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sábado, 23 de março de 2013

Convívio - Leiria



Convívio Leiria: duas irmãs bem torneadinhas; a coelhinha russa (já temos coelho que chegue); só hoje e amanhã, loirinha greludinha, viciosa, peito 50 (tudo em grande); trintona cara de menina; quarentona beijoqueira, elegante e liberal; o nacional é que é bom, 40 anos; africana escurinha, quente, boa e apertadinha; travesti apertadinha toda nua, toda tua; duas amigas colombianas, uma loira outra morena, 20 rosas por uma, 30 pelas duas (promoção); angolana meiga, coxa grossa; travesti bomba, faz tudo o que as outras não fazem; nifetinha (sic) apertadinha, corpo danone com acessórios (de marca); travesti jovem mulatinha, mega dote; primeira vez, grávida, Babi, 21 anos, quentinha (1ª vez grávida ou primeira vez a emputar?); primeira vez de miúda elegante sem pressa; abelhinha sugadora, big bumbum, 20 rosas (suga pelo bumbum?); admirável doce portuguesa seios grandes, 20 rosas; portuguesa casada com marido ausente (debaixo da cama), peitão; duas amantes do amor, quentes e safadas, sem pressas; olá Jessica, 18 anos, 1m68 altura, 48kg (procura-se?), morena e mais a loira Biatriz, 20 rosas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

História de Peniche e imagem de 1860 do antigo brasão


História de Peniche e imagem de 1860 do antigo brasão


A VILA E PRAÇA DE PENICHE

Na costa da provincia da Estremadura, doze léguas ao noroeste de Lisboa, está edificada a vila e praça de guerra de Peniche. Ergue-se sobre rochas, na extremidade de uma pequena península que o oceano, no preamar das águas vivas, quase reduz ás condições de ilha. E parece fora de duvida, que era uma ilha há mil e novecentos anos e que nela se abrigaram os herminios, fugindo da serra da Estrela, onde habitavam, acossados pelas armas triunfantes de Júlio César.

Mantiveram-se firmes por um mês naquele inóspito lugar, que o mar e os rochedos defendiam. Mas afinal, apertados da fome, tiveram de render-se ao inimigo; Júlio César, contentando-se de sujeitar ao domínio de Roma os indomitos lusitanos, foi clemente e benigno com os vencidos. Segundo alguns autores, ficando na ilha todos, ou a maior parte dos herminios, aí deram principio á povoação que ao diante, vindo a unir-se a ilha ao continente por uma restinga de areia, se chamou Península, do que se derivou por corrupção o nome de Peniche.

Porém, conforme a opinião de outros escritores, os herminios voltaram para os seus antigos lares e a origem de Peniche é coeva com a fundação da monarquia ou pouco anterior. Seguindo o parecer destes, os primeiros povoadores de Peniche foram, ainda antes da vinda do conde D. Henrique a Portugal, os moradores da vizinha vila de Atouguia da Baleia que, atraídos da comodidade que o sitio oferecia para a pesca, aí começaram a construir cabanas.

D. Afonso Henriques foi auxiliado na conquista de Lisboa, como é sabido, por uma armada de cruzados que, nessa ocasião demandara o Tejo. Nas doações que fez de diversas terras, em recompensa daquele serviço, aos cruzados que quisessem ficar no país, coube aos irmãos D. Roberto e D. Guilherme Lacorne o território da Atouguia da Baleia e de Peniche. A estes estrangeiros deveram, pois, aquelas duas terras, senão a sua fundação, pelo menos um grande impulso na sua povoação e edificação.

Até ao fim do século XV a pesca era o emprego exclusivo dos seus moradores e emprego mui lucrativo, pela abundância e infinita variedade de peixes que frequentam aquela costa. Porém quando D. Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral, devassando novos mares, franquearam a Portugal as portas da Índia e do Brasil, aqueles ousados pescadores, pondo a mira em mais elevados lucros, armaram navios de alto mar e lá foram enriquecer-se e mais á sua terra natal no comercio desses novos e riquíssimos países.

Por este modo viu o século XVI engrandecer-se Peniche, até contar mais de mil fogos e de cinco mil habitantes. As humildes cabanas dos pescadores foram-se transformando em boas moradas de casas e as acanhadas ermidas em templos mais grandiosos.

Em 1609, D. Filipe III de Espanha, que então governava em Portugal, deferindo á suplica dos moradores e donatários de Peniche, que era o conde de Atouguia, D. João Gonçalves de Ataide, elevou esta povoação à categoria de vila.

El rei D. João III, que foi o primeiro dos nossos soberanos que principiou a fortificar a barra de Lisboa, foi também o primeiro que, reconhecendo a importância de Peniche para a defensa marítima do reino, aí mandou construir um reduto. E tal é a fortaleza natural desta posição que, ajudada apenas deste reduto, resistiu ao exercito inglês que ali desembarcou em 22 de Maio de 1589, para fazer valer a pretensão de D. António, prior do Crato, ao trono usurpado por Filipe II de Castela.

Logo depois da expulsão dos espanhóis e da aclamação de D. João IV, determinou este monarca fazer de Peniche uma praça de guerra. As novas obras de fortificação foram dirigidas pelo conde de de Atouguia, D. Jerónimo de Ataide. Estas foram ainda acrescentadas e melhoradas em 1809 e 1810, por ocasião da defensa do reino contra as invasões francesas.

Em 1671 mandou el rei D. Pedro II executar alguns trabalhos, com que se melhorou o porto Peniche.

El rei D. João V e D. João VI, sendo regente, honraram esta vila com a sua visita. O segundo aí passou oito dias, em 1806. Residiu no palácio dos governadores da praça.

As diversas causas que produziram a decadência do nosso comercio, actuando do mesmo modo sobre a vila de Peniche, foram empobrecendo a terra e reduzindo-a outra vez aos recursos da pesca e aos limitados produtos da sua industria agrícola e manufactora, reduziram também os seus moradores ao numero de três mil e trezentos, que ao presente encerra.

A vila está assentada parte em lugar plano, parte em terreno um pouco elevado. Tanto as ruas como as casas têm uma certa regularidade.

Dividem-se os moradores por três paroquias que se intitulam: Nossa Senhora da Ajuda, Nossa Senhora da Conceição e S. Pedro. Este ultimo templo é o maior e melhor. Duas fileiras de colunas de ordem toscana dividem a igreja em três naves. A igreja da Misericordia é notável pelo seu magnifico tecto, onde se vêem cinquenta e cinco quadros pintados a óleo em pano e representando os principais sucessos do Novo Testamento. A maior parte destes quadros são obra de Josefa de Ayala, aquela insigne pintora que tanta celebridade adquiriu sob o nome popular de Josefa de Óbidos, sua pátria.

Além da casa e hospital da Misericórdia há outro estabelecimento pio, criado em 1505 pelos marítimos, que o administram. É destinado a socorrer as viúvas e filhas destes. Intitula- se Casa ou capela do Corpo Santo.

Os outros templos da vila são: a bonita capela de Santa Barbara, que é o orago

Peniche é praça de guerra de primeira ordem e como tal tem guarnição de artilheiros e um destacamento de infantaria e costuma ser governada por um general. As fortificações, além da muralha que cerca toda a vila, compõem-se de seis baluartes, o forte da Luz, na extremidade do norte que domina o mar e o istmo e a cidadela, que se ergue na extremidade do sul, dominando também o porto, a esplanada e a própria praça. Na costa vizinha há de um e outro lado pontos fortificados. Na cidadela está o palácio do governador, quartéis, etc.

Esta pequena península forma duas enseadas, a do norte com pouco fundo e a do sul com suficiente profundidade para surgidouro de navios de pouca lotação, que aí acham abrigo contra as nortadas. Duas léguas para oeste do cabo de Peniche, estão as ilhas Berlengas.

Os subúrbios de Peniche são áridos, como é toda a costa da Estremadura. O istmo, que liga a península ao continente, é uma extensa praia de quatrocentas braças de norte a sul. O terreno da península, junto á vila, é cultivado e produz cereais, legumes, frutas e vinho, sendo este ultimo antes da moléstia das vinhas o seu principal produto.

