Mostrar mensagens com a etiqueta viana do castelo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta viana do castelo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de março de 2012

História de Ponte de Lima e imagem do antigo brasão




História de Ponte de Lima e imagem do antigo brasão


A VILA DE PONTE DE LIMA 

Três léguas a este da cidade de Viana do Castelo, a cujo distrito administrativo pertence e cinco da cidade de Braga, está edificada a vila de Ponte de Lima, sobre a margem esquerda do formoso rio

Se a antiguidade desta povoação não é tanta como alguns dos nossos autores pretendem, atribuindo-lhe uma origem grega ou celta ou turdula, muito anterior ao nascimento de Cristo, é certo todavia que já existia no século II da era cristã, sendo então uma cidade sob o domínio dos romanos chamada Forum Limicorum. A situação em que o itinerário do imperador Antonino Pio põe esta cidade, não deixa duvidar de que teve o mesmo assento em que ora vemos Ponte de Lima.

Como ficava na via militar que os romanos abriram de Braga à cidade de Astorga, por Tuy e Lugo, era muito transitada e florescente no tempo destes dominadores do mundo. Atendendo à perfeição e grandeza com que eram construídas as vias militares dos romanos, é de crer que tivessem edificado neste sitio uma boa ponte. Não há porém vestígios nem memoria de semelhante obra. Contudo deveria aí existir alguma ponte anteriormente à fundação da monarquia portuguesa, porquanto achando -se aquela terra arruinada e despovoada, no principio do século XII, a rainha D. Teresa e seu filho D. Afonso Henriques, sendo ainda infante, mandando-a reedificar e povoar de novo. no foral que lhe deram em 1125. chamam- lhe Ponte de Lima.

El rei D. Afonso II confirmou este foral e acrescentou-lhe mais algumas regalias. Mas apesar de todos estes favores e de tantas vantagens da situação e dos terrenos circunvizinhos, foi-se despovoando outra vez e caindo em ruínas. E a tal ponto chegou de miséria, que no meado do século XIV eslava reduzida a um pequeno numero de pobres choças de palha.

Resolvendo-se então el rei D. Pedro I a restaura-la novamente e com melhores condições, transferiu-a em 1360 do sitio em que se achava, que era abaixo do convento de S. Francisco, para o lugar em que a vemos. Abriu ruas, construiu casas, cercou tudo de grossa muralha com varias torres ameiadas, barbacãs e cinco portas, denominadas: do Souto, do Postigo, da Ponte, de S. João e a de Braga, que mais tarde tomou o nome de porta do palácio dos viscondes. E, enfim, para que nada faltasse ao desenvolvimento e prosperidade da terra, para a qual atraiu muitos moradores, edificou-lhe sobre o rio Lima uma excelente ponte de pedra fortificada em cada extremidade com uma forte torre e, tudo isto, tão solidamente construído, que ainda ao presente se conserva em óptimo estado.


Não bastaram porém todos estes esforços e avultadas obras de segurança e comodidade para vencer o mau fado desta terra. Achava-se em tamanha decadência no começo do século XVI, que, tratando el rei D. Manuel de reformar os forais das terras do reino, acrescentou ao antigo foral de Ponte de Lima, entre outros privilégios, que os seus moradores fossem isentos de pagar portagem e direitos em todo o país.

Depois disto têm passado três séculos e meio e a vila, que neste espaço de tempo prosperou, chegando a contar perto de três mil habitantes, tornou a decair e hoje não possui mais de dois mil. É de esperar, todavia, que a nova estrada macdamisada que em breve a vai pôr em fácil comunicação com a cidade de Braga, com a praça de Valença e outras povoações, lhe há-de dar benéfico impulso.

Na velha monarquia tinha esta vila representação em cortes com assento no banco quinto. Tem por brasão de armas um escudo com uma ponte entre duas torres. É seu alcaide mor o senhor marquês de Ponte de Lima, que é décimo sétimo visconde de Vila Nova de Cerveira.

Nossa Senhora da Assunção é a única paróquia da vila. É um bom templo edificado no século XVIII. Antes da sua fundação a igreja paroquial estava fora da vila, próxima da capela de Nossa Senhora da Guia. Veneram-se naquele templo duas imagens Nossa Senhora da Piedade, com o Senhor morto no regaço, que vieram de Inglaterra.

Tem casa de misericórdia, dois hospitais e diversas ermidas dentro e fora da povoação. A capela de S. Sebastião, que está fora da porta do Souto, foi sinagoga dos judeus, quando residiram alguns nesta vila e moravam na rua nova.

Os principais edifícios, além dos já citados, são a ponte e o palácio dos senhores marqueses de Ponte de Lima. O primeiro, posto que tenha tido algumas reconstruções parciais, conserva na sua maior parte a fabrica primitiva. É um belo e curioso monumento de arquitectura gótica. Consta de vinte e quatro arcos, sendo dezasseis ogivas. Nas extremidades erguem se duas torres, por baixo das quais é necessário passar para entrar na ponte ou sair dela. O segundo é o solar da ilustre família dos Limas, que el rei D. Afonso V elevou às honras de viscondes de Vila Nova de Cerveira em 1476, em favor de D. Leonel de Lima e a rainha D. Maria I ás de marqueses de Ponte de Lima em 1790, na pessoa de D. Tomás Xavier de Lima, seu ministro dos negócios do reino. Acha-se este palácio em muita ruína e o mesmo acontece ás muralhas da vila.

As cercanias de Ponte de Lima são de uma beleza singular. O rio Lima corre sobre amplo leito de alvissima areia entre margens orladas de frondoso arvoredo e pelo meio de campos sempre viçosos, em que avultam aqui e ali, ora uma torre ameiada, solar de remotas eras, ora uma casa gótica dos séculos XV e XVI. ora residências de tempos mais modernos e mais prosaicos, mas agradavelmente situadas á beira do rio ou escondidas entre copadosfaldas, tão lindamente vestidos nas encostas de arvoredo silvestre, com tantas capelinhas a coroar-lhes os cumes mais elevados, que formam um precioso caixilho ao quadro do vale, já de per si tão rico, tão belo e variado.

O rio, que no inverno enche e transborda o alveo, empobrecido no verão, divide se em vários braços, por entre ilhotas de areia. Mas ainda assim, com mais ou menos custo, é navegável e transitado de muitos barcos pelo espaço de quase duas léguas para cima e três para baixo, até á cