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segunda-feira, 16 de abril de 2012

História de Portalegre e imagem do antigo brasão



História de Portalegre e imagem do antigo brasão

A CIDADE DE PORTALEGRE 

Esta cidade está na província do Alentejo, duas léguas ao sudoeste da praça de Marvão, três da fronteira do reino de Leão e nove ao norte da cidade d Elvas. Campeia sobre um pequeno monte, que faz parte da serra também chamada de Portalegre, estendendo-se pela ladeira que olha para o norte. De um lado desce o monte suavemente para um vale arborizado e regado de varias ribeiras. De outro lado precipita-se em barrancos e profundas quebradas, sombreadas aqui e ali por oliveiras e outras árvores. Da parte do norte, enfim estende-se com suave declive por baixo de um continuado bosque de castanheiros e outras árvores frutíferas, com muitas vinhas e quintas que, chegando ao vale, guarnecem as margens da ribeira de Nisa. Portalegre é capital do distrito administrativo do seu nome.

Como povoação antiquíssima, a sua origem esconde-se por entre mil fábulas. No tempo dos romanos era uma cidade de alguma importância. Por um cippo, obra romana, que se achou fora dos muros da cidade, abrindo-se os alicerces da ermida do Espírito Santo, parece que se chamava então Ammaia. Este cippo, que sem duvida servia de base a alguma estátua e se vê na referida ermida, tem seguinte inscrição: Imp. Cae. L. Aurelio Vero Aug. Divi Antonini F. Pont. Max. Cons. II. Trib. Pop. P.P. Municip. Ammaia.

Vertido em linguagem quer dizer: O município de Ammaia erigiu esta memoria ao imperador César Lúcio Aurélio Vero Augusto, filho de Antonino, pontífice máximo, cônsul duas vezes, tribuno do povo e pai da patria.

Padeceu provavelmente esta povoação completa ruína na invasão dos bárbaros do norte, pois que não consta dela mais noticia.

Conforme uma tradição popular, em tempos anteriores á monarquia, havia aqui umas vendas chamadas Portellos e estavam junto ao lugar onde mais tarde se edificou a ermida de S. Bartolomeu. Destas vendas ficou o nome ao sitio. Aceitando pois a tradição, serviram estas vendas de núcleo á nova povoação, que em torno delas foi edificando com os materiais da destruída cidade romana. Correndo porém o tempo, veio a ter a mesma sorte da antiga Ammaia. Nas guerras entre os campeões de Cristo e os sectários de Mafoma, que devastaram durante séculos o belo solo da península, foi aquela terra inteiramente arruinada e despovoada.

Levantou-a das ruínas e mandou a novamente povoar el rei D. Afonso III no ano de 1259, dando-lhe foral de vila com vários privilégios. Nas escrituras dessa época. que eram escritas em latim, dá-se-lhe o nome de Portus Alacer, Porto Alegre. Dizem que tomou a primeira parte dele de um sitio denominado Porto, que aí fica entre a penha de S. Tomé e Cabeça de Mouro, e a segunda do muito alegre que é a sua posição, vindo ao diante a unir-se as duas partes em Portalegre.

El rei D. Dinis tratou de fortificar bem Portalegre, construindo-lhe um castelo e cercando-a com uma dupla muralha guarnecida de doze torres e com oito portas denominadas: da Deveza, do Postigo, de Alegrete, de Elvas, de Évora, do Espírito Santo, de S. Francisco e do Bispo. Quis a sorte, que este mesmo soberano tivesse de experimentar contra si próprio a fortaleza daquelas muralhas.

Tendo o infante D. Afonso, seu irmão, levantado o estandarte da rebelião e seguindo Portalegre o partido do infante, a cujo senhorio pertencia, foi el rei D. Dinis, em pessoa, sitiar a vila. Principiou o cerco em Maio de 1299 e durou até Outubro, acabando afinal por uma capitulação que pôs a vila nas mãos del rei. Vieram a fazer-se as pazes entre D. Dinis e D. Afonso, mas a torreada vila, que tão valente se mostrara na defensa, bem como Marvão, ficaram incorporadas na coroa, recebendo o infante em troca as vilas de Sintra Ira e Ourem. E para que não se desse ali outro caso semelhante, concedeu D. Dinis aos moradores de Portalegre o privilegio de que a sua vila se não desanexaria em tempo algum do património real. Este privilegio foi depois confirmado por el rei D. Afonso V e por D. João II.

Passados anos, intentou el rei D. Manuel dar o senhorio de Portalegre a D. Diogo da Silva de Menezes, que fora seu aio e por quem tinha particular estima. Opuseram, porém, os habitantes tal resistência, que el rei, depois de ter empregado para a vencer, primeiro ameaças e em seguida degredos e outras penas, viu-se obrigado a desistir, contentando-se com fazer mercê ao seu valido do titulo de conde de Portalegre e da alcaidaria mor desta terra.

Tendo obtido el rei D. João III a bula de 2 de Abril de 1550, que erigiu o bispado de Portalegre, desmembrando-o da diocese da Guarda, elevou nesse mesmo ano aquela vila á categoria de cidade. O primeiro bispo da nova diocese foi D. Julião d' Alva, prelado muito aceito del rei D. João III e da rainha D. Catarina.

Durante a guerra da sucessão de Espanha, reinando em Portugal D. Pedro II, foi Portalegre sitiada pelo exercito espanhol de Filipe V, ao qual teve de render-se, mas em breve voltou ao domínio do seu soberano.

No antigo regímen gozava da prerrogativa de ter voto em cortes, nas quais os seus procuradores tinham assento no banco quarto. O seu brasão de armas é um escudo coroado e nele duas torres, que dizem significar as duas que estão defronte da porta da Deveza.

Portalegre é uma cidade industriosa. Em meados do século XVII já possuía uma grande fabrica de panos de lã, que empregava inumeráveis braços e cujos produtos exportava para as principais terras do país. Nesta época os seus panos tinham chegado a bastante perfeição e vestia- se deles a maioria dos portugueses. Tão importante trato fez rica e prospera esta cidade, que então contava três mil fogos, como refere o cronista mor frei Francisco Brandão, que escreveu isto pelos anos de 1649 ou 1650.

A importação dos panos ingleses, que ao principio fora e se conservara por muito tempo limitada a Lisboa, onde esses produtos apenas achavam consumidores nas classes mais abastadas e principalmente entre as pessoas nobres, foi aumentando progressivamente na capital e estendendo se ao Porto e outras terras. As fabricas nacionais em breve se ressentiram desta concorrência. Ferido desta forma o principal ramo da industria manufactora de Portalegre e um dos principais do seu trato comercial, decaiu tanto a cidade que em 1707 encerrava apenas mil e oitocentos fogos, os quais, no ano de 1820 se achavam reduzidos a mil setecentos cinquenta e um.

Felizmente teve um termo esta progressão decadente. Portalegre está em caminho de prosperidade, pelo desenvolvimento da sua agricultura e pelo grande impulso que á sua fabrica de panos têm dado os actuais proprietários, os senhores Larcher & Cunhado, que conseguiram elevar estes produtos a muita perfeição. A isto acrescerá brevemente a imensa vantagem de lhe passar próximo a via férrea que há-de ligar Lisboa com Madrid e as outras capitães da Europa.

Dividia-se a cidade em cinco paroquias, que eram: a Sé, Santiago, S. Lourenço, S. Martinho e Santa Maria Madalena. Porém em 1857 as duas ultimas foram suprimidas, afim de se estabelecer um mercado no local da igreja de S. Martinho e construir- se um chafariz no da segunda.


A sé ergue-se no sitio mais alto da cidade. Foi fundada pelo primeiro bispo desta diocese, D. Julião d'Alva, no lugar onde estava a igreja paroquial de Santa Maria do Castelo. A capela-mor, porém, é obra do virtuoso prelado e elegante escritor, D, frei Amador Arraes, terceiro bispo de Portalegre. Esta catedral é o melhor edifício da cidade. Consta de três naves sustentadas por colunas goticas, posto que revestidas de estuque com ornatos de mau gosto. A abobada é de laçaria. A fachada já não conserva a arquitectura primitiva. Tem duas torres e ornam-lhe a porta duas colunas de mármore. No meio da capela-mor está a sepultura do bispo D. Julião. Para esta Sé bordou a rainha D. Catarina, mulher de D. João III, umas alfaias que aí se devem conservar.

A casa da misericórdia, o hospital, umas dez ermidas, o paço episcopal, a casa da câmara, os extintos conventos de S. Francisco, que foi de franciscanos fundado em 1265, o de Santa Maria, de Agostinhos descalços, edificado em 1683, o colégio de S. Sebastião, dos jesuítas, construído em 1605 e os dois mosteiros de freiras ainda habitados, são os principais edifícios da cidade.

Um destes é de religiosas da ordem de Santa Clara, o outro é de freiras de S. Bernardo e foi fundação do bispo da Guarda D. Jorge de Melo, na primeira metade do século XVI. Na capela de Nossa Senhora da Conceição, da igreja deste mosteiro, repousa o fundador, num sumptuoso túmulo.


As ruas de Portalegre são em geral estreitas, tortuosas e com maior ou menor declive, Vêem-se todavia nelas muitas casas de boa construção e agradáveis á vista. Tem um grande campo ou rossio, para o lado do norte, onde estava a antiga fabrica de panos.


Modernamente edificou-se nesta cidade um bonito teatro para representações de curiosos ou de alguma companhia volante.

A povoação é abastecida de excelente água por diversos chafarizes.

Os arrabaldes, já dissemos, que são muito lindos e pitorescos. Os acidentes de terreno, os arvoredos frondosos que os cobrem, as vinhas, hortas e pomares que descem pela colina até ao vale e aí se estendem ao longo das ribeiras que o cortam e fertilizam os mananciais de puríssimas águas, que por todos os lados brotam, fazem com que os arredores de Portalegre ofereçam ao viajante belos panoramas e alguns sítios deliciosos.