Nas vizinhanças da vila encontram-se varias ermidas, o farol do Cabo de Carvoeiro e o edifício arruinado do convento do Bom Jesus, fundação de 1452, que foi de franciscanos, onde está o sepulcro do fundador, o ilustre vice rei da Índia, D. Luís de Ataide.

Fabricam-se em Peniche óptimas rendas, que exporta para as principais terras do reino.  As pescarias constituem o mais importante ramo do comercio desta povoação. Dão emprego a muitos barcos e braços e atraem á vila muita gente de longe e avultadas somas.

A vila de Peniche pertence á comarca das Caldas da Rainha e ao distrito administrativo de Leiria. Tem por brasão de armas uma caravela com S. Pedro e S. Paulo, um na proa e o outro na ré, sobre mar azul com ondas de prata.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelo Censos 2011 Peniche conta com 27 630 habitantes


Freguesias de Peniche

Ajuda, Atouguia da Baleia, Ferrel, São Pedro, Serra d'El-Rei, Conceição 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

História de Pedrógão Grande e imagem de 1860 do antigo brasão



História de Pedrógão Grande e imagem de 1860 do antigo brasão

A VILA DE PEDRÓGÃO GRANDE

Está situada esta vila no cume de uma alta serra, cuja raiz banham os rios Zêzere e Pera, na província da Estremadura, distrito administrativo de Leiria, a oito léguas noroeste da cidade de Tomar.

Diz a Corograpgia Portugueza, que foi fundada pelos Petronios romanos e que disto se acham memorias. O mesmo autor julga ver uma prova desta opinião no escudo das armas da vila, que são uma águia olhando para o sol e por baixo o rio Zêzere. É sabido que a águia era a insígnia do império romano.

Seja ou não verdadeira esta noticia, o que é certo é que esta terra já existia no domínio dos árabes, que se arruinou e despovoou durante as guerras travadas entre os cristãos e os infiéis e que el rei D. Afonso Henriques a mandou reconstruir e povoar de novo no ano de 1176. D. Pedro Afonso, filho natural daquele monarca, deu-lhe foral que ao diante foi confirmado e ampliado por el rei D. Afonso III. O senhorio desta vila andava na casa dos condes de Redondo.

Enquanto a corte teve o seu assento na cidade Coimbra, vinham muitas vezes os nossos Reis á vila de Pedrogão Grande recrear-se na caça, em que abundam aqueles sítios.

Há na vila uma paroquia consagrada a Santa Maria, igreja da Misericordia, hospital e sete ermidas.

As cercanias da vila são agradáveis e mui pitorescas, pelos arvoredos e penedias que guarnecem as encostas da serra, pelos amenos vales por onde correm os rios Zêzere e Pera, que fazem um quase cerco á montanha e, enfim, pela grande quantidade de fontes que nelas há, as quais não são menos, segundo dizem, de duzentas.

A um quarto de légua da vila está o edifício do extinto convento de Nossa Senhora da Luz, que foi de frades dominicos. Está edificado na parte mais íngreme e escabrosa do dorso da serra, entre fragas e arvoredos que parecem dependurados e prestes a despenharem-se sobre o Zêzere, que aí rola as suas águas por cima de rochas com medonho sussurro. Foi fundado o convento em 1476.

O termo é de muita fertilidade e produz todo o género de frutos, que mais geralmente se cultivam em o nosso país. É terra de muito gado e como acima dissemos, mimosa em infinita variedade de caça. O Zêzere fornece-a de algum peixe.

Pedrogão Grande possui uma vasta forja de ferro, que se extrai de uma mina próxima. A sua população é de duas mil e setecentas almas.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos de 2011 Pedrógão Grande conta com 3916 habitantes

Freguesias de Pedrógão Grande 

Graça, Pedrógão Grande, Vila Facaia 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

História de Óbidos (imagem de 1860 do antigo brasão) e Lagoa de Óbidos



História de Óbidos (imagem de 1860 do antigo brasão) e Lagoa de Óbidos

A VILA DE ÓBIDOS

Acha-se situada esta antiquíssima povoação na província da Estremadura, a uma légua ao sul da vila das Caldas da Rainha, a três ao nascente de Peniche e doze ao norte de Lisboa. Está sentada no dorso de um monte ao qual faz coroa um velho Castelo.


A sua origem è inteiramente desconhecida, excepto se se quiser por fé nas palavras do autor da Corographia Portugueza que atribui a sua fundação aos turdulos e celtas, trezentos e oito anos antes do nascimento de Cristo.

A noticia mais antiga que se encontra desta povoação, é a que diz respeito á sua conquista por el rei D. Afonso Henriques.

Este monarca, depois de se ter assenhoreado de Santarém, Lisboa e muitas outras terras acasteladas da Estremadura, cercou e tomou de assalto aos moiros o castelo e vila de Óbidos em 1148. Como era uma posição forte pela natureza e pela arte, cuidou imediatamente o vencedor de assegurar a conquista, fazendo reparar a fortaleza e povoar de novo a vila que os sarracenos tinham abandonado.

Na guerra civil que se ateou no reino em meado do século XIII, entre o infeliz rei D. Sancho II e seu irmão, o infante D. Afonso, conde de Bolonha, mais tarde rei com o nome de Afonso III, deu aquela vila, como Celorico e Coimbra, nobre e corajoso exemplo de lealdade.

Posta em apertado assedio no ano de 1246 pelo conde de Bolonha, Óbidos resistiu valorosamente a todos os rigores do cerco e á violência de diversos acometimentos, até que o infante, perdida a esperança de reduzir pela força os leais que não pudera seduzir com promessas, levantou o arraial e retirou-se. E tal foi a nobreza de daquela povoação, sacrificando-se assim em desempenho da fidelidade, que devia ao seu rei então perseguido pela desdita, que o próprio conde de Bolonha, apenas se viu senhor pacifico de todo o reino, apressou-se a galardoa-la, fazendo-lhe entre outras mercês, a do titulo de sempre leal, a vila acrescentou ao de notável que já tinha.

El rei D. Dinis aumentou a vila e cremos reconstruiu e alargou o castelo, apesar de que alguns autores dizem que fora o seu primeiro fundador.

Pelo seu casamento este soberano fez doação de Óbidos, com mais outras terras, á rainha Isabel sua mulher. Daí em diante ficou pertencendo ás rainhas.

Durante as guerras que rebentaram entre Portugal e Castela no século XIV, el rei D. Fernando fez as muralhas que cercam a vila, ou reformou as que existiam, o que não é bem averiguado, segundo julgamos.

A rainha D. Leonor, mulher del rei D. João II, residiu algum tempo nesta vila, numas casas junto ao castelo. Por esta ocasião exercitou o animo pio e caridoso em extremo, instituindo cinco mercierias na igreja de Santa Maria, que é matriz.

Em 1634, Filipe IV de Espanha, então rei intruso de Portugal, fez conde de Óbidos a D. Vasco Mascarenhas, alcaide mor desta vila. Depois el D. Afonso VI confirmou, ou deu de novo, aquele titulo em 1663, declarando o de juro e herdade para os seus descendentes. É sétimo conde o representante desta família.

Quando em 1808 veio um exercito inglês ajudar-nos a sacudir o jugo de Napoleão, presenciou Óbidos o primeiro combate entre os franceses e os nossos auxiliares. A 15 de Agosto encontraram-se ali e pelejaram as avançadas dos dois exércitos. No dia seguinte foram vencidas as águias francesas na grande batalha da Roliça, uma légua distante desta vila, pelo exercito anglo-luso.

Óbidos tinha representação nas antigas cortes, sentando- se os seus procuradores no banco sexto. Segundo dizem alguns autores, tem por brasão de armas uma rede de arrastar no meio do escudo, que lhe fora dada pela rainha D. Leonor, de quem acima falámos, em memoria da rede em que uns pescadores de Santarém transportaram o corpo exanime de seu infeliz filho, o príncipe D. Afonso, das margens do Tejo, onde caíra do cavalo abaixo, para a vila. Porém, no livro das armas que se guarda na Torre do Tombo, acha-se pintado o brasão desta vila conforme a estampa que vai aqui junta, o qual consiste em uma torre de prata, onde tremula uma bandeira em campo verde e assente sobre rochedos.

