,que se compõem de uma Cidade, e treze Coutos com quarenta e duas Paroquias perto de doze mil fogos, e de quarenta e cinco mil almas.


41° 32' N 08° 25' W
Braga
Portugal





História da Comarca de Barcelos em 1755 (Safiras em Barcelos)


História

Barcelos, 1755

Comarca de Barcelos 

É a Comarca mais povoada desta Província havendo-se respeito á sua extensão; a sua capital pertence á Sereníssima Casa de Bragança e bem se conheceu na fineza com que contribuiram seus moradores na guerra de mil seiscentos e quarenta com sete regimentos efectivos, quinhentos carros, e mil e quinhentos gastadores, sem se contar neste numero as milícias que chamam Ordenanças, excesso de fidelidade, que merece ser referido como o principal dos seus brasões, e que pode, e deve super-abundantemente escurecer a importuna lembrança da falta, que cometeram seus moradores no sitio de Ceuta no tempo del Rey D. João I. 

Não é Barcelos menos ilustre pela antiguidade, do que o é pelo amor aos seus soberanos, porque foi fundada duzentos e trinta anos antes da vinda de Cristo no lugar que hoje ocupa, sessenta léguas distante de Lisboa. El-Rei D. Afonso Henriques a reedificou, e depois de sua restauração se conservou aumentada com muitos edifícios públicos, a saber:

A Colegiada de N. Senhora da Assunção, que Consta de Prior com trezentos mil reis, Chantre com duzentos e oitenta mil réis,  Mestre Escola com duzentos e oitenta mil réis, duas Conesias a cento e cinquenta mil réis, Tesoureiro mor quatrocentos mil réis, Arcipreste com cento e cinquenta mil reis, e seis Tercenarias de cinquenta mil reis cada uma, tudo data da Sereníssima Casa de Bragança. A segunda Freguesia é da invocação de S. André. Tem mais um 1)Convento de Capuchos da Província da Soledade fundado pelos anos de 1563, e outro de Religiosas de S. Bento.

Em toda a Comarca se alistam quarenta e oito companhias de Ordenanças, e consta de sete Vilas, das quais duas tem a perogativa de votar nas Cortes, Vila de Conde no banco oitavo, e Barcelos no banco quatorze, de três Concelhos, cinco Coutos, um Julgado, e uma Honra, com duzentas e vinte e nove Paroquias, perto de trinta mil fogos, e de 11000 mil almas. 


Há em Barcelos minerais de safiras, de que no ano de 1636, se tirou uma que se vendeu em Paris por setenta mil cruzados, e na Freguesia de Cossourado se começou a abrir uma mina de prata que se fechou por ordem do Senhor Rei D. João IV, antes que se pudesse ver a conta que fazia a sua fabrica.

Os Conventos que nele se acham são os seguintes:

S André de Palme de Monges de S. Bento fundado em 1028.

São Romão de Neiva dos mesmos, 1100.

S. Maria de Carvoeiro dos mesmos.

O Convento de Capuchos da Soledade perto do lugar de Fão.