O termo de Portalegre é de muita fertilidade em todo o género de produções agrícolas. Há nele magnificas herdades, com grandes montados em que se cria muito gado suíno. Cereais, azeite e vinho constituem a sua cultura mais especial. Todavia produz grande copia de castanhas e outras frutas, tem criação de gados de diversas espécies e exporta muita madeira de castanho. É regado pelas ribeiras de Xever, de Xevera, de Xeverete, de Xola e de Nisa, que nascem na serra de Portalegre e que fazem trabalhar muitas azenhas. Esta serra é ramo da da Estrela. Tem muita variedade de caça e brotam dela grande quantidade de fontes, que fazem todos os seus vales muito frescos, risonhos e produtivos.

A população da cidade de Portalegre passa de seis mil e trezentas almas. Como cabeça de distrito e de comarca, é sede de um governador civil, de um juiz de direito e outras autoridades, de um liceu, etc.

A 13 de Setembro tem a sua feira anual, que é muito concorrida de gente das terras vizinhas, de géneros e de gado.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa




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Pelo Censos 2011 Portalegre conta com 24 930 habitantes

Freguesias de Portalegre

Alagoa, Alegrete, Carreiras, Fortios, Reguengo, Ribeira de Nisa, São Julião, São Lourenço, Sé, Urra

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Santos Portugueses - Santa Marina



Santos Portugueses - Santa Marina


Santa Marina a qual nascendo na Vila do Mogadouro, se retirou pelos anos de 1450 aos desertos de Salamanca e ali, escolhendo uma gruta mais desabrida, fez morada, viveu e acabou santamente, manifestando o Céu, pelas maravilhas que esta Santa Anacoreta obrava, os grandes merecimentos que tinha feito para adquirir a bem aventurança que possui.

Jaz seu corpo no mesmo sitio, mas dentro de um grandioso Templo e Convento Seráfico, da sua mesma invocação, onde em dia da Ascenção se dá a beijar sua santa cabeça ao povo que ali concorre.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

História de Monforte e imagem de 1860 do antigo brasão


História de Monforte e imagem de 1860 do antigo brasão


A VILA DE MONFORTE

Acha-se situada esta vila na província do Alentejo, entre a cidade de Portalegre e Vila Viçosa, distando quatro léguas da primeira para o sul e outras tantas da segunda para o norte.

Não há noticia certa sobre a fundação desta vila, mas sabe-se que já existia no principio da monarquia, pois consta de um alvará de D. Afonso IV, que se guarda no arquivo municipal, que el rei D. Afonso Henriques lhe concedera grandes privilégios e isenções.

Com as guerras dos moiros, durante os quatro primeiros reinados, se arruinou e ficou quase deserta. El rei D. Afonso III mandou-a reedificar e povoar de novo em 1270 e seu filho, el rei D. Dinis, construiu o seu castelo e cercou-a de muros. Tinha voto nas antigas cortes, sentando-se os seus procuradores no banco decimo segundo. São seus alcaides mores os senhores condes das Galveias. Tem por armas três torres com seus corucheos e sobre estes três bandeiras.

Está fundada esta vila sobre um monte alto e de difícil acesso, principalmente do lado do norte e desta sua posição tirou o nome de Monforte, abreviatura de Monte forte.

Divide-se a povoação em três paroquias: Santa Maria, que é a matriz; S Pedro e Santa Maria Madalena. Tem casa de Misericórdia, hospital, um convento de freiras franciscanas fundado no reinado de D. João III por Fernão Ribeiro Montoso, natural de Monforte e no qual residem mui poucas religiosas; e as ermidas de Nossa Senhora, S. Sebastião, S. Domingos, o Espírito Santo, S. Gião e Nossa Senhora da Conceição. Esta ultima é um belo templo, bem ornado e servido e onde concorrem muitas romagens daqueles arredores.

O termo de Monforte é cortado por varias ribeiras. As principais, chamadas de Avis e Leça, têm aprazíveis margens e regam campos fertilissimos, em que se cultivam muitas e boas frutas. Possui este termo mui ricas herdades, com magníficos montados de lande e bolota, onde se cria muito gado suíno e, além deste, que é o principal, de todo o mais. Produz muitos cereais e vinho. Os montes abundam em caça de todo o género.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelos Censos 2011 Monforte conta com 3351 habitantes

Freguesias do Monforte 

Assumar, Monforte, Santo Aleixo, Vaiamonte 

domingo, 23 de outubro de 2011

História de Marvão e imagem de 1860 do antigo brasão




História de Marvão e imagem de 1860 do antigo brasão

A VILA E PRAÇA DE MARVÃO

Num dos mais altos cabeços da serra de Portalegre, na província do Alentejo, está assentada a vila e praça de Marvão. Todavia, posto que este monte conte meia légua de elevação, o cume é perfeitamente plano.

Para os lados de norte, sul e oeste, é formado todo o monte de rocha viva, como que cortada a prumo, até a um profundíssimo vale, com tais quebradas e tão escarpada penedia, que o acesso por ali é impossível. O ingresso para a vila é pelo lado de leste, onde o dorso da montanha está despido de rochedos e se eleva com menos precipitada inclinação. Porém ainda assim e apesar de subir em voltas, o caminho é muito íngreme e penoso.

Como esta parte é a que olha para a fronteira de Espanha, de onde dista uma légua, é nela que se acham as principais fortificações da praça, pois que as outras estão defendidas pela natureza. Na raiz do monte ergue-se pois a primeira muralha, que é banhada pelo pequeno rio Aramenho, o qual lhe serve de fosso. Dentro da vila para oeste levanta-se o castelo, acompanhado de alguns baluartes.

Dizem os nossos antiquários que foi fundada esta vila quarenta e quatro anos antes do nascimento de Cristo, pelos herminios, antigo povo da Lusitânia que habitava na serra da Estrela e suas circunvizinhanças e que, vindo a arruinar-se ou sendo destruída na invasão dos sarracenos, foi mandada reedificar e povoar no ano da era cristã de 770, por um moiro chamado Marvão, que era senhor de Coimbra e do qual tomou o nome.

El rei D. Dinis mandou edificar o castelo e a cerca de muralhas; e nos tempos da guerra da restauração contra o domínio de Castela, fizeram-se-lhe algumas obras de fortificação, segundo o sistema moderno.

Marvão gozava antigamente de voto em cortes com assento no banco décimo primeiro e tinha por alcaides mores os condes da Atalaia.

Consiste o seu brasão de armas de um castelo de oiro em campo azul, tendo por cima o escudo das quinas e duas chaves.

Divide se a vila em duas paroquias, uma da invocação de Santa Maria e a outra intitulada de Santiago. Tem casa de Misericórdia, hospital e quatro ermidas.

Os moradores fornecem-se de agua de uma grande cisterna que há no Castelo, junto á entrada de um poço de agua nativa e de uma fonte que fica na encosta do monte próximo ao caminho que conduz para a vila.

Marvão encerra uma população de mil e trezentas almas. De vários sítios da vila, descobre-se um horizonte dilatadissimo. Vêm-se, entre outras serranias, as da Estrela e de Beja e diversas povoações.

Nos subúrbios tinha um convento de frades franciscanos. O rio Aramenho faz férteis os campos circunvizinhos, onde há algumas hortas e pomares. O termo produz cereais, legumes e azeite e nele se criam gados e caça.

Numa quinta que ali possui o senhor conde da Atalaia, têm- se achado muitos vasos de barro, medalhas, inscrições e outras antiguidades. Não muito longe, ainda dentro do termo de Marvão, descobrem se ruínas de edifícios antigos em uma grande extensão de terreno, que bem mostram ter existido ali uma povoação importante. Conforme a opinião de um nosso escritor, que se deu muito ao estudo das antiguidades do nosso país, o padre Luiz Cardoso da congregação de S. Filipe Néri, essas ruínas são de uma cidade que se denominava Arménia. Diz o mesmo autor que o nome de Aramenha, que se dá ali a uma freguesia e o do Aramenho, porque se conhece o rio, são corruptelas do nome daquela cidade.

No distrito desta freguesia de Aramenha, ergue-se a serra da Portagem, nas abas da qual, para o lado do ocidente, há uma caverna de muita profundidade, que terá cento e cinquenta palmos de altura. Dela segue pelas entranhas da serra e em direcção do norte outra caverna compridissima, onde os curiosos não se têm atrevido a penetrar muito em razão da falta de luz e ar.  As paredes e abobadas destas cavernas são de rocha e dizem que mostram sinais de terem sido abertas por esforço de arte humana. É tradição naqueles povos que foi uma mina de chumbo que aí esteve em exploração.

Dista Marvão duas léguas da cidade de Portalegre, para o nordeste e uma da vila de Castelo de Vide para o sueste. Valença de Alcântara é a povoação do reino vizinho que lhe fica mais perto, na distancia de duas léguas. Porém, á parte mais próxima da fronteira, como acima, dissemos não vai mais de uma légua.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelos Censos 2011 Marvão conta com 3553 habitantes

Freguesias de Marvão:

Beirã, Santa Maria de Marvão, Santo António das Areias, São Salvador da Aramenha

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Imagens Milagrosas em Portugal - Castelo de Vide



Imagens Milagrosas em Portugal - Castelo de Vide

No Convento da Conceição de Castelo de Vide existe uma preciosa lâmina de cobre com a esfinge de Cristo Nosso Senhor, metida numa vidraça, com um letreiro por fora, que diz ter sido tirado de Amiralda pelo Grão Turco e mandado de presente ao Papa Inocêncio VIII, para efeito de lhe resgatar um irmão, que tinha cativo.

