História: O Rio Tejo durante o Terremoto de 1755 em Lisboa, imagem de 1840
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terça-feira, 11 de outubro de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
História: Terremoto de 1841 na Ilha Terceira, Açores
História
Açores
Terremoto na Ilha Terceira, Açores, 1841
A duas e meia léguas ao nascente da cidade capital da ilha Terceira, quase a igual distancia desta e da vila da Praia da Vitoria, está a vila de S. Sebastião que foi erecta em 1503; nela, a caminhar da parte de Angra, tiveram lugar os primeiros ainda que comparativamente diminutos estragos da lastimosa catástrofe que em 15 de Junho do pretérito ano de 1841 arrasou a vila da Praia. Na de S. Sebastião, constante de 355 fogos, o fatal terremoto só derrubou 32 casas e arruinou 33, as igrejas pouca deterioração sofreram, experimentando-se estes danos no mesmo dia e hora que na Praia, tendo já na noite anterior cabido muitas paredes de cerrados, fazendo a concussão subterrânea algumas rachas nas casas; o que parece notável aviso da Providência para cautela dos habitantes, cujas vidas não perigaram como declara o Ex.mo Sr. Administrador Geral José Silvestre Ribeiro, iem seu oficio de 5 de Julho. «Se porém desabaram sobre a terra os edifícios daquela memorável vila, nem uma criatura humana foi vitima da catástrofe.»
Da vila de S. Sebastião até a freguesia Fonte do Bastardo, que tem 144 fogos e 634 moradores, o máximo numero das paredes ficou por terra, e as casas fronteiras ao nordeste em grande estado de ruína e inclinadas para traz, observando-se isto mesmo em as mais que sofreram por este terremoto, que pode inferir-se que o impulso partiu da banda do porto ou do nordeste, por efeitos grande vulcão submarino de que nestas águas tem havido exemplos. No Angrense se lê que a imediata freguesia do Cabo da Praia apresentou as mesmas ruínas, não tão notáveis pela construção das casas, que são todas baixas e o solo com melhor fundamento de lava, que se estende até o Porto Martim, que é uma extensa cratera, singular pelo vinho e saborosos frutos que produz. Nesta povoação apenas caiu uma casa e alguns muros de fazendas. A freguesia do Cabo da Praia com 212 fogos e 1 293 moradores é o local mais sadio da Terceira.
Porém о teatro da assolação foi a vila Praia; três mil habitantes, que se abrigavam em 562 fogos, viram-se súbito privados do lar domestico; os edifícios mais fortes e os templos também se derrocaram; uma povoação forecente converteu se em montes confusos ruínas.
Tomaremos o depoimento não simples, acompanhado de observações que nos ministra a testemunha ocular que devidamente citaremos no fim do seguinte extracto:
«A vila da Praia da Victoria, antes do ano de 1614 foi situada dentro das tas de Sta. Catarina e Espírito Santo, aonde estão hoje colocados os dois fortes que lhe deram os nomes, e o seu porto ficava entre pontas do parto e da má merenda, cuja baía e ancoradouro tem 12 a 15 braças de fundo, segundo vemos da planta das fortificações, desenhada por um hábil oficial artilharia, o Sr .major António Homem da Costa Noronha. O terremoto de 24 de de 1614 que destruiu a antiga vila, abateu-a a ponto de que o mar tomou logo posse terreno, formando aquele formosíssimo areal de três quartos de légua, em circunferência do qual estão colocados, em apropriadas distâncias, os nove fortes com 23 de bocas.
Arrasada e abatida a vila naquele ano, não desanimaram os praienses, pois começaram logo a erigir novos edifícios para que seus vindouros viessem talvez a descobrir as causas que destruíram a antiga vila, que são as mesmas que arrasaram a nova Praia da Vitória. Não pretenderemos tocar no espesso véu que encobre os segredos da natureza incompreensivel, nem nos atreveremos a decidir qual fosse a causa da destruição daquela vila, porque no grande teatro da natureza há fenómenos que se não podem absolutamente explicar, senão por conjecturas, e melhor é narra-los do que clausurar os direitos ao saber. Temos olhos, e por isso seja- nos licito emitir nossa opinião fundada sobre factos.