S. Salvador de Vilar de Frades primeiro Convento de Loyos em Portugal, 1425.

S. Simão da Junqueira de Cónegos Regrantes, 1072.

S. Maria da Oliveira Dos mesmos, 1032.

S. Maria de Nandim Dos mesmos, 1096.

S. Clara de Vila de Conde de Religiosas de S. Francisco.

N. Senhora da Incarnação de Religiosos de S. Francisco da mesma Vila.








***
Pelo Censos 2011 Barcelos tem 120 492 habitantes

Barcelos é uma cidade do Distrito de Braga

Freguesias de Barcelos

Abade de Neiva, Aborim, Adães, Aguiar, Airó, Aldreu, Alheira, Alvelos, Arcozelo, Areias, Areias de Vilar, Balugães, Barcelinhos, Barcelos, Barqueiros, Cambeses, Campo, Carapeços, Carreira, Carvalhal, Carvalhas, Chavão, Chorente, Cossourado, Courel, Couto, Creixomil, Cristelo, Durrães, Encourados, Faria, Feitos, Fonte Coberta, Fornelos, Fragoso, Galegos (Santa Maria), Galegos (São Martinho), Gamil, Gilmonde, Góios, Grimancelos, Gueral, Igreja Nova, Lama, Lijó, Macieira de Rates, Manhente, Mariz, Martim, Midões, Milhazes, Minhotães, Monte de Fralães, Moure, Negreiros, Oliveira, Palme, Panque, Paradela, Pedra Furada, Pereira, Perelhal, Pousa, Quintiães, Remelhe, Rio Covo (Santa Eugénia), Rio Covo (Santa Eulália), Roriz, Sequeade, Silva, Silveiros, Tamel (Santa Leocádia), Tamel (São Pedro Fins), Tamel (São Veríssimo), Tregosa, Ucha, Várzea, Viatodos, Vila Boa, Vila Cova, Vila Frescainha, Vila Seca, Vilar de Figos, Vilar do Monte

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em BARCELOS

PS: 34911/44,5% - 6 mandatos
PSD: 33999/ 43,3% - 5 mandatos

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Barcelos

PS - MIGUEL JORGE DA COSTA GOMES
PPD/PSD - FERNANDO RIBEIRO DOS REIS
PS - DOMINGOS RIBEIRO PEREIRA
PPD/PSD - MANUEL CARLOS DA COSTA MARINHO
PS - ANA MARIA RIBEIRO DA SILVA
PPD/PSD - JOANA DE MACEDO GARRIDO FERNANDES
PS - JOSÉ CARLOS DA SILVA BRITO
PPD/PSD - FÉLIX FALCÃO DE ARAÚJO
PS - MANUEL PEREIRA VILAS BOAS
PPD/PSD - AGOSTINHO JOSÉ CARVALHO PIZARRO DA SILVA BRAVO
PS - MARIA ARMANDINA FÉLIX VILA CHÃ SALEIRO

História: Guimarães em 1755


História


Comarca de Guimaraens 

A três léguas de distancia da Cidade de Braga, nove, pouco menos da Cidade do Porto, e sessenta da Cidade de Lisboa, foi fundada a Capital desta Comarca de Guimarães pelos Gallos Celtas mil e quinhentos annos antes da vinda de Cristo, e foi conhecida na antiguidade com muitos nomes, de que o principal foi Araduza, Conquistaram-na aos Mouros os Reis de Leão e foi huma das terras principais do dote que Afonso VI deu ao nosso Conde D. Henrique. Pôs nela este Príncipe a sua Corte dando-lhe foral pelos anos de 1090, e tem a prerogativa de ser pátria do primeiro Rei de Portugal D. Afonso Henriques.

Está situada em 41 gr. e 34 min. de latitude, e 10 e 26 min. de long. entre os rios Ave, Celho, e Vizella, que por todas as partes a circundam e fertilizam. EIRey D. Dinis a rodeou de vistosas e fortes muralhas com nove portas, e sete altas torres que tudo se inclue na circumferencia de três mil seiscentos e oitenta e cinco passos geométricos.


 Goza de voto em Cortes com assento no banco terceiro..

Nela se venera a prodigiosa imagem de N. Senhora da Oliveira, que a tradição affirma a trouxera San Tiago a Hespanha, á qual he dedicada a insigne Colegiada fundação de Mumadona tia de D. Ramiro II Rey de Leão para Mosteiro de Religiosos e Freiras de S. Bento; porém EIRey D. Afonso Henriques a fez Colegiada, e EIRey D. João o I a reedificou pelos annos de 1425.

O seu Cabido se compõem de um Prior data de Sua Magestade com perto de três contos de renda, Chantre com seiscentos mil reis, Arcediago de Vilacova com duzentos e vinte mil reis, Arcediago do Sobradelo com trezentos mil reis, Tesoureiro mor com quatrocentos e cincoenta mil reis, Mestre Escola com quatrocentos e secenta mil reis, e Arcipreste com quatrocentos e quarenta mil reis. As prebendas que nos seus princípios não passavam de três mil reis, hoje são quinze, é chegam a render cada huma duzentos e trinta mil reis. Tem mais a Colegiada oito meios Cónegos, seis Capelães, e quarenta e seis Clérigos para a assistencia dos enterros, todos com consideraveis emolumentos.