Não sabemos qual dos dois retratos, este ou o de Aveiro, é o verdadeiro que se mandou ao Pontífice.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Relíquias Sagradas em Portugal - Avis



Relíquias Sagradas em Portugal - Avis

No Convento dos Freires de Avis conservam-se as relíquias de Santo Urbano, Aniceto, Fabião, Bonifácio, Martinho, Patrício, Manilino, Júlio, Sérgio, Teodoro e de outros Santos Mártires, que trouxe de Roma, no ano de 1601, frei Damião da Mata.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

História de Elvas e brasão antigo (imagem de 1860)



História de Elvas e brasão antigo (imagem de 1860)

A CIDADE DE ELVAS


Na provincia do Alentejo, junto á fronteira de Espanha, está a cidade de Elvas, assentada em anfiteatro sobre uma eminencia e distante de Lisboa trinta e tres leguas. Aos lados erguem se dois montes que a dominam e que são coroados pelos fortes de Santa Luzia e de Nossa Senhora da Graça. A duas leguas corre a ribeira do Caia que divide Portugal de Espanha. A tres leguas levanta-se, em frente de Elvas, a cidade e praça espanhola de Badajoz.

Sobre a origem de Elvas emitem os nossos autores opiniões diversas, sendo algumas inverosimeis ou pelo menos faltas de bons fundamentos. A que parece mais provavel, atribue aos romanos a sua fundação e faz derivar o seu nome de Marco Helvio, que então governava esse distrito da Lusitania.

Quanto á sua existencia na epoca da dominação romana não ha que duvidar. Varias sepulturas e inscrições achadas junto á cidade provam evidentemente que nesse tempo era povoação importante, mas além disto ha muitos outros testemunhos.

Dizem alguns antiquarios que o celebre general cartaginês Maharbal vivera muito tempo em Elvas e que aíi convalescera de uma perigosa enfermidade, em memoria do que erigiu um templo a Cupido nas vizinhanças de Vila Viçosa, junto a Terena. Deste templo viam-se ainda, no seculo passado (18), bastantes vestigios.

Depois da destruição do imperio romano Elvas passou sob o jugo dos diversos povos, que a seu turno sujeitaram a Lusitania. Dos moiros, que foram os ultimos, resgatou-a el rei D. Afonso Henriques no ano de 1166; tornando porém ao poder dos infleis, libertou-a novamente seu, filho D. Sancho I, no ano de 1200.

As guerras arruinaram-na e quase de todo a despovoaram. Porém D. Sancho II mandou-a reedificar e povoar no anno de 1226, dando-lhe por essa ocasião foral com os mesmos privilegios de que gozava a cidade de Evora. Elevou-a el rei D. Manuel á categoria de cidade, em 1513, e el rei D Sebastião á preeminencia de sede episcopal por bula pontificia de 9 de Junho de 1570.

Nas guerras da independencia, que se seguiram á morte del rei D. Fernando, já possuia Elvas um forte castelo e boa cerca de muralhas, com que resistiu valorosamente ás tropas castelhanas que então a sitiaram e acometeram.

Na gloriosa luta da restauração de 1640, foi teatro de grandes vitorias para as armas portuguesas, principalmente no dia 14 de Janeiro de 1659, em que o exercito espanhol, que a cercava, foi completamente desbaratado pelas tropas portuguesas, sob o cominando de D. Antonio Luis de Menezes, primeiro marquês de Marialva. Nesta batalha memoravel nos fastos de Portugal, com o nome de Vitoria das linhas de Elvas, perderam os inimigos, além de grande numero de mortos, feridos e prisioneiros, toda a artilharia, munições e bagagens.

No seculo seguinte passaram-se em Elvas cenas diametralmente opostas. Desta vez eram grandes festas e regosisos pelos dois consorcios que estreitaram em intimos laços de familia os soberanos de Espanha e Portugal. El rei D. João V e toda a familia real, aí foram passar alguns dias, durante os quais se avistaram e conversaram com D. Filipe V de Espanha e sua familia, numa esplendida casa que para esse fim se construiu sobre o Caia, limite dos dois paises. Os reais desposados foram o principe D. José, depois rei, primeiro do nome, com a infanta D. Mariana Victoria, filha de el rei Filipe V, e o filho herdeiro deste soberano, o principe D. Fernando, que veio a ser o sexto do nome entre os reis dc Espanha, com a infanta D. Maria Barbara, filha de el rei D. João V.

É a cidade de Elvas a principal praça de guerra de Portugal. A parte mais antiga das suas fortificações é o castelo, de que acima falámos, fundado no lugar mais elevado e cercado de muralhas ameiadas, flanqueadas de torres, tudo em bom estado de conservação. As obras que fizeram desta cidade uma praça de primeira ordem, foram empreendidas em epocas mui diversas, algumas anteriores a 1640, muitas e importantes durante a guerra da restauração e outras nos reinados de D. João V, D. José, D. Maria I e D. João VI.


Tem esta praça no seu circuito sete baluartes, quatro meios baluartes e um redente, ligados por cortinas que formam doze faces. Das obras de defesa exteriores, as principais são os fortes de Nossa Senhora da Graça e de Santa Luzia.

Dão entrada para a praça tres grandes portas chamadas da Esquina, de Olivença e de S. Vicente, além de varias portas falsas ou poternas, que se abrem nas cortinas do recinto. Ha na praça vastos quarteis, armazens e uma grande cisterna, paiois, etc, tudo á prova de bomba.

A sua guranição em tempo de guerra pode elevar-se a seis ou sete mil homens. No começo deste seculo (19) defendiam-na duzentas e cinquenta e sete peças de artilharia.

Conta Elvas quatro paroquias: a sé, Nossa Senhora da Alcaçova, o Salvador e S. Pedro. A sé è um templo de tres naves, obra de el rei D. Manuel. Era a antiga matriz, com a invocação de Santa Maria. Interiormente é de boa arquitectura gotica, com abobada de laçaria de pedra. A capela mór é moderna e sumptuosa. Foi fabricada de finos marmores por alguns dos melhores artistas que trabalharam no palacio real de Mafra. Na igreja, sacristia e casa do capitulo, vêem-se muitos paineis a oleo, alguns de bastante merecimento.

A paroquia do Salvador, outrora intitulada de Santiago, pertenceu ao colegio dos jesuitas. A ogreja da Misericórdia é um belo templo de tres naves, sustentadas em colunas de ordem toscana. Contiguo está o hospital administrado por esta pia confraria.

Havia em Elvas quatro conventos de frades. O de Nossa Senhora dos Mártires, de religiosos dominicos, cuja primeira fabrica foi del rei D. Afonso III, em 1267, tem uma bom igreja de tres naves. O edificio do convento serve actualmente de quartel militar. O de S. João de Deus, de hospitaleiros é hoje hospital militar. O colegio dos padres da Companhia e o convento de S. Francisco, de piedosos, contiguo á cidade, e fundado em 1591.

De freiras tem dois conventos: o de Nossa Senhora da Consolação, de religiosas dominicas, edificado em 1543, cuja igreja é de forma rotunda e mui elegante; e o de Nossa Senhora da Conceição, de freiras da regra de Santa Clara.

A confraria dos terceiros de S. Francisco, possui um bom edificio e uma excelente igreja, ornada de obra de talha doirada de muito primor.

Além destes templos, ha na cidade e cercanias varias ermidas. As ruas, posto que estreitas em geral, são regulares. A principal praça é a da Sé, onde ficam tambem o palacio episcopal em que se hospedou el rei D. João V com a familia real e outros principes, em eras anteriores; e a casa da camara, com a sua torre de relogio e com uma boa sala de sessões, decorada com varios paineis do pincel de Cyrillo Volkmar Machado. Nesta praça vê-se o antigo pelourinho, formado de uma só peça de marmore, todo cheio de esculpturas no gosto gotico.



Ha na cidade um passeio publico, começado em 1807 e situado entre as portas de Olivença e da Esquina. O grande aqueduto da Amoreira abastece abundantemente de agua a povoação e alimenta diversos chafarizes, dos quais o de S. Lourenço é o de melhor arquitectura.

Os suburbios de EIvas são amenos muito arborisados, com muitas hortas e quintas e, principalmente no extenso vale por onde corre o ribeiro Ceto, e que separa a praça do forte de Nossa Senhora da Graça. O termo produz cereais em abundancia, vinho, muito azeite, frutas,etc. Ha nele magnificas herdades em que se cria bastante gado.

Elvas conta uma população de perto de onze mil quatrocentas almas. Tem tres feiras anuais muito concorridas de nacionais e de espanhois: uma a 20 de Janeiro, outra a 20 de Maio e a ultima a 21 de Setembro.

Gozava esta cidade de voto em cortes, no antigo regimen, tendo assento os seus procuradores no banco segundo. Tem por brasão de armas um escudo coroado e nele, em campo vermelho, um guerreiro a cavalo todo armado, empunhando na mão direita o estandarte das quinas portuguesas. Commemora este brasão a acção audaciosa de um cavaleiro português que, num dia de função publica em Badajoz, entrou nesta cidade e, arremetendo por meio do povo, ousou apossar-se do estandarte castelhano e, correndo com ele na mão até junto das muralhas de Elvas, conseguiu arremeça-lo para dentro da praça, onde não entrou porque os castelhanos que a perseguiam Iho impediram com a morte.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Elvas conta com 23 087 habitantes

Elvas é uma cidade portuguesa do Distrito de Portalegre


Freguesias de Elvas 
Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso (Urbana), Alcáçova (Urbana), Assunção (Urbana), Barbacena (Rural), Caia e São Pedro (Urbana), Santa Eulália (Rural), São Brás e São Lourenço (Rural), São Vicente e Ventosa (Rural), Terrugem (Rural), Vila Boim (Rural), Vila Fernando (Rural)

História do Crato e da Flor da Rosa (imagem do brasão de 1860)


História do Crato e da Flor da Rosa (imagem do brasão de 1860)


A VILA DO CRATO

Querem os nossos antiquarios que esta vila fosse fundada muitos anos antes do nascimento de Cristo petos carthagineses, fazendo-a colonia e cidade com o nome de Catralencas.

