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sábado, 23 de março de 2013

Convívio - Guarda


Convívio Guarda: brasileirinha, gruta kente adora atrás; novidade, a bela morena, toda boa; bonekinha de luxo «vem brincar comigo»; morena espetacular, mamas grandes, corpinho sexy; ucraniana, cara linda, loira e madra, mama oral natural

segunda-feira, 16 de julho de 2012

domingo, 25 de dezembro de 2011

História de Pinhel e imagem antiga do antigo brasão




História de Pinhel e imagem antiga do antigo brasão (1860)

A CIDADE DE PINHEL 

Esta pequena cidade acha- se situada no cimo e falda meridional de um pouco elevado monte, na província da Beira Baixa, distrito da Guarda, cinco léguas ao nordeste da cidade deste nome, quase outras tantas a leste da vila de Trancoso e quatro da fronteira do reino de Leão. Próximo dos seus muros, pelo lado de leste, corre a ribeira de Riba Pinhel, que a uma légua daí entra no rio Coa.

Não há noticia certa da sua fundação, que todavia alguns autores atribuem aos turdulos, quinhentos anos antes da era vulgar. É igualmente desconhecida a sua historia até ao principio da monarquia, em que el rei D. Afonso Henriques a levantou das ruínas em que jazia, fazendo a povoar e dando lhe foral. D. Sancho I, querendo premiar os grandes serviços prestados pelos moradores de Pinhel nas guerras contra os moiros, deu-lhe novo foral em 1189, concedendo-lhe, entre outros privilégios, não serem obrigados a trabalhar em quaisquer obras de fortificação, não pagarem colheita a el rei e serem isentos do tributo de portagem em todo o reino.

El rei D. Dinis, que muito cuidou na segurança do país, fortificando os lugares da fronteira que mais se prestavam para a defesa, mandou edificar em Pinhel um castelo de cantaria com duas mui altas torres, pelos anos de 1312.

El rei D. José obteve do papa Clemente XIV a criação do bispado de Pinhel em 1770, hoje suprimido e, por esta ocasião, concedeu a esta antiga vila o titulo de cidade. Tinha voto em cortes com assento no nono banco. O seu brasão de armas, conforme está na Torre do Tombo, é um pinheiro verde em campo de prata. Entretanto na casa da câmara daquela cidade vê-se um escudo, tendo de um lado as armas reais e do outro um pinheiro verde com um falcão em cima, intitulando-se Pinhel Falcão guarda mor de Portugal. Dizem que o falcão é uma memoria de um que se tomou a el rei D. João I de Castela na batalha de Aljubarrota. A alcaidaria mor desta cidade andava na casa dos condes de Alvor.

Pinhel é cercada de muros com seis torres e seis portas, chamadas da Vila, de Santiago, de S. João, de Marrocos, de Alvacar e de Marialva.

Parte da povoação está dentro dos muros, com as paroquias de Santa Maria do Castelo e de S. Martinho; parte está fora, com a igreja que serviu de catedral e mais três paroquias que são: Santo André, o Salvador e a Santíssima Trindade.

Tem casa da Misericórdia, fundada pelo doutor João de Videira, natural de Pinhel, hospital, diversas ermidas e um convento de freiras franciscanas da invocação de S. Luís, que fundou pelos anos de 1600, Luís de Figueiredo Falcão, secretario de Filipe III de Espanha. Em 1620 um filho do fundador trouxe de Roma para a igreja deste convento, o corpo de S. Caio, papa e mártir, o qual lhe foi dado pelo sumo pontífice Paulo V.

 A povoação é abastecida d agua por três fontes: a do Passareiro e de Marrocos, no recinto das muralhas; e a do Bispo, fora dele. Desta fonte até á ribeira de Riba Pinhel, que é o espaço de meia légua, estende-se um delicioso vale cheio de hortas regadas por inumeráveis nascentes de excelente agua.

Consiste a principal cultura do termo em cereais, vinho, azeite, legumes e frutas. Há nele criação de gado e caça.

Pinhel conta apenas uns dois mil habitantes.

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Pelo Censos 2011 Pinhel conta com 9615 habitantes

Freguesias de Pinhel

Alverca da Beira, Atalaia, Azevo, Bogalhal, Bouça Cova, Cerejo, Cidadelhe, Ervas Tenras, Ervedosa, Freixedas, Gouveias, Lamegal, Lameiras, Manigoto, Pala, Pereiro, Pinhel, Pínzio, Pomares. Póvoa de El-Rei, Safurdão, Santa Eufémia, Sorval, Souro Pires, Valbom, Vale de Madeira, Vascoveiro

domingo, 23 de outubro de 2011

História de Melo e imagem de 1860 do antigo brasão



História de Melo e imagem de 1860 do antigo brasão

VILA DE MELO

Está situada esta vila na província da Beira, nas faldas da serra da Estrela, uma légua ao sul da vila de Linhares.

Conta-se a sua origem pelo modo seguinte.

Sabendo D. Soeiro Raimundo que Ricardo Coração de Leão, rei de Inglaterra, se aprestava com grande exercito para ir á conquista da Terra Santa, resolveu acompanha-lo nesta heróica e religiosa empresa. Saiu pois de Portugal, para se unir aos cruzados no ano do 1191. Depois de haver dado provas do seu valor e coragem na expugnação de Chipre, viu-se finalmente com o exercito dos cruzados diante dos muros da tão suspirada Jerusalém. A ordem para o assalto não se fez esperar muito tempo e ao nosso D. Soeiro coube, na disposição das forças para o combate, um lanço do muro que, tomando o nome de um vale ou voragem que lhe ficava vizinho, se chamava Melo. D. Soeiro praticou aí singulares actos de valentia e gentilezas de armas com que deixou maravilhados os seus camaradas que, desde então, começaram a apelida-lo «o Melo».

O fim daquela empresa é sabido, que foi desgraçado, pois que a peste a fome e as dissidências dizimaram os cruzados, obrigando-os a demandar os seus países.

Voltando D. Soeiro a Portugal e querendo comemorar os seus gloriosos feitos, fundou nas faldas da serra da Estrela uma quinta com o nome de Melo e nela deu principio a uma povoação, correndo o ano de 1204, em que reinava D. Sancho I. No seguinte reinado, de D. Afonso II, foi este D. Soeiro nomeado alferes mor e um seu neto, D. Mem Soares de Melo foi feito senhor de Melo e também alferes mor de D. Afonso III. Hoje é seu descendente e representante o senhor conde de Melo, décimo nono senhor de Melo.

Cresceu a povoação e D. Afonso V a fez vila; mas o seu foral foi-lhe dado por el rei D. Manuel, em 19 de Julho de 1515.

Apesar dos progressos do tempo é ainda hoje uma pequena povoação que não chega a contar mil almas. Tem uma só paroquia, da invocação de Santo Isidoro, igreja da Misericórdia, hospital e cinco ermidas.

A sua posição, muito arredada dos portos de mar, dos grandes centros comerciais e até mesmo das principais estradas do reino, a falta absoluta de comunicações fáceis, são as causas que têm obstado ao desenvolvimento desta vila, porquanto o seu território é muito produtivo e adaptado para culturas muito lucrativas.

Assentada entre duas fresquíssimas ribeiras, possui esta vila lindos arrabaldes, pois que lindos são todos os vales da serra da Estrela, pela pomposa vegetação que neles entretêm em todas as estações do ano, os infinitos arroios, torrentes e rios que se desprendem do alto dos serros ou que rebentam da raiz da montanha.

Cereais, legumes, frutas e vinho, são as produções comuns do termo desta vila. Mas o principal ramo da sua industria agrícola consiste na criação de gado de diversas espécies, para o que tem magnificas e abundantissimas pastagens.

A vila de Melo tem por brasão de armas o escudo das armas reais de Portugal, colocadas entre duas árvores verdes, cada uma com um melro em cima.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Melo é uma freguesia do concelho de Gouveia 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

História de Linhares da Beira e imagem de 1860 do antigo brasão


História de Linhares da Beira e imagem de 1860 do antigo brasão


VILA DE LINHARES

Na província da Beira Alta, quatro léguas a oeste da cidade da Guarda, está a vila de Linhares, assentada nas faldas da serra da Estrela, mas em terreno bastante elevado.

Um dos nossos escritores, que mais se deram ao estudo das antiguidades pátrias, posto que aceitasse com pouco exame e menos escrúpulo todas e quaisquer opiniões, o padre Carvalho, na sua Corographia Portugueza, diz que esta povoação foi fundada pelos turdulos, quinhentos e oitenta anos antes do nascimento de Cristo e que se chamara Lento ou Leniobriga, corrupto hoje em Linhares. Avança mais, que no tempo dos godos, foi cidade episcopal; que se arruinou depois e que el rei D. Afonso III de Leão a mandou reedificar pelos anos de 900.

Entretanto, sem que hajam fundamentos plausíveis para se ajuizar da sua fundação ou, pelo menos, dessa remota antiguidade que o referido autor lhe atribui, é certo que é uma povoação antiga, pois lhe deu foral el rei D. Afonso Henriques e parece que a fez povoar de novo.

Quando o nosso rei D. Fernando casou a sua filha legitimada, D. Isabel, com D. Afonso Henriques de Castela, conde de Gijon, filho natural de D. Henrique II, rei de Castela, deu-lhe em dote a vila de Linhares, que tornou poucos anos depois para a coroa.

El rei D. João III, por carta regia de 13 de Maio de 1532, fez conde de Linhares a D. António de Noronha, filho segundo do primeiro marquês de Vila Real e que também foi alcaide mor de Linhares, além de outros senhorios e empregos que teve.

Acabando este titulo pela extinção desta família, o príncipe regente D. João, mais tarde sexto do nome entre os nossos Reis, renovou o titulo de conde de Linhares na pessoa de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, conselheiro de estado e seu ministro de estado dos negócios estrangeiros e da guerra. Hoje é seu neto o terceiro conde.

Tem esta vila por brasão de armas um escudo com uma meia lua e cinco estrelas. Se se der credito à lenda popular, teve este brasão a seguinte origem. Correndo o ano de 1189, entraram pela província da Beira tropas leonesas e castelhanas, roubando e devastando as terras por onde passavam. Como se dirigissem sobre o castelo de Celorico, que sendo a principal fortaleza daqueles contornos, se acaso fosse tomada, ficariam todos aqueles povos inteiramente á mercê do inimigo, resolveram os moradores de Linhares ir em auxilio dos seus irmãos de Celorico. Chegou o socorro muito a propósito, porque também acabavam de chegar os invasores ás proximidades do castelo. Animados os da fortaleza com o inesperado reforço e impacientes por tirar vingança de tantos danos e afrontas, não quiseram esperar pelo acometimento do inimigo. Saíram a campo nessa mesma noite e com tão grande denodo se houveram e tal foi a sua fortuna, que puseram os adversários em completo destroço, fugindo covardemente e deixando no arraial todas as bagagens e avultado numero de mortos e prisioneiros. Em memoria de tão assinalada façanha, tomaram os vencedores para brasão de armas das suas respectivas vilas de Celorico e de Linhares, um escudo com a meia lua e cinco estrelas, porque as estrelas e a lua, no seu crescente alumiando-lhe o caminho, os ajudaram a ganhar a vitoria.

É Linhares uma pequena vila, que apenas conta um milhar de habitantes. Tem uma só paroquia dedicada a Nossa Senhora da Conceição; casa da Misericórdia e hospital e diversas ermidas. Ainda conserva o seu antigo castelo, com duas torres e duas portas, edificado sobre altos rochedos.

Tanto a vila como os arrabaldes são abastecidos de muita e excelente agua, pois que na primeira, além de varias fontes particulares, há quatro chafarizes, um dos quais é de boa arquitectura, e uma levada de agua que pode lavar todas as ruas e que rega no verão muitas fazendas dos subúrbios. São estes bastante arborizados. Só um souto de belas árvores, que é da câmara, tem uma légua de comprimento e meia de largura.

O clima é mui frio mas muito saudável. O termo produz cereais, vinho, algum azeite e boas frutas. Cria-se nele bastante gado de diferentes espécies e muita variedade de caça.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Linhares é uma freguesia portuguesa do concelho de Celorico da Beira 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

História da Cidade da Guarda e imagem de 1860 do antigo brasão


História da Cidade da Guarda e imagem de 1860 do antigo brasão


A CIDADE DA GUARDA

Quando todo o solo da península era um campo de batalha, nessa guerra porfiosa que os cristãos travaram com os agarenos, até os repulsarem para África, mandou o nosso rei D. Sancho I, logo no começo do seu reinado, construir uma torre num lugar eminente nas faldas do norte da serra da Estrela. Não era uma fortaleza para sustentar combates, mas simplesmente uma atalaia de onde se descobriam muitas terras de moiros e, por conseguinte, de onde se podiam vigiar todos os seus movimentos.


