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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

História de Penela e imagem de 1860 do antigo brasão




História de Penela e imagem de 1860 do antigo brasão

A VILA DE PENELA

Está situada em terreno elevado, na província da Beira Baixa, distrito administrativo de Coimbra, em distancia de umas quatro léguas da cidade de Coimbra.

Atribui-se a sua fundação ao conde D. Sisnando, quando era governador daquela cidade, pelos anos de 1080; e dizem que começara por construir o castelo que ainda ali se vê, posto que em ruínas. Tempos depois caiu a povoação e fortaleza em poder dos moiros. Foi resgatada por el rei D. Afonso Henriques, porém ficou arruinada e despovoada por causa da tenaz resistência que opôs ao vencedor.

Todo absorvido na gigantesca empresa de libertar o país do jugo sarraceno, aquele soberano legou a seu filho o cuidado de reparar os estragos de Penela. Em 1187 mandou pois D. Sancho I restaurar os edifícios e povoar de novo a terra. O seu foral de vila foi- lhe dado por el rei D. Afonso II.

Em 1471 fez conde de Penela el rei D. Afonso V a seu sobrinho, D. Afonso de Vasconcelos e Menezes, bisneto do infante D. João, que era filho de el rei D. Pedro I e de D. Inês de Castro. Extinguiu-se este titulo por morte do segundo conde, D. João de Vasconcelos, filho do primeiro.

Lograva esta vila desde os primeiros tempos da monarquia a prerogativa de enviar ás cortes os seus procuradores, que tomavam assento no banco de cimo sexto. As suas armas são, em campo azul, três torres de prata, duas colocadas na parte superior do escudo e uma em baixo.

Tem uma única paroquia, da invocação de Nossa Senhora do Pranto, casa da Misericordia e hospital. Conta perto de três mil habitantes.

O termo é fértil. Consistem as suas principais produções em cereais, castanha e outras frutas, algum vinho e linho.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelo Censos 2011 Penela conta com 5980 habitantes

Freguesias de Penela

Cumieira, Espinhal, Podentes, Rabaçal, Santa Eufémia, São Miguel 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

História de Montemor-o-Velho e imagem de 1860 do antigo brasão


História de Montemor-o-Velho e imagem de 1860 do antigo brasão

 VILA DE MONTEMOR O VELHO

Na margem direita do Mondego, a três léguas distancia do oceano e quatro da cidade de Coimbra, está a antiga vila de Montemor o Velho. Faz parte da província da Beira, distrito administrativo de Coimbra.

Dizem alguns dos nossos antiquários, que esta povoação tivera principio mil e novecentos anos antes do nascimento de Cristo, dando- lhe por fundador um suposto rei chamado Brigo. Posto que se não possa dar credito a semelhante noticia, é fora de duvida que esta vila tem uma origem muito remota.

Segundo a opinião de vários autores nacionais e castelhanos, no tempo do domínio romano, era uma cidade de alguma importância chamada Medobriga e não Mirobriga, como outros escrevem, pois que esta ultima tinha o seu assento aonde hoje vemos Santiago de Cacem.

Nas invasões dos povos do norte e na dos árabes, curvou-se, como toda a Lusitânia, ao jugo dos vencedores. Ainda não era passado século e meio depois da conquista dos sarracenos, quando D. Ramiro I, rei de Leão, caindo com grosso exercito sobre os moiros, restituiu Montemor a fé cristã no ano de 858. Não gozou porém da liberdade por muito tempo. Os infiéis de novo a acometeram e levaram de assalto, senhoreando-a por largos anos, até que em 1040 foi outra vez reconquistada pelas armas cristãs, sob o comando de D. Fernando I, rei de Castela e Leão.

Este soberano, que mereceu por suas gloriosas empresas o epíteto de Magno, nesta ocasião também foi grande na vingança. Não só fez lançar por terra os torreados muros que pretenderam embargar-lhe o passo; a própria povoação foi arrasada completamente.

Pelos anos de 1088, reinando em Castela D Afonso VI, foi Montemor reedificada e povoada de novo, por diligencias do conde D. Raimundo de Borgonha, genro de D. Afonso VI, auxiliado pelo conde D. Sisnando, que então governava Coimbra em nome daquele monarca. Passados poucos anos, casando D. Teresa, filha de D. Afonso VI, com D. Henrique de Borgonha, irmão de D. Raimundo e obtendo, em dote, as terras de Portugal até então conquistadas aos moiros com titulo de condado, entrou Montemor no domínio dos seus novos soberanos.

Como ficava próxima da fronteira inimiga, pois que as meias luas campeavam em toda a Estremadura e como a sua posição era forte por natureza, cuidou-se na restauração das suas antigas muralhas e castelo. E isto valeu-lhe de muito, salvando-a, por vezes, nas invasões que pelo tempo adiante os árabes fizeram por aquela parte da Beira, cobiçosos de se apoderarem novamente de Coimbra.

D. Sancho I mandou-a povoar e deu-lhe foral em 1202 e, por sua morte, deixou o senhorio desta vila a suas filhas, as infantas D. Sancha e D. Teresa, sobre que tiveram grandes dissensões com seu irmão el rei D. Afonso II.

Sob o governo dos nossos primeiros Reis, chamavam geralmente a esta povoação «Terra do Infantado», em razão de se achar sempre na posse dela algum infante. Depois principiaram a denomina-la Montemor-o- Velho, para diferença da outra vila de Montemor o Novo.

No antigo regímen tinha voto em cortes, nas quais os seus procuradores tomavam assento no banco quinto. O seu brasão de armas é um castelo d oiro em campo vermelho e sobre ele o escudo das quinas reais. É assim que se acha no livro dos brasões que se guarda na Torre do Tombo. Jorge Cardoso e António Carvalho da Costa, dão-lhe por brasão simplesmente o escudo das armas reais.

Está edificada esta vila nas abas de um monte, de onde deriva o seu nome, numa situação mui aprazível. De um e outro lado do monte, que se acha isolado e parece ali colocado só para servir de encosto á povoação, estendem-se os vastíssimos campos do Mondego. Pela frente corre este formoso rio entre margens de perene verdura. No cimo do monte, avulta o castelo da idade media, derrocado e desprezado, mas ainda soberbo em suas ruínas. A vista que daí se goza é de um efeito encantador.

Divide se a povoação em cinco freguesias, que são Santa Maria da Alcáçova, que é a matriz e está dentro do castelo; S. Martinho; o Salvador; Santa Maria Madalena e S. Miguel. A igreja e hospital da Misericórdia foram fundados por el rei D. Manuel.

Havia na vila um convento de eremitas de Santo Agostinho e outro de freiras franciscanas, ambos extintos. Dentro e fora dos muros há varias ermidas. As ruas em geral são más, estreitas tortuosas e mal calçadas. Para o lado do rio tem um belo campo ou rossio, onde está o edifício do extinto convento de Nossa Senhora do Campo, de que acima fizemos menção. O porto é frequentado de muitos barcos que navegam para a Figueira, para Coimbra e para outras mais povoações das margens do Mondego.

Montemor o Velho ainda mostra as antigas muralhas com as suas três portas. Os subúrbios são muito lindos e amenos, tanto pelas hortas, pomares, vinhas e fontes em que abundam, como pela boa vizinhança do rio. O termo produz muitos cereais e legumes, algum azeite e vinho e muita fruta. Cria se nele bastante gado e caça. A terra é mimosa de peixe, quer da costa, donde dista apenas três léguas, quer do rio.

A 8 de Setembro tem a sua feira anual A população d esta vila ascende a três mil almas.

Montemor o Velho é pátria do nosso poeta Jorge de Montemor, tão celebrado cm Portugal no reinado de D. João III e na Espanha, onde viveu muitos anos, estimado e favorecido de toda a corte. As suas poesias obtiveram tal acolhimento que o livro delas que intitulou «Diana», em que cantava os seus amores com uma certa dama de muita beleza, teve cinco edições em vida do autor.

Jorge de Montemor andava compondo um poema do descobrimento da Índia, quando faleceu no ano de 1561.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Montemor-o-Velho conta com  26 214 habitantes 

Freguesias de Montemor-o-Velho

Abrunheira, Arazede, Carapinheira, Ereira, Gatões, Liceia, Meãs do Campo, Montemor-o-Velho, Pereira, Santo Varão, Seixo de Gatões, Tentúgal, Verride, Vila Nova da Barca

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Relíquias Sagradas em Portugal - Arganil


Relíquias Sagradas em Portugal - Arganil

Junto a Arganil, no antigo Mosteiro de S. Pedro de Folques, de Cónegos Regulares, conserva-se num cofre, com muita veneração, a cana da perna de um dos primeiros Priores deste Convento, chamado Goldrofe, o qual floresceu em virtude no tempo que os Mouros dominaram a Península. Concorre muita gente na véspera de Nossa Senhora de Setembro a visitar esta Relíquia.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Imagens Milagrosas em Portugal - Coimbra


Imagens Milagrosas em Portugal - Coimbra

Adorna ao Régio Convento de Santa Cruz de Coimbra, um crucifixo que está numa Capela da Sacristia, para onde veio do antigo Mosteiro das Donas, o qual respondeu à Beata Feliciana, por despacho de uma injusta petição, aquelas palavras que já o mesmo Senhor tinha dito à mãe dos filhos de Zebedeu: Nescitis quid petatis.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

História de Coimbra e brasão antigo (imagem de 1860)



História de Coimbra e brasão antigo (imagem de 1860)

A CIDADE DE COIMBRA 



Da Conimbriga dos romanos restam poucos vestígios. Esta cidade tinha o seu assento no lugar aonde agora vemos Condeixa a Velha, duas léguas distante da actual cidade de Coimbra e ao lado da estrada que conduz a Lisboa. Na invasão dos povos do norte, no século V, foi completamente destruída e querendo depois os vencedores reedifica-la, resolveram mudar-lhe o assento para junto do Mondego. Tal é a origem, ao que parece da moderna Coimbra, a quem dão por fundador Ataces, rei dos alanos. 

O brasão de armas, de que ainda usa esta cidade, dizem lhe fora dado por aquele soberano em comemoração do seguinte caso. Achando-se Ataces ocupado na edificação da sua nova cidade de Coimbra, veio fazer-lhe guerra Ermenerico, rei dos suevos, á frente de um numeroso exercito. Não esperou Ataces a chegada do inimigo; apenas lhe constou a sua vinda, saiu-lhe ao encontro deu-lhe batalha e venceu-o. Ermenerico, para salvar se a si e ás relíquias do seu exercito, pediu paz e ofereceu ao vencedor, para a alcançar, a mão de sua filha, a princesa Cindasunda, cuja beleza era mui falada e celebrada. Ataces aceitou a proposta e passado pouco tempo efectuou-se o consorcio. No seu contentamento por este sucesso, que lhe deu uma noiva tanto do seu agrado, determinou comemora-lo no brasão de armas de Coimbra, que ordenou do seguinte modo. No meio a imagem da princesa Cindasunda, coroada como rainha, com as mãos postas e olhos voltados para o céu, como medianeira da paz que implora de Deus, e saindo de uma taça ou calix de oiro, que significa o sacramento do matrimonio, que confirmou a aliança e amizade entre os dois monarcas pouco antes inimigos e personalisados no brasão, Ataces na figura de um leão rompente de oiro, que era a sua divisa, e Ermenerico na da uma serpe ou dragão verde, que trazia por emblema pintado nas suas bandeiras e tudo em campo vermelho. 

No século VIII curvou-se Coimbra, como as mais terras da Lusitânia, ao jugo dos muçulmanos. Na grande luta que não tardou a romper entre os cristãos e os conquistadores, ora se viu resgatada, ora presa outra vez dos infiéis, até que no ano de 1064, D. Fernando Magno, rei de Castela e Leão, a arrancou para sempre do poder dos moiros, no fim de um cerco de sete meses. 

A mesquita principal da cidade foi logo purificada e convertida em templo dedicado a Nossa Senhora, e conta-se que nele o mesmo rei D. Fernando Magno armara cavaleiro, com toda a solenidade, ao celebre Cid Rui Dias. D. Fernando reparou os muros da cidade povoou-a de cristãos, guarneceu-a de soldados veteranos e deixou-lhe por governador o conde D. Sisnando, que se fez notável pelo seu bom governo e por varias obras que empreendeu para melhoramento da cidade. 

Reinando em Castela e Leão D. Afonso VI, neto deste rei D. Fernando, e dando sua filha D. Tareja em casamento ao conde D. Henrique, com o condado de Portugal por dote, entrou este príncipe na posse de Coimbra e dela fez a sua corte, alternadamente com Braga e Guimarães. Confirmando-lhe o foral dado por seu sogro, acrescentou-lhe novos privilégios. 

Seu filho, D. Afonso Henriques, depois de aclamado rei, estabeleceu em Coimbra a sua residência habitual e assim ficou sendo esta cidade corte única de Portugal durante os primeiros quatro reinados. D. Afonso III repartiu com Lisboa esta regalia, que as duas cidades gozaram por seu turno até ao principio do reinado de D. João I, em que os povos requereram a este monarca, nas cortes então reunidas em Coimbra, que mudasse a sua residência para Lisboa por varias razões que apresentaram. Não deixaram todavia os sucessores do mestre de Avis de ir gozar de vez em quando da encantadora vista das margens do Mondego. 