Sem entrarmos na escurissima questão da sua origem, temos todavia por certo que é muito antiga. No concilio Illibiritano, que se celebrou no ano de 300 da era cristã na cidade de Elvira, na Andaluzia, compareceram tres bispos da Lusitania e, entre estes, Secundino, bispo Catralencense. Desta antiga hieraquia episcopal, conserva a vila do Crato uma memoria no nome de uma rua chamada da Episcopia, talvez onde outrora existisse o palacio do bispo.

Os muitos restos de edificios e sepulturas romanas que ainda no principio do seculo passado (18) se viam dentro da vila e a pouca distancia dela, os quais os moradores têem destruido desgraçadamente, para se irem aproveitando dos materiais para outras construções, provam que Catralencas foi uma povoação importante.

Pela invasão dos moiros ficou muito arruinada. Os seus moradores ou cairam sob o alfange sarraceno ou a abandonaram, indo procurar refugio nas montanhas mais escabrosas. E assim perdeu até nossos dias a sua preeminencia de cidade e sede episcopal.

Quando D. Afonso Henriques tratava de alargar com a sua gloriosa espada os limites da nascente monarquia, mandou reedificar e povoar aquela arruinada povoação, que do antigo nome, ja corrupto, se principiou a chamar Crato.

Entretanto só começou a medrar e ter alguma importancia desde que foi constituida cabeça do priorado da ordem militar de S. João de Malta. Esta ordem, foi instituida no tempo do conde D. Henrique em Jerusalem, de onde depois se mudou para a ilha de Rodes e daqui para a ilha de Malta.

Não se sabe precisamente a epoca em que foi criado o grão priorado do Crato, mas parece ter sido no reinado de D. Afonso IV, em que vemos figurar como prior do Crato a D. Alvaro Gonçalves Pereira, pai do condestavel D. Nuno Alvares Pereira, o qual foi o primeiro prior de que ha noticia. Os outros grão priores foram Afonso Gonçalves Pereira; Alvaro Gonçalves Camello; D. Pedro Alvares; D. Nuno de Gois; D. Diogo Fernandes de Almeida; D. João de Menezes, conde de Tarouca; o infante D. Luis, seu filho D. Antonio, pretendente á coroa por morte do cardeal rei; o principe Victorio Amadeo; o infante de Castela, D. Fernando; o cardeal arquiduque Alberto; D. João de Sousa; D. Manuel de Mello; o infante D. Francisco, irmão del rei D. João V; o infante D. Pedro, depois rei, terceiro do nome; seu filho, o infante D. João, depois rei, sexto do nome; e o senhor D. Miguel de Bragança.

Os rendimentos deste priorado, que no tempo deç rei D. Afonso V eram apenas de seiscentos mil réis, chegaram no ano de 1800, a vinte e quatro contos de réis. Por breve do papa Pio VI, de 24 de Novembro de 1789, ficou o grão priorado do Crato unido á casa do infantado que, como se sabe, foi extinta em 1833, bem como os dizimos que constituiam aqueles rendimentos.

No seculo XVI tiveram lugar na vila do Crato dois faustos sucessos, os consorcios del rei D. Manuel com a sua terceira mulher, a rainha D. Leonor, e de D. João III com a rainha D. Catarina, celebrados o primeiro no ano de 1318, com festas esplendidas, e o segundo no de 1524.

El rei D. Manuel deu foral a esta vila em 1512, concedendo-lhe muitos privilegios e isenções. O seu titulo de notavel tem origem muito anterior, bem como a regalia de ter voto em cortes, onde os seus procuradores tomavam assento no banco decimo segundo. O seu brasão de armas é uma cruz de Malta de prata, em campo vermelho.

Durante as guerras da restauração do reino, veio um exercito castelhano, comandado por D. João de Austria pôr cêrco á vila do Crato, no anno de 1662. Apesar de se achar muito mal guarnecida e de constar o exercito inimigo de seis mil infantes e quatro mil cavalos, defendeu-se a praça enquanto lhe foi possivel, auxiliada pelas fortes muralhas com que a cercara o prior D. Nuno de Gois e pelo castelo que este reedificara. Cedendo porém a forças tão superiores, rendeu-se, conseguindo apenas segurança para as vidas dos seus defensores e mais habitantes.

D. João de Austria, irritado pela resistencia que lhe opôs um tão pequeno numero de soldados, permitiu aos vencedores todo o genero de cruezas. A vila foi roubada e queimada, não ficando edificio algum que não padecesse maior ou menor ruina. O castelo foi demolido por ordem do general castelhano. Os pobres habitantes, espoliados e privados de habitação, fugiram para a cidade de Portalegre e outras povoações da provincia. Entre as muitas perdas causadas pelo incendio da vila, houve a lamentar a dos cartorios, ricos em documentos importantes para a historia de Portugal e da ordem de Malta.

Passado algum tempo começaram a voltar os moradores e pouco a pouco se foram reedificando as habitações. Todavia esta catastrofe, não só paralisou os progressos que a vila do Crato ia fazendo visivelmente de ano para ano, mas deixou- lhe tão grandes vestigios da sua funesta passagem, que ainda hoje se vêem alguns, posto que tenha decorrido quase seculo e meio.

Está situada a vila do Crato na provincia do Alentejo, tres leguas distante da cidade de Portalegre para o lado do poente, quatro da vila de Niza para o sul e outras tantas do Tejo. O seu terreno é acidentado pelos muitos e grandes rochedos que a cercam por todos os lados, exceptuando o do sul.

Tem nas suas velhas muralhas cinco portas, chamadas de Santarem, de S. Pedro, de Berinjel, da Seda e Porta Nova. O castelo, fundado numa eminencia pedregosa, ficava sobranceiro á povoação, para a parte do nascente. Dele ainda resta a cerca de muros exteriores com seus baluartes. A torre de menagem e mais edificios que existiam dentro daquela cerca foram destruidos, como dissemos, em 1662.

A igreja de Nossa Senhora da Conceição é a unica paroquia da vila. É um bom templo de tres naves. A igreja da Misericórdia foi feita de novo no meado do seculo passado (18), tendo- se demolido o antigo templo, por estar muito arruinado e ser mui pequeno. Por esta ocasiâo tambem se reedificou o hospital da mesma santa casa. A torre do relojo é uma curiosa antigualha. Está situada no centro da povoação. É toda de cantaria muito alta e de forma piramidal.

Dentro e fora da vila há varias ermidas. A de S. Pedro que tem muita antiguidade; foi em tempos remotos a igreja matriz.




Nos suburbios da vila ha uma pequena aldeia, chamada o arrabalde da Flor da Rosa. Deve este nome e a sua origem, a um templo que aí fundou o grão prior D. Alvaro Gonçalves Pereira em 1356. Intitula-se de Nossa Senhora da Flor da Rosa, cuja imagem se achou escondida no mesmo lugar em que está edificada a igreja e dizem que pertencera a um antiquissimo convento de monges de S. Bento que os moiros destruiram totalmente na sua invasão da peninsula e que existia sobre o monte vizinho onde agora se vê uma capela dedicada a S. Bento.

Este templo de Nossa Senhora da Flor da Rosa é de arquitectura gotica e de excelente fabrica. No meio dele descansa o fundador num tumulo de marmore. No cruzeiro ergue-se outro tumulo, tambem de marmore, sobre seis leões, no qual estão as cinzas de D. Diogo Fernandes de Almeida, prior do Crato e filho de D. Lopo de AImeida, conde de Abrantes.

Proximo da vila, tinha a ordem de S. Francisco um convento da invocação de Santo Antonio.

A principal cultura do termo consiste em olivais ccreaes e vinhas. Tem muita caça e alguma criação de gado. Regam-no diversas ribeiras, a principal das quais, chamada de Seda, faz trabalhar varias azenhas. Proximo de outra ribeira, denominada do Xocanal, se descobriram pelos anos de 1724 uns cippos e outras pedras com inscrições romanas.

A 15 de Agosto e 8 de Setembro fazem-se duas feiras no arrabalde de Nossa Senhora da Flor da Rosa, ás quais concorre muita gente. A vila do Crato conta perto de mil e trezentos habitantes.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelos Censos 2011 o Crato conta com 3786 habitantes

O Crato é uma vila do Distrito de Portalegre

terça-feira, 20 de setembro de 2011

História de Castelo de Vide e antigo brasão (imagem de 1860)


História de Castelo de Vide e antigo brasão (imagem de 1860)

A VILA DE CASTELLO DE VIDE

Segundo a opinião de alguns nossos antiquários, é esta vila uma das mais antigas povoações do Alentejo e já existia no tempo da dominação romana. Os que lhe dão tão remota origem, querem que o seu castelo seja muito anterior ao reinado de D. Dinis, e dizem que este monarca só lhe edificou a torre da menagem e fez alguns reparos. Outros, porém, pretendem que foi el rei D. Dinis o fundador do castelo, e que desde então se ficou chamando a povoação Castelo de Vide, em lugar de Vila de Vide, nome que antes tinha.

Sobre a etimologia do nome, dizem os primeiros que provém da sua posição junto da raia de Espanha, chamando-se nos tempos antigos Vila de Vide, por abreviação de «Vila que divide», isto é, que separa um reino do outro. Os segundos teimam que o seu nome se deriva de uma vide que plantaram chegada á porta do castelo logo que acabaram de o construir. E confirmam esta opinião com o brasão de armas da vila, que é um escudo, tendo no meio um castelo cercado por uma vide, com seus cachos e parras.

Foi senhor desta vila, o infante D. Afonso, irmão del rei D. Dinis e, nas discórdias que tiveram entre si, foi por vezes teatro Castelo de Vide desta luta, querendo D. Afonso a todo o custo cerca-la de muros e impedindo-lho com tropas, el rei D. Dinis. Mais tarde veio a construir-se a sua cerca de muralhas com quatro portas. Outrora tinha voto em cortes com assento no banco décimo primeiro.