Como o sitio tivesse capacidade para mais vastas edificações e el rei D. Sancho reconhecesse quanto convinha levantar ali um posto de guerra, que impusesse respeito ao inimigo, tratou-se da fundação de um castelo e, em seguida, de uma cidade fortificada junto á fortaleza.

A 26 de Novembro de 1199, concedeu aquele monarca á nova povoação o foral de cidade, com muitos privilégios, dando-lhe o nome de Guarda, em memoria da torre que primeiro edificara. A esta espécie de torres dava-se indistintamente o nome de atalaias ou guardas.

O mesmo soberano lhe alcançou a dignidade episcopal por bula do papa Paulo III. Pelos anos de 1202, fez dela doação ao conde D. Fernando. Porém, em Janeiro do ano seguinte, achava se já de posse deste senhorio, em recompensa de serviços, Pedro Viegas de Tavares. El rei D. Manuel fez duque da Guarda a seu filho, o infante D. Fernando. A alcaidaria mor desta cidade, andava na casa dos condes de Sarzedas, tendo sido o primeiro alcaide mor Pedro Pais de Matos.

No antigo regímen gozava esta cidade da prerogativa de mandar procuradores ás cortes, os quais tomavam assento no banco segundo. Tem por brasão de armas um escudo, coroado e nele uma fortaleza de prata com três torres em campo azul, tendo na torre do meio o escudo real só com as quinas.

Está pois situada a cidade da Guarda nas faldas da serra da Estrela, para o lado do norte, em terreno plano, mas bastantemente elevado. Duas grandes quebradas separam a cidade dos terrenos circunivizinhos. Pela do ocidente, que forma um profundo vale, corre o Mondego, que nasce perto dali, na serra donde se precipita para o vale. Pela outra quebrada, passa o pequeno rio Noéme, que, unindo-se depois ao Lamegal, vai juntar-se ao Coa.

Quase nos limites da província da Beira Baixa, dista seis léguas da fronteira de Espanha, doze da cidade de Castelo Branco e cinquenta de Lisboa.

Dividem-se os moradores por cinco paroquias que são: a Sé, S. Vicente, S. Pedro, Santiago e Nossa Senhora do Mercado. A Sé, como todas as catedrais do reino, é dedicada a Nossa Senhora da Assunção. A primeira igreja que serviu de Sé, foi começada por el rei D. Sancho I e concluída por D. Afonso II, sendo consagrada a S Gens. Pequena e de mesquinha fabrica, como eram em geral as construções na infância da monarquia, embora procedessem de fundação real, não passaram muitos anos sem que se reconhecesse a necessidade de edificar uma nova Sé. Querendo- se lugar mais desafogado, deu-se principio á obra num espaçoso terreiro, fora dos muros da cidade. Acabou-se de edificar, este segundo templo, no reinado de D. Pedro I. Foi feito pelas rendas do bispado e dizem que era grande e de boa arquitectura. Infelizmente teve ainda mais curta existência do que o primeiro, pois que no seguinte reinado, durante as guerras encarniçadas que rebentaram por vezes entre Portugal e Castela, o nosso rei D. Fernando I, mandou-o demolir, a fim de desafrontar as fortificações da cidade.

Em vão requereram os bispos, no resto do governo deste soberano, que lhes mandasse construir dentro da cidade outra Sé. As suas justas queixas só vieram a ser atendidas daí a bastantes anos, reinando já havia muitos D. João I, que alfim determinou começar a obra segundo a planta que enviou. Correram as obras tom largas interrupções, ora por impulso real, ora por conta da mitra, pelo espaço de mais de um século, até que se lhe pôs o ultimo remate no tempo del rei D. João III.

É uma das mais vastas e sumptuosas catedrais de Portugal. É de bela arquitectura gótica, exteriormente construída de boa pedra e no interior ornada de mármores e obra de talha doirada de muito primor.

Os outros edifícios principais da cidade são: o paço do bispo, a igreja e hospital da Misericórdia, o seminário episcopal, fundado em 1595 pelo bispo D. Nuno de Noronha, filho dos condes de Odemira; o extinto convento de frades franciscanos, levantado em 1217; outro de religiosas da mesma ordem, fundação muito posterior; e oito ermidas.

Das antigas fortificações existem as muralhas da cidade, com seis portas e varias torres e, na parte mais alta da povoação, o velho castelo.

Desfruta esta cidade um clima muito saudável, posto que no inverno excessivamente frio, pela muita neve que aí cai e de que se cobre a serra vizinha. Mas em compensação, numerosas nascentes de mui boas e fresquíssimas águas, abastecem abundantemente a cidade e regam todo o seu termo, fazendo-o muito fértil em milho, centeio, legumes, hortaliças, frutas e algum vinho. Porém as suas pastagens, que são magnificas e onde se cria grande quantidade de excelente gado de diversas espécies, constituem o principal ramo da sua industria agrícola. É muito importante o seu comercio de exportação de gados, lãs, queijos e manteiga.

Tem tido ali notável desenvolvimento a cultura da amoreira, pelo que tem aumentado e prosperado muito a criação do bicho da seda e fiação deste produto, em que as mulheres se empregam quase exclusivamente.

A população da Guarda pouco passa de quatro mil habitantes. A 25 de Junho tem uma feira anual mui concorrida.

A serra da Estrela, povoada de muita diversidade de caça e com as suas celebradas lagoas, vistosas cascatas, grutas e rochedos singulares, faz mui curiosas e pitorescas as cercanias da cidade da Guarda.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelos Censos 2011 a Guarda conta com 42 460 habitantes

Freguesias da Guarda

Adão, Albardo, Aldeia do Bispo, Aldeia Viçosa, Alvendre, Arrifana, Avelãs da Ribeira, Avelãs de Ambom, Benespera, Carvalhal Meão, Casal de Cinza, Castanheira, Cavadoude, Codesseiro, Corujeira, Faia, Famalicão, Fernão Joanes, Gagos, Gonçalo, Gonçalo Bocas, João Antão, Maçainhas, anteriormente Maçainhas de Baixo, Marmeleiro, Meios, Mizarela, Monte Margarida, Panóias de Cima, Pega, Pêra do Moço, Pêro Soares, Porto da Carne. Pousada, Ramela, Ribeira dos Carinhos, Rocamondo, Rochoso, Santana da Azinha, São Miguel da Guarda (Guarda), São Miguel de Jarmelo, São Pedro de Jarmelo, São Vicente (Guarda), Sé (Guarda), Seixo Amarelo, Sobral da Serra, Trinta, Vale de Estrela, Valhelhas, Vela, Videmonte, Vila Cortês do Mondego, Vila Fernando, Vila Franca do Deão, Vila Garcia, Vila Soeiro

domingo, 9 de outubro de 2011

História de Gouveia e imagem de 1860 do antigo brasão



História de Gouveia e imagem de 1860 do antigo brasão

A VILA DE GOUVEIA

Na província da Beira, cinco léguas oeste da cidade da Guarda, está edificada a vila de Gouveia, na falda ocidental da serra da Estrela, mas em lugar um pouco elevado.

É muito anterior á fundação da monarquia e como tal tem a sua origem envolvida em fabulas, ou pelo menos muito duvidosa. O autor da Corographia Portugueza diz que foi povoada pelos turdulos, quinhentos e oitenta anos antes do nascimento de Cristo e que estes lhe chamavam Gauve, de onde se derivou por corrupção o nome de Gouveia.

Tendo-se curvado com as mais terras da Lusitânia ao jugo dos moiros no século VIII, foi conquistada em 1038 por D. Fernando Magno, rei de Leão e Castela. No meio das continuas guerras travadas entre os campeões da cruz e os filhos de Agar, arruinou-se completamente e neste estado se achava no ano de 1186, em que o nosso rei D. Sancho I a mandou reedificar, concedendo-lhe muitos foros e privilégios, com o fim de lhe atrair moradores.

No tempo da usurpação de Castela el rei D. Filipe II fez marquês de Gouveia a D. Manrique da Silva, conde de Portalegre. Desde então tomou a vila por seu brasão, as armas dos Silvas, que são, em campo de prata, um leão de purpura, armado de azul e por timbre o mesmo leão.

São duas as paroquias da vila: S. Pedro e S. Julião. Tem casa de Misericórdia, hospital, cinco ermidas e o edifício do extinto convento do Espírito Santo, que foi de frades franciscanos.

Pelo meio da povoação passa uma pequena ribeira que nasce nos montes vizinhos. Os arrabaldes são muito acidentados e pitorescos. O termo é de grande produção, como todos os terrenos vizinhos da serra da Estrela. Recolhe cereais, vinho, azeite e frutas e, como abunda em magnificas pastagens, a criação de gado é aí muito importante.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Gouveia conta com 14 089 habitantes

Gouveia é uma cidade do Distrito da Guarda

Freguesias de Gouveia

Aldeias, Arcozelo, Cativelos, Figueiró da Serra, Folgosinho, Freixo da Serra, Lagarinhos, Mangualde da Serra, Melo, Moimenta da Serra, Nabais, Nespereira, Paços da Serra, Ribamondego, Rio Torto, São Julião (área urbana de Gouveia), São Paio, São Pedro (área urbana de Gouveia), Vila Cortês da Serra, Vila Franca da Serra, Vila Nova de Tazem, Vinhó

sábado, 1 de outubro de 2011

Imagens Milagrosas de Nossa Senhora em Portugal : Jarmelo, Guarda



Imagens Milagrosas de Nossa Senhora em Portugal : Jarmelo, Guarda

Nossa Senhora da Alagoa, que se venera na Freguesia de Argomil, termo da vila de Jarmelo, duas léguas distante da cidade da Guarda, é uma Imagem que apareceu a uma Pastorinha e obra tantos prodígios, especialmente aos que padecem o achaque da gota coral e gota podraga, que é a sua Igreja um dos mais frequentados Santuários de toda a Província da Beira.

Imagens Milagrosas de Nossa Senhora em Portugal : Açores, Celorico da Beira


Imagens Milagrosas de Nossa Senhora em Portugal : Açores, Celorico da Beira

Nossa Senhora dos Açores é venerada na vila do mesmo nome. Esta imagem é muito antiga e milagrosa ainda no tempo dos Godos, fazendo a um Rei daquele tempo muitos prodígios, que foram dar-lhe um sucessor, ressuscitá-lo depois de morto e trazer-lhe à mão um falcão, que ele estimava muito.

Reinando em Portugal D. Sancho I, foi esta Senhora a causa de conseguir El Rei uma grande vitória contra o rei de Leão, fazendo a maravilha de, tendo-se posto já o Sol quando começou a batalha e durando o conflito algumas horas, não houve falta de claridade para acabar de vencer, vendo-se a Lua e nas estrelas mais luz do que é costume; e como esta maravilha foi claramente conseguida por intercepção da Senhora, a que El Rei e o exército imploraram, fizeram votos de ir todos os anos à Igreja celebrar obsequiosos o favor recebido.

De facto ainda o cumprem (século 18) a vila de Trancoso e os Concelhos de Algodres, e Fornos, na primeira Oitava do Espírito Santo; Linhares na terceira Oitava; Celorico a 3 de Maio; e a cidade da Guarda na primeira Oitava da Pascoa.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Imagens Milagrosas em Portugal - Valhelhas, Guarda



Imagens Milagrosas em Portugal - Valhelhas, Guarda

Venera-se no Convento Franciscano de Valhelhas, três léguas distante da cidade da Guarda, a milagrosa imagem do Bom Jesus, em cuja Capela se vê pendurada uma tábua que relata a história da sua prodigiosa descoberta, no ano de 1502, por um piedoso Pastor, o qual, observando que o seu gado se detinha demoradamente numa lapa, querendo desviá-lo, ouviu uma voz que o chamava pelo seu nome e, caminhando para aquela parte, foi dar com a Santa Imagem de masgestoso aspecto.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

História de Celorico da Beira e brasão antigo (imagem de 1860)


História de Celorico da Beira e brasão antigo (imagem de 1860)


A VILA DE CELORICO DA BEIRA

Na província da Beira, junto á serra da Estrela e três léguas ao ocidente da cidade da Guarda, está situada a antiquíssima vila de Celorico, em lugar alto.

Da sua fundação não há noticia certa, pois se deve ter por fabulosa a que lhe assinam alguns dos nossos antiquários, que tomaram a palavra brigo, em que terminavam os nomes das idades anteriores ou do tempo da dominação romana, pelo nome de um suposto rei de Hespanha, atribuído a épocas inteiramente desconhecidas ou de que há apenas mui confusas noticias.

Como Celorico se chamou em antigas eras Celiobriga, tiraram daqui argumento, os escritores a que nos referimos, para lhe darem por fundador Brigo, rei de Hespanha, que dizem reinara no ano de 1890 antes do nascimento de Cristo. Muitas razões, porém, levam a crer que essa palavra brigo designava, na língua dos antigos lusitanos, cidade ou povoação, como nos primeiros tempos da monarquia portuguesa se dava o nome de burgo ás povoações que se iam levantando junto dos castelos ou dos mosteiros, nome que depois se aplicou aos arrabaldes das cidades e vilas.

Partindo pois de épocas mais conhecidas na historia, diremos que a terra de que nos ocupamos já existia sob o domínio dos romanos, chamando-se então Celiobriga.

Nas invasões que a Lusitânia padeceu quando acabou aquele domínio, Celiobriga foi a seu turno destruída e reedificada. Nestas diversas transformações parece que se corrompeu o seu nome vindo a ser denominada Corrorico.

Passado apenas meio século depois que D. Afonso Henriques fundara, nos plainos de Campo de Ourique, a monarquia portuguesa, veio um exercito de castelhanos e leoneses pôr cerco ao seu castelo no ano de 1187. D. Gonçalo e D. Rodrigues Mendes, filhos do conde D. Mendo, que eram alcaides mores deste castelo por el rei D. Sancho I, acometeram de noite os sitiadores, e auxiliados pelo sobressalto de tão repentino e inesperado ataque e pela claridade da lua que, apesar de ser nova lhes alumiava suficientemente o Campo, venceram e desbarataram completamente os inimigos. Por esta acção tomaram por brasão de armas o castelo e a vila um escudo com uma meia lua e cinco estrelas.

Pelos anos de 1245, tendo sido deposto do trono el rei D. Sancho II, e sendo chamado ao governo do reino, com o titulo de governador ou regente, seu irmão, o infante D. Afonso, que era conde de Bolonha pelo seu casamento com D. Matilde, condessa soberana daquele estado, veio este príncipe cercar o castelo de Celorico, porque o seu alcaide mor, D. Fernando Rodrigues Pacheco, que o tinha por D. Sancho II, o não queria entregar. Durou o cerco muitos meses e, estando castelo para se render pela fome, foi salvo por astucia de D. Fernando, e por meio de uma truta que uma águia deixou cair sobre o mesmo castelo. Este sucesso foi causa de que se acrescentasse ao brasão de armas um castelo, tendo por cima uma águia com uma truta nas garras.

Querem alguns autores, que do zelo com que foi defendido este castelo nestes dois cercos, se principiou a denominar a terra Zelo Rico, de que se derivou por corrupção o de Celorico.

El rei D. Manuel deu lhe foral de vila, acrescentando-lhe os privilégios que lhe havia dado D. Afonso II.

Na curta guerra que houve entre Portugal e Espanha, reinando el rei D. José, foi tomada a vila de Celorico pelos espanhóis. em 1762. O senhorio desta terra andou em diversas famílias. Antes do reinado de D. Fernando, pertenceu a Martim Vasques da Cunha. Este soberano deu-a em dote a sua filha bastarda, D. Isabel, que casou em 1373 com o conde de Gijon, filho natural de D. Henrique II de Castela. El rei D. Manuel fez mercê deste senhorio ao primeiro conde de Portalegre, e vagando para a coroa pela extinção desta família, deu-o D. Pedro II a André Lopes de Lavre.

A vila de Celorico tem três paroquias intituladas: Santa Maria, que é Colegiada; S Martinho e S Pedro. O templo da segunda é de fabrica muito antiga. Foi fundado pelos templários no ano de 1302. O de S. Pedro tem a mesma origem, com a diferença de alguns poucos anos de menos.

A casa e hospital da Misericórdia foram instituídos no reinado de D. João III, numa igreja que já existia e fora por muitos anos paroquia com a invocação de Santo André. Na vila e nos subúrbios há nove ermidas e umas oito fontes.

Os arrabaldes de Celorico possuem alguns sítios de muita beleza e amenidade. O Mondego fertiliza os seus campos e fornece algum peixe. O termo produz cereais, legumes, frutas, azeite e algum vinho, e cria-se nele bastante gado e caça.

Celorico tem uns mil e setecentos habitantes.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Celorico da Beira tem 7695 habitantes

Celorico da Beira é uma vila do Distrito da Guarda

Freguesias de Celorico da Beira

Açores, Baraçal, Cadafaz, Carrapichana, Casas do Soeiro, Cortiçô da Serra, Fornotelheiro, Lajeosa do Mondego, Linhares, Maçal do Chão, Mesquitela, Minhocal, Prados, Rapa, Ratoeira, Salgueirais, Santa Maria, São Pedro, Vale de Azares, Velosa, Vide Entre Vinhas, Vila Boa do Mondego

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em CELORICO DA BEIRA

PS: 53,2% - 3 mandatos
MAJUSP: 22,1% - 1 mandato
PSD/CDS: 21,2% - 1 mandato

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Celorico da Beira

PS - JOSÉ FRANCISCO GOMES MONTEIRO
PS - JOSÉ LUÍS SAÚDE CABRAL
MAJUSP - JÚLIO MANUEL DOS SANTOS
PPD/PSD . CDS-PP - VICTOR MARTINS SANTOS
PS - MARIA JOSÉ MARQUES COSTA

História de Castelo Rodrigo e antigo brasão (imagem de 1860)



História de Castelo Rodrigo e antigo brasão (imagem de 1860)

A VILA DE CASTELLO RODRIGO

Está edificada esta pequena vila e antiga praça de armas em lugar alto e forte por natureza, na província da Beira, comarca de Trancoso, de onde dista sete léguas para o nordeste, e três da cidade de Pinhel para o nor-nordeste.