Todo o observador que entrar na vila pela estrada do Cabo da Praia, verá que muito próximo ао forte de S. João existe uma grande fenda que vem do mar cortando todo o areal, e estendendo- se até a Cruz do Marco, que não é menos de um quarto de légua. Se lançar os para o frente do extinto convento de S, Francisco verá a concussão que este recebeu em todo o frontispicio, fazendo tombar as colunas e paredes da igreja, toda construída de pedras de cantaria; verá que a mesma violenta concussão destruiu todas as casas, demolindo-as na mesma direcção, assim como todos os mais valentes edifícios, servindo de melhor exemplo a igreja matriz que tendo a capela mor voltada para o mar, o tecto o desta foi impelido para o corpo da igreja, e toda a frente e torre está inclinada para a serra da Praia, indicando que toda a força, que a fez partir e curvar, lhe veio do lado do porto, ou do nordeste.
Para não sermos fastidiosos, devemos concluir que a destruição da vila da Praia procedeu de um grande vulcão que rebentou no mar, bem em frente daquele porto, cuja força incompreensivel, e pela proximidade percutiu com mais intensidade a vila, e a freguesia das Fontinhas, estendendo a sua vibração com menos violência por todo o litoral até á vila de S. Sebastião, alem da qual não aparece vestígio algum de ruína; e tanto parece consentânea esta razão, que a incalculável força impelida pelo vulcão, e que causou o terremoto, abriu aquela grande fenda no areal, denotando a força sobrenatural da expansão, e que talvez comunicando-se por alguma caverna subterrânea, por baixo da serra de S. Tiago, fosse a causa de se arrasar a igreja das Fontinhas, cujo alicerce saltou para cima das ruínas daquele templo. Esta freguesia foi a que mais sofreu pela força vertical ou pulsação do terremoto, que arrasou todas as casas e paredes, sendo notável que do grande Pico do Celeiro que lhe fica próximo, nem uma só das paredes que o circundam lhe caiu, podendo afoutamente dizer: tumo me impunè lacessit; não há quem me despedace impunemente.
A freguesia das Fontinhas que tem 203 fogos e 1006 moradores, é na verdade, das paroquias arrasadas, a que mais sofreu comparativamente, não se prolongando as ruínas alem deste local. A demolição das casas e da igreja, segundo a posição em que tombaram, assas demonstra que a grande concussão veio do lado de nordeste, e que o abalo ali foi vertical pelo arrojo dos alicerces; o que se não observa na Praia que só foi percutida por violento tremor de inclinação e concussão, como fizemos ver a muitos de seus moradores e os convencemos.» Angrense de 24 de de Junho 1841, nº 246.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
História: Os sismos de Lisboa
História
História: sismos em Lisboa
Tremores de terra em Lisboa
Os dos anos de 370 e 377 antes de Cristo foram muito violentos.
Os de 1009, 1117, 1146 e 1290 foram fortíssimos.
O de 24 de Agosto de 1356 durou um quarto de hora, com seus intervalos, fez cair muitas casas, e foi seguido por muitos outros abalos durante um ano.
O do 1º de Janeiro de 1531 foi um dos mais terríveis, causou imensos prejuízos, e foi seguido por outros abalos durante oito dias.
O de 27 de Julho de 1575, posto que violento, não causou desgraças.
O de 28 de Julho de 1597 destruiu três ruas do monte de Santa Catarina, e dividiu esta montanha ao meio.
O de 22 de Julho de 1598 foi tão violento, que deitou a terra as pessoas que se achavam em pé.
O de 27 de Outubro de 1699 durou três dias, com alguns intervalos, e foi mui violento.
O de 12 de Outubro de 1724 foi forte, mas não deu lugar a resultados funestos.
O para sempre memorável, do 1º de Novembro do 1755, derrubou metade da cidade, e foi seguido de abalos violentos nos oito dias seguintes.
Os de 30 d Abril de 1761, de 10 e 17 da Janeiro de 1796, e de 6 de Junho de 1807 foram mui fortes; porém pouco mal produziram.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
História: Vesúvio em 1848
História
Itália
Vesúvio em 1848 (imagem de 1836)
O Vesúvio está situado entre o mar e os Apenninos, cerca de duas legoas e meia de Nápoles. Tem soffrido tantas alterações na sua altura e na forma da sua cratera, que é muito difficil dar uma idéa exacta d'ella. Todavia, como hoje se acha o Vesúvio, mede 600 toezas sobre o nivel do mar.
Os escriptores da antiguidade fallam tão vaga e confusamente a respeito d'esta montanha, que fazem suspeitar não ser esta a que os antigos davam o nome de Vesúvio. Entretanto, Diodoro, Strabão, e Plínio concordam, ao que parece, em dar esta denominação á montanha, que conhecemos com este nome.
Na historia dos primeiros tempos da Itália não se encontra menção de erupção alguma do Vesúvio. Com tudo Diodoro de Sicília, que escreveu vinte e cinco annos antes de Christo, diz que no seu tempo se conservavam alguns vestígios de convulsões volcanicas, prova de que esta montanha em outros tempos vomitara chammas como o Etna. Strabão ainda é mais explicito, e das suas palavras collige-se que, no tempo em que escrevera, a terrível montanha não inspirava o terror que as suas subsequentes erupções tem incutido.
A primeira foi no anno 79, em que succedeu a espantosa catastrophe de Herculanum e Pompeia, cidades famosas, que ficaram sepultadas nas cinzas; depois tem havido 47 erupções nos seguintes annos; 203, 472, 512, 685, 993, 1036, 1049, 1138, 1139, 1306, 1500, 1631, 1660, 1682, 1694, 1701, 1704, 1712, 1717, 1730, 1737, 1751, 1754, 1760, 1766, 1767, 1770, 1771, 1773, 1774, 1775, 1776, 1777, 1778, 1779, 1786, 1790, 1794, 1804, 1805, 1806, 1810, 1811, 1813, 1817, 1820, 1822.
Imaginando, pois, galgada a montanha, contemplemos com um illustre viajante, a cratera, que a nossa estampa representa e que é o objecto principal d'este artigo.
«Figure-se um abysmo de 5,624 pés de circumferencia sobre 1,340 de profundeza; as paredes são a pique. De todos os lados sae um fumo ardente; do fundo da cratera no meio d' uma planura de superfície desegual e de cor escura, abre-se uma larga bòcca que mede perto de 40 pés de circumferencia. É d'esta bocca, que o volcão despede continuamente chammas e lava. Sente- se tremer a terra de minuto a minuto; depois segue-se uma detonação similhante á de uma bateria, o volcão lança a uma altura prodigiosa pedras vermelhas que, ou volvem a sumir-se ao abysmo incommensuravel d'onde saíram, ou caem ao lado e augmentam o pequeno cone que alli se vae formando.»
E como é bello e grande contemplar d 'alli, d' aquelle immenso e terrível resfolgadouro da natureza, d'aquelle inferno, como diz Chateaubriand, a Campania Felix, e o delicioso golpho de Nápoles.
Lá ao Oriente vê-se o promontório de Sorrento, pátria do grande Tasso; Capri, lichia, Procida a Grega, e uma extensa linha de mar azulado. Ao meio dia o cabo Miseno, Pouzzol, Pausillipo com os seus jardins, com as suas egrejas, e com as suas villas; na frente a magestosa Nápoles, mirando-se no extenso golpho, mollemenle reclinada em largo amphitheatro, ás faldas da montanha, Portici, Herculanum, Resina, as Due Torre, Pompeia, e lindos campos esmaltados de flores.
Muitos viajantes, levados de irresistível curiosidade, se atreveram a descer, com risco da vida, ao fundo da cratera; todavia, aquelle a que nos referimos, que tambem tentou tão perigosa descida, diz que já em 1836 se não podia lá chegar, em consequência da alteração que na sua forma interior soffrêra.
Revista Popular, 1848
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
História: Terremotos e o terremoto de Lisboa
História
TERREMOTOS
São os terremotos os mais terríveis, e mais destruidores dos phenomenos naturais. É certo que muitas vezes treme a terra. sem que d'alli resulte o mais leve dano, e que passam desapercebidos e sem comemoração muitíssimos tremores; mas outras vezes são taes e tão promptos os seus devastadores efeitos para as propriedades e vidas, que a historia os recorda como o mais terrível flagelo da espécie humana.
Não trataremos da causa originaria de similhante phenomeno, por ser ela ainda hoje ponto obscuro da sciencia. O que podemos afirmar com certeza é que essa causa tem profundas raízes no interior da terra, e que parece não ser diversa d'aquella que produz os phenomenos vulcânicos - quer provenha de uma simples acção dynamica, quer d'uma acção puramente chimica. O nosso único fim é descriplivo e histórico.
Ainda que os maiores terremotos sejam felizmente acontecimentos raros, são os de menor monta tão frequentes, que Humboldt assevera não se passar um dia só, em que a superfície da terra não seja aqui ou ali abalada.
Podemos distinguir nos terremotos quatro espécies de movimento subterrâneo, que posto algumas vezes obrem isolados, outros operam de um modo mais ou menos combinado. São estes o movimento tremulo, o undulatorio, vertical e rotatórioo. Os choques trémulos que os Americanos do Sul chamam tremblores, são de todos os mais inofensivos; a terra treme com um abalo similhante ao que se experimenta à borda dos barcos de vapor. Destes tremblores que ás vezes quase diariamente se sentem em pontos da América ao correr da costa do Pacifico, nenhum prejuízo resulta ordinariamente.
São mais perigosos os abalos undulatórios que se propagam á maneira de ondas, elevando e deprimindo o solo em uma certa direcção. Após este os movimentos verticais são mais violentos e terríveis em suas consequências: a terra abala-se como impelida por uma explosão subterrânea. No grande terremoto da Calábria em 28 de Março de 1783 pareceu elevar-se e abater se a mais alta montanha granítica de Aspromonte; indivíduos foram arremedados ao ar e para longe do sitio onde se achavam; e edifícios inteiros mudados de posições mais baixas para outras mais superiores. Este movimento sempre se combina com o undulatório segundo pensam Humboldt e Dolomieu.
Os choques rotatórios são os mais raros, mas os mais destruidores. No terremoto de Catânia em 1818, em que a direcção do abalo subterrâneo foi de sueste a noroeste, muitas estátuas fizeram meio giro sobre seus pedestaes, mudando de posição norte sul para a linha de leste-oeste; o mesmo se observou em Valparaizo em 1822, e no ultimo terremoto do Chile em 1838. A este respeito menciona Humholdt, que não é raro ver-se árvores dispostas em linhas rectas ficarem em curvas sensíveis depois de terremotos.
A duração dos terremotos é em geral mui curta; tem-se notado, que tanto menos duradoiro é o abalo, tanto mais forte, e por conseguinte mais terríveis os teus efeitos, bastando poucos segundos, muitas vezes, para reduzirem a um montão de ruínas, vastas e populosas cidades. E quem atentamente considerar nas desastrosas consequências de tão súbita calamidade, não poderá deixar de concluir com o citado Humboldt: «que não há força alguma conhecida, nem mesmo aquela de nossos mortíferos projecteis, que em obra de tão pequeno espaço de tempo faça maior numero de vitimas do que um terremoto.» Assim, podemos citar o da Sicília em 1692 em que pereceram 50 000 pessoas; o de Pirobamba em 1797 que matou 40.000; o de Calábria em 1783 60,000; e mais de 200,000 na Ásia menor, na Síria em tempos de Tibério e Jostiniano.