Nestes tempos tinha Coimbra voto em cortes com assento no banco primeiro, e aqui as celebraram D. Afonso Henriques em 1180, em que seu filho D. Sancho foi jurado sucessor da coroa; D. Sancho I, em 1213, para o reconhecimento de seu filho D. Afonso, e para a feitura de leis; D. Afonso III em 1261, para ser jurado rei; D. João I em 1385, nas quais lhe foi dado o trono de Portugal e aclamado e jurado rei pelo pedir a salvação da causa publica, apesar da sua bastardia e dos direitos de seus irmãos, os filhos da infeliz D. Inês de Castro, então presos em Castela e, finalmente, D. Afonso V, no ano de 1472. No fim do reinado de D. Sancho II teve lugar a famosa defesa do castelo de Coimbra. 

Desta maneira foi a cidade de Coimbra teatro de importantes acontecimentos políticos, assim como também o foi de lamentáveis cenas trágicas. Duas mulheres, ambas formosas de alma e de corpo e, para sua desgraça, elevadas ambas por amor a uma alta posição, aí padeceram morte violenta e a todos os respeitos imerecida! D. Inês de Castro e D. Maria Teles, são os nomes dessas ilustres e tristes vitimas da politica e do ciume. A primeira foi mandada assassinar por el rei D. Afonso IV, a fim de não servir de estorvo a um projectado enlace do infante D. Pedro, seu filho e sucessor, com uma infanta de Castela. A segunda foi apunhalada por seu esposo, o infante D. João, filho de D. Pedro e da desditosa D. Inês de Castro, a quem a pérfida rainha D Leonor Teles, forjando embustes, armara o braço contra a sua própria irmã, para depois perseguir o assassino e deste modo desviar da sucessão do trono um príncipe que as leis do reino antepunham a D. Beatriz, única filha del rei D. Fernando e da dita rainha D. Leonor Teles, a qual, nessa ocasião, já estava casada com D. João I, rei de Castela, e por esta circunstancia inibida de suceder na coroa de D. Afonso Henriques. 

Duas vezes foi Coimbra cabeça de ducado; a primeira em favor do infante D. Pedro, filho segundo de D. João I; a segunda em favor de D. Jorge, filho legitimado del rei D. João II. 

Está Coimbra situada no coração do reino, na província da Beira, trinta e duas léguas distante de Lisboa para o norte e dezoito do Porto para o sul.






Sentada á beira do Mondego, parte em terreno chão, parte subindo em anfiteatro pelo dorso de um monte, ao qual fazem vistosa coroa alguns dos seus melhores edifícios, e os arvoredos das margens do rio dando beleza e realce a este quadro já de si tão formoso, esta cidade sobreleva a todas as suas irmãs pelas graças exteriores que ostenta. 

Nenhuma outra apresenta como esta, a quem de fora a contempla, mais nobre e risonho aspecto. Aquele trono de casaria, alvejando por entre verdura, parece disposto por mão de artista, para o mais belo efeito da perspectiva. Quase todos os principais monumentos da cidade estão colocados como em exposição, que só tivesse por fim o adorno do painel. As paisagens do entorno são como as mais lindas e amenas, as mais pitorescas e variadas que podem criar a imaginação de um pintor e a fantasia de um poeta. 

Vista por dentro, verdade é, varia muito o quadro. As alegrias exteriores quase se convertem em tristeza, porque a maior parte da cidade, principalmente a baixa, é cortada de ruas estreitas, tortuosas e imundas, e guarnecidas de casas de aparência desagradável. Todavia o viajante fica bem pago deste desgosto ao entrar em algumas ruas e praças amplas e orladas de bons edifícios e ainda mais indemnizado se julgará visitando tantos monumentos que aí se erguem, ricos de arte e de tradições históricas e venerados por sua antiguidade e origem. 

De entre as melhores ruas de Coimbra sobressai a Sofia, que dá entrada na cidade a quem vem pela estrada do Porto. É toda plana, mui larga bem macdamisada e guarnecida de ambos os lados, em toda a sua extensão, que não é pouca, de passeios lageados e diversos templos e grandes edifícios que foram conventos das extintas ordens religiosas, em que entrava o antigo palácio da inquisição e que se vêem agora quase todos transformados em casas de habitação particular de boa e regular aparência. 

As praças principais são quatro: a da Universidade e a da Feira no sitio mais alto da cidade; a de Sansão, e a chamada por antonomasia Praça, situadas no bairro baixo. A primeira é circundada por todos os quatro lados dos belos edifícios da universidade. Na segunda erguem-se a catedral, o esplêndido edifício do museu e aulas de ciências naturais, e o grande palácio do governo civil. outrora colégio dos cónegos seculares de S. João Evangelista. A terceira, que é a mais pequena de todas, basta-lhe para adorno e nobreza, o magnifico templo e mosteiro de Santa Cruz. A quarta, é o grande mercado aonde a povoação se vai abastecer diariamente de pescado, hortaliças, frutas, etc. 

Nenhuma cidade de Portugal, proporcionalmente, conta tantos edifícios religiosos como Coimbra. A catedral, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, é um templo vastíssimo e grandioso. Era a igreja do colégio dos jesuítas, fundação del rei D. João III, e que depois da extinção desta ordem em 1759, passou a servir de catedral. Possui um precioso tesouro de relíquias e de alfaias.




A sé velha é um dos mais antigos e curiosos monumentos do nosso país. Não é agora ocasião de pesar opiniões sobre a sua origem. Quase todos os nossos escritores atribuem aos godos a sua fundação. Todavia há quem, com argumentos muito plausíveis, a julgue obra dos princípios da monarquia portuguesa. Tanto exterior, como interiormente mostra arquitectura de épocas muito diversas. Encerra algumas obras de bastante primor e vários sepulcros de muita antiguidade. Actualmente é uma das paroquias da cidade, com a invocação de S. Cristóvão. 


A igreja de Santa Cruz, que pertenceu aos cónegos regrantes de Santo Agostinho, é um grande templo em que se admiram três obras de arte de singular excelência e perfeição: o púlpito, de pedra todo coberto de delicadíssimas esculturas; e os sumptuosos túmulos dos dois primeiros Reis de Portugal, D. Afonso Henriques e seu filho D. Sancho I. Foram mandados fazer por el rei D. Manuel, que também reedificou o templo e o mosteiro, cuja fabrica primitiva se deveu a D. Afonso Henriques. A sacristia é muito rica e mais moderna. No mosteiro, em que ao presente se acham o correio e outras repartições, há dois claustros muito antigos e curiosos. A cerca deste mosteiro, hoje propriedade particular, é um belo ornamento de Coimbra. Os seus bosques seculares, as suas cascatas, jogos da bola e, especialmente, o seu imenso lago cercado por altas paredes de cedro, dão-lhe nomeada em todo o reino. 