Os nossos antiquários fazem derivar a sua fundação dos turdulos, quinhentos anos antes da era cristã. Pondo de parte estas opiniões, ordinariamente faltas de bom fundamento, e partindo de épocas menos remotas e mais conhecidas, diremos que, achando-se aquela povoação quase inteiramente arruinada e abandonada dos seus moradores, em tempo del rei D. Dinis, este monarca a mandou reedificar e povoar em 1296. Por essa ocasião aí fez construir para sua defensa um forte castelo.

A proximidade em que se acha esta povoação da fronteira espanhola. foi causa de padecer tantos danos nas guerras que se atearam entre os dois países em diversas épocas, mas principalmente no reinado de D. Fernando e no começo do de D. João I, que outra vez chegou a deplorável estado de ruína, em tempo del rei D. Manuel, que a restaurou e lhe deu foral pelos anos de 1509.

Quando Filipe II, de Castela, se viu senhor de Portugal, pela força das armas e talvez ainda mais pelas perfidias e traições de alguns desnaturados portugueses, galardoou os serviços que lhe prestou D. Cristóvão de Moura, com o titulo de conde de Castelo Rodrigo. Filipe III elevou este mesmo titulo a marquesado.


Em Julho de 1664 veio pôr- lhe sitio o duque de Ossuna com um exercito espanhol. E no dia 6 desse mês e ano, foram os sitiantes derrotados e levantado o cerco pelo exercito português, comandado pelo primeiro visconde de Fonte Arcada.

A vila de Castelo Rodrigo está situada sobre um monte, estendendo-se para o lado do sul. É cercada de muros com treze torres. O seu castelo merece ser visitado pelos curiosos de antiguidades. Tem duas portas, chamadas do Sol e de Alverca. No centro ergue- se a torre de menagem, de muita altura, toda de cantaria, de forma quadrada, com seis grandes janelas. Dentro deste Castelo vê-se ainda o palácio arruinado que ali mandou construir D. Cristóvão de Moura, o primeiro conde e primeiro marquês de Castelo Rodrigo, que era obra de boa arquitectura. Junto á porta da Alverca, da parte de dentro, há um poço bem construído, de bastante profundidade e abundante de agua potável. E no sitio denominado Alvaca, também no interior da fortaleza, existe uma cisterna aberta na rocha e com sessenta e três degraus.

Tem esta vila uma única paroquia da invocação de Nossa Senhora do Roque Amador, que está situada no meio da povoação. Tem hospital e casa de Misericórdia e três ermidas.

Nos arrabaldes há varias fontes de que se abastece a vila e que regam algumas hortas e pomares. O termo é extenso e produz cercais, algum vinho, muitas pastagens, onde há criação de gado e abundância de caça. O rio Aguiar que o banha e que vai desaguar no Douro, fornece alguma pesca.

A um quarto de légua da vila está o antigo edifício do extinto mosteiro de Santa Maria da Torre de Aguiar, fundação de D. Afonso Henriques, e que pertenceu aos monges de S. Bernardo. Foi um santuário ao qual concorriam outrora muitas romarias. Na igreja está a sepultura do celebre cronista mor do reino, frei Bernardo de Brito.

Castelo Rodrigo, hoje de bem pouca importância e com uma população diminutissima, na antiga organização do país, tinha voto em cortes, com assento no banco décimo primeiro.

O seu brasão de armas é um escudo com as armas reais ao revés, a parte superior para baixo. Foi um dos castigos que infligiu a esta vila el rei D. João I, porque os seus habitantes, seguindo o partido de D. Beatriz, filha do nosso rei D Fernando e mulher de D. João I de Castela, na guerra da sucessão, recusaram dar entrada àquele soberano quando por ali passou em direcção á praça de Chaves.

Dizem que a vila tomou o nome do seu castelo e do seu primeiro alcaide mor, chamado Rodrigo. Andava este cargo na família dos viscondes de Fonte Arcada.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

***
Castelo Rodrigo é uma freguesia portuguesa do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo,

Pelo Censos 2011 Figueira de Castelo Rodrigo conta com 6259 habitantes

Freguesias de Figueira de Castelo Rodrigo

Algodres • Almofala • Castelo Rodrigo • Cinco Vilas • Colmeal • Escalhão • Escarigo • Figueira de Castelo Rodrigo • Freixeda do Torrão • Mata de Lobos • Penha da Águia • Quintã de Pêro Martins • Reigada • Vale de Alfonsinho • Vermiosa • Vilar de Amargo • Vilar Torpim


Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em FIGUEIRA DE CASTELO RODRIGO

PSD: 55,4% - 3 mandatos
PS: 40,5% - 2 mandatos

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Figueira de Castelo Rodrigo

PPD/PSD - António Edmundo Freire Ribeiro
PS - Carlos Alberto Nunes Panta
PPD/PSD - Arelindo Gonçalves Farinha
PS - José Manuel Maia Lopes
PPD/PSD - Sandra Monique Beato Pereira


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

História de Almeida e imagem do antigo brasão de 1860


História de Almeida e imagem do brasão de 1860


Atribui-se a fundação desta vila aos moiros. e segundo os nossos antiquários chamavam- lhe eles Talmayda ou Talmeida, de onde provém, por corrupção, o seu nome de Almeida.

A palavra Talmayda, na opinião destes últimos, significava mesa e era uma alusão ao sitio perfeitamente plano em que a vila fora edificada, nesta sua primeira fundação. Era este sitio num campo próximo da actual povoação, para o lado do norte, no vale agora chamado o Enxido da Sarça.

Posto que aquela etimologia seja seguida por todos os nossos escritores, fundando-se na opinião do cronista mor frei Bernardo de Brito. que fundou a sua numa escritura antiga que dava a vila de Almeida o nome de Talmeida. parece-nos, apesar de tudo isto, mais provável que o nome desta vila se derive da palavra Âtmeidan, que quer dizer campo ou lugar de corrida de cavalos. A predilecção que os árabes tinham por este divertimento, o assento plano da primitiva povoação e das suas imediações, podem dar algum fundamento a esta nossa opinião. Como a escritura a que se refere frei Bernardo de Brito é em latim (e diz Per Villam Turpini Talmeida etc) não admira, que ali se estropiasse a palavra Atmeidan, quando naquelas eras se estropiaram os próprios vocábulos portugueses, acontecendo amiúde verem-se alguns destes escritos de diferente modo por autores contemporâneos.