Acerca da etimologia do seu nome, há várias opiniões, porém nenhuma inteiramente aceitável. A menos absurda diz que o nome é um composto dos monossílabos latinos ob-id-os, pelos quais designavam uma grande boca ou braço de mar, que em tempos remotos vinha ter junto á vila.

Conserva esta os seus antigos muros com pouca ruína, cercando-a por todos os lados com quatro portas denominadas: da Vila, do Vale da Cerca e do Telhal e dois postigos, o de Cima e o de Baixo. A povoação acha- se toda recostada no declive do monte, cuja crista serve de base ao Castelo e á igreja de Santiago, que se eleva junto da fortaleza. O estado de conservação desta é muito sofrível, atendendo á sua antiguidade. Goza-se d daí um lindo e variado panorama.



São quatro as freguesias: Santa Maria, que é a matriz, S. Pedro, Santiago e S. João Baptista. Os outros edifícios religiosos, são a igreja da Misericordia com o seu hospital e com avultada renda; as ermidas de Nossa Senhora de Monserrate, pertencente á ordem terceira; a de S. Vicente, onde está a paroquia de S. João Baptista; e a de S. Martinho, de arquitectura antiga. Fora da vila, mas nas imediações, encontram-se outras ermidas. A mais notável é a do Senhor da Pedra, começada em 1740 junto á estrada que conduz para a vila das Caldas da Rainha. Apesar de não estar concluída, é um belo e sumptuoso templo, em que se despenderam duzentos mil cruzados, havidos de esmolas daqueles povos, ás quais se juntaram valiosos donativos del rei D. João V, que por diversas vezes ali foi. A 3 de Maio, dia da invenção da Santa Cruz, celebra-se neste templo uma grandiosa função, com festa de arraial e mercado e á qual concorre muita gente das povoações vizinhas.

Tem a vila cinco ruas principais e uma praça ornada com um chafariz. Além deste, possui mais quatro, porém todos fora dos muros. Aquele e dois destes, recebem a agua de um aqueduto que corre sobre arcos, na extensão de meia légua e foi obra da rainha D Catarina, mulher de D. João III.

Os arrabaldes de Óbidos são notáveis por algumas quintas que os povoam e, principalmente, pela grande lagoa a que a vila dá o seu nome. Entre as quintas nomearemos a das Janelas, a das Flores e a do Bom Sucesso. A primeira pertence aos senhores condes de S. Vicente e possui águas termais semelhantes ás das Caldas da Rainha, ás quais concorrem alguns enfermos. Achando-se hospedado nesta quinta o infante D. Francisco, irmão de el rei D. João V, faleceu aí de uma cólica, a 21 de Julho de 1742. D. João V e a família real achavam-se então nas Caldas da Rainha. A quinta das Flores tem uma nascente das mesmas aguas. A do Bom Sucesso é muito arborizada e distingue-se pela sua posição pitoresca e alegres vistas.

A Lagoa de Óbidos

A lagoa dista da vila uma légua. O seu comprimento não chega a uma légua e de largura tem meia. Está cercada de montes, em que se abrem quatro gargantas, três por onde nela vêm desaguar os rios do Cabo, do Meio e Real; e a quarta, por onde a lagoa comunica com o mar. Esta ultima, todos os anos se obstrui de areias que é necessário remover a braços, para evitar o mau efeito da estagnação das águas. A lagoa estende dois braços para o interior, um na direcção de leste, chamado da Barrosa e o outro na do sul, denominado da Atouguia ou do Bom Sucesso. Contém esta lagoa muita variedade de peixes e de excelentes mariscos, que fornecem a vila todo o ano e muitas mais terras da Estremadura. No inverno é abundantissima de caça de arribação, que atrai ali, de grandes distancias, centenares de caçadores, uns para comercio, outros por simples divertimento.

A menos de um quarto de légua da vila, está o edifício do extinto convento de S. Miguel das Gaeiras, que foi de frades arrabidos e se fundou em 1602, mudando-se do antigo sitio em que o cardeal infante D. Henrique edificara o primeiro, em 1569. Contíguo àquele edifício há um frondoso bosque, que faz parte da cerca do convento.

O termo de Óbidos é fértil e produz cereais, algum vinho e muitas e excelentes frutas de toda a qualidade.

Tem esta vila uma feira anual em 20 de Outubro. Ao presente, que se acha em decadência, conta uns três mil habitantes. Já teve, porém maior população.

Ufana-se Óbidos de ter sido o berço da insigne pintora Josefa d' Ayala, mais conhecida pelo nome de Josefa d' Óbidos e do espirituoso e distinto poeta Francisco Manuel Gomes da Silveira Malhão.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelos Censos 2011 Óbidos conta com 11 689 habitantes


Freguesias de Óbidos

A dos Negros, Amoreira, Gaeiras, Olho Marinho, Santa Maria, São Pedro, Sobral da Lagoa, Usseira, Vau

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

História de Leiria e imagem de 1860 do antigo brasão



História de Leiria e imagem de 1860 do antigo brasão

A CIDADE DE LEIRIA

No tempo em que os romanos dominavam na Lusitania, havia neste país uma cidade chamada Collipo, da qual Plínio faz menção. Não são concordes os escritores sobre a situação exacta desta cidade. O nosso antiquário Gaspar Barreiros pretende que existiu num lugar próximo dali, chamado agora S Sebastião, fundando-se nas muitas ruínas de edifícios antigos que se aí viam no seu tempo e diz mais que, com os materiais da arruinada Collipo, se edificou a actual cidade de Leiria.

Outros autores seguem opinião diversa, mas com fundamentos não menos problematicos. D. Luís Caetano de Lima, diz na sua Geographia Historica:« A fundação desta cidade Leiria, deixando as fábulas que escrevem alguns autores, teve principio pelo seu castelo, o qual edificou el rei D. Afonso Henriques, antes que ali houvesse alguma outra povoação, pelos anos de 1135, afim de reprimir os moiros de Santarém e de outras terras e de facilitar a conquista da Estremadura.»

Algumas inscrições romanas em mármore branco e vermelho, consagradas a memorias fúnebres e achadas junto deste castelo, provam que, naquele sitio ou próximo dele, existiu com efeito uma povoação na época do domínio romano. Seja porém como for, o que parece fora de duvida, é que quando D. Afonso Henriques fundou o castelo, não havia junto dele povoação alguma.

Cinco anos depois da fundação da fortaleza, andando D. Afonso Henriques todo ocupado na guerra que lhe movia seu primo D. Afonso VII, rei de Leão, vieram os moiros capitaneados pelo seu rei Ismar, sobre aquele castelo, que conseguiram tomar, apesar da porfiosa resistência que lhes fez o alcaide, D Paio Guterres e os seus. Logo, porém, que o monarca português se viu desembaraçado dos cuidados daquela campanha, voltou as suas armas contra os infiéis e veio por cerco ao castelo de Leiria, em 1141 ou 1142.

Refere a lenda, que achando se acampado o exercito cristão sobre uma eminencia vizinha, á qual ainda hoje chamam o Cabeço del rei, aparecera em cima de um grande pinheiro, que se erguia entre o arraial e o castelo, um corvo, que não cessava de bater as asas e grasnar. Ordenado o assalto, redobrou por tal modo o corvo os seus movimentos e gritos que os portugueses, tomando isto por um feliz agoiro, investiram a fortaleza com tão incrível valor e confiança que, apesar de bem defendida, assenhorearam-se dela, em breves momentos. E em memoria deste sucesso, veio a tomar Leiria por brasão de armas, em escudo de prata coroado um castelo sobre campo verde, colocado entre dois pinheiros, cada um com o seu corvo em cima; e na parte superior do escudo duas estrelas de oiro.

A descrição deste brasão é como se acha na Torre do Tombo; entretanto há outra versão que dá só um pinheiro com um corvo em cima.

 Correndo o ano de 1195, tendo já falecido o nosso primeiro rei, tornaram os moiros a ganhar o castelo e a povoação, que junto dele se fora edificando. Mas pouco lhe durou esta posse, porque el rei D. Sancho I logo o resgatou e desta vez ficou assegurado o seu domínio na coroa de Portugal.

Por esta ocasião o mesmo soberano, querendo dar impulso á povoação e atrair-lhe moradores, concedeu-lhe foral de vila, com grandes privilégios, aos 13 de Abril desse ano de 1195.

Por duas vezes se reuniram cortes em Leiria: no reinado de D. Afonso III em 1254 e no de D. Duarte em 1437. Estas ultimas foram convocadas para sr tratar dos meios de libertar o infante D. Fernando, então cativo em Fez.

Serviu por vezes Leiria de residência a alguns dos nossos soberanos e príncipes, porém el rei D. Dinis foi o que maior assistência aí teve, com a rainha Santa Isabel, sua mulher, a quem fez doação do senhorio desta terra. Foi este monarca que tanto favoreceu a agricultura, quem mandou semear o grande pinhal de Leiria, que é hoje a principal floresta do país e que constitui um importante ramo da riqueza publica.

Por morte da rainha Santa Isabel, tornou a vila a encorpara-se na coroa. El rei D. Fernando deu-a primeiramente á rainha D. Leonor Teles, sua mulher e depois ao seu cunhado, o conde D. Gonçalo; porém o mestre de Avis, subindo ao trono, revogou a doação e d aí por diante não se alienou mais do património real.

No próprio século XV, em que se inventou a sublime arte tipográfica, coube a Leiria a gloria de possuir a primeira imprensa que se estabeleceu em Portugal e, segundo parece, com muito bons fundamentos, a primeira também que apareceu em toda a península.

El rei D. João III elevou Leiria á categoria de cidade e depois á de sede episcopal, por bula que alcançou do papa Paulo II no ano de 1543.

Na velha monarquia, tinha Leiria voto em cortes com assento no banco terceiro. Foram seus alcaides mores, os marqueses de Vila Real, os quais tinham aposentos dentro do Castelo, além de umas casas próximas do rio.

Acha-se edificada esta cidade junto á falda de leste do monte do Castelo, numa planície cortada pelos pequenos rios Lis e Lena, dos quais, ao que parece com mais probabilidade, lhe veio e nome de Leiria. Dista de Lisboa vinte e duas léguas para o norte, doze de Coimbra e quatro do oceano, no sitio em que os dois rios, já unidos, se lançam no mar.

Divide-se a cidade em duas paroquias: a Sé e S. Pedro. A primeira, consagrada como todas as catedrais do reino á Assunção de Nossa Senhora, é um bom templo de três naves, construído desde os alicerces pelo segundo bispo desta diocese, D. Frei Gaspar do Casal, que lançou a primeira pedra no dia 11 de Agosto de 1559, como consta da inscrição que se vê na frontaria da igreja. Está situada junto ao monte do Castelo, e contigua ao paço episcopal.

Anteriormente a esta fundação servia de Sé a igreja de Nossa Senhora de Penha de França, edificada dentro do castelo por D. Afonso Henriques e reconstruída por el rei D. Dinis. Era um pequeno templo, ao presente arruinado.

O palácio do bispo está, como dissemos, contíguo à Sé, mas em terreno um pouco mais alto, que faz parte do monte do Castelo. É um edifício não muito vasto e de modesta arquitetura, com a sua cerca e jardim.

O seminário episcopal foi fundado por D. frei Gaspar do Casal, logo depois de chegar do concilio de Trento, em 1563.

Reconstruiu-o na segunda metade do século XVII D. Pedro Vieira da Silva, que tendo sido casado com D. Leonor de Noronha e servido lugares importantes, como secretário dos Reis D. João IV, D. Afonso VI e D. Pedro II, enquanto príncipe regente, e plenipotenciário no ajuste da paz entre Portugal e Espanha no ano de 1668, depois de enviuvar, tomou ordens sacras; e foi nomeado bispo de Leiria.

Os outros edifícios religiosos são: a igreja e hospital da Misericórdia; o convento de Santa Ana, de freiras dominicas, fundado em 1494 por D. Catarina de castro, filha de S. Fernando I, segundo duque de Bragança e no qual existem actualmente umas nove ou dez religiosas; e várias ermidas.

Existiram nesta cidade quatro conventos de frades, cujos edifícios existem apropriados a diversos usos; e chamavam-se S. Francisco, que foi de religiosos observantes, cuja primeira fábrica foi obra del rei D. João I no ano de 1384, em agradecimento de ter podido casar com a rainha D. Filipa, não obstante ser cavaleiro professo na Ordem de Avis; o de Santo Agostinho, de eremitas do mesmo santo; o de S. António, de capuchos arrábicos, construído pelo bispo D. Pedro Vieira da Silva; e, em tempos remotos, teve dentro do castelo um convento de cónegos regrantes, que se arruinou.

O castelo, fundado sobre uns penhascos, que para o lado do norte são escarpados, acha-se em grande ruína; mas ainda assim apresenta uma vista pitoresca, a quem o vê da alameda. Ainda se mostram dentro dele os restos do paço del rei D. Dinis e de Santa Isabel.

A parte da cidade, que se estende ao longo de um vasto campo ou Rossio que a separa do rio Liz, é alegre e bonita. O resto é uma rede de ruas estreitas, tortuosas e imundas, com pequenos largos, tudo guarnecido de casas altas, entre as quais se vêm algumas de boa aparência. A casa da câmara nada tem de notável.

Na extremidade do sul daquele espaçoso campo, erguem se a catedral, logo acima o paço do bispo e o castelo. No lado do poente, avulta o quartel militar, outrora convento e que é actualmente, depois dos melhoramentos e alindamentos que se lhe têm feito, um belo edifício que muito adorna o Rossio. Está construído em terreno um pouco mais elevado que o resto do campo, o que o faz sobressair. Costuma estar ocupado por um batalhão de caçadores.

O Liz corre pelo lado do sul deste quartel e próximo dele, entre muralhas bem construídas que o encanam. De uma parte vai-o acompanhando um caminho e da outra uma comprida e formosa alameda de grandes árvores com assentos de espaço a espaço sobre o rio e comunicando-se com a outra margem por duas pontes, uma no centro e outra no fim. à entrada da alameda e já no campo, está uma boa ponte de pedra, além da qual há, no mesmo campo, ou Rossio mais duas, sendo a de S. Martinho uma das entradas da cidade.

Quatro fontes abastecem de agua os habitantes. A chamada os «Olhos de Pedro» tem a singularidade de, sendo duas nascentes que rebentam da mesma penha, ser fria a agua de uma nascente e tépida a da outra.

Tem Leiria bonitos arrabaldes, principalmente todo o vale regado pelos rios Liz o Lena, que é fértil e bem cultivado. Há neles diversas ermidas e capelas, das quais a principal é a de Nossa Senhora da Encarnação, fundada sobre uma pequena eminencia, por meio de esmolas, tanto do povo da cidade como do de fora, que ali concorria e ainda concorre em grandes romarias, por ser este santuário de muita devoção em todos aqueles arredores.

A pouca distancia da cidade está o celebre pinhal de D. Dinis. Tem quatro léguas de comprimento e corre ao longo da costa do oceano. Na sua administração, que se acha mui bem organizada, emprega-se bastante gente. Há aí uma fabrica do estado para a extracção do alcatrão e outras substancias dos pinheiros. Modernamente tem-se feito neste pinhal muitas sementeiras do pinus larix e de outras variedades do norte da Europa, de grande estimação pela boa qualidade das madeiras.

A uma légua de Leiria, encontra-se a importante fabrica de vidros da Marinha Grande. O edifício é do estado, que dá por arrematação a longos períodos a laboração dá fabrica. Dá ocupação a considerável numero de braços e o actual arrematante tem levado os seus variados produtos a bastante perfeição. A Marinha Grande é uma povoação de mil e trezentas almas.