O convento e igreja de Santa Clara, habitado ainda ao presente por freiras franciscanas, é obra grandiosa dos Reis D. João IV e D. Pedro II, que o mandaram edificar do outro lado do Mondego, na encosta de um monte fronteiro á cidade, em consequencia de se achar o antigo convento, cujas ruínas se vêem junto da ponte, meio enterrado pelas areias do rio e a todo o momento inundado pelas suas águas. No altar mor da sua bela igreja, está o corpo inteiro da rainha Santa Isabel, metido em um sepulcro de prata. No coro de baixo, que fica em frente da capela mor, vê-se o magnifico e antigo túmulo de pedra em que outrora esteve depositada a santa rainha. É todo ornado de esculturas e figuras em alto relevo, tendo sobre a tampa a estátua daquela princesa. 

Iríamos muito longe se houvéssemos de mencionar todos os templos de Coimbra, onde quase todas as ordens religiosas possuíam colégios para os seus membros que frequentavam a universidade, colégios que pela maior parte eram grandes conventos. O de S. Bento, acabado em 1689; o dos freires de Cristo, fundado por D. João III; o dos Loios, começado em 1631; o de S. Bernardo, edificado pelo cardeal rei; o de Nossa Senhora da Graça, construído em 1543; o dos freires de S. Tiago e de Avis; o de S. Jerónimo; o dos jesuítas, fabrica de D. João III; o de Nossa Senhora do Carmo, fundado em 1542; o de S. Domingos, levantado em 1547; o de S. Francisco, fundado primitivamente pelo infante D. Pedro, filho de D. Sancho I, e depois reconstruído, e o colégio novo dos cónegos de Santo Agostinho, são os principais. 

O mosteiro das freiras de Santa Ana, primeiramente edificado junto ao rio, que o alagou e destruiu e, depois, mudado para lugar alto, é também um grande edifício, bem como o seminário episcopal e o paço do bispo. 

Tem a cidade nove paroquias, que se intitulam Nossa Senhora da Assunção (sé), S. Cristóvão, Santa Justa, S. Bartolomeu, o Salvador, S. Pedro, S João de Almedina, Santiago e S. João da Cruz. A igreja da Misericórdia está fundada sobre a abobada da paroquia de Santiago, deitando a porta principal desta para a praça do mercado e a da Misericórdia para uma rua que passa pelas costas daquela, em altura muito superior ao pavimento da praça. 

O hospital de Coimbra é fundação del rei D. Manuel. Há nesta cidade casa de asilo para a infância desvalida, um recolhimento de mulheres, etc. 


Os edifícios da universidade estão colocados no ponto mais alto da cidade, servindo-lhe de majestosa coroa. Adornam por todos os quatro lados uma extensa praça oblonga, no fundo da qual avulta o paço das escolas e do reitor. Na frente deste, ergue-se o observatorio e dos lados a capela, a livraria e o colégio de S. Pedro. 

A universidade foi fundada em Lisboa por el rei D. Dinis e pelo mesmo mudada para Coimbra, onde teve assento na rua da Sofia, nos Paços reais que aí havia, e que mais tarde se transformaram em palácio da inquisição. Depois de ter sido por vezes, e em diferentes reinados, transferida para Lisboa e novamente mudada para Coimbra, onde também esteve estabelecida no colégio de S. Paulo, el rei D. João III deu-lhe, para sede, os Paços reais do alto da cidade e, desde então, neles tem permanecido. 

Encerram estes Paços algumas coisas dignas de serem vistas com atenção, ou por sua riqueza ou como antigualhas. A sala dos actos é grandiosa. Está decorada com os retratos dos Reis de Portugal em grandes painéis. A sala dos capelos é guarnecida com os retratos dos reitores, Possui uma galeria de quadros com uma grande quantidade de painéis, entre os quais se vêem alguns de merecimento. A capela é de arquitectura gótica e  espaçosa, como uma boa igreja. A casa da livraria e o observatorio, fundados no seculo passado (18), são belos edifícios de prospecto nobre e regular. Do terrado superior do observatorio e da torre da universidade, desfruta-se um panorama verdadeiramente maravilhoso- 

As aulas de ciências naturais estão um pouco distantes destes Paços e ocupam um edifício contíguo á sé nova, que fazia parte do colégio dos jesuítas e que o marquês de Pombal, depois da extinção desta ordem, reedificou com riqueza, apropriando-o ao seu novo destino. Além daquelas aulas, acham se nele estabelecidas as salas do museu, que encerram uma sofrível coleçâo de produtos dos três reinos da natureza, o gabinete de física e o gabinete e anfiteatro anatómico. Defronte da fachada principal deste edifício está o laboratório químico ,obra magnifica posto que incompleta. 


Conta esta cidade entre os seus principais estabelecimentos, um jardim botânico, vasto e fabricado com bastante grandeza. Considerado como passeio publico, é um lugar de muita concorrencia principalmente aos domingos. 

Os divertimentos públicos limitam-se a uma praça de toiros, modernamente feita. Há contudo um teatro académico, bem disposto e organizado, em que representam estudantes da universidade em certas épocas do ano. 

Tem Coimbra um bom aqueduto e duas belas pontes. O aqueduto, chamado de S. Sebastião, tem vinte e um arcos de bastante altura. Fundou-o el rei D. Sebastião no ano de 1570, tirando aos cónegos de Santa Cruz quatro fontes de excelente agua, que nele introduziu para abastecimento da cidade, o que deu motivo a muitas questões e conflitos, acabando os cónegos por se queixarem ao papa; porém, tudo debalde, porque a obra foi por diante. 

As pontes atravessam o Mondego e um pequeno ribeiro. A primeira comunica a cidade com a estrada que conduz a Lisboa. Foi feita por el rei D. Manuel estando, totalmente soterrada pelas areias do rio a que mandara fabricar el rei D. Afonso Henriques. Porém as areias não têem poupado a obra daquele soberano, que se acha quase no mesmo estado a que chegou a do fundador da monarquia. Esta ponte é um dos mais lindos passeios da cidade, assim como é o sitio de mais concorrencia. A outra ponte liga á cidade a estrada do Porto. 

Coimbra tem tido nestes últimos tempos muitos melhoramentos na limpeza e macdamisação de muitas ruas, na iluminação, que é de gaz, na plantação de árvores, no estabelecimento de novas e melhores hospedarias, etc. 

Além dos monumentos antigos já mencionados, há outras antiguidades dignas de menção e de  exame. O palácio da desditosa D. Maria Teles, irmã da rainha D. Leonor Teles, é muito notável, não só pelo interesse histórico do drama que aí se representou, mas também pelo lado da arte. 

Os restos das muralhas que cercaram outrora Coimbra, a porta de Almedina, que a tradição diz chamar-se assim pela matança de moiros que aí houve na tomada da cidade; e sobretudo as relíquias do castelo, que ficou tão celebre na historia portuguesa, pela heróica defensa de Martim de Freitas; as ruínas da igreja e convento de Santa Clara, onde por vezes viveu a rainha Santa Isabel; a fonte dos Amores e outras memorias da infeliz D. Inês de Castro, na quinta das Lágrimas; são objectos que não podem deixar de inspirar curiosidade e veneração. 