A direcção do choque subterrâneo é umas vozes indeterminada, e irregular; outras vezes linear seguindo de preferência a cordilheira de montanhas; outras em fim como se partira de um centro e divergisse para a circumferencia.
Alguns terremotos tem havido bastante circumscriptos a um dado local, e outros que se teem propagado a enormes distancias. O de Lisboa foi mui violento em Espanha, Portugal, e norte de África; mas quase toda a Europa, e até as West-Indias o sentiram no mesmo dia. Parrot diz que ele se estendera por 700 000 milhas allemãas, o que não é menos de 1/12 da superfície total do globo. Parece que o movimento subterrâneo se vai sucedendo muitas vezes ao correr de uma linha, e sucessivamente produzindo os seus estragos; mas em outras ocasiões o momento de acção é instantâneo ainda em partes bem remotas. O de Lisboa que começou ás 10 horas menos 10 minutos da manhã, foi sentido em Madrid ás 10 horas e 17 minutos, isto é, no mesmo instante, tendo em vista a posição geographica destas duas capitais.
Não há parte alguma da terra que possa julgar-se isempta de terremotos, mas umas são mais sujeitas a eles do que outras. Tem-se pretendido que nas vizinhanças dos vulcões activos há mais frequentes tremores; e posto que muitas irrupções volcanicas são precedidas de comoções subterrâneas, outras muitas teem logar independentemente delas. Com tudo os maiores terremotos teem acontecido cm regiões mui distantes de vulcões activos; e os imensos abalos subterrâneos, que no Novo Mundo assolaram as povoações de Latacunga, Riobamba, Honda, Caracas, etc., não coincidiram segundo refere Boussingault, com irrupção alguma conhecida. A oscilação da terra, que precede este ultimo phenomeno, diz Bischoff, é para assim dizer local; ao passo que os terremotos, que (ao menos em apparencias) se não casam com irrupções volcanicas, não só são muito mais fortes, como se propagam muitíssimo mais longe.
Por outro lado parecem tão dependentes taes phenomenos, que na proximidade dos vulcões se sentem os terremotos, quando por longo prazo adormece a acção vulcânica, e terminam aos primeiros symptomas de novo paroxismo na cratera.
O que em geral pode colher-se de muitas observações, é que as ilhas são mais sujeitas aos terremotos do que os continentes; os paizes á beira mar mais do que os outros terra dentro; e as regiões intertropicaes mais do que as polares.
Alguns terremotos são precedidos de um ruído ou estrondo subterrâneo, que semelha o pezado rodar de carretas de artilharia, o arrastar de grossas cadeias e o estampado de trovão. Este phenomeno é notável por ter também acontecido isolado e independente; mas em tempos modernos tem sido menos frequente do que outrora o refere a historia. O mais curioso facto desta ordem ocorreu em Guanaxuato em 1784. Em 9 de Janeiro á meia noite começou a ouvir-se um estrondo subterrâneo, que foi aigmenlando até 13 em intensidade, parecendo então uma rija trovoada, que de continuo estalava por baixo da cidade. Entrou a diminuir em 16 de Janeiro, e apenas cessou de todo em 13 de Fevereiro. Foi grande o terror dos habitantes, que súbito abandonaram a povoação, e os ricos tesouros das minas de prata, que alli haviam amontoado; mas pouco a pouco foram tornando os menos timoratos até que todos por fim se acostumaram a tão estranho como inofensivo evento. Em 1822 se ouviu igualmente um ruído similhante em Melida perto de Ragusa, que com quanto fosse muito menor em intensidade, foi de uma duração muito mais longa.