O termo de Leiria produz abundância de cereais, legumes, frutas, vinho e algum azeite. Cria-se nele bastante gado e muita caça. Encerra importantes jazidos de carvão de pedra e de ferro para a exploração, dos quais se organizou uma companhia que ainda não encetou os seus trabalhos, por se ter recusado o governo a satisfazer-lhe certas exigências.

No mesmo termo, não a muita distancia da cidade, descobriu-se há poucos anos um edifício romano que estava soterrado, de onde se tiraram alguns quadros de mosaico muito bem conservados.

A 29 de Março faz-se anualmente uma feira no grande Rossio da cidade, de muito movimento comercial e mui concorrida de géneros, de gado e de povo das províncias da Estremadura e da Beira. No mesmo Rossio se faz a exposição geral de gado das diferentes espécies, que costuma ter lugar todos os anos nas capitais dos distritos, distribuindo-se, por essa ocasião, prémios aos criadores das raças mais apuradas.

Leiria conta uns dois mil e seiscentos habitantes. Como capital de um distrito administrativo do seu nome, é sede de um governador civil e mais autoridades administrativas, de justiça e fiscais; de uma junta de distrito; de um liceu, etc.

A bela estrada macdamisada que presentemente liga esta cidade com Lisboa, Coimbra e Porto; o estabelecimento das carruagens malas postas que nela transitam diariamente e cujo serviço se acha o melhor possível; e a estrada que está em construção do pinhal para o próximo porto de S. Martinho, sobre o oceano, deverão sem duvida fazer prosperar Leiria, e muito mais se for por diante a empresa de mineração a que aludimos.

Foi natural desta cidade o cardeal patriarca de Lisboa, D. fr. Patrício da Silva; e nela foi criado o primeiro duque de Bragança, D. Afonso, que nasceu no castelo de Veiros, no Alentejo e que foi filho bastardo del rei D João I.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelo Censos 2011 Leiria conta com 127 468 habitantes

Freguesias de Leiria

Amor, Arrabal, Azoia, Bajouca, Barosa, Barreira, Bidoeira de Cima, Boa Vista, Caranguejeira, Carreira, Carvide, Chainça, Coimbrão, Colmeias, Cortes, Leiria, Maceira, Marrazes, Memória, Milagres, Monte Real, Monte Redondo, Ortigosa, Parceiros, Pousos, Regueira de Pontes, Santa Catarina da Serra, Santa Eufémia, Souto da Carpalhosa

sábado, 1 de outubro de 2011

Imagens Milagrosas de Nossa Senhora em Portugal - Da Barroquinha, Maceira



Imagens Milagrosas de Nossa Senhora em Portugal - Da Barroquinha, Maceira

Nossa Senhora da Barroquinha, junto à vila de Castanheira (???), manifestou-se no ano de 1658 no sitio de uma barroca, de que fez brotar uma fonte de água, a qual sarava muitas enfermidades. É imagem de muita romaria.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Imagens Milagrosas em Portugal - Senhor Jesus da Pedra, Óbidos



Imagens Milagrosas em Portugal - Senhor Jesus da Pedra, Óbidos

É muito frequentada a Imagem do Senhor Jesus da Pedra, nos arrabaldes de Óbidos, muito milagrosa; e é tanta a ocorrência de gente, que só de esmolas se lhe erigiu uma sumptuosa Igreja de cantaria, que importou em quase duzentos mil cruzados, em cuja magnificência logra a maior parte a liberalíssima piedade e devoção de nosso ínclito Monarca D. João V.

Foi este Templo em Maio de 1747 bento pelo Arcebispo de Lacedemonia, D. José Dantas Barbosa.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Relíquias Sagradas em Portugal - Alcobaça



Relíquias Sagradas em Portugal - Alcobaça

Um dos Santuários mais majestosos e veneráveis que tem este Reino, é o que se conserva no Real Mosteiro de Alcobaça. Ocupa uma nobre Capela, cuja porta sai para o Cruzeiro e ali estão as Relíquias colocadas com toda a decência e distinção, conforme os títulos que compreende.

No Título I estão: relíquias da esponja do Senhor, da Coluna, do Santo Sepulcro, da palmeira que deu tâmaras quando o Senhor ia para o Egipto; da Púrpura que lhe vestiram; do Santo Sudário; da Mesa em que celebrou a Ceia com seus Discípulos; e um pedaço do Santo Lenho.

No Título II estão cabelos da Virgem Maria, Nossa Senhora e uma unha sua; dos seus preciosos vestidos; do seu sepulcro; relíquias das onze mil Virgens e de outras Santas.

No Título III está parte de um braço de S. Sebastião; relíquia de S. Vicente; um olho de S. Lourenço; outro (olho) de S. Brás; um dedo de S. Félix, Mártir; um dente de S. Cristóvão e relíquias de outros Santos Mártires.

No Título IV estão roupas dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo e de outros Apóstolos.

No Título V estão dentes de S. Bernardo, roupas suas e de S. Bento; da capa de S. Domingos; um pedaço do braço de S. Malaquias Bispo e relíquias de outros Santos Pontífices.

Num relicário grande, guarnecido de prata, estão cabelos da Madalena; um pedaço da estola com que foi sepultado S. Bernardo; da mitra de S. Edmundo; da barca em que veio o glorioso corpo de S. Vicente; do cilício de S. Tomás de Cantuária; um osso de Santo Alexandre; relíquias de S. Zacarias, pai do Santo Baptista; do hábito de S. Francisco; e relíquias das onze mil Virgens.

Noutro relicário triangular estão relíquias de S. Malaquias Bispo; de S. Bernardo; de S. Guilherme; um osso de Santa Maria de Torrosa; e outras relíquias.

No relicário do Agnus Deirelíquias da Coroa de Cristo, cabelos de Maria Santíssima; ossos de S. Lourenço; um dente de S. Vicente Mártir; do cilício de S. Bartolomeu; do prato em que se pôs a cabeça do grande Baptista quando o degolaram; relíquias de Santa Bárbara, Santa Águeda, Santa Margarida, S. Brás, S. Marcelo e outros santos.

No relicário de feitio de arca, guardam-se relíquias de Santa Marinha, de S. Jorge, de S. Nicolau, de S. Gregório Papa, de S. Cipriano e de S. Simeão; das varas que açoitaram a Cristo; do seu Santo Sudário e das pedras do monte Calvário. Noutros relicários há inumeráveis relíquias, que por não terem letreiros não se sabe de quem são.

Neste Convento e na Casa do Capítulo, jazem os veneráveis ossos de S. Domingos Martins, décimo quinto Abade desta esclarecida Ordem, entre as mais sepulturas de outros Abades seus predecessores, com o prodígio de que as pedras das sepulturas dos outros, pelo tempo de inverno, se fazem denegridas em razão do sítio; porém a deste Santo Abade permanece alva, por cuja causa lhe chamam a sepultura santa.

domingo, 18 de setembro de 2011

História das Caldas da Rainha e antigo brasão (imagem de 1860)



História das Caldas da Rainha e antigo brasão (imagem de 1860)

A VILA DAS CALDAS DA RAINHA

Esta bonita vila está situada na província da Estremadura, em terreno não elevado, mas desafogado, distante de Lisboa quatorze léguas das antigas para o norte e uma pequena légua da vila de Óbidos.

Deve a sua existência o seu nome e prosperidade, a uma bela e copiosa nascente de águas termais, e à munifícencia e caridade da rainha D. Leonor, mulher del rei D. João II. Passando esta princesa por aquele sitio, numa jornada que fazia da vila de Óbidos para a da Batalha, viu vários homens pobres no trajo e enfermos no aspecto banharem-se numas poças de agua que aí havia, próximo do caminho, uns mergulhando todo o corpo e outros tão somente alguma parte dele.

Parou a rainha para se informar da virtude que tinha aquela agua, e como lhe contassem as curas maravilhosas que obrava em certas moléstias, resolveu logo mandar aí fazer um hospital, para nele serem agasalhados e sustentados os doentes pobres, que tivessem necessidade de recorrer ao uso daqueles banhos.