Os arrabaldes de Coimbra são nomeados por sua muita formosura. Os viçosos campos, pomares e bosques silvestres das margens do Mondego; os montes e vales por toda a parte verdejantes, ora cobertos de frondoso arvoredo, ora servindo de assento a algum grande edifício religioso, como os conventos de Santa Clara e de S. Francisco de Celas, e de Santo António dos Olivais; por todos os lados rebentando agua em fontes ou correndo em ribeiros, tudo isto são justos títulos para tão grande nomeada. 

Faríamos um longo catalogo se mencionássemos todos os sítios encantadores dos arredores de Coimbra. Não podemos porém deixar de especializar dois, ambos cheios de infinitas belezas e amenidade, um consagrado por um príncipe infeliz á recordação dos seus malogrados amores; outro dedicado pela poesia do sentimento a um dos mais nobres exercícios da nossa alma. Chamam-se esses sítios o Penedo da Saudade e o Penedo da Meditação. 

O termo de Coimbra produz muitos cereais e legumes, grande quantidade de batatas, frutas e hortaliças, azeite e algum vinho. Cria-se nele bastante gado de diversas espécies e abunda em caça. O Mondego fornece algum peixe, mas da Figueira, que fica a sete léguas de Coimbra, é que vem para esta cidade grande abastecimento de peixe do alto mar. 

Conta a cidade uma população superior a treze mil almas. Fazem-se aí as seguintes feiras: a 4 de Julho, no Rossio de Santa Clara; a 24 de Agosto; e em 21 de Setembro no campo de Coimbra. No dia 22 de cada mês há na cidade mercado. 

Entre os filhos ilustres de Coimbra, conta-se o distinto poeta Francisco de Sá de Miranda.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa 





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Pelo Censos 2011 Coimbra conta com 143 052 habitantes

Coimbra é  capital do Distrito de Coimbra e a maior cidade da região Centro de Portugal

Freguesias de Coimbra 

Almalaguês, Almedina (zona urbana de Coimbra), Ameal, Antanhol, Antuzede, Arzila, Assafarge, Botão, Brasfemes, Castelo Viegas, Ceira (zona urbana de Coimbra), Cernache, Eiras (zona urbana de Coimbra), Lamarosa, Ribeira de Frades (zona urbana de Coimbra), Santa Clara (zona urbana de Coimbra), Santa Cruz (zona urbana de Coimbra), Santo António dos Olivais (zona urbana de Coimbra), São Bartolomeu (zona urbana de Coimbra), São João do Campo, São Martinho de Árvore, São Martinho do Bispo (zona urbana de Coimbra), São Paulo de Frades (zona urbana de Coimbra), São Silvestre, Sé Nova (zona urbana de Coimbra), Souselas, Taveiro (zona urbana de Coimbra), Torre de Vilela, Torres do Mondego, Trouxemil, Vil de Matos


Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em COIMBRA

PSD/CDS: 41,6% - 6 mandatos
PS: 34,6% - 4 mandatos
PCP: 9,7% - 1 mandato

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Coimbra

PPD/PSD . CDS-PP . PPM - CARLOS MANUEL DE SOUSA ENCARNAÇÃO
PS - ÁLVARO JORGE DE MAIA SECO
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - JOÃO PAULO LIMA BARBOSA DE MELO
PS - MARIA FERNANDA DOS SANTOS MAÇAS
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - MARIA JOSÉ AZEVEDO SANTOS
PS - ANTÓNIO MANUEL VILHENA
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - PAULO JORGE CARVALHO LEITÃO
PCP-PEV - FRANCISCO JOSÉ PINA QUEIRÓS
PS - CARLOS MANUEL DIAS CIDADE
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - LUÍS NUNO RANITO DA COSTA PROVIDÊNCIA
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - MARIA JOÃO GUARDADO MARTINS DE CASTELO-BRANCO

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

História de Arganil e imagem do antigo brasão





História de Arganil e antigo brasão (imagem de 1860)

A VILA DE ARGANIL 


Não há noticias positivas sobre a origem desta vila, mas não se pode duvidar de que é muita antiga. Se dermos credito a uma tradição que corre como certa entre os seus moradores, foi fundada pelos romanos e chegou a ser sob o seu domínio uma cidade florescente com o nome de Argos. Os moiros, na sua invasão, arruinaram- na e depois povoaram-na de novo denominando-a Arganil; porém não readquiriu a sua anterior prosperidade. padecendo igualmente muito nas guerras que determinaram a expulsão dos árabes.

Na verdade algumas circunstancias há que vêem em abono da tradição. O achado de varias moedas romanas, de oiro e prata, no começo do século passado (18) e por ocasião de se abrirem uns alicerces na vila, é um fundamento senão irrecusável, pelo menos muito plausível para supormos que ali existira uma povoação romana. A doação que a rainha D Teresa, mãe de el rei D. Afonso Henriques, fez desta vila à sé de Coimbra, prova exuberantemente que a sua origem é anterior á monarquia.

Esta doação não teve o seu devido efeito, ou por que a doadora mudasse de disposição, ou porque a vila tornasse ao poder dos árabes. O que é certo é que no ano de 1219, era senhor dela Afonso Pires de Arganil, o que trouxe as cabeças dos cinco Santos Mártires de Marrocos para a igreja de Santa Cruz de Coimbra.

Reinando D. Afonso IV tornou esta vila para a coroa, por transacção feita entre este monarca e uma neta de Afonso Pires, que tinha sucedido naquele senhorio.

Dada em dote pelo mesmo rei a sua neta a infanta D. Maria, filha de D Pedro I e de sua primeira mulher a infanta D. Constança, quando foi casar com o infante D. Fernando de Aragão; revertida outra vez para a coroa, por ter falecido esta princesa sem sucessão, foi novamente doada por el rei D. João I a Martim Vasques da Cunha, no ano de 1423. Nove anos depois. obtidas as necessárias licenças, fez este ultimo troca da vila de Arganil pela de Belmonte, que pertencia á sé de Coimbra, e assim veio ao senhorio da mitra conimbricense.

Querendo D. Afonso V recompensar os bons serviços que lhe prestou o bispo de Coimbra, D. João Galvão, acompanhando-o na sua jornada de África, nomeou-o conde de Arganil em 1471, ordenando que todos os seus sucessores gozassem do mesmo titulo. El rei D Manuel foi quem deu o foral a esta vila.

Assentada em uma campina, cercada de montes e cortada por duas ribeiras, que vão entrar no rio Alva, a vila d Arganil dista de Coimbra sete léguas para o lado do nascente. Tem boas ruas e uma só paroquia, cujo orago é S. Jens. A casa da misericordia foi edificada no século XVII. Dentro em si e nas vizinhanças, conta varias ermidas, algumas das quais são mui venerados santuários a que concorrem muitos cirios e romagens, sendo o principal o de Nossa Senhora de Monte Alto, assim chamado por estar a sua ermida fundada na coroa de um elevado monte.

Possuem aqui os bispos de Coimbra um bom palácio, com uma capela de três naves, situados junto á vila. Esta fundação foi obra de D. Fernando Rodrigues Redondo, no século XIV, o qual era então senhor de Arganil por sua mulher D. Senhorinha Afonso, neta do primeiro donatário, de quem acima falamos.

As duas ribeiras que lhe cortam os campos vizinhos, e o rio Alva que, nascendo na serra da Estrela, aí passa próximo no seu curso para o Mondego, fazem os seus arrabaldes aprasiveis e muito produtivos. A sua principal cultura consiste em cereais, legumes, azeite, vinho e castanhas. O rio Alva abastece a vila de bogas, trutas, lampreias e saveis. 

Arganil tem por armas um escudo com uma amoreira. A sua população não é inferior a mil e setecentas almas.

Arganil tem mercado no segundo domingo de cada mês e três feiras anuais; a primeira começa no quarto domingo da quaresma; a segunda no dia 24 de Junho; e a terceira a 6 de Setembro.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Arganil tem 12 119 habitantes

Arganil é uma vila do Distrito de Coimbra

As freguesias de Arganil são as seguintes:
Anceriz, Arganil, Barril de Alva, Benfeita, Celavisa, Cepos, Cerdeira, Coja, Folques, Moura da Serra, Piódão, Pomares, Pombeiro da Beira, São Martinho da Cortiça, Sarzedo, Secarias, Teixeira, Vila Cova de Alva

Eleições Autárquicas - 11/10/2009


Votação por Partido em ARGANIL

PSD: 4734/58,6% - 5 mandatos
ACF: 1433/ 17,7% - 1 mandato
PS: 1432/ 17,7% - 1 mandato


Candidatos Eleitos pelo Circulo: Arganil

PPD/PSD - Ricardo João Barata Pereira Alves
PPD/PSD - Avelino de Jesus Silva Pedroso
PPD/PSD - António Gonçalves Cardoso
A.C.F. - Rui Miguel da Silva
PS - Eduardo Miguel Duarte Ventura
PPD/PSD - Luís Paulo Carreira Fonseca da Costa
PPD/PSD - Paula Inês Moreira Dinis



sábado, 20 de agosto de 2011

Destruição do Património em Coimbra e Lisboa





Destruição do Património em Coimbra e Lisboa

O rei D. José, além de outros factos, lá o vemos destruindo o Castelo de Coimbra, o glorioso teatro da honra e lealdade de Martim de Freitas, para construir no seu lugar um observatório, que mal subiu acima dos alicerces, como se o intento consistira tão somente em aniquilar aquele brasão da fidelidade lusitana.

Do que se fez sob o governo de D. João VI pode servir de medida o procedimento do mesmo governo ao descobrir-se em Lisboa, nas vizinhanças da Sé, um rico teatro romano. Se mão curiosa não tivera desenhado, descrito, feito gravar, imprimir e publicar num folheto o que por ordem da autoridade se mandou entulhar de novo, poucos se lembrariam, e em breve se ignoraria, que fazendo-se uma escavação nesta capital se achou um teatro, com belas colunas de mármore e outros objectos de arte romana, além de uma grande quantidade de medalhas.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portugal - Eleições 2011 - Resultados Coimbra


Resultado das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011 - Coimbra


PSD - 40,17%, 5 deputados (Em 2009: 30,57%, 4 deputados)
Deputados eleitos pelo PSD em Coimbra: José Canavarro, Pedro A. Saraiva, Nilza Sena, Nuno da Encarnação, Maurício T. Marques

PS - 29,18%, 3 deputados (Em 2009: 37,90%, 4 deputados)
Deputados eleitos pelo PS em Coimbra: Ana Jorge, Mário G. Ruivo, João Moura de Portugal

CDS/PP - 9,87%, 1 deputado (Em 2009: 8,74%, 1 deputado)
Deputado eleito pelo CDS/PP em Coimbra: João Serpa Oliva

Menos um deputado a eleger que em 2009 (era do BE)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

História:da Comarca de Montemor-o-Velho em 1755




História



Comarca de Montemor o Velho 

Quatro legoas ao Sudueste de Coimbra, e trinta e duas da Cidade de Lisboa nas ribeiras do Mondego tem o seu assento a notavel Villa de Montemor o Velho, nome que se acomoda bem á sua muita antiguidade, pois se crê ter fundada por Brigo IV Rey de Hespanha 1900 annos antes da vinda de Christo. No espaço de tantos seculos padeceo várias fortunas, até que ultimamente a mandou povoar no sitio que hoje occupa na latitude de 40 gr. e 11 minutos e na longitude de 9 gr. e 52 min. o Conde D. Raimundo, antes que se désse Portugal no Conde D. Henrique

Tem voto em Cortes com assento no banco quinto; nella, e seu termo se alistam vinte e oito companhias de Ordenanças, que com as da Comarca fazem trinta e seis he pertencente á Casa de Aveiro, cujos primogénitos se intitulam Marquezes desta Villa; os seus moradores se dividem pelas Freguezias seguintes: S. Maria da Alcáçova, S. Martinho, o Salvador, S. Maria Magdalena, e S. Miguel e, S. João do Castello; tem casa de Misericordia com quatro Hospitaes e os Conventos de Padres Gracianos e o de Religiosas da terceira Regra de S. Francisco fundado em 1513. Toda a Comarca consta de cinco Villas, trinta e três Freguezias, com perto de dez mil fogos e de trinta mil almas e os Conventos seguintes:

O Recolhimento de Terceiras de S. Francisco de Louriçal.

O Convento de Capuchos Franciscanos de Penella.






Descripçam corografica do reyno de Portugal, 1755

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

História: Comarca de Coimbra em 1755



História

Coimbra 1755


Comarca de Coimbra 

Foy fundada a Cidade de Coimbra pelos povos Colimbrios que vieram com os Gallos Celtas, trezentos e oito annos antes da vinda de Christo. Concederaõlhe grandes foros e privilégios o Conde D. Henrique e EIRey D. Affonso Henriques, e servio muito tempo de Cortesãos Senhores Reys seus súccessores. Está situada em 40 gr. e 16 min. de lat. e 10 e 7 min. de longit. nas aprasiveis ribeiras do Mondego a seis legoss de distancia do Oceano Atlântico, e trinta e duas da famosa Cidade de Lisboa.

He pátria de Sete Reys de Portugal, siangularidade, em que a não vence outra alguma das terras deste Reyno, excepto a Corte de Lisboa. Elles foram D. Sancho I, D Affonso II, D. Sancho II, D. Affonso III, D. Affonso IV, D. Pedro e D. Fernando primeiros deste nome. Goza de voto em Cortes com assento no primeiro banco. São muitos os edifícios públicos e particulares que a engrandecem, a saber; nove Igrejas Parochias, em que se dividem os seus moradores, e são a Sé dedicada a N. Senhora da Assumpção, S. João de Almedina, S. Pedro, S. Christovão, S. Bartholomeu, San-Tiago, S. Justa, S. Salvador, e S. João de S. Cruz. Oito Morteiros, ou Conventos, e dezoito Collegios de quasi todas as Ordens Religiosas, que ha no Reyno com Províncias formadas e são:

O Convento de S. Cruz de Cónegos Regrantes de S. Agostinho fundado em 1131, o de S. Domingos, o de S. Francisco, o de Religiosas de Clara, o de S. António de Capuchos Franciscanos, que chamam dos Olivaes, o de Cellas de Religiosas de S. Bernardo, o de S. Anna de Religiosas de S. Agostinho, o Mosteiro de Religiosos de S. Bento, e nos arrabaldes o dos Padres de S. Jeronymo.

Os Collegios maiores da Universidade são dous, o de S. Paulo fundação delRey D. João o III e o de S. Pedro fundação de D. Rodrigo Lopes de Carvalho Bispo de Miranda, ao qual mudou o primeiro instituto, ou o ampliou o Senhor Rey D. Sebastião, dando-lhe huma boa parte dos Paços Reaes pelos annos de 1570. O Collegio da Ordem de S. Bernardo, o de N. Senhora da Graça de Eremitas de S. Agostinho, o de Carmelitas calçados, o dos Padres Terceiros de S. Francisco, o dos Religiosos Franciscanos de Xabregas, o Collegio da Pedreira de Capuchos de S. António, o de Religiosos da Santissima Trindade, o das Ordens Militares de San Tiago, e Aviz, o da Ordem de Christo, o dos Cónegos de S. João Evangelista, o dós Cónegos Regrantes de S. Agostinho, e o Collegio dos Carmelitas descalços.

Em todos estes Conventos, Igrejas, e Santuários se deposita hum excellente thesouro de relíquias: entre elles se conta o corpo inteiro da Rainha Santa Isabel gloria de Aragão e ornamento de Portugal, que se conserva incorrupto no Convento de S. Clara, e he hum dos quatorze corpos inteiros de Santos que venera, e possue este Reyno. Real Mosteiro de S. Cruz descansam as cinzas do veneravel Rey D. Affonso Henriques, o que conquistou a mayor parte das terras desta Monarchia aos Mouros, inimigos da Fé, para cujos triunfos são pequenos elogios os eternos eccos do clarim da fama.

Reside nesta Cidade o terceiro tribunal da Inquisição, que ha neste Reyno, por cuja vigilância se conserva a fé incorrupta, e se extirpão os erros e dogmas, que offendem a pureza do verdadeiro rito Catholico, com tanta utilidade espiritual, e temporal como se experimenta em todo Reyno, no qual não pode a heresía nem a pertinácia Hebraica deitar as raizes, que procuram e desejam.

Nella tem o seu assento a insigne Univeriidade, que El Rey D. Diniz fundou em Lisboa pelos annos de 1291 e havendose mudado duas vezes desta Cidade para a Corte, desde o anno de 1537, ficou em Coimbra estabelecida para ser fecunda mãe de celeberrimos engenhos. Frequentam as suas escolas oito mil estudantes, para os quaes se erigirão cincoenta e duas cadeiras das quatro faculdades principaes, e da Mathematica, Musica, Filosofia, Escritura, Moral, e das três linguas cientificas Hebraica, Grega e Latina.

O corpo desta maquina literária se compõem de quatro Concelhos. O primeiro de oito Concelheiros Bacharéis quatro faculdades Theologia, Cânones, Leys, e Medicina. O segúndo de nove Deputados, quatro Lentes, e quatro que o não são, mas todos com os grãos de Doutores ou Licenciados das quatro faculdades, e hum Mestre em Artes. O terceiro consta de Concelheiros, e Deputados, a chamam Claustro. O quarto Concelho se chama pleno, e se compõem de Concelheiros, e Deputados, Cancellarios, Conservador, Sindico e Secretario.

Sua Magestade he Protector desta Univerfidade, o Geral de S. Cruz Cancellario, e o Lente de prima de Theologia he Decano. O Juiz ordinário he o Reitor, que sempre he Ecclesiastico de grande qualidade, e literatura, e ainda que o officio he triennal, o costuma prorogar EIRey até o prover em algum Bispado. Até o presente teve trinta e três Reitores, e as rendas applicadas á subsistencia destes Mestres e dos mais Ministros passa de cento e vinte mil cruzados com muitos privilegios, e izençoens, que lhe concederão os Reys, e muitas Igrejas e benefícios para premio dos que seguem as letras, por cujas circunstancias não só hé este o rnayor dos oito estudos públicos que ha no Reyno, mas he de igual esplendor ás mais famosas Universidades estrangeiras.

Desde tempos muito antigos he esta Cidade cadeira Episcopal suffraganea dos Arcebispos Primazes. A Sé como todas as do Reyno he dedicada a N. Senhora da Assumpção, templo de toda a grandeza, que consente a sua antiquissima architectura. Consta o Cabido de oito Dignidades, vinte e cinco Cónegos, quatro dos quaes são Doutoraes formados, seis meyos Cónegos, e três Tercenarios, quatorze Capellaens, oito moços de Coro, e outros muitos Ministros. Tem trinta e três Prebendas, e cada huma rende perto de dous mil cruzados. O Deão tem huma Prebenda, e por annexa a terça da Louzã; e hum aprestimo, que tudo passa de lhe render quatro mil cruzados. O Chantre tem huma Prebenda, o Mestre Escola duas, e o Thesoureiro mór outras duas, os Arcediagos são quatro, o de Coimbra, o de Vouga, o de Penella, e o de Coa. A renda Episcopal chega a oitenta mil cruzados; Diecése consta de trezentas e quarenta e três Freguezias, e os Prelados, que até o presente teve,são em número de setenta e cinco.

Tem esta Cidade e sua Comarca noventa e cinco companhias de Ordenanças, as quaes todas, e seus cabos obedecem ao Capitão mór, que he das pessoas principaes della, feito por eleição da Camara, que confirma EIRey. A sua fertilidade se pode inferir do que paga de direitos Reaes, pois só a dizima importa em perto de duzentos mil cruzados, além de vinte mil alqueires de azeite, que paga ás Freguezias porque tem mais de cento e cincoenta lagares. Tem mais trinta Médicos de partido, dezasete Boticários, cinco cárceres públicos, e todas as semanas feira franca. Contam-se nella vinte e seis Confrarias ou Irmandades, a mais antiga a da Mifericordia, que tem a seu cargo hum magnifico Hospital fundação delRey D. Manoel, a mais nova a do Salvador, a mais copiosa e grande a de S. António.