Um dos frequentes efeitos dos terremotos é a abertura do terreno em fendas, bocas, e escavações profundas, que umas vezes se conservam, outras se fecham imediatamente. É ordinário sahirem destas fendas gazes, vapores, fumo, chamas, lama, areia, agua e pedras. Em diversas ocasiões se tem observado quer uma quer, muitas destas substancias. No grande terremoto da Jamaica em 1692, abriu -se a terra em vários sítios d'um modo tão insólito, que submergiu e se fechou sobre varias pessoas; mas reabrindo-se logo depois, tornou a lança-las para fora no meio de jorros d'agua que causaram não pequena inundação.
Uma das causas de maior destruição, que acompanha os tremores de terra, é a súbita elevação e prompta descida das águas do mar; e posto que similhanle phenomeno nem sempre se tenha verificado em alguns dos grandes terremotos, em outros tem causado os mais horríveis estragos, como sucedeu no de Lisboa em 1755, e nos de Callao em 1585 e 1746. Para cima de 3.000 pessoas morreram afogadas na desastrosa, e repentina innundação do grande cáes de Lisboa.
Cumpre examinar agora se os terremotos teem eu não alguma dependência das circumstancias externas. Querem uns que eles são sempre precedidos de signaes particulares, como irregularidades nas estações antes ou depois deles, repentinos tuphões de vento, seguidos de calmas podres, chuvas copiosas fora da quadra própria, certa vermelhidão no disco do sol, e opacidade e nevoeiro na atmosphera, exhalaçoes terrestres de matéria eléctrica, ou de gazes sulphorosos, e mephiticos, sècca repentina dos mananciaes d'agua e enjoos e tonteiras de cabeça nas pessoas etc. etc. Outros porém opinam em contrario á vista de numerosas observações que citam Mr. Wittich, a quem muito devemos neste artigo, positivamente assevera que não ha relação alguma entre o estado do tempo e os terremotos. Muitos teem ocorrido, diz ele em tempo bem sereno, outros em meio de furiosas ventanias; uns quando a atmosphera está densa e carregada de vapores, outros quando perfeitamente limpa; durante grandes chuvas, e em ocasiões de trovoada. Em altas latitudes tem havido terremotos em todos os tempos do ano, mas com mais frequência em tempo frio, principalmente um pouco antes ou depois dos equinoxios. Nos climas intertropicaes muitos se teem sentido antes de começarem, ou logo que terminam as estações chuvosas. Frequentes vezes sucede na América do Sul que as chuva são abundantíssimas, quando tem havido algum tremor de terra depois de prolongadas seccas. Os habitantes paragens pouco ou nada os receiam, porque construindo as suas cazas de madeira, e de juncos, não temem ser esmagados por elas; e até se recordam com prazer d'algumas destas grandes catastrophes festejando os seus anniversarios, ao passo que os descendentes dos europeus fazem procissões, e outros de penitencia para que o céu lhes afaste similhantes calamidades. No archipelago indico os mais fortes abalos subterrâneos coincidem de ordinário com a mudança das monções. É também que quase sempre depois dos terremotos o tempo torna mais frio.
O que porem nos leva ainda mais a acreditar, que o phenomeno dos terremotos é independente de quaesquer mudanças atmosphericas, são as observações barométricas. - Hoffman diz que em 57 terremotos observados em Palermo no espaço de 40 anuos, nunca as oscilações barométricas ultrapassaram os limites, antes pelo contrario foram durante muitos delles, bem insignificantes. Humboldt verificou o mesmo facto nos terremotos dos Andes, não só a respeito das alterações barométricas, como da perfeita regularidade das variações horárias de declinação da agulha. Acrescenta porém, que, se em geral os tremores terra não são annunciados por aspecto particular atmosphera, ou por algum phenomeno meteorológico, parece todavia que uma tal ou qual sympathia tem havido entre alguns dos mais violentos abalos subterrâneos, e as circunstancias externas, de sorte que não pôde dizer que elles sempre tenham logar d'um modo puramente dynamico.