Pouco tempo depois construiu-se o hospital, constando de seis enfermarias, uma para clérigos, outra para frades, duas para homens pobres e duas para mulheres da mesma condição, havendo numa destas ultimas uma divisão para religiosas. Além de seis enfermarias haviam alguns quartos para as pessoas que se tratavam à sua custa. Para que o hospital fosse mais bem servido e lhe não escasseassem as provisões, além das rendas que lhe doou, obteve del rei D. João II, seu esposo, que se fundasse ali uma povoação para trinta moradores, com o privilegio de não pagarem jugada, oitavo, siza ou portagem, e a mesma isenção ás pessoas que a ela viessem fazer compras ou vendas. Por decreto de 1488, o mesmo soberano elevou a nova povoação á categoria de vila.

Com tão poderoso incentivo em breve teve começo, e rapidamente se desenvolveu a nova vila, que se denominou das Caldas da Rainha. O credito, que estes banhos foram tendo em todo o reino, e juntamente as comodidades que aí se ofereciam aos enfermos, ou fossem pobres ou abastados, chamavam á vila uma grande concorrencia, tanto dos que a demandavam temporariamente, como dos que, por interesses industriais, nela se vinham estabelecer.

Todavia o seu maior incremento data do meiado do século XVIII, em que el rei D. João V principiou afazer uso daqueles banhos, indo no decurso do resto de sua vida por treze vezes àquela vila, com a família real e uma grande parte da sua corte. Por essa ocasião, vendo o antigo hospital bastantemente arruinado e já com poucos cómodos para o grande numero de enfermos que ali afluíam, mandou fazer, em 1747, uma reconstrução completa, que levou três anos a concluir-se. Foi construído o novo hospital sob um plano de arquitetura regular, com boa aparência e muito maior capacidade do que o antigo. Fizeram-se nele uma bonita capela, novos banhos, excelentes oficinas, aposentos para as pessoas reais e residência para o administrador. Anexou-se-lhe também uma cerca, que se povoou de arvoredo, e que hoje é um lindo passeio que se franqueia ao publico. Além deste, porém, há na vila um passeio publico arborizado e ajardinado.

A vila das Caldas da Rainha ficou pertencendo, desde o tempo da sua fundadora, ás rainhas de Portugal, até que esta casa se extinguiu em 1833. Na qualidade, pois, de senhora desta vila, a rainha D. Maria Ana de Áustria, mulher del rei D. João V, mandou edificar a actual casa da câmara e cadeia, tendo-se demolido a antiga quando se acrescentou o edifício do hospital.

A igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora do Pópulo, acha-se no centro da Vila, que possui além deste templo, as ermidas do Espírito Santo, mais antiga que a matriz; de Nossa Senhora do Rozario; de S. Sebastião; de Nossa Senhora da Graça; e a de S. Bartolomeu. Quase todos estes templos foram reedificados por D. João V.

Tem esta vila um grande Rossio, muitas casas de prospecto nobre, boas hospedarias, um club aonde há gabinete de leitura e se dão luzidos bailes, e vários chafarizes, abundantes de excelente agua e obra d el rei D. João V.

Durante a estação dos banhos, que principia em Maio e acaba em fins de Setembro, é esta vila extraordinariamente concorrida, sobre tudo de famílias de Lisboa. Posto que os seus arrabaldes sejam desprovidos de frutos, tem um mercado diário bem fornecido de todo o género de produções do país, que ali afluem de muitas léguas de distancia. Em 14 de Agosto tem uma feira anual de três dias, e no ultimo domingo de cada mês, mercado de gado. A população permanente desta vila anda por mil e seiscentas almas.

O primeiro brasão de armas que a rainha D. Leonor deu á sua vila das Caldas, foi o mesmo que tinha a vila de Óbidos, a cujo termo então pertencia, o qual unicamente consistia no escudo real. Porém, depois da catástrofe que lhe arrebatou o príncipe D. Afonso, seu filho único, acrescentou aos brasões de armas de todas as suas terras, uma memoria d este fatal sucesso. Achando-se este príncipe em Santarém com seus pais e com a princesa D. Isabel, filha dos Reis católicos, Fernando e Isabel, com quem se desposara pouco tempo antes, deu uma queda do cavalo abaixo junto ás margens do Tejo no dia 12 de Julho de 1491. Tendo perdido o uso dos sentidos, foi levado em uma rede de pescadores para uma pobre casa perto dali, á qual logo acudiram seus pais, sua esposa e todos os socorros possíveis. Tudo porém foi baldado. O príncipe morreu sem ter recobrado os sentidos. A rainha na sua imensa dor, não quis mais separar-se daquela rede, triste e derradeira memoria do seu desgraçado filho. Desde então tomou-a por sua divisa e ordenou que aos escudos de armas das suas vilas se acrescentasse de um lado uma rede, e do outro um pelicano, emblema de seu esposo.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelo Censos de 2011 as Caldas da Rainha têm 51 645 habitantes

Caldas da Rainha é uma cidade do distrito de Leiria

Freguesias das Caldas da Rainha

A dos Francos, Alvorninha, Carvalhal Benfeito, Coto, Foz do Arelho, Landal, Nadadouro, Nossa Senhora do Pópulo (Caldas da Rainha), Salir de Matos, Salir do Porto, Santa Catarina, Santo Onofre (Caldas da Rainha), São Gregório, Serra do Bouro, Tornada, Vidais

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido nas CALDAS DA RAINHA

PSD: 50,4% - 4 mandatos
PS: 25,4% - 2 mandatos
CDS - 11,1% - 1 mandato

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Caldas da Rainha

PPD/PSD - FERNANDO JOSÉ DA COSTA
PS - DELFIM MARQUES DE AZEVEDO
PPD/PSD - MARIA DA CONCEIÇÃO BRETTS JARDIM PEREIRA
PPD/PSD - FERNANDO MANUEL TINTA FERREIRA
PS - RUI JOSÉ ANTUNES DA CUNHA SIMÕES CORREIA
PPD/PSD - HUGO PATRÍCIO MARTINHO DE OLIVEIRA
CDS-PP - MANUEL FIALHO ISAQUE

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

História de Atouguia da Baleia (Peniche) e antigo brasão (imagem de 1860)




História de Atouguia da Baleia (Peniche) e antigo brasão (imagem de 1860)

ATOUGUIA DA BALEIA 

Está situada esta vila em lugar alto, vizinho do oceano e a meia légua da praça de Peniche, para o nascente.

Segundo pretendem alguns escritores, foi fundada pelos anos de 1165 por Guilherme de Lacorni, fidalgo francês e um dos cruzados que vieram na armada que ajudou a el rei D. Afonso Henriques na expugnação e tomada de Lisboa, por cujo serviço lhe deu este monarca o termo daquela vila para povoar. Outros autores ha que tratando da Atouguia, não lhe dão semelhante origem. Seja porém esta qual for é certo que tem muita antiguidade.

Os etimologistas dizem que o seu nome se deriva por corrupção de Touria, que assim a denominavam em tempos del rei D Pedro I por causa das manadas de toiros, que este soberano ali tinha. Para fundamento desta opinião trazem o brasão de armas da vila, que se vê sobre a porta da casa da câmara, e que consiste num escudo, no meio do qual avulta um boi em campo de purpura, e sustentando um castelo em cada uma das pontas.

Deu-lhe foral el rei D. Sancho I e teve, no antigo regímen, voto em cortes, com assento no banco décimo sexto. 

Correndo o ano de 1526, deu á costa na praia próxima da vila chamada da Areia Branca, uma grande baleia que tinha noventa palmos de comprimento. Desde então se ficou chamando a vila - Atouguia da Baleia.

Foi condado, cujo titulo se extinguiu no reinado d el rei D. José, tendo sido justiçado o ultimo conde por cumplicidade no atentado cometido contra a vida deste soberano.

Tem uma só paroquia da invocação de S. Leonardo, que é um templo de três naves, e nove ermidas dentro da vila e nas imediações. Destas é a principal a de Nossa Senhora da Conceição, que por suas dimensões, adornos e boa ordem, se pode ter na conta de uma boa igreja. É concorrida de muitas romarias, que aí vêm de longe, principalmente no verão, festejar a Senhora.