Os Bispos se intitulam Condes de Arganil, Senhores de Fajão, S. Comba, Coja, Bobadella, Avô, Fadeira, Podentes, e outros Coutos, e Villas, que fazem o numero de vinte e duas, que os reconhecem por Donatários. Toda a Comarca consta de trinta e duas Villas, cento e vinte e duas Freguezias com trinta e seis mil fogos e cento e vinte mil almas; os Conventos que nella se acham são os seguintes:

N. Senhora da Assumpção de Semide Convento de Freiras de S. Bento fundado em 1154.

N. Senhora da Expectação de Lorvão de Religiosos de S. Bernardo.

S. Marcos Convento de Religiosos de S. Jeronymo.

O Deserto de Santa Cruz de Bussaco de Carmelitas descalços.

O Convento de Capuchos de S. Antonio de Cantanhede.

N. Senhora da Natividade de Carmelitas descalças de Tentúgal.

S. Christina Convento de Religiosos de S. Francisco na Povoa de S. Christina.








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Pelo Census 2011 Coimbra conta com 143 052 habitantes

Coimbra é  capital do Distrito de Coimbra e a maior cidade da região Centro de Portugal

Freguesias de Coimbra 

Almalaguês, Almedina (zona urbana de Coimbra), Ameal, Antanhol, Antuzede, Arzila, Assafarge, Botão, Brasfemes, Castelo Viegas, Ceira (zona urbana de Coimbra), Cernache, Eiras (zona urbana de Coimbra), Lamarosa, Ribeira de Frades (zona urbana de Coimbra), Santa Clara (zona urbana de Coimbra), Santa Cruz (zona urbana de Coimbra), Santo António dos Olivais (zona urbana de Coimbra), São Bartolomeu (zona urbana de Coimbra), São João do Campo, São Martinho de Árvore, São Martinho do Bispo (zona urbana de Coimbra), São Paulo de Frades (zona urbana de Coimbra), São Silvestre, Sé Nova (zona urbana de Coimbra), Souselas, Taveiro (zona urbana de Coimbra), Torre de Vilela, Torres do Mondego, Trouxemil, Vil de Matos


Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em COIMBRA

PSD/CDS: 41,6% - 6 mandatos
PS: 34,6% - 4 mandatos
PCP: 9,7% - 1 mandato

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Coimbra

PPD/PSD . CDS-PP . PPM - CARLOS MANUEL DE SOUSA ENCARNAÇÃO
PS - ÁLVARO JORGE DE MAIA SECO
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - JOÃO PAULO LIMA BARBOSA DE MELO
PS - MARIA FERNANDA DOS SANTOS MAÇAS
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - MARIA JOSÉ AZEVEDO SANTOS
PS - ANTÓNIO MANUEL VILHENA
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - PAULO JORGE CARVALHO LEITÃO
PCP-PEV - FRANCISCO JOSÉ PINA QUEIRÓS
PS - CARLOS MANUEL DIAS CIDADE
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - LUÍS NUNO RANITO DA COSTA PROVIDÊNCIA
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - MARIA JOÃO GUARDADO MARTINS DE CASTELO-BRANCO

sábado, 8 de janeiro de 2011

História: Alfaiates de Coimbra em greve (1864)


História

Alfaiates de Coimbra entram em greve

Tem havido em Coimbra crise operaria entre a classe dos alfaiates. Os oificiaes pediram aos mestres augmento de salario, e estes negaram-se á exigencia porque a consideraram injusta. Não era de certo, visto a limitada paga que recebiam, e attendendo ao augmento espantoso do preço dos generos alimenticos e da renda das casas. Os officiaes deixaram, por consequencia, de trabalhar, e os mestres mandaram chamar artistas a Lisboa; alguns dos que foram da capital, quando souberam a justiça das preteiições dos seus companheiros, negaram-se a trabalhar e adheriram à demonstração já feita. Para terminar a crise, os ofliciaes encarregaram um cavalheiro de Coimbra de lhes servir de intermediario, para haver accôrdo equitativo e definitivo entre elles e os mestres.





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Pelo Census 2011 Coimbra conta com 143 052 habitantes

Coimbra é  capital do Distrito de Coimbra e a maior cidade da região Centro de Portugal

Freguesias de Coimbra 

Almalaguês, Almedina (zona urbana de Coimbra), Ameal, Antanhol, Antuzede, Arzila, Assafarge, Botão, Brasfemes, Castelo Viegas, Ceira (zona urbana de Coimbra), Cernache, Eiras (zona urbana de Coimbra), Lamarosa, Ribeira de Frades (zona urbana de Coimbra), Santa Clara (zona urbana de Coimbra), Santa Cruz (zona urbana de Coimbra), Santo António dos Olivais (zona urbana de Coimbra), São Bartolomeu (zona urbana de Coimbra), São João do Campo, São Martinho de Árvore, São Martinho do Bispo (zona urbana de Coimbra), São Paulo de Frades (zona urbana de Coimbra), São Silvestre, Sé Nova (zona urbana de Coimbra), Souselas, Taveiro (zona urbana de Coimbra), Torre de Vilela, Torres do Mondego, Trouxemil, Vil de Matos


Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em COIMBRA

PSD/CDS: 41,6% - 6 mandatos
PS: 34,6% - 4 mandatos
PCP: 9,7% - 1 mandato

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Coimbra

PPD/PSD . CDS-PP . PPM - CARLOS MANUEL DE SOUSA ENCARNAÇÃO
PS - ÁLVARO JORGE DE MAIA SECO
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - JOÃO PAULO LIMA BARBOSA DE MELO
PS - MARIA FERNANDA DOS SANTOS MAÇAS
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - MARIA JOSÉ AZEVEDO SANTOS
PS - ANTÓNIO MANUEL VILHENA
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - PAULO JORGE CARVALHO LEITÃO
PCP-PEV - FRANCISCO JOSÉ PINA QUEIRÓS
PS - CARLOS MANUEL DIAS CIDADE
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - LUÍS NUNO RANITO DA COSTA PROVIDÊNCIA
PPD/PSD . CDS-PP . PPM - MARIA JOÃO GUARDADO MARTINS DE CASTELO-BRANCO

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

História: Primeiro comboio Lisboa-Soure




História

Inaugurada linha férrea Lisboa-Soure


No dia 22 inaugurou se o serviço publico entre Lisboa e Soure .O primeiro comboio saiu d'aqui ás seis horas e meia da manhã e levou bastantes passageiros. Em Soure havia immenso povo á espera do comboio que foi enthusiasticamente saudado.

Uma commissão de engenheiros foi novamente inspeccionar a secção de Soure a Taveiro, e o seu relatorio que entrou já na repartição competente, declara aquella parte da linha em estado de ser entregue á exploração provisória. Ha pequenas obras e reparos a fazer, mas que por modo algum difficultam a inauguração de toda a linha de Lisboa ao Porto. Esta inauguração, portanto, não se deve prolongar attendendo aos interesses da empreza e aos do publico. O sr. D. José de Salamanca veiu a Lisboa para assistir a este acto.