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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

História: Sintra, o penedo dos ovos ou Penha Longa (imagem de 1860)




História: Sintra, o penedo dos ovos ou Penha Longa (imagem de 1860)

Tanto que o leitor puser os olhos na estampa que lhe apresentámos, reconhecerá logo por aquela penedia rolada e sobreposta, que é um lanço da famosa serra de Sintra, á qual, pela sua eminencia chamaram os antigos geógrafos monte ou promontório da lua.

Na estrada real, que vai de Lisboa para Sintra, pouco antes de chegar a esta deliciosa vila, á mão esquerda, fica uma casinha de modesta aparência, mas de grande nomeada. É a da Sapa, antiga e imortal... queijadeira, a cuja porta fazem paradeiro todos os que regressam de Sintra, e querem trazer para a cidade um atestado autentico da sua visita áquele delicioso vergel de Portugal.

Mesmo ao lado d'esta casinba, se abre uma estrada traversa, que em menos de meia hora conduz a um lugar denominado do Linhó ou Linhol, talvez corrupção de Linhal, agro ou plantio de linho que ali houvesse antigamente.


Não tem o Linhó, de certo, grandes atractivos para o viajante, porque ficando no fundo do vale, que formam os montes da Pena e de Santa Eufémia, faltam-lhe as belas vistas que oferecem os píncaros de Sintra as sombras dos seus frondosos bosques, e a frescura maviosa dos seus passeios. Mas em compensação, é o terreno mui florido e virente, por ser continuamente regado das copiosas águas que da serra se precipitam, como serpes de cristal, coleando-se por entre os pomares e jardins, de que o vale é recortado.

Sobre esta planície se ergue alterosa, á beira da estrada, a longa penha ou penedo que a nossa gravura representa, e devemos ao lápis do nosso insigne paisagista o sr. Annunciação, e ao buril primoroso do sr. Pedroso. É formada esta penha por um alteroso grupo de penedos, todos rolados pelas águas, como em geral são os de Sintra; e sobranceiro a eles, está um enorme, posto a pino, em cujo vértice assentaram uma grande cruz de pedra os frades do próximo convento que se denominava de Penha Longa, tirando o nome desta que lhe está vizinha. A cruz desabou já, mas ainda lá se conservam uns resquícios que a estampa acusa.


O povo chama-lhe, desde muito tempo, penedo dos ovos, a historia pera longa ou penha longa, e uma cronica manuscrita que temos á vista, composta por um frade jeronimo do mencionado convento, diz que se lhe chamou já em eras remotas, pedra da verdade.


A denominação primitiva parece nos ser de pera longa, contracção de pedra em português velho. Porque, na escritura da compra do sitio para se edificar o convento, que transcreve o já citado frade, escritura feita em 1390, diz o proprietário, que era um João Domingues, corretor da cidade de Lisboa, que vende por 3$500 réis, moeda corrente de dez soldos, a sua quinta em Peralonga, que consta de casas, azenhas, vinhas, herdades, pomares, matos, fontes e foros, a qual parte com caminho que vai de Sintra para a Malveira, com o casal que foi do conde Dom Henrique, e outros que cita, até entestar com os logradouros dos vizinhos do dito lugar de Peralonga.


Esta escritura tem muitas singularidades, que por brevidade deixámos de apontar. Mencionarmos, contudo, que n'este notável instrumento, se transcreve uma carta del-rei D João I, com o seu selo de camafeu, datada de Santarém, e dirigida ao dito João Domingues, agradecendo-lhe o ele ter acedido aos rogos que lhe fizera para que vendesse a sua quinta aos frades jerónimos; e porque eles lhe não tinham podido pagar até Junho, como fora ajustado, ele, rei, lhe mandava o dinheiro, para que não deixasse de se efectuar a compra, isto é uma coisa que cumpre muito ao serviço de Deus e nosso; o que vos muito agradesseremos e per que vos faremos mercê. Assim conclui o mestre de Avis.


Assinam esta escritura, entre outros, como testemunhas, Bartholomeu Domingues, escolar de leis, filho do vendedor, e João Martins, costureiro
(?).

Vê-se pois que o convento (que foi comprado pelo sr. Bessone), tomou o nome do lugar, e este o tinha tomado da penha ou penedo de que estamos falando.