Enfim crê-se geralmente, que exhalações nocivas para nós imperceptíveis, sobem da terra antes dos terremotos; supposição não sem fundamento, por que é sabido que as cobras, ratos, lagartos e outros animaes pequenos, costumam, ao aproximar-se este phenomeno, sahir das tocas e correrem sobre a terra como espavoridos, e ao acaso. Também alguns dos animaes domésticos participam de certa inquietação, como as cabras, porcos e cães. Antes de se sentir o primeiro abalo do grande terremoto de Talcahuano, todos os cães fugiram para fora da cidade. É crença em algumas partes, que os porcos são os que melhor farejam os tremores de terra; e as pessoas timoratas nunca deixam d'espreitar os movimentos destes animaes.
Terminaremos com uma sucinta noticia do terremoto grande de Lisboa.
O dia 1 de Novembro de 1755 amanheceu claro e soprando uma ligeira brisa da terra. Às 9 horas pouco mais ou menos, começou o sol a turvar-se, e meia hora depois entrou a ouvir- se um ruído, que parecia o de pezados carros, que ao longe rodavam por calçada de pedras soltas. Este rumor subterrâneo foi progressiva e rapidamente aumentando, de modo que passados alguns segundos, semelhava o troar de rija canhonada por debaixo da cidade.
Neste momento sentiu-se o primeiro repelão do terremoto, e logo o continuo desabar dos templos, dos palácios, e de todos os edifícios mais formosos. Parou um pouco a comoção da natureza, como se fora para ela tomar fôlego d'um minuto, e com redobrada força, três novos abalos se seguiram tão de súbito, e de tal modo violentos, que quase não houve obra humana que pudesse resistir-lhes Referiram algumas pessoas, que no primeiro abalar da terra andavam embarcadas em distancia da cidade, que lhes parecera tocar em seco o bote onde se achavam; e no mesmo instante observaram, que uns sobre outros caiam os edifícios, que alinhavam ambas as margens do Tejo, o que viram repetir obra de quatro minutos mais tarde. Também as águas partilharam dos terríveis movimentos da terra, trazendo o rio algumas vezes á flor da agua o seu próprio leito. E nos navios, que quebradas as amarras, uns contra os outros se esmagavam, sentiam os marinheiros ora estar em nado, ora em seco inteiramente. Mas novo perigo ameaçava ainda os infelizes habitantes; por que passado a maior força da comoção subterrânea, acometeu -os o mar com terrível fúria, ameaçando completar a ruína do pouco que escapara. Entrou pelo Tejo uma serra de agua de 40 pés de altura, que felizmente para a cidade se espraiou na larga bacia, que lhe fica em frente, e rapidamente inundou todas as ruas da baixa. Mas o grande cais de pedra, que ainda há pouco se havia completado, e aonde procuravam salvar-se não menos de 3 000 pessoas, aluiu com o peso da agua, e cães e gente para sempre se sumiram na profundidade do rio.
Calculam-se em 60.000 as vitimas desta grande catastrophe, a maior parte esmagadas pelo desabamento dos templos que pelo dia santificado, e pelas horas de oração se achavam apinhados de fieis.
As relações do tempo, algumas das quaes temos á vista no Gentleman's Magazine de 1756, mencionam muitas outras circumstancias que actualmente omittimos por pouco interessantes. Sobre a matéria deste artigo pode vêr-se a obra de Mr. Wittich - Earthquaques and Volcanos, Cosmos par de Humboldt - Physical Researches on the heal of the Globe by Bíschoff - Lyell's principies of Geology etc.
Coimbra 8 de fevereiro de 1848
R. Fernandes Thomas
História: Abalo de terra em Lisboa
História
Abalo de terra em Lisboa
Na manhã de 9, por volta das cinco horas e trinta cinco minutos, sentiu-se perfeitamente em Lisboa, na direcção de noroeste a sueste, um abalo de terra, que quatro segundos. Causou muito susto em todas as pessoas, como é natural, mas não consta que produzisse damno.
ANNUARIO DO ARCHIVO PITTORESCO PUBLICAÇÃO MENSAL N 17 maio 1865
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