Conquistada por el rei D. Fernando Magno, primeiro de Castela, recuperada depois pelos sarracenos e finalmente outra vez tomada pelo nosso rei D. Sancho I, padeceu tais estragos e devastações nestas guerras e nas que ainda se seguiram até á completa expulsão dos moiros do território de Portugal, que no reinado de D. Dinis achava se inteiramente arruinada e despovoada. Foi então que este monarca resolveu reconstrui-la, ou diremos melhor funda-la de novo no lugar aonde ao presente a vemos. Das ruínas da antiga povoação mandou vir el rei D. Dinis os materiais, tanto para a edificação das casas, como para a fundação do castelo que aí levantou no lugar mais alto.

As continuas dissensões entre Portugal e Espanha, trouxeram a necessidade de se fortificar melhor aquela vila, tão próxima da fronteira. Assim pois, guarnecendo-a de muralhas com cinco redutos e outros tantos revelins, fossos, caminhos cobertos, esplanadas, quartéis, armazéns, etc., fizeram dela uma das principais praças de guerra de Portugal. O velho castelo de S. Dinis, reconstruído por el rei D. Manuel, e depois ainda melhorado, ficou servindo de cidadela. Danificou-o muito um raio que nele caiu no século passado (18), mas foi logo reparado.

Depois de constituída em praça de armas, Almeida tem sido teatro de acontecimentos mais ou menos notáveis em todas as guerras que o nosso país tem tido com Espanha e com a França. Não permitindo os limites deste artigo que entremos em miúdas descrições, referiremos somente os sucessos principais.

Na guerra entre Espanha e Portugal, declarada em 15 de Junho de 1762, vindo sobre Almeida uma parte do exercito invasor, sob o comando do conde de O' Reilli, viu-se esta praça forçada a entregar-se por capitulação em 25 de Agosto desse mesmo ano. Fazendo-se a paz em 10 de Fevereiro do ano seguinte, foi restituída á coroa portuguesa.

Na terceira invasão dos franceses, em 1810, o exercito de que era comandante em chefe o marechal Massena, veio pôr cerco a Almeida em 10 de Agosto, e dezassete dias depois, tendo sido destruídos por uma grande explosão os armazéns da pólvora e parte das obras de defesa, rendeu-se a praça por capitulação. Porém em 10 de Maio de 1811, quando o exercito de Massena ia em retirada, acossado pelas forças aliadas de Portugal e Grã-Bretanha, comandadas pelo duque de Wellington, a guarnição francesa de Almeida, sem esperar que a fossem atacar, saiu e escapou-se por entre os aliados, que tomaram posse da praça no dia seguinte.

No triste quadro das nossas lutas civis, foi Almeida o principal teatro da revolução, que tendo principio em Torres Novas no ano de 1844, foi acabar alguns meses depois dentro daquela praça, que por essa ocasião padeceu um cerco.

Está situada a vila de Almeida na província da Beira, em chão plano mas alto, distante três léguas da cidade de Pinhel, seis da cidade da Guarda, e junto á fronteira de Espanha. Na distância de um quarto de légua, corre o rio Côa, que já aí leva bom volume de agua com bastante peixe.

Tem uma só paroquia da invocação de Nossa Senhora das Candeias, fundada dentro do antigo Castelo, a qual é um bom templo de três naves. O hospital e casa da misericórdia foram edificados no fim do século XVII, concorrendo para esta obra a rainha D. Catarina, filha do nosso rei D. João IV e viúva do rei de Inglaterra Carlos II.

Possui esta vila um hospital militar e casa de alfandega, e teve um convento de freiras da terceira ordem de S. Francisco, intitulado Nossa Senhora do Loreto, que foi modernamente suprimido. A sua população regula por uns mil e duzentos habitantes, não contando a tropa da guarnição da praça.

Esta terra é abastecida de boas águas e farta de óptimas frutas e hortaliças, que lhe fornecem as hortas e quintas dos seus arrabaldes. Nestes, a distancia de uma légua, existe uma ermida de Nossa Senhora do Mosteiro, que segundo a tradição, foi igreja de um convento de templários. D. João II, reedificando-a, pôs-lhe o escudo das armas reais sobre a cruz d Avis, de que era grão mestre. A reconstrução, feita no começo do século passado (18), despojou-a de todos ou de quase todos os vestígios da sua muita antiguidade.

Por um uso imemorial, costumavam ir a câmara, o pároco e cleresia da vila e dos lugares vizinhos, em procissão, todos os sábados de Março, o de Ramos, e na segunda feira de Prazeres, á ermida de Nossa Senhora do Mosteiro, onde faziam festa com sermão. Não sabemos se ainda dura este uso.

O castelo, como dissemos, fica na parte mais elevada, dominando não só a vila, mas uma grande extensão de terras. Avistam-se daí os territórios de onze bispados de Portugal e Espanha. Entre outras povoações portuguesas que dali se descobrem, mencionaremos como mais importantes, a cidade da Guarda, e as vilas de Castelo Rodrigo, Castelo Bom e Trancoso.

A meia légua da vila, e junto ao rio Côa, há uma fonte de águas sulfúricas chamada a Fonte Santa, á qual concorrem com proveito muitos enfermos daquelas vizinhanças.

Nas modernas tabelas dos mercados e feiras que há no reino, não vemos figurar Almeida; entretanto, achamos noticias de que ainda não há muitos anos, tinha um mercado bem provido nos primeiros domingos de cada mês, e uma feira de três dias em 1 de Setembro, que anteriormente se fazia em Maio.

As armas d Almeida são um escudo com as armas reais, sendo a coroa destas aberta ao uso antigo e, ao lado, a esfera armilar, divisa del rei D. Manuel que foi quem lhe deu este brasão.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos de 2011, Almeida possui 7210 habitantes


Almeida é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito da Guarda.



Freguesias de Almeida


Ade, Aldeia Nova, Almeida, Amoreira, Azinhal, Cabreira, Castelo Bom, Castelo Mendo, Freineda, Freixo, Junça, Leomil, Malhada Sorda, Malpartida, Mesquitela, Mido, Miuzela, Monte Perobolço, Nave de Haver, Naves, Parada, Peva, Porto de Ovelha, São Pedro de Rio Seco, Senouras, Vale da Mula/Val de Lamula, Vale de Coelha, Vale Verde, Vilar Formoso.