A vila de Castelo de Vide, antiga praça de armas, está situada na província do Alentejo, junto á fronteira de Espanha, em lugar elevado, na encosta de um monte que pertence á serra de Portalegre. Dista da cidade deste nome duas léguas e meia para o nor-nordeste e uma légua da praça de Marvão para o poente.

Há na vila três paroquias que são: Santa Maria da Devesa, que foi primeiro uma ermida, edificada no ano de 1311 e é a matriz; S. João Baptista, que era da ordem de Malta e antigamente da apresentação do grão prior do Crato; e Santiago.

Tem casa da Misericórdia e hospital, que datam do reinado d el rei D. Manuel. Havia aqui dois conventos de frades, que eram: o de Nossa Senhora da Conceição, de franciscanos da província do Algarve, e o de Nossa Senhora da Vitoria, de hospitaleiros de S. João de Deus, no qual se estabeleceu um hospital militar. Tem dois recolhimentos de mulheres pobres, uma igreja da invocação do Espírito Santo e umas vinte ermidas, dentro da vila e nos arrabaldes. A casa da câmara é bom edifício. O castelo é grande e tem dentro muitas casas aonde residem bastantes famílias.

Na vila há muita e boa agua; nos arrabaldes, porém, abunda por tal modo em poços, fontes e ribeiras, que faz aquelas cercanias muito férteis e formosas.

As ribeiras da Vide e de S. João cercam a vila com a frescura de suas águas, e rodeiam-na de frondoso arvoredo. Regam mais de duzentas hortas, pomares e quintas, e fazem moer muitas azenhas e engenhos de fabricas de panos, pelo que todas as saídas da vila são muito amenas e conduzem a lindíssimos passeios.

O termo de Castelo de Vide, em que se contam umas trezentas fontes, é muito produtivo e bem cultivado. Recolhe muita castanha, pêras, peros e outras frutas de magnifica qualidade, muita e excelente hortaliça, sendo algumas espécies de nomeada em toda a província; bastante copia de cereais e legumes, vinho azeite e caça de todo o género. Cria-se aqui muito gado, principalmente suíno, que constitui um ramo de grande comercio e riqueza para esta vila.

A 10 de Agosto tem a sua feira de três dias, á qual concorre muita gente e muita variedade do géneros. A população de Castelo de Vide regula por perto de seis mil almas. A alcaidaria mor desta vila anda na casa dos condes de Sabugal, que também são meirinhos mores.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelo Censos 2011 Castelo de Vide conta com 3376 habitantes

Castelo de Vide é uma vila do Distrito de Portalegre

As freguesias de Castelo de Vide são:
Nossa Senhora da Graça de Póvoa e Meadas, Santa Maria da Devesa (Castelo de Vide), Santiago Maior (Castelo de Vide), São João Baptista (Castelo de Vide)

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em CASTELO DE VIDE
PSD: 53,3% - 3 mandatos
PS: 28,1% - 2 mandatos

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Castelo de Vide

PPD/PSD - António Manuel Grincho Ribeiro
PS - Rui Manuel Mourato Miranda
PPD/PSD - António Manuel das Neves Nobre Pita
PPD/PSD - Daniel Jorge Carreiras da Silva
PS - Fernando José Tacão Valhelhas

domingo, 18 de setembro de 2011

História de Campo Maior e antigo brasão (imagem de 1860)



História de Campo Maior e antigo brasão (imagem de 1860)

A VILA DE CAMPO MAIOR

Três léguas ao norte da cidade de Elvas, na província do Alentejo, e próximo á raia de Espanha, está situada a vila e praça de armas de Campo Maior.

Não encontramos noticia alguma sobre a sua origem, nem relativamente á sua historia até aos começos do século XIII, em que vários autores põem a sua restauração do poder dos moiros, dizendo que teve lugar no ano de 1219, e que a deve a cristandade a uma família de Badajoz do apelido de Peres. Acrescentam os mesmos arqueólogos, que os ditos Peres, fizeram logo doação da terra por eles conquistada à igreja de Santa Maria do Castelo daquela cidade, sendo bispo de Badajoz D. frei Pedro Peres, seu parente, o qual deu por armas á nova povoação cristã um escudo com a imagem de Nossa Senhora e um cordeiro com esta letra em volta: «Sigillum Capituli Pacencis».

Sob o governo do nosso rei D. Dinis veio aquela terra para a coroa de Portugal. Este soberano deu-lhe foral de vila em 1296, com muitos privilégios e, no sitio mais alto, edificou um castelo. Asseveram os etimologistas, que foi desta fundação que se motivou o nome actual da vila e contam o caso deste modo. Apenas se levantou o castelo, quiseram logo muitas pessoas, conforme o uso e necessidades da época, procurar o abrigo da fortaleza, construindo casas junto das suas muralhas. Havendo controversa sobre o lado para onde mais conviria estender a povoação, decidiu-se que fosse para o lado do campo maior, o que se levou a efeito, ficando este nome para o novo bairro, o qual passou depois a abranger toda a povoação.

El rei D. Dinis fez doação desta vila á infanta D Branca, sua irmã, em 1301 e, falecendo esta princesa, doou aquele senhorio a D. Afonso Sanches, filho natural daquele monarca. El rei D. Manuel incorporou-a na coroa, com o privilegio de nunca mais ser desanexada dela.

El rei D. João II acrescentou mais alguns privilégios aos que esta vila já possuía e deu-lhe novo brasão d armas. Não consta ao certo se este é o actual, mas é provável que o seja, pois que sabendo-se que já assim existia no reinado de D. Manuel, que se seguiu a D. João II, não é de presumir que em tão curto espaço de tempo tivesse esta terra dois diferentes brasões de armas. O brasão que a câmara usa no estandarte municipal e que o seu digno presidente, o senhor Joaquim José da Matta, teve a bondade de comunicar á redacção deste jornal, com algumas noticias a seu respeito, contém as armas reais de um lado e do outro a imagem de S. João Baptista, patrono daquela vila.

Na guerra que se ateou entre Portugal e a Espanha no principio do reinado de D. João V, teve a praça de Campo Maior um rigoroso sitio, correndo o ano de 1712. O exercito castelhano era comandado pelo marquês de Bay, e compunha-se de trinta e três batalhões de infantaria e setenta esquadrões de cavalaria. Nos dois assaltos que deu á praça, em cujas muralhas chegou a abrir uma larga brecha, foi rechaçado pela valente guarnição portuguesa, debaixo do comando do mestre de campo, general conde da Ribeira Grande, que tinha o governo da artilharia da província do Alentejo e que conseguiu introduzir-se na praça, quatro dias depois de estabelecido o cerco. Durante este assedio, lançaram os inimigos contra a praça mil trezentas e nove bombas e dez mil oitocentas e setenta balas.

Com este cerco padeceram muito, tanto a vila como as fortificações, e passados poucos anos, depois da reparação de tais estragos, um raio, caindo sobre a torre grande do castelo. em que se achava o paiol da pólvora, que se incendiou, com uma horrível explosão, reduziu a ruínas uma grande parte da praça no dia 16 de Setembro de 1732. Ficaram destruídas oitocentas e vinte e três casas e morreram muitas pessoas. El rei D. João V mandou reedificar a praça, aumentando muito as antigas fortificações, segundo os progressos da ciência militar.

Edificada na encosta de um monte, descobre dilatado horizonte, avistando a cidade de Elvas em Portugal e em Espanha a cidade de Badajoz, as vilas de Albuquerque e Lobon e as serras de Mérida. As duas praças portuguesas e a espanhola, formam um perfeito triângulo, distando umas das outras três léguas.

Campo Maior tem uma só paroquia, dedicada a Nossa Senhora da Expectação. É um bom templo, de três naves, construído no tempo do bispo de Elvas, D Sebastião de Matos de Noronha, que governou aquela diocese na primeira metade do século XVIII. Anteriormente era a matriz uma ermida dentro do castelo.

A igreja e hospital da Misericórdia foram começados em 1718. O primeiro edifício, levantado na vila para esta tão santa e humanitária instituição, era acanhado e chegando a estado de grande ruína, foi demolido e no lugar que ocupava vê-se hoje um largo ou pequena praça.

Havia nesta vila dois conventos de frades: o de Santo António, de religiosos franciscanos e o de S. João de Deus de hospitaleiros do mesmo santo. Aquele teve a sua primeira fundação em 1494; depois, no de 1646, foi mudado para dentro do castelo, e em 1708 para o actual edifício, obra del rei D. Pedro II. O outro convento, construído no ano de 1645, tem servido agora e mesmo antes da extinção das ordens religiosas, de hospital militar.

Entre as varias ermidas que há na vila e nos subúrbios, as mais notáveis são: A de S. João Baptista, a cuja imagem se liga uma lenda de aparecimento milagroso, santuário de muita devoção e ao qual concorrem de longe muitas romarias. Foi reedificada com grande aumento no reinado e com auxilio pecuniário de D. João V. A ermida de S. Sebastião, no baluarte da mesma invocação, foi mandada fazer por el rei D. Sebastião.

Diversos poços e fontes dentro e fora da vila, abastecem a povoação e a fortaleza de muita e boa agua. Uma delas intitula-se de S. João, e dizem que fora ali que aparecera a imagem do santo. Outra chama se da Fome, pela razão de fazerem as suas águas bom apetite a quem delas usa.

Antigamente tinha a praça de Campo Maior de guarnição permanente em tempo de paz, um regimento de infantaria, e outro de cavalaria, e em tempo de guerra, quatro regimentos de infantaria e um de cavalaria. Hoje apenas tem um destacamento de linha e veteranos. Consta esta praça de nove baluartes, com seus revelins, meias luas, e contra escarpa, meia feita. O antigo castelo de el rei D. Dinis, que o raio danificou, foi demolido.

Nos arredores de Campo Maior cultiva-se muito trigo, cevada, legumes e algum centeio. Cria-se também muito gado, principalmente lanigero, cujas lãs têem grande reputação, pela sua excelente qualidade, e constituem um ramo importante do comercio desta terra. O rio Caia, que divide Portugal de Espanha, corre a meia légua de Campo Maior, entre muitas hortas e pomares.

A 24 de Agosto tem a sua feira anual.

Foram naturais desta vila muitos indivíduos, que se distinguiram por armas, letras e virtudes, alguns dos quais ocuparam lugares eminentes na religião, na administração do estado e na milícia. A população de Campo Maior ascende a quatro mil e seiscentos habitantes.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa

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Pelo Censos de 2011 Campo Maior tem 8793 habitantes

Campo Maior é uma vila do Distrito de Portalegre

Freguesias de Campo Maior
Nossa Senhora da Expectação, Nossa Senhora da Graça dos Degolados, São João Baptista

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em CAMPO MAIOR

PS: 46,8% - 3 mandatos
antcm: 43,5% - 2 mandatos

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Campo Maior

PS - Ricardo Miguel Furtado Pinheiro
antcm - João Manuel Borrega Burrica
PS - Isabel Maria Ramos Raminhas
antcm - Ana de Lurdes Aldeano Anacleto Golaio
PS - Sérgio António Nanita Bicho

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

História de Avis e antigo brasão (imagem de 1860)


História de Avis e antigo brasão (imagem de 1860)

A VILA DE AVIS 

No reinado de D. Afonso II era Évora o assento dessa nobre ordem de cavalaria que el rei D. Afonso
Henriques instituirá em Coimbra, para se auxiliar com ela na árdua empresa da expulsão dos moiros, a qual, ao principio subordinada á ordem espanhola de Calatrava, e mais tarde declarada independente por Eugénio IV, a pedido do nosso rei D. João I, tão celebre se fez por acções de valor sob a denominação de S. Bento de Aviz.

Correndo o ano de 1211, achando-se o termo da cidade de Évora já desafrontado da presença desses irreconciliaveis inimigos do nome cristão, pediu o mestre daquela cavalaria, D Fernão de Annes, a el rei D. Afonso II, que lhe desse para assento da sua ordem um lugar mais fronteiro a terras de moiros, onde melhor pudesse cumprir os preceitos do seu instituto. O monarca, cedendo a tão justo pedido, fez-lhe doação a 30 de Junho daquele ano. de um terreno na mesma província do Alentejo, distante seis léguas da raia da Estremadura, adaptado ao intento tanto por ter na vizinhança terras de infiéis, como por ser bom sitio pela sua elevação para aí se fundar uma fortaleza.

Tinha a escritura de doação por condições essenciais, que o referido mestre não só levantaria naquele lugar um castelo, mas também fundaria junto dele uma povoação. E consta da mesma escritura, que já
nesse tempo se dava áquele sitio o nome de Avis, proveniente, segundo a tradição das muitas aves,
principalmente águias, que frequentavam e poisavam naquela eminencia.

Só passados três anos é que se deu principio á fundação do convento e castelo, concluindo-se e fazendo-se a mudança sendo falecido o mestre D. Fernão de Annes, e governando a ordem o mestre D. Fernando Rodrigues Monteiro. Logo depois de acabados e povoados o convento e castelo, se começou a edificar e povoar a vila. O nome Avis, que se dava ao sitio, ficou-se dando também á vila e à ordem
que até ali se intitulava da Cavalaria de Évora. O seu foral foi obra del rei D. Dinis.

Como a povoação crescesse rapidamente á sombra dos muros de tão autorizada fortaleza, e sob a protecção de tão esforçados guerreiros, tratou-se de a cercar de muralhas e torres, com as seguintes portas: do Anjo, Debaixo, de Évora, de Santo António, de S Roque e do Postigo. As torres primitivas eram seis; porém nas guerras da restauração de 1640 demoliram-se duas para se construir com os seus materiais dois redutos, conforme o moderno sistema de fortificação. Estes fortes levantaram-se junto ás portas de Évora e de Santo António. Com o tempo veio a povoação a transbordar sobre o seu cinto de muros, estendendo se para o norte, aonde formou um grande arrabalde com três ruas bem guarnecidas de casas.

Está pois a vila d Avis assentada em lugar elevado, sobre a ribeira do mesmo nome, onde tem uma boa ponte vista de Évora, oito léguas para o norte. Tem uma única paroquia, da invocação de Nossa Senhora da Orada, que se ergue no sitio mais alto da vila, e segundo a tradição, a imagem da Senhora foi ali posta pelo Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

O principal edifício da vila é o antigo convento dos freires da ordem militar de S. Bento de Avis, fundado como acima dissemos, pelo mestre D. Fernão de Annes, e posteriormente reedificado. Está situado próximo da porta do Anjo, mas da parte de fora dos muros da vila, correndo-lhe pelo meio da cerca a ribeira de Avis.

Tem mais Avis hospital e casa de misericordia, cinco ermidas nos arrabaldes, e duas fontes de agua.

Abunda o seu termo em cereais, legumes, azeite, algum vinho, gados grandes, montados, muita caça e mel.

A população de Avis pouco excede a mil quatrocentas almas. A 3 de Janeiro e a 18 de Agosto fazem-se aqui duas feiras cada uma de três dias.

Gozou antigamente de voto em cortes, com assento no banco nono. O seu brasão de armas, conforme se acha na Torre do Tombo, e o representa a estampa junta, é um escudo com a cruz verde de Avis em
campo de oiro, e na parte inferior duas águias. Todavia numa das portas da vila, denominada de Évora, do lado de fora, vê-se pintado o seguinte quadro: A imagem de S Bento, tendo aos pés o mestre D. Fernão de Annes a cavalo, com escudo embraçado, e um alfange na mão direita. Debaixo das mãos do cavalo está uma cabeça de moira, e para o lado direito duas águias reais sobre uma azinheira. Diz a lenda que indo o referido mestre em procura de sitio para fundar o castelo e convento, descobrira naquele alto duas águias poisadas sobre uma azinheira, e tomando  disto bom agoiro se resolvera a fazer aí a dita fundação, dando por este motivo áquelle lugar o nome de Avis; e que em memoria deste sucesso se introduziram as duas águias nas armas da vila.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Segundo o Censos 2011 Avis tem 4576 habitantes


Avis é uma vila do Distrito de Portalegre



As freguesias de Avis são as seguintes:
Alcôrrego, Aldeia Velha, Avis, Benavila, Ervedal, Figueira e Barros, Maranhão, Valongo



Eleições Autárquicas - 11/10/2009


Votação por Partido em AVIS




PCP: 1647/53,9% - 3 mandatos
PS: 1023/33,5% - 2 mandatos



Candidatos Eleitos pelo Circulo: Avis


PCP-PEV - MANUEL MARIA LIBÉRIO COELHO
PS - RUI MANUEL VARELA BARRENTO HENRIQUE
PCP-PEV - NUNO PAULO AUGUSTO DA SILVA
PCP-PEV - ANTÓNIO LUIS MARQUES
PS - JOSÉ RAMIRO DA SILVA CALDEIRA

História de Arronches, Portalegre (Alentejo) e imagem do brasão antigo



Alentejo


História de Arronches e brasão antigo (Imagem de 1860)

A VILA DE ARRONCHES 

Quatro léguas ao sudoeste  da cidade de Portalegre e  cinco para o norte da  cidade de Elvas, está  assentada a vila de  Arronches, entre os rios  Caia e Alegrete, em lugar  um pouco elevado  relativamente ao vale que a  cerca, porém é dominada  pelos montes vizinhos que  lhe estreitam o horizonte e  lhe vedam descobrir  povoação alguma.

Não há noticia certa da sua  fundação. Alguns autores  mais dados ou mais  teimosos na investigação  das etimologias, querem  que no tempo do imperador  romano Caio Calígula,  viessem aqui fundar uma  povoação vários habitantes  da vila de Aroche, na  Andaluzia, os quais lhe  puseram o nome de  Arochela, em memoria da  sua pátria, de que se  derivou por corrupção o  actual de Arronches.

Partindo porém de noticias  positivas, sabe-se que já existia quando teve começo a monarquia e que D.  Afonso Henriques a tomou  aos moiros. Recuperada  pouco depois por estes, foi  novamente conquistada por  el rei D. Sancho II; e desta  vez ficou para sempre  cristã.

O mesmo soberano fez  doação dela em 1236 ao  mosteiro de Santa Cruz de  Coimbra; porém seu irmão
D. Afonso III tornou a  incorpora-la na coroa,  atendendo a ficar próxima  da fronteira. Mas daí a  pouco deu-a a seu filho, o  infante D. Afonso, que a  possuiu por bastantes anos,  até que nas disputas que  teve com seu irmão el rei D.  Dinis, lhe foi tirada e  novamente incorporada na  coroa.

Quando se tratou da  questão do casamento do  rei D. Afonso V, então viúvo  de sua primeira mulher, com
sua sobrinha, a princesa D.  Joana de Castela, que  acabando de ficar única  herdeira de el rei D.  Henrique, seu pai, via a  herança tão contestada e  duvidosa que só com auxilio  estranho se poderia conservar nela, foi em  Arronches que aquele  monarca teve conselho com  as pessoas principais do reino, sobre tão grave  assunto.

Decidido aí este negocio,  em favor do dito consorcio,  também foi na mesma vila  que o belicoso rei D. Afonso  V reuniu o exercito com que  entrou em Castela, para  sustentar os direitos dessa  infeliz princesa, que não  tendo por si a fortuna  despojada do trono, e  anulado pelo papa o seu  casamento, por não ter sido  precedido da necessária  dispensa, foi constrangida a  encerrar-se primeiramente  no convento de Santa Clara  de Santarém, e depois no  de Santa Clara de Coimbra,  onde fez profissão,  cobrindo, mau grado seu,  com o véu negro a fronte  em que resplandeciam  pouco antes duas coroas de rainha.

El rei D, Pedro II fez  marquês de Arronches a  Henrique de Sousa  Tavares, conde de Miranda,  e alcaide mor desta vila,  cujo titulo veio depois a  unir- se ao ducado de  Lafões.