Sobre a denominação de penedo dos ovos, tão popular no sitio, eis o que nos diz o sr. Munró, num apontamento que muito lhe agradecemos.

«Atribui-se o nome de penedo dos ovos, dado a esta penha, á seguinte lenda:

Era voz constante naqueles sítios, que debaixo da enorme pedra existia um "tesouro encantado", o qual só se descobriria a quem pudesse conseguir derrubar a pedra, atirando-lhe com tantos ovos quantos bastassem para conseguir tal façanha. Ninguém a tentava; mas um dia, certa velha do lugar quis empreender essa tarefa, e munindo-se de quantos ovos pôde juntar por muitos dias, começou a atiral-os sobre o formidável penedo. Tendo, porém, exaurido todas as munições, sem poder quebrar o encanto, e faltando-lhe os meios de adquirir ainda mais projecteis, abandonou a empresa, e ficaram todavia na pedra, e ainda hoje lá se vêem, os sinais do tiroteio que fez a velha, nas malhas amarelas que cobrem um dos lados do penedo, malhas que os velhos e crianças do sitio afirmam serem as gemas dos ovos que ali ficaram! Um musgo amarelado, que cobre a parte meridional do penedo, aviventa esta crença dos honrados linholenses.

Este rochedo serviu por muito tempo de sinal ou marco aos navegantes que demandavam a barra de Lisboa. Com os melhoramentos da navegação, e a colocação de faróis na costa, não serve hoje o penedo dos ovos senão para colónia de corvos, e admiração dos raros viajantes que ali vão.»

Archivo pittoresco, Volume 3, 1860

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Vende-se quinta em Colares


Vende-se quinta em Colares


Quem quiser comprar a quinta do Vale, sita no lugar de Guaria, termo de Colares, a qual consta de pomar de laranja e limão, um pinhal e casas que Têm entrada de pátio com boas acomodações, pode dirigir-se à Casa da Gazeta.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

História de Colares e Lenda de Nossa Senhora da Peninha, Sintra (imagem 1860)


História de Colares e Lenda de Nossa Senhora da Peninha, Sintra (imagem 1860)



A VILA DE COLLARES 

Nas faldas da serra de Sintra, uma légua ao oeste da vila deste nome, está sentada a vila de Colares, á sombra de frondosos arvoredos. Pela encosta da serra sobranceira á povoação, vão subindo algumas casas, quintas e matas de castanheiros. Inferior á vila, estende-se um fértil vale denominado a Várzea, todo coberto de pomares e cortado pelo rio das Maçãs, que vai desaguar no oceano daí uma légua. É pois sobremodo amena e deliciosa a situação de Colares. 

Quanto á sua origem pouco se sabe, só sim que é muito antiga e que já existia no tempo dos romanos, porque disto dão testemunho muitas medalhas e inscrições romanas que aí têem sido encontradas. 

Também não consta o que passou sob as diversas dominações a que esteve sujeita a Lusitânia depois da queda do império romano. Provavelmente viu- se livre do jugo sarraceno ao mesmo tempo que a sua vizinha Sintra, que foi resgatada por D. Afonso Henriques. 

El rei D. Dinis deu foral a esta vila em Maio de 1255. D. João I fez doação dela ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira, em Agosto de 1385. Depois, passando sucessivamente a diferentes netos deste herói, veio a pertencer á infanta D. Beatriz, mãe del rei D. Manuel, pela morte da qual entrou Colares outra vez no domínio da coroa. Este ultimo monarca deu-lhe então novo foral em Novembro de 1516, aumentando lhe muito os antigos privilégios. 

Sobre a etimologia do nome de Colares, parece melhor opinião a que o deriva dos dois colos ou colinas, sobranceiros á Várzea em que a vila está edificada. 

Colares teve também o seu antigo castelo, e tão antigo que nada se sabe ao certo relativamente á sua fundação. No reinado del rei D. Sebastião, e já anteriormente, o senado da câmara servia-se dele para diversos usos do ministério publico. Porém no tempo dos Filipes de Castela, querendo D. Dinis de Mello e Castro, que foi bispo de Leiria, de Viseu e da Guarda, estabelecer nesta vila a sua residência, pediu e alcançou a posse do castelo, que logo transformou num palácio, juntando-lhe uma bela quinta, actualmente pertencentes a seus herdeiros. 

Desta fortaleza provavelmente procedem as armas da vila, que são um castelo entre árvores. 

Tem Colares uma só paroquia, dedicada a Nossa Senhora da Assunção. 

A casa da Misericórdia foi fundada por D. Dinis de Mello e Castro. 

Nas proximidades da vila, em lugar plano mas um pouco mais alto, está o edifício do extinto convento de Santa Ana, que pertenceu aos religiosos carmelitas. Deu principio a esta fundação frei Constantino Pereira, que morreu em 1465, e era sobrinho do Condestável D. Nuno Álvares Pereira. Na capela mor da igreja está sepultado o seu padroeiro, o bispo D. Dinis, e noutras sepulturas, num carneiro, e em dois túmulos de mármore, varias pessoas da sua família, entre as quais se contam António de Mello e Castro e seu filho Caetano de Mello e Castro, ambos vice reis do estado da Índia. 

Lenda de Nossa Senhora da Peninha

Não muito distante de Colares, junto do oceano, ergue-se a ermida da Peninha, sobre um elevado rochedo. Diz a lenda, que no tempo de D. João III, andando uma rapariga muda a pastorear nesta serra, varias ovelhinhas, lhe fugira uma, e depois de muito procurar a foi encontrar ao pé daquele rochedo e, aparecendo-lhe então aí Nossa Senhora, lhe deu fala. A narração do caso atraiu logo àquele sitio todos os povos das vizinhanças. Descobriu-se entre as fendas da rocha uma imagem da Virgem, feita de pedra, que imediatamente foi transportada para uma antiga ermida de S. Saturnino, perto daí. Desaparecendo porém a imagem por três vezes e indo-se sempre achar na mesma penedia, sobre esta se lhe construiu ao principio uma pobre ermida, que no ano de 1673 foi desfeita e em seu lugar edificou a actual Pedro da Conceição, gastando nela uma boa herança que recebera e fazendo-se ermitão de Nossa Senhora. É o templo pequeno e de humilde aparência no exterior, porém interiormente é rico de materiais e de arte, pois que todas as paredes e o altar mor são de mármores de cores em obra de mosaico. Os mármores foram tirados da mesma serra a pouca distancia da ermida. Este santuário é ainda hoje de bastante devoção e concorrencia, porém outrora afluía ali muito maior numero de fieis e era visitado de muitos cirios e romagens. 

Pouco adiante de Colares fica o lugar de Almoçageme e perto dai duas curiosidades naturais dignas de se ver, a Pedra de Álvidrar, sobre o oceano e o Fojo, mais no interior. 

A vila de Colares é cercada de muitas e formosas quintas, das quais só especialisaremos a de Rio de Milho, por encerrar a mais gigantesca e viçosa camélia que há em toda a Estremadura. 

O sitio chamado a Várzea é dos mais lindos e amenos dos arrabaldes da vila. As águas do rio das Maçãs, represadas aí numa ponte de pedra, deixam gozar o prazer de navegar-se num pequeno barco que ali há para esse fim, pelo rio acima até certa distancia, sempre entre pomares e debaixo de copado arvoredo. 

A uma légua da vila esta a praia das Maçãs, sobre o oceano, onde termina o rio deste nome e o vale de Colares. Vão ali muitas famílias tomar banhos do mar na estação própria. 

O termo de Colares produz grande abundância de excelentes frutas, que abastecem a capital e se exportam para Inglaterra, e de vinhos que são estimados e se assemelham aos de Bordéus. A população da vila e arrabaldes anda por mil e setecentas almas.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa 



 ***


Pelo Censos 2011 Sintra tem 377 249 habitantes

Sintra é uma vila do Distrito de Lisboa

Freguesias de Sintra

Agualva, Algueirão-Mem Martins, Almargem do Bispo, Belas, Cacém, Casal de Cambra, Colares, Massamá, Mira-Sintra, Monte Abraão, Montelavar, Pêro Pinheiro, Queluz, Rio de Mouro, Santa Maria e São Miguel, São João das Lampas, São Marcos, São Martinho, São Pedro de Penaferrim, Terrugem


Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em SINTRA

PSD/CDS: 45,2% - 6 mandatos
PS: 33,7% - 4 mandatos
PCP: 11,1% - 1 mandato

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Sintra

PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Fernando Jorge Loureiro de Roboredo Seara
PS - Ana Maria Rosa Martins Gomes
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Marco Paulo Caldeira de Almeida
PS - Domingos Linhares Quintas
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Ana Isabel Neves Duarte
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - José Lino Fonseca Ramos
PS - Ana Isabel Queiroz do Vale
PCP-PEV - José Manuel Baptista Alves
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Luís José Vieira Duque
PS - Eduardo Jorge Glória Quinta Nova
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Maria Paula Gomes Pinto Simões

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

História de Sintra e antigo brasão (imagem de 1860)



História de Sintra e antigo brasão (imagem de 1860)

A VILA DE CINTRA


A serra de Sintra é a mais bela e pitoresca montanha de toda a província da Estremadura. Ergue-se a cinco léguas a oes-noroeste de Lisboa, contando outras cinco de circunferencia, e mil e oitocentos pés na sua maior altura e, ao entrar pelo oceano dentro, forma o Cabo da Roca.


Toda eriçada de penhas, coberta de bosques e cortada de águas, encerra muitas curiosidades e belezas naturais, que em todos os tempos a têem feito celebre.

Antigamente era conhecida pelos nomes de Promontório Magno ou da Lua e é fora de duvida que no tempo da dominação romana os povos que habitavam nesta serra edificaram aí um templo que, primeiramente quiseram dedicar ao imperador Octaviano Augusto II, e que por este o não consentir o consagraram á lua. Como chamassem a este planeta Cinthia, passou este nome do templo para a serrania e desta para a principal povoação que se construiu naquela montanha. De Cynthia pois se derivou com pouca corrupção o nome de Cintra. Estas memorias históricas acham- se confirmadas por vários cippos e outras pedras com inscrições, que se descobriram na mesma serra e que se podem ver nas obras dos nossos antiquários.

Sobre a fundação da vila de Sintra, não há noticia certa. A que lhe assignam alguns autores, atribuindo-a aos turdulos ou aos gregos, não tem por base mais do que simples conjecturas. O que se sabe com certeza é que é uma povoação antiquíssima e que já existia no tempo dos romanos.

Na invasão dos povos do norte que destruíram o império dos cesares, e na dos árabes que derrubou a monarquia dos godos, correu esta vila a mesma sorte da Lusitânia, entrando no domínio dos vencedores. Durante a ocupação mauritana, foi varias vezes tomada pelos cristãos e reconquistada pelos árabes. Apossou-se dela el rei D. Fernando Magno, mas logo depois a perdeu. Outra vez tomada por el rei D. Afonso VI de Castela, voltou de novo ao poder dos moiros. O conde D. Henrique, pai do nosso primeiro rei, conseguiu recupera-la, porém pouco tempo a conservou. Finalmente el rei D. Afonso Henriques resgatou-a inteiramente do domínio dos infiéis no ano de 1147 e desta vez ficou para sempre cristã.

Deu-lhe foral este monarca em 1154, o qual seu filho, D. Sancho I, confirmou, e el rei D. Manuel reformou em 1514.

El rei D. Fernando fez conde de Sintra a D. Henrique Manuel de Vilhena, que na guerra civil e estrangeira que se seguiu á morte deste soberano sustentou por algum tempo o Castelo daquela vila em favor da rainha D. Leonor e contra o mestre de Avis.

 A vila de Sintra está assentada a dois terços da altura da encosta da serra, que olha para o norte, e por conseguinte em terreno desigual. O antigo castelo dos moiros, fazendo coroa a um dos mais altos píncaros da serra, ergue se a cavaleiro sobre a vila; e esta campeia sobre um vale delicioso, desfrutando dilatadíssimas vistas.

Tem Sintra as seguintes paroquias: S. Martinho, no centro da povoação, que foi fundada por el rei D. Afonso Henriques, destruída pelo terremoto de 1755 e depois reedificada; Santa Maria, que está situada no arrabalde e próximo do castelo, teve o mesmo fundador que a antecedente e também padeceu ruína com o terremoto, a qual foi separada logo depois; S. Miguel, que está igualmente fora da vila. na encosta da serra. A sua origem é a mesma das duas primeiras. Esta paroquia acha-se encorporada á de Santa Maria.