Possui um hospital e casa de misericordia, e nos arrabaldes tinha um convento de franciscanos dedicado a S. Bernardino.

Junto da vila ainda se vêem os restos do seu antigo castelo, que está sobranceiro a um pequeno rio que toma o nome da mesma vila. O termo produz bastante trigo, cevada e milho, algum vinho, frutas e caça, tendo também alguma criação de gados. A costa vizinha, em que tem um pequeno porto com poucos barcos de pesca, fornece a terra abundantemente de pescado e ainda dá para alguma exportação para o interior.

 A pequena distancia da vila há um lago formado pelas águas das chuvas e alimentado por uma ribeira, que nele vem desembocar, e que nasce num olho de agua no sitio chamado o Brejo. No inverno cobrem-se as margens deste lago de muita e variada caça de arribação.

A 6 de Novembro, por ocasião da festa de S Leonardo, padroeiro da vila, faz-se aqui uma feira a que concorre bastante gente das povoações próximas. O numero dos habitantes pouco excede a mil.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Atouguia da Baleia é uma freguesia do concelho de Peniche.

Pelo Censos 2011 Peniche conta com 27 630 habitantes

Peniche é uma cidade do distrito de Leiria.

As Freguesias de Peniche são:
Ajuda, Atouguia da Baleia, Ferrel, São Pedro, Serra d'El-Rei, Conceição.

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em PENICHE

PCP - 5887/44% - 4 mandatos
PSD - 3877/29% - 2 mandatos
PS - 2559/19,1% - 1 mandato


Candidatos Eleitos pelo Circulo: Peniche

PCP-PEV - António José Ferreira Sousa Correia Santos
PPD/PSD - Luís Lourenço Jorge Ganhão
PCP-PEV - Jorge Alberto Bombas Amador
PS - Carlos Jorge Gonçalves do Amaral Domingos
PCP-PEV - Maria Clara Escudeiro Santana Abrantes
PPD/PSD - Francisco Manuel Pinto da França Salvador
PCP-PEV - Jorge Serafim Silva Abrantes



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Óbidos: Malhão alto alerta contra Malhão baixo


Gazeta de Lisboa, 31 de Janeiro de 1806

Óbidos: Malhão alto alerta contra Malhão baixo

Francisco Manoel Gomes da Silveira Malhão, da vila de Óbidos, sabendo que nesta cidade e pelo Reino se tem introduzido um sujeito debaixo do seu apelido de Malhão, roga ao Público que de qualquer facto acontecido, não faça juízo contra ele sem averiguação, e isso pela grande diferença que há entre ambos os indivíduos, visto que o intruso é baixo e moço, e o anunciante alto e já encanecido.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Peniche: Vindimadores vindimados

Notícias

Peniche, 1842

VINDIMADORES VINDIMADOS

Carta

No dia 30 de Setembro próximo findo, andando na vindima Luiz Paulo Cacella, desta vila e toda a sua família, mandou a casa seu criado José Miguel, buscar um jumento para certo transporte; o bom do criado, aproveitando o ensejo, pega de uma foice, abre com ela uma porta que da cavalharice diz para a habitação; vai-se a um baú onde sabia que seus amos guardavam o produto de suas economias, e arrombando-o; limpa quanto acha em dinheiro, que eram quarenta cinco peças de 7,500 réis, e 2400 réis em cobre; com esta quantia se evadiu logo, diz-se que em direitura a Lisboa, sua terra, por haver quem o encontrasse no caminho; e acrescentam mais que é filho de um catraeiro de Alcântara, morador ás Janelas Verdes, na rua do Olival, nº 21.

Sirvam estes exemplos aos incautos, que admitem em suas casas pessoas sem as necessárias abonações, e de quem não têm conhecimento algum.

Peniche 4 de Outubro de 1842

Pedro Cervantes de Carvalho Figueira



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Peniche é uma cidade do distrito de Leiria.

As Freguesias de Peniche são:
Ajuda, Atouguia da Baleia, Ferrel, São Pedro, Serra d'El-Rei, Conceição.

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em PENICHE

PCP - 5887/44% - 4 mandatos
PSD - 3877/29% - 2 mandatos
PS - 2559/19,1% - 1 mandato


Candidatos Eleitos pelo Circulo: Peniche

PCP-PEV - António José Ferreira Sousa Correia Santos
PPD/PSD - Luís Lourenço Jorge Ganhão
PCP-PEV - Jorge Alberto Bombas Amador
PS - Carlos Jorge Gonçalves do Amaral Domingos
PCP-PEV - Maria Clara Escudeiro Santana Abrantes
PPD/PSD - Francisco Manuel Pinto da França Salvador
PCP-PEV - Jorge Serafim Silva Abrantes

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portugal - Eleições 2011 - Resultados Leiria


Resultado das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011 - Leiria

PSD - 47%, 6 deputados (Em 2009: 34,97%, 4 deputados)
Deputados eleitos pelo  PSD em Leiria: Teresa Morais, Fernando R. Marques, F. Barreira Duarte, Conceição Pereira, Paulo Santos, Pedro Pimpão

PS - 20,71%, 3 deputados (Em 2009: 30,18%, 4 deputados)
Deputados eleitos pelo PS em Leiria: Basílio Horta, João F. Pedrosa, Odete João

CDS/PP - 12,8%, 1 deputado (Em 2009: 12,63%, 1 deputado)
Deputada eleita pelo CDS/PP em Leiria: Conceição Cristas

BE perde o deputado que elegeu em 2009

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

História do Mosteiro da Batalha em imagem antiga de 1849


História
Mosteiro da Batalha em 1849
A Casa do Capítulo

O convento da Batalha, esse primoroso monumento da arte verdadeiramente nacional, esse magnifico poema de pedra das nossas glórias e nossa independência, está edificado em um vale ameno, regado pelo Lena, junto de uma pequena povoação que dele tira o nome popular que tem.

A Batalha há sido tanta vez descrita de nacionais e estranhos, que julgámos inútil repetir o que de quase todos é sabido, e o que foi já tratado tão magistralmente. É bem conhecida a descrição do elegante autor da Historia Dominicana - a obra de Murphy, acompanhada de magníficos desenhos é do maior interesse, como de homem imparcial e competentíssimo na matéria - a mais recente memoria do ilustre D. Fr. Francisco de S. Luiz, já falecido, e impressa nas da academia real das ciencias, é um trabalho consciencioso como tudo quanto saiu da pena daquele sábio escritor.

Há cousas, porém, no nosso magnifico monumento, que nunca serão assas admiradas. Neste caso está a celebrada casa do capitulo, de que a estampa dá uma pequena ideia. É uma obra admirável, maravilhosa, a mais maravilhosa de quantas maravilhas abundam na majestosa criação de Afonso Domingues - o arquitecto soldado.

«Sendo quadrada, e tendo 340 palmos em âmbito, sem coluna, nem esteio, nem cousa que a sustente, nem mais repuxo da banda de fora, que a companhia do edifício que lhe fica nos lados, assim está em forma que a quem põe os olhos no alto engana, e faz parecer, pela grandeza da casa, que se sustenta sem côncavo. É fama que ao tempo que se fabricava caiu duas vezes ao tirar dos simplices, com dano de oficiais; e elrei, desejando que todavia ficasse a casa sem o desar de colunas em meio, prometeu mercês ao arquitecto, as quais o fizeram espertar de sorte, que tornando a fechar a abobada, afirmou que teria melhor sucesso; porém ao tirar da madeira dos simplices, dizem que não quis elrei arriscar os oficiais, e mandou vir das prisões do reino alguns homens que estavam sentenciados a grandes penas, para que sobre elles caísse o terceiro dano, quando sucedesse


No centro desta extraordinária casa, que ainda até hoje, 461 anos depois, não desmentiu a palavra do brioso artista, acham-se os túmulos de D. Afonso V e sua mulher, D. Isabel; e o do príncipe D. Afonso, filho de D. João II, que de idade de 16 anos, caindo de um cavalo, morreu desastradamente junto a Santarém.