Eleições Autárquicas - 11/10/2009




Votação por Partido em ALMEIDA


PSD/CDS - 3101/52% - 3 mandatos
PS - 2520/ 42,4% - 2 mandatos




Candidatos Eleitos pelo Circulo: Almeida


PPD/PSD - CDS-PP - ANTÓNIO BAPTISTA RIBEIRO
PS- ORLINDO BALCÃO VICENTE
PPD/PSD - CDS-PP - JOSÉ ALBERTO ALMEIDA MORGADO
PS - CARLOS ALBERTO MAIA PEREIRA
PPD/PSD - CDS-PP - ANTÓNIO JOSÉ MONTEIRO MACHADO

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portugal - Eleições 2011 - Resultados Guarda


Resultado das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011 - Guarda

PSD - 46,32%, 3 deputados (Em 2009: 35,57%, 2 deputados)
Deputados eleitos pelo PSD na Guarda: Manuel M. Martins, António Peixoto, Ângela Guerra

PS - 28,31%, 1 deputado (Em 2009: 35,97%, 2 deputados)
Deputado eleito pelo PS na Guarda: Paulo Campos

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

História: da Comarca da Guarda em 1755



História

Cidade da Guarda em 1755


Comarca da Guarda 

Cincoenta e cinco legoas distante da Cidade de Lisboa foy fundada a Capital desta Comarca por El Rey D. Sancho I, dando-lhe foral pelos annos de 1197, na parte mais oriental e plana da serra da Estrella, em clima salutifero e terreno fértil. Foy de differentes Senhores Donatários nos tempos antigos, e ultimamente a teve com titulo de Ducado o Infante D. Fernando filho do Senhor Rey D. Manoel, por cuja morte se tornou a unir á Coroa. Tem voto em Cortes com assento no banco segundo, e he povoada por muita e antiga nobreza, com cinco Freguezias, que são a Sé, N. S. do Mercado, S. Vicente, S. pedro e Santiago; tem mais, casa de Misericórdia com Hospital, e hum Convento de Religiosos  Franciscanos fundado em 1217 e outro de Religiosas da mesma Ordem.

A Igreja Cathedral he de custosa architetura, como todas as do seu fundador, que foy D. João o I, consta de sete Dignidades, Deão, Chantre, Mestre Escola, Arcediago do Bago, Arcediago de Celorico, e Arcediago da CoviIhã, e Tesoureiro-mór, e vinte e dous Cónegos, quatro meyos Cónegos e vinte e quatro Capellães. A Diecese tem trinta e cinco legoas de comprido e treze de largo, em que se contam duzentas e secenta Igrejas Parochiaes; a renda dos Bispos chega a trinta e cinco mil cruzados. O Papa Celestino á infancia delRey D. Sancho I a erigio em Bispado pelos annos de 1211. Os Prelados, que atégora a governaram foram cincoenta.

Nesta Comarca se comprehende a Villa de Covilhã, que tem voto em Cortes com assento no banco quarto; consta de vinte e oito Villas, e hum Couto, com cento e noventa e oito freguezias, vinte mil fogos e setenta mil almas e os Conventos seguintes:

O Convento de S. Francifco da Villa de Valhelhas.

O Convento de S. Francisco da Covilhã fundado em 1217.

O Convento da Madre de Deos de Freiras de S. Francisco, 1573.

O Convento de Capuchos da Soledade do Fundão,1553.

O Convento de S. Francisco da Villa de Gouvea.

O Convento de N. Senhora do Couto de Religiosas da Terceira Ordem no termo de Gouvea fundado em 1539.





Descripçam corografica do reyno de Portugal, 1755

História da Comarca de Pinhel em 1755



História

Pinhel em 1755

Comarca de Pinhel 

Em 40 gr. e 37 min. de latitude, 11 e 36 min. de longitude nas margens da Ribeira de Riba Pinhel, na descida de hum monte, está assentada a nobre Villa capital desta Comarca, em 60 legoas de distancia da Cidade de Lisboa. Foy fundada pelos Turdulos quinhentos annos antes da vinda de Christo. Depois foy destruida nas irrupçoens das naçoens barbaras, até que no anno 1179 a reedificou e deo foral ElRey D. Affonso Henriques, com grandes privilegios que lhe foram confirmados pelos Reys seus sucessores, e acerescentados com o motivo de haver resistido muitas vezes ás hostilidades dos Castelhanos, que a intentarão arruinar sem effeito, por ser a primeira praça forte de sua fronteira antes que se unissem a Portugal as terras de Ribacoa. ElRey D. Diniz accrescentou a fortaleza de seus muros com duas torres muito altas que na expugnação daquelles tempos eram de grande utilidade. Tem voto em Cortes com assento no banco nono, e os seus vizinhos se repartem em duas Freguezias a saber: S. Maria do Castello e S. Martinho, e extra muros as Parochias de S. André, do Salvador, e dai Santissima Trindade.

Tem muita, e antiga nobreza, que desfructa doze rendosos morgados e he abundante de pão, vinho, azeite, frutas, legumes, caça e gadosm Os edifícios públicos são casa de Misericordia, Hospital, hum Convento de Religiosos de Francisco, em que se venera o corpo inteiro de São Cayo Papa e Martyr, e nove Ermidas servidas com muito aceyo e adorno.

Hoje he esta Comarca das mais importantes do Reyno pelas muitas Villas fortes que comprehende; entre outras merecem particular memoria Almeida, Alfayates, e Castello Rodrigo, que tem voto em Cortes com assento no banco onze, e Trancoso, que goza da mesma com assento no banco oito, e pela fua abundância, fertilidade e riqueza, merece todo o cuidado e gasto, que os nossos Reys tiveram em a preservar dos insultos dos inimigos. Consta de duzentas e vinte e quatro Freguezias perto de vinte mil fogos, e de setenta mil almas, e dos Conventos seguintes:

Santa Clara Convento de Religiosas Franciscanas de Trancoso.

O Convento de Religiosos da mesma Ordem na mesma Villa.

O Convento de Religiosos da Terceira Ordem no termo de Pinhel fundado em 1460.

O Convento da Terceira Ordem de S. Francifco da Villa de São João da Pesqueira.

São Pedro das Águias Mosteiro de Monges Bernardos do termo da Villa de Paradella.

N. Senhora de Villares de Religiosos da Terceira Ordem no termo de Marialva.

Santa Maria de Aguiar de Religiosos de São Bernardo termo de Castello Rodrigo.




Descripçam corografica do reyno de Portugal, 1755