A igreja e hospital da Misericórdia, foram obra de el rei D. Manuel. Há na vila e sua vizinhança varias ermidas e os edifícios de alguns celebres conventos. De entre os segundos, os mais notáveis são o de Nossa Senhora da Pena, que foi de monges de S. Jerónimo, fundado por el rei D. Manuel sobre um elevado serro e hoje transformado por sua majestade el rei D. Fernando num palácio ornado de riquíssimas esculturas; e o de Santa Cruz, outrora habitado por frades capuchos, fundação de D. Álvaro de Castro, filho do grande vice rei da Índia, D. João de Castro. Aquele singular em obras de arte, antigas e modernas, e este ainda mais singular nas obras da natureza, porque é todo um composto de grutas naturais.


Dos magníficos Paços da vila, já tratámos em outro lugar. Das curiosidades que se encontram nas cercanias de Sintra, das formosas quintas que lhe povoam os arrabaldes e dos sítios amenos pitorescos, que por todos os lados a rodeiam, não permitem os limites desta publicação que tratemos miudamente. Portanto apenas mencionaremos, como principais, entre as curiosidades naturais, além do convento dos Capuchos, a gruta de Porto Covo, próxima de Penha Longa; entre as melhores quintas e palácios, os da Pena, de sua majestade el rei D. Fernando; os dos senhores marqueses de Viana, de Pombal e de Valada, duques de Palmela e Cadaval, a quinta de Penha Verde do senhor conde de Penamacor fundada por D. João de Castro, a de Sitiaes, do senhor marquês de Loulé, a da Regaleira da senhora baronesa do mesmo titulo, e a de Monserrate; entre os sítios mais belos, afora estas quintas, o bosque de Diana e o vale delicioso de Penha Longa.


O velho castelo dos moiros, agora remoçado e interiormente todo arborizado e ajardinado, como fazendo parte da cerca do real paço da Pena, é um dos mais antigos monumentos deste género que possui o nosso país. Nada se sabe da sua origem, mas como prova de que pertenceu aos árabes mostra ainda os restos da sua mesquita. Tem uma cisterna ou casa de banho em bom estado de conservação e sempre cheia de agua.

O termo de Sintra é abundantissimo de águas, que por todas as partes o regam e fertilizam, entretendo uma vegetação pomposa e perene. Produz muitas e saborosissimas frutas, que fornecem a capital e se exportam para Inglaterra e também algum vinho e cereais. Na serra cria-se bastante gado e dela se extraem muitos mármores que vêem pela maior parte para Lisboa.

Fazem se em Sintra as seguintes feiras, que são mui concorridas, principalmente de gente da capital, que aí aflui atraída pelas festas de arraial que por essas ocasiões se costumam celebrar; a 13 de Junho; a 29 do mesmo mês; 26 de Agosto; primeiro domingo de Setembro. No segundo domingo de cada mês há mercado em S. Pedro de Penaferrim.

 A população de Sintra e seus arrabaldes anda quase por três mil almas. No antigo regímen gozava da prerogativa de enviar procuradores às cortes os quais tomavam assento no banco sexto. Segundo alguns autores, tem por armas um castelo com três torres; porém o brasão que se acha na Torre do Tombo, de onde se copiou o que vai junto a este artigo, é uma torre ou castelo sobre uma serra e em campo verde.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa




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Pelo Censos 2011 Sintra tem 377 249 habitantes

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sábado, 26 de fevereiro de 2011

História: Viagem pelo Paço Real de Sintra em 1849






História

Sintra

Viagem pela História do Paço Real de Sintra em 1849

Sobre aa ruinas do alcácer mourisco, edificou el rei D. João I o paço real da villa de Sintra. Basta ver o palácio para conhecer que não foi um só o plano da sna edificação. E, de feito, este paço, que tinha sido, provavelmente, uma pequena Alhambra dos reis mouros de Lisboa, tem casas, como a do banho, que fizeram parte da primitiva construcção, e outras, quasi todas de estylos diferentes, que mandaram construir D. João I, D. João II, D. Manoel e D. José.

A casa dos banhos, reedificada depois do terremoto, e a sala dos infantes, pertenciam talvez ao edifício primitivo.