«Em um dos ângulos da casa, no ponto onde nasce um ramo dos arcos que não fechar a abobada, vê-se um busto de pedra, que se supõe representar o arquitecto que concluiu a obra.»

Fazemos ardentes votos para que efectivamente se destinem esses mesmos meios que estão votados, e que aliás são insuficientes, ao reparo de tão glorioso monumento, confiando-se a direcção dos respectivos trabalhos a indivíduo que tenha a inteligencia, o gosto e a prática necessária.


39º39'32"N 8º49'33"W
Batalha
Portugal

domingo, 20 de fevereiro de 2011

História: Viagem ao passado de Leiria, 1848





História

Leiria

Viagem pelo passado de Leiria e o seu castelo em 1848

Proximamente ao lugar em que hoje está situada a pequena cidade de Leiria, existiu a antiga cidade de Collipo - parece mesmo que fora povoação importante, durante a dominação romana por muitas e curiosas inscrições e lapidas, que daquele tempo se tem encontrado, e que apontaremos duas, para memoria e curiosidade dos amadores deste  de literatura:




No século V a povoação, ou pago de Collippo, caiu em poder dos suevos - sendo depois entrada dos visigodos e dos mouros ,no VIII século. Entretanto pode-se com certeza afirmar que a verdadeira importância de Leiria data do tempo em que D. Afonso Henriques, conhecendo a excelência da posição, e o quanto lhe convinha fazer dela uma espécie de atalaia, que lhe facilitasse as suas conquistas nos feracissimos territórios ao norte e sul do Tejo, ainda senhoreados dos inimigos da fé, fundou o castelo (1135), cujas ruínas hoje apresentámos na nossa estampa.


Por vezes tentaram os mouros destruir aquele fortíssimo baluarte, o que conseguiram, apesar da brava resistência que lhes opôs o seu valente alcaide D. Paio Guterres: da primeira vez (1139), quatrocentos homens d' armas e cavaleiros tingiram com o seu sangue aquelas muralhas; da segunda, morta toda a guarnição, o próprio D. Paio caiu prisioneiro dos infiéis. Estes terríveis revezes não fizeram desistir Afonso Henriques do seu propósito: o castelo é novamente reedificado, e o município de Coimbra oferece perdão de todos os pecados a quem dentro daquelas muralhas for combater pela santa causa da religião e da pátria.


A illustração militar de Leiria acaba aqui; porque não consta que mais vezes fosse assediada ou rendida.


É de 1142 o primeiro foral desta cidade.


Leiria não se tem opulentado e crescido em proporção de outros logares que não eram menos insignificantes. Todavia a sua situação, num valle delicioso e ameníssimo, entre o Liz e o Lena, é bastante vantajosa; o melhoramento das communicações internas e a construição de uma via férrea, que, partindo de Lisboa em direcção ao Porto, passasse por esta povoação, haviam de influir grandemente no seu destino e constitui-la- iam um excellente ponto para o cormercio interno, no que muito ganhariam as visinhas povoações e as riquíssimas mattas nacionaes mandadas plantar pelo bom rei D. Dinis, e que actualmente se podem dizer quasi desaproveitadas. 


Leiria hoje é capital d'um districto administrativo, e conterá 3,000 almas, pouco mais ou menos, repartidas por 640 fogos. Além do castelo não existem em Leiria outras construcções que mereçam especial menção. Nos arrabaldes vê-se, porém, o templo de N.S. da Conceição, graciosamente edificado na planura duma montanha. Traremos para aqui as palavras dum mimoso poeta contemporâneo, que por aquelles contornos andou buscando inspirações:


«Do alto desta montanha, diz elle no seu manuscripto, descobre-se ao longe a serra de N.S. do Monte, e a sua peregrina ermida; vê-se a estrada de Santo António do Carrascal, e a de Coimbra; avista-se uma grande extensão de viçosas campinas, de alegres outeiros, de formosos valles cortados pelo Liz. Em baixo, levantando-se nos ares como um gigante de pedra, atalaia do rio, avultam as magnificas ruínas do castelo de Leiria. 



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

História da Comarca de Leiria em 1755


História

Leiria em 1755

Comarca de Leiria 

Entre os rios Liz e Lena, em agradavel e fértil planície, a vinte e duas legoas de Lisboa, está sítuada a Cidade de Leiria, famosa na antiguidade com o nome de Collippo, em trinta e nove gr. e quatrenta e sete minutos de latitude, e nove e trinta e seis minutos de longitude. EIRey Dom Affonso Henriques a reedificou, e guarneceo com fortes muros pelos annos de 1135, e fez doação do domínio espiritual ao Convento de S. Cruz de Coimbra. 

Pouco depois a tornarão a ganhar os Mouros, mas brevemente a recuperou o valeroso Rey. Ultimamente cahindo outra vez nas mãos dos infíeis, a restaurou EIRey D. Sancho I, e lhe deo foral em 13 de Abril de 1195. Goza da prerogativa de voto em Cortes com assento no banco terceiro, e nella as celebraram os Reys D. Affonso III, D. Fernando e D. Duarte. Servio algum tempo de Corte aos Senhores Reys deste Reyno, principalmente a EIRey D. Diniz que fez mercê della á Rainha S. Isabel, sua consorte, depois de a ter ennobreçido com sumptuofos edifícios, e depositado na sua Igreja a preciosa relíquia de huma ambola de crystal com leite de nossa Senhora, que ainda hoje se conserva na Sé desta Cidade.

Correndo os annos de 1545, EIRey D. João III, que deo a esta terra o titulo de Cidade, a quiz ennobrecer com cadeira Episcopal e impetrou esta graça do Pontífice Paulo III, aggregandolhe as Freguezias do seu termo, e as Villas de Ourem, Aljubarrota, Porto de Moz, Alpedriz, e seus termos, defannexando as quarenta Freguezias da nova Diecese do Bispado de Coimbra, ao qual, até então pertenciam. Até o presente teve esta Igreja treze Prelados; a renda da sua Mesa Episcopal passa de trinta mil cruzados; as Dignidades do seu Cabido são: Deão, Chantre, Thesoureiro, Mestre EscoIa, e Arcediago; as Conezias são dez, com quartro meyos Cónegos e dezasete Quartanarios.

Tem mais esta Cidade duas Freguezias, a saber; a Sé, templo sumptuoso, e S. Pedro, que tem os seus Freguezes extra muros. Casa de Misericordia com Hospital, e o Convento de S. Francisco da Observancia, fundação delRey D. João o I, pelos annos de 1384; o dos Padres Eremitas de S. Agostinho, o de S. António de Capuchos Arrabidos, fundação de Pedro Vieira da Silva, Secretario que foy de Estado do Senhor Rey D. João IV e de sua mulher D. Leonor de Noronha, o qual depois de viuvo se fez Clérigo, e foy Bispo desta Cidade, que era sua partria; e o Convento de Religiosas Dominicas, fundado em 1494.

Nesta Cidade, seu termo se contam vinte e seis Freguezias, nas quaes se alistam quatorze companhias de Ordenanças, com Capitão e Sargento mór, e mais cabos militares, e no districto da Comarca se comprehendem as Villas de Atouguia e de Pombal, que têm voto em Cortes nos bancos dezaseis e dezasete. Em toda ella se contam huma Cidade, vinte e huma Villas, secenta Freguezias, com perto de vinte mil fogos e de secenta mil almas. As casas de Religião que ha nella são:

O magnifico Convento da Batalha de Dominicos fundação delRey D. João I em 1386.

S. Maria Magdalena de Religiosos Arrabidos no termo de Alcobaça fundado em 1566.

O grandioso Convento de Alcobaça, a que deo principio EIRey D. Affonso Henriques em 1148.

S. Maria Covento de Religiosas Bernardas da Vílla de Coz, fundado em 1290.

O Bom Jesus Convento de Franciscanos Recolletos de Peniche

S. Bernardino Convento dte Religiosos Franciscanos da Atouguia

O famoso Santuário de nossa Senhora da Nazareth, termo da villa de Pedreneira.




 

Descripçam corografica do reyno de Portugal, 1755