Enobrecem muito esta Vila de Guimarães os muitos edifícios públicos, a saber: quatro Freguesias, em que se dividem os seus moradores, que são Colegiada, S. Payo, S. Sebaitião e S. Miguel do Castelo, em que foi baptizado o Senhor  Rei D. Afonso Henriques, e duas mais nos arrabaldes, Casa de Misericórdia, e os Hospitais de S. Lazaro, S. Payo e S. Dâmaso, e os 1)Conventos de S. Francisco, de 2)S. Domingos, de 3)Capuchos, de 4)S. António, o de 5)S. Clara de Religiosas Franciscanas, de 6)S. Rosa de Dominicas, o 7)Colégio dos Padres Jesuitas, e dos 8)Recolhimentos, o de 9)N. Senhora das Mercês, e o de 10)S. Isabel, e extra muros o 11)Convento de S. Marinha da Costa de Religiosos de São Jerónimo.

Os edifícios particulares consistem nas casas de morada de muitas famílias nobres, que habitam nesta Vila de Guimarães, e são Administradores de cinquenta e quatro morgados, que se fundaram por pessoas naturais dela, com grandes rendimentos de fazendas, com que vivem opulenta e luzidamente.

Reside nela o Corregedor da sua Comarca, Ministro de letras, e cujo cargo teve principio neste Reino pelos annos de 1372. À sua conta está a emenda, e castigo dos malefícios que na Comarca se cometem, para cujo efeito acorre cada ano em correição, e andando nela pode conhecer de tudo; castiga, prende, suspende os Juizes, e mais oficiais, os quaes são obrigados a dar-lhe conta dos casos mais graves, que sucedem nos seus distritos, para ele a dar a S. Magestade; conhece por agravo, que se interpõem dos Juizes de fora, e provê, como lhe parece justo, porque só por agravo pode tomar conhecimento dos defeitos, salvo no tempo da correição.

Também tem nela sua residencia ordinária o Provedor da Comarca, lugar de letras, instituido para arrecadação das rendas reais, e para tratar dos bens dos órfãos, viúvas, Capellas, defuntos, e ausentes, que vai todos os anos em correição para prover nestes particulares, e nos das Confrarias; conhece por agravo, que para elle se interpõem, dos Juizes dos orfãos, porque nestes casos naõ se imermetem os Corregedores. Toma conta aos testamenteiros, e tutores provê a serventia dos ofícios das terras, e faz escutar sem apelação, nem aggravo o que cabe na sua alçada.

Tem mais Guimarães Juiz de fóra, cargo que teve principio no tempo delRey D. Manuel: e também lugar de letras para conhecimento das injurias, e das devassas. Não pode sair do lugar do seu julgado durante o seu triénio. Tem mais Juiz dos orfaõs, Juiz ordinário, Vereadores e Meirinhos, e Escrivães, e porque todas as Cidades, e Vilas capitães das Comarcas se governam com Ministros de semelhante jurisdição por não repetir em cada uma delas uma mesma coisa, para em todas fica aqui advertido com a singularidade de que nas terras que são de Donatários, como Valença, Crato, etc. não usam os Ministros do nome de Corregedores, se não de Ouvidores, ainda que não há diferença na jurisdição.

Tem a Comarca, de que esta Vila de Guimarães é capital, quatro Vilas, vinte Concelhos, catorze Coutos, e três Honras, com trezentos e trinta Paroquias com mais de quarenta mil fogos, e perto de cento e cinquenta mil almas, e os Conventos seguintes com os annos de sua fundação:

S. Martinho de Caramós de Cónegos Regrantes de S. Agostinho, 1068.

S. Maria de Pombeiro de Monjes de S. Bento, 766.

S. Martinho de Mancelos de Religiosos Dominicos, 1540.

S. Salvador de Travanca de Monjes de S. Bento, 1008.

S João de Arnoia.

S. Miguel de Refoios, 800. Dos mesmos.

S. Martinho de Tibães, 1086. Dos mesmos.

S. Gonçalo de Amarante de Religiosos Dominicos, 1559.

S. Clara de Amarante de Religiosas Francifcanas, 1300.