A sala das pêgas é obra del rei D. João II. Conta-se qur a rainha o surprehendera no momento em que dava um beijo numa das suas damas. A rainha agastou-se, mas el rei respondeu que era por bem, e mandou construir uma sala com grande número de pegas pintadas no tecto, para que estes animaes falladores apregoassem a sua innocencia, mostrando a todos a legenda - por bem

A sala chamada das Armas, ou dos Cercos, em que se acham os brasões de setenta e quatro famílias, é obra del rei D. Manoel. No meio do tecto estão as armas reaes, e ao redor destas as do príncipe e infante D. Luiz, D. Fernando, D. Afonso, D. Henrique, D. Duarte, D. Isabel e D. Brites.

El-rei D. José, depois do terramoto, mandou também fazer obras consideráveis no palácio. No seu reinado, sendo ministro o marquez de Pombal, veiu de Almeirim para um dos camarins do palácio de Sintra, uma chaminé magnifica, guarnecida de mármore branco, com figuras em relevo. As pedras riquíssimas desta obra tinham sido enviadas pelo papa Leão X a el rei D. Manoel, que as mandara collocar no palácio de Almeirim.

No palácio de Sintra nasceu e morreu D. Afonso V. Nelle foi acclamado el rei D. João II. D. Sebastião deu em uma das salas a sua última audiência. D. Afonso VI expirou tambem nestes paços, victima da crueldade de D. Pedro e da rainha sua esposa.


A nossa estampa representa uma das janellas do paço de Sintra. Dela se descobre a serra pittoresca que inspirou o Byron, Camões e Bernardim.


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Pelo Censos 2011 Sintra tem 377 249 habitantes

Sintra é uma vila do Distrito de Lisboa

38º 47' N 9º 25' W
Sintra
Portugal

sábado, 19 de fevereiro de 2011

História: Visita ao Convento dos Capuchos de Sintra em 1848




História


Uma visita ao convento Santa Cruz 

No caminho de Sintra para Colares ha um sitio a que se chama Monserrate. O viajante que alli chega vê, á direita, em pequena distancia, as ruínas de uma casa elegante que um inglez mandou edificar - em frente vê a estrada de Colares, prova irrecusável da nossa relaxação e negligencia - e á esquerda descobre um caminho tortuoso e irregular que vae ter ao convento de Santa Cruz.

Seguindo por esta vereda, servem-lhe de signaes para chegar ao convento, cruzes de pedra que se acham em ponto elevados da serra.

Pouca gente se resolve a ir a pé por estes caminhos; é um prazer de montanhez, que tenho de gosar só quasi sempre.

O nevoeiro que de noite se accumula ordinariamente sobre as cumiadas, tinha-se desfeito - corria uma aragem agradável - e a serra projectando os seus contornos irregulares sobre o azul do céu, formava um quadro digno de ver-se; talvez - que sei eu? - não desagradasse mesmo a esta nossa boa gente de Lisboa, que vae mudar d' ares para uma rua de Benfica!...

Eu não sei se acontece a todos o mesmo; mas parece-me que a alma se eleva na contemplação destes quadros - sendo a natureza tão grande, parece me que não sou tão pequeno, quando me acho só em frente della. É porque a alma do homem acha-se alli solta de todos esses laços, sem conto, que a tornam mesquinha e apoucada no meio da sociedade - é porque, longe do mundo, o espirito tende para Deos, e esquece as misérias da terra. 

Caminhei - ora subindo ao cume de um monte, para descer depois; ora andando em torno d'outro, por veredas mais ou menos escabrosas, até que cheguei enfim a esse conventinho humilde, em que já viveram monges, e que está hoje arruinado e deserto.

Por ordem de D. João de Castro, fundou D. Álvaro de Castro, seu filho, este convento de Franciscanos, no anno de 1560. É um recolhimento pobríssimo, cuja fábrica apenas custou, em seus principios cem cruzados.