Concederam os nossos  soberanos a esta vila mui  singulares privilégios. D  Afonso IV deu-lhe o de não
se fazerem penhoras aos  habitantes nos objectos que  tivessem dentro da casa em  que morassem, nem nos  trigos destinados para  sementes, nem nos bois de  arado. D. João I o de não  se levantarem aí soldados  para ir militar para fora da  vila, o de poderem os  pastores de todo aquele  termo, que é grande, trazer  armas, excepto nos meses  de Julho, Agosto e  Setembro, permitindo-se  aos moradores da vila  trazerem-nas por todo o  reino. D. Afonso V deu lhe a  prerogativa de não poder  daí em diante ser alienada  da coroa, e determinou que  não pudessem ser  vereadores as pessoas que  não tivessem cavalo seu.  D. João II, finalmente,  concedeu-lhe os seguintes  privilégios: não poderem os  seus habitantes ser  obrigados a trabalhar nos  muros, pontes, fontes,  calçadas ou outras  quaisquer obras que se  viessem a intentar na vila  ou fora dela, quer por si  próprios, quer por seus  bens; não poderem ser  constrangidos a  acompanhar presos, nem a  servir noutro concelho, nem  a ter armas, ou cavalos. Além destes teve ainda  muitos outros privilégios,  que se davam mais  comumente ás terras, que  os Reis queriam favorecer.

A vila de Arronches foi  praça de guerra, com boa  cerca de muros, que  resistiram ao assalto pelos  espanhóis na noite de 17  de Junho de 1712, na  guerra em que Portugal  então estava empenhado  com Castela.

Há na vila uma só paroquia,  cujo orago é Nossa  Senhora da Assunção. E um  belo templo, de bastante
antiguidade, com três  portais mui bem lavrados, e  interiormente de três naves,  sustentadas em seis
colunas, além de duas  menos altas, porém mais  brincadas, em que se firma  o coro. Tem hospital e casa
de misericordia, esta  fundada no reinado de D.  Manuel, e aquele instituído  no ano de 1372 pelo  alcaide mor, que então era  de Arronches, Rui  Gonçalves, e ao diante  anexo á misericordia. Havia  também aqui um pequeno  convento de religiosos  agostinhos descalços da  invocação de Nossa  Senhora da Luz, construído  em 1570. De entre quatro  ermidas que há na vila,  sobressai a do Espírito  Santo, notável pela sua  muita antiguidade.

Faziam-se nesta vila duas  feiras anuais, uma em  domingo de Pascoela, e  outra a 8 de Dezembro;  nenhuma das quais vemos  actualmente mencionadas  no catalogo das feiras do  reino.

O clima d Arronches é em  extremo quente, e a vila  falta de águas, não tendo  dentro em si senão alguns
poucos poços. Todavia o  seu termo abunda em  cereais, legumes, algum  vinho e azeite, e em  montados onde se criam  bastantes porcos.

A população desta vila anda  por mil e duzentas almas.  Teve antigamente voto em  cortes com assento no  banco nono, e tem por  brasão de armas um Castelo  em campo de purpura.


Por Ignacio de Vilhena Barbosa


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Pelo Censos 2011 Arronches tem 3165 habitantes

Arronches é uma vila portuguesa no Distrito de Portalegre

As freguesias de Arronches são as seguintes:
Assunção (Arronches), Esperança, Mosteiros

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em ARRONCHES

PSD: 1269/54,2% - 3 mandatos
PS: 911/38,9% - 2 mandatos

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Arronches

PPD/PSD - Fermelinda de Jesus Pombo Carvalho
PS - Gil da Conceição Palmeiro Romão
PPD/PSD - José João Gonçalves Bigares
PS - Carlos Alberto Lagarto Flores
PPD/PSD - João Francisco Velez Galão



História de Alter do Chão (Alentejo) e brasão de 1860


História de Alter do Chão e brasão de 1860


Alentejo


VILA DE ALTER DO CHÃO 

Na província do Alentejo, quatro léguas ao ocidente da cidade de Portalegre, está situada a vila de Alter do Chão.

A sua primeira fundação é atribuída aos romanos que a denominaram Eltori. Não é inteiramente averiguado se com efeito foram eles os seus fundadores, mas é fora de duvida que no tempo do seu domínio na Lusitânia, era aquela povoação uma cidade grande e muito importante. Disto há documentos escritos e muitas provas materiais, nos restos que ainda se descobrem de muitos edifícios tanto dentro da vila, como nos seus arrabaldes, num circulo bastantemente extenso.

Em diversas épocas, por ocasião de se abrirem alicerces ou de se fazer alguma outra sorte de escavações, têm-se encontrado algumas medalhas, mosaicos, escultura,s e até estátuas de ídolos em pedra. Segundo afirma o cónego Novaes, na sua Relação do bispado de Elvas, impressa em 1635, achou-se ali uma estátua de Cupido, com aljava e setas muito bem esculpida em mármore. Dizem que no meado do século XVII ainda aí existiam as ruínas de um edifício que se conhecia ter sido templo com o pavimento de mosaico.

Atravessava a antiga cidade de Eltori uma das três vias militares do imperador Antonino Pio, a qual comunicava Lisboa com a cidade de Mérida passando por Aritium Pretorium (Benavente), Matusarum (Ponte de Sôr), Eltori, Ad Septem Aras (Assumar), Badua (Nossa Senhora da Botova) e Plagiaria, cuja situação se ignora. Desta via ainda se vêem vários pedaços nos limites daquele concelho.

Destruída em tempo, e por ordem do imperador Adriano, ao que parece em castigo da rebelião dos seus moradores, saqueada e devastada durante as diversas invasões que se sucederam no solo da península ibérica á dominação romana, abandonada pelos moiros, que preferiam os lugares altos para assento das suas povoações, a cidade de Eltori estava em completa ruína e quase de todo despovoada, quando os moiros foram expulsos do Alentejo.

El rei D. Afonso III mandou- a reedificar e povoar, e el rei D. Dinis, para atrair moradores á nova povoação, deu-lhe foral em 1293, com os mesmos privilégios de que gozava Santarém, que eram muitos. Assim surgiu de entre as ruínas da grande e populosa cidade de Eltori, a vila de Alter do Chão. A primeira parte do seu nome é uma corrupção do antigo, e a segunda derivou do sitio plano em que está fundada. A vizinha vila de Alter Pedroso ocupa ainda uma parte do terreno em que se erguia a antiga Eltori.

No ano de 1331, ainda o mesmo rei D. Dinis, com intento de lhe restituir o seu antigo lustre, confirmando aquele foral, acrescentou- lhe novas regalias e isenções.

Em 1359 residiu aqui algum tempo el rei D. Pedro I, e por essa ocasião deu um singular exemplo de justiça severa, mandando enforcar um homem que havia anos forçara uma donzela, posto que a recebesse logo depois em casamento.

No antigo regímen gozava esta vila de voto em cortes com assento no banco décimo. D. João I deu o senhorio dela ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira, o qual veio a passar para a casa de Bragança.

Tem uma só paroquia, que se intitula de Nossa Senhora da Assunção, e que é um bom templo de três naves. A casa da misericordia foi fundada em 1524 por el rei D. João III a instâncias de sua tia a rainha D. Leonor, instituidora daquela veneranda confraria. Anexou-se então a esta santa casa o hospital que ali havia, da invocação de S. Domingos, com todas as suas rendas.

Há dentro da povoação cinco ermidas. O convento de Santo António da extinta ordem dos religiosos capuchos da província da Piedade, foi fundado junto á vila, em lugar mais alto, pelo duque de Bragança D. Teodósio II, que nele lançou a primeira pedra aos 8 de Outubro de 1617.

Esta vila foi outrora toda cercada de muros, de que hoje apenas restam os vestígios. O seu castelo é obra del rei D. Pedro I, que nele mandou pôr a seguinte inscrição: Era de 1359 aos 22 de Setembro o mui nobre rei D. Pedro mandou fazer este castello de Alter do Chão. Tem dentro um poço com muita agua, que fornece um bom chafariz, que fica fora do castelo para o lado do sul. Além deste, é a vila abundantemente abastecida por outros de melhor fabrica.

A sua praça nobre é aquela em que estão os Paços do concelho e o Pelourinho, orlada de casas de mui sofrível aparência, porém a sua mais bela praça é o Rossio do Espírito Santo, por ser muito espaçoso e povoado de árvores.

Deu muita nomeada a esta vila a sua grande coudelaria real, que durante os tempos em que o governo olhava por ela com atenção e zelo, produziu óptimos resultados. As raças de Alter chegaram a um subido grau de reputação e apreço.

Todo o seu termo é muito fértil e produtivo. Encerra bastantes vinhas, olivais, montados onde se criam muitos porcos e excelentes pastagens, em que há numerosa criação de diversas qualidades de gados.

Faziam-se nesta vila duas feiras, uma em 25 de Abril, que durava três dias, e outra em 4 de Agosto, também de três dias, mas ao presente não as vemos incluídas nos mapas das feiras. Alter do Chão conta uns dois mil habitantes.

As armas desta vila, conforme o desenho que se acha na Torre do Tombo, são um escudo com uma fonte de prata em campo verde. E assim as damos aqui em estampa. Todavia em alguns autores as achamos mencionadas do seguinte modo. Um castelo com dois escudos das armas reais e uma fonte, com duas flores de liz.


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Pelo Censos 2011 Alter do Chão conta com 3591 habitantes

Alter do Chão é uma vila do Distrito de Portalegre, região do Alentejo.

As freguesias de Alter do Chão são as seguintes:
Alter do Chão, Chancelaria, Cunheira, Seda.


Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em ALTER DO CHÃO
PSD: 1051/43,5% - 3 mandatos
MICA: 482/19,9% - 1 mandato
PS: 435/18% - 1 mandato 

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Alter do Chão

PPD/PSD- Joviano Martins Vitorino
PPD/PSD- Manuel António Poupas Carola
MICA- Francisco António Martins dos Reis
PS- Maria Leal Monteiro
PPD/PSD - Martinho Manuel Casaca Azinheira

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portugal - Eleições 2011 - Resultados Portalegre


Resultado das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011 - Portalegre

PSD - 32,46%, 1 deputado (Em 2009: 23,84%, 1 deputado)
Deputado eleito pelo PSD em Portalegre: Cristóvão Crespo

PS - 32,43%, 1 deputado (Em 2009: 38,28%, 1 deputado)
Deputado eleito pelo PS em Portalegre: Pedro Marques

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

História: Forte de Santa Luzia em Elvas, 1848





História

Viagem ao passado de Elvas

O Forte de Santa Luzia em 1848

Elvas é uma das nossas praças de guerra de primeira ordem, e a única, talvez, que se conserva em bom estado de defeza; a duzentas e quarenta braças do seu recinto, em um pequeno outeiro está situado o forte de Santa Luzia. 

O polygono da sua fortificação, mede setenta e oito braças do lado exterior, e a construcção foi toda regulada pelo primeiro systema do célebre Vauban, tendo revelins nas suas frentes voltadas para E e para o S, tudo cercado de estrada e de esplanada, que em parte é cortada, terminando por muros de alvenaria e 3 linhas de fossos, abertos na rocha alguns delles.

No centro do forte ha um reducto quadrangular, que domina todo o recinto - ha nelle a egreja do presidio, e por baixo della uma grande casa de magnifica abobada, que pode servir de armazém de munições de bocca e de guerra. 

A porta principal do forte está situada na cortina da frente da fortificação, que olha para Elvas; na cortina opposta ha uma porta falsa. 

As suas duas óptimas cisternas podem supprir d' agua, por dois ou três mezes, toda a guarnição, que deve constar regularmente de 300 a 400 homens - incluindo os artilheiros precisos para o serviço das suas 25 boccas de fogo - e a meia distancia existe a copiosa Fonte-Santa, donde ella se poderia prover, reservando para a última extremidade a agua contida nas cisternas. Um caminho em linha recta, com parapeitos e banqueta de ambos os lados, conduz do forte á cidade, sendo por este meio fácil render a sua guarnição frequentes vezes, ou reforça-la convenientemente, quando a urgência do caso o exigir.

O iIlustre general Mathias d'Albuquerque foi o primeiro que reconheceu a necessidade de fortificar este ponto, que nas mãos do inimigo podia ser um perigoso padrasto. Foi elle que ordenou as primeiras obras, e, de feito, em 1658 já se achavam concluídos os quatro baluartes do forte de S. Luzia como hoje se vêem.


Pelo Censos 2011 Elvas conta com 23 087 habitantes

Elvas é uma cidade portuguesa do Distrito de Portalegre

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

História da Comarca de Avis em 1755

História

Avis em 1755

Comarca de Avis 


Aviz, Cabeço de Vide, Fronteira, Veiros, Coruche

Em trinta e oitp gr. e cincoenta e seis min. de latitude e dez gr. e trinta e cinco minutos de longitude, está assentada a Vila de Avis ,vinte e cinco legoas distante de Lisboa. (Avis) Foi fundada por Dom Fernando Annes, o qual com os outros Cavaleiros da Ordem Militar de São Bento, buscando lugar fronteiro aos Mouros para estarem mais perto das occasioens do seu instituto, escolheram o sítio desta Vila (Avis) e deram principio á sua fundação (Avis), reinando em Portugal EIRey D. Afonso II, e porque neste lugar viram duas Águias, deram á nova Vila (Avis) nome que se derivou daquelas Aves, pelos anos de 1214. EIRey D. Dinis lhes deo (Avis) foral com muitos privilégios, e goza a prerogativa de (Avis) ter voto nas Cortes com assento no banco nove. A sua povoação (Avis), de trezentos e noventa e dois vizinhos, não tem mais que huma Parochia, e os seus edifícios públicos se reduzem a Casa de Miíericordia (Avis), Hospital (Avis) e o Convento da Ordem de que abaixo faremos menção. (Avis) Está cercada de fortes e antigos muros, com Castelo, obra dos fundadores,  de cuja militar Ordem (Avis) he esta Vila (Avis) e toda a Comarca, de que he Capital.

EIRey D. Afonso Henriques foy o instituidor desta Milícia (Avis) pelos annos de 1147, creando por primeiro Mestre (Avis) dela a D. Pedro Afonso, seu irmão, o qual teve vinte e sete sucessores nesta dignidade, sendo o ultimo o Senhor D. Jorge, Duque de Coimbra, por cujo falecimento se incorporou na Coroa o Mestrado (Avis) della em perpetua administração, como os de Cristo e Santiago. Os seus cavaleiros (Avis) primeiro se chamaram de São Bento de Coimbra,  depois de São Bento de Évora, porque nestas Cidades tiveram o seu Convento; ultimamente tomaram o de S. Bento de Avis que hoje conservam com a singularidade muito notável de não haver ao presente quem adorne o peito com esta Cruz (Avis) que não seja da primeira nobreza deste Reino; desfruta esta Ordem (Avis) quarenta e duas comendas de grosso rendimento ,porque algumas delas passam de quatro contos de reis cada hum anno. 

O principal edifício desta Vila he o Convento dos Freires (Avis), que consta de vinte sete Ecclesíasticos do habito d'Avis, dos quais onze tem ração inteira e os outros ração inteira, e os outros meia ração. O Prelado deles, e de toda a Ordem (Avis), tem o titulo de D. Prior, que tem jurisdicção temporal e espiritual no dito Convento, e usa de Mitra, Bago e Rochete como Bispo; dá Ordens menores a seus súbditos, benze Altares, cálices e outros vasos, e goza das mesmas prerogativas que os Prelados de Cister. As Vilas desta Comarca (Avis), que tem voto em Cortes, são Avis no banco nove, Cabeço de Vide no banco treze, Fronteira, e Veiros no banco doze, e Coruche no banco quatorze, e na Vila de Fronteira o Convento de Capuchos da Província da Piedade.





 

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Segundo o Censos 2011 Avis tem 4576 habitantes


Avis é uma vila do Distrito de Portalegre



As freguesias de Avis são as seguintes:
Alcôrrego, Aldeia Velha, Avis, Benavila, Ervedal, Figueira e Barros, Maranhão, Valongo



Eleições Autárquicas - 11/10/2009


Votação por Partido em AVIS




PCP: 1647/53,9% - 3 mandatos
PS: 1023/33,5% - 2 mandatos



Candidatos Eleitos pelo Circulo: Avis


PCP-PEV - MANUEL MARIA LIBÉRIO COELHO
PS - RUI MANUEL VARELA BARRENTO HENRIQUE
PCP-PEV - NUNO PAULO AUGUSTO DA SILVA
PCP-PEV - ANTÓNIO LUIS MARQUES
PS - JOSÉ RAMIRO DA SILVA CALDEIRA


História da Comarca do Crato em 1755

História

Crato em 1755

Comarca do Crato 

Em trinta e nove gr. e nove min. de latitude e dez gr. e eincoenta e quatro min. de longitude, está situada a notavel Villa do Crato, trinta legoas distante de Lisboa. Alguns Autores lhe attribuem (Crato) antiquissima fundação, porém não sendo nosso intento disputar pontos historicos neste breve tratado, bastará dizer que lhe deo (Crato) foral EIRey Dom Manoel correndo os annos de 1512. (Crato) Consta de setecentos vizinhos, com huma só (Crato) Freguezia, que he Collegiada, com seis Beneficiados, Vigário, e Thesoureiro; os outros edificios publicos que mais a engrandecem são: Casa de Misericordia (Crato) com Hospital (Crato), e hum Convento de Religiosos Franciscanos da Provincia dos Algarves.

(Crato) Goza de voto em Cortes com assento no banco doze, o seu termo consta de seis (Crato) Freguezias com grande abundância de todos os frutos, muitos gados, (Crato) caças, azeite, pão e algum (Crato) vinho.

He esta Villa (Crato) Capital de todas as terras qoe pertencem á Ordem de São João de Jerusalem no Priorado de Portugal, que forma huma das sete línguas que elegem o Grão Mestre daquela religião Militar unido aos Priorados de Castella e de Leão; todas as Villas e terras do Priorado são izentas da jurisdicção ordinária dos Bispos e dos Ministros Reaes, porque goza nelle o Prior o dominio espiritual e temporal, com data de todos os officios, e nomeação de hum Vigário Geral, e Provisor, que governa nas matérias Ecclesiaiticas com jurisdição quasi Episcopal. Desfruta esta Ordem em Portugal vinte e três Commendas, e Baliages, que rendem quarenta e cinco contos de reis. A renda do Priorado consiste em dízimos e nos direitos reaes (excepto as dizimas), e em foros, defesas, lagares, e outras propriedades, cujos rendimentos se cobram por via executiva como fazenda Real, por privilegio particular que ha para isso, e chega a quarenta mil cruzados. Hoje desfruta esta Dignidade o Serenissímo Senhor Infante D. Francisco, havendo tido S. Alteza vinte e seis antecessores dos quaes o Senhor Infante D. Luiz filho delRey D. Manoel, o Senhor D. António, filho deste Príncipe, a quem Manoel de Fatia colloca na serie dos Reys deste Reyno, porque com effeito foy acclamado e jurado em Lisboa, Alberto Archiduque de Austria, e Fernando de Austria, Arcebispo Cardeal de Toledo, tiveram a prerogativa de serem Príncipes da Casa Real. Na Comarca se contam doze Villas, das quaes a (Sertã) Sertã tem voto em Cortes com assento no banco doze, e vinte e quatro Freguezias, perto de seis míl fogos e dezafete mil almas e o Convento seguinte:

O Convento de Capuchos de S. António da Sertã.



 


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Pelos Censos 2011 o Crato conta com 3786 habitantes

O Crato é uma vila do Distrito de Portalegre