«Dizia Filippe II, que duas cousas tinha em seus reinos, celebre, o Escurial por muito rico, e este conventinho por muito pobre; julgámos ser motivo para o encarecimento do monarcha, a pobreza que observou neste convento, quando o visitou. Pedindo o dito monarcha um púcaro d' agua, advertiam os fidalgos ao guardião, que mandasse vir algum doce, e elle obedecendo com toda a singeleza, lhe presentou em um prato alguns cachos de passas, dizendo ser o único que tinha em casa; desejoso el rei de que o guardião lhe pedisse alguma cousa, instou com elle para que lhe dissesse de que tinha mais necessidade o convento. Chamou o guardião o cosinheiro, e perguntando-lhe se a almotolía tinha bastante azeite (não se pedia naquelle tempo para mais de uma semana); respondeu-lhe que parecia ter o que bastava - nesta forma com demonstrações de agradecimento, beijou a mão del rei, e disse que de nenhuma outra cousa necessitava. Não podendo Filippe II reprimir o assombro, que lhe causava tanto desapego, e olhando para o convento da Pena, rompeu nestas palavras: Allà es Ia Pena, e esta Ia Gloria! alludindo, talvez, ao enfado produzido pelas petições dos outros religiosos.

As cellas são tão estreitas, que mais se podem chamar sepulturas de homens vivos; as paredes que as dividem são de barro e palha, forradas de cortiça, a qual serve também de forro ás portas. O refeitório é tão pequeno, que apenas tem quatorze palmos de comprido e sele de largo; serve-lhe de mesa uma lage tosca, levantada um palmo do chão, que para este efeito mandou arrancar da serra o cardeal infante D. Henrique. Eram os guardanapos da mais áspera estopa, os vasos de que se serviam os religiosos, do mais grosseiro barro, guardando-se ahi sempre abstinência de carne, e não se comendo no advento e quaresma, cousa que fosse ao lume.»

Na cerca vê-se a cova do beato Honorio, em que viveu, durante trinta annos. Foi penitencia longa e áspera, para culpa mui leve, se é verdadeira a tradição. Conta-se que Honorio, indo pelos campos, encontrara uma rapariga formosa, que o obrigou a parar pedindo- lhe que a confessasse. Recusou-se o monge a ouvi-la naquelle logar; e mandou-a para o convento, onde alguém poderia confessa-la; mas a rapariga insistiu e continuou a persegui-lo. Sentiu Honorio que aquella formosura o tentava, e fez-lhe o signal da cruz, crendo que o diabo tomara as formas da moça para vir seduzi- lo. A rapariga fugiu, e o santo homem recolheu-se áquelle retiro, onde se martyrisou trinta annos para expiar a tentação que tivera. Mil vidas não bastariam a noventa e nove centessimos dos meus leitores, para expiar tentações como esta. E apezar disto, ninguém vac metter-se na cova.Como os tempos mudam

O convento de Santa Cruz acha-se hoje em ruina. O tempo e os homens tem devastado á porfia este monumento da era piedosa, em que as barbas de um homem honrado eram penhor seguro de grossas quantias. Até a cortiça das portas tem sido arrancada, para enriquecer os muzeus britannicos, e para deixar a descoberta a madeira, em que os nossos compatriotas patriotas escrevem semsaborias, que fazem vergonha!

Saíram do convento os frades ha quinze anos, e vive alli, ha doze, um guarda a que chamam geralmente o ermitão, ainda que o pobre homem se pareça pouco, ou antes nada, com um verdadeiro ermitão. José vive só naquelle retiro, tem o usofructo das hortas, que amanha á sua vontade, tirando d'alli, e de algumas esmolas que recebe no verão, dos viajantes, o sustento necessário para o anno todo. Custou-lhe a afazer-se áquelle modo de viver; mas hoje está costumado ao nevoeiro da serra, ás ventanias, e á solidão - só tem medo dos trovões, segundo elle me confessou com a maior ingenuidade.

Algumas horas que se passam alli, são horas de paz - quando voltámos depois para o mundo, sentimos mais áspera a sociedade, e temos saudades daquelle deserto.


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PS: 33,7% - 4 mandatos
PCP: 11,1% - 1 mandato

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PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Fernando Jorge Loureiro de Roboredo Seara
PS - Ana Maria Rosa Martins Gomes
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Marco Paulo Caldeira de Almeida
PS - Domingos Linhares Quintas
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Ana Isabel Neves Duarte
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - José Lino Fonseca Ramos
PS - Ana Isabel Queiroz do Vale
PCP-PEV - José Manuel Baptista Alves
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Luís José Vieira Duque
PS - Eduardo Jorge Glória Quinta Nova
PPD/PSD . CDS-PP . PPM . MPT - Maria Paula Gomes Pinto Simões



38º 47' N 9º 25' W
Sintra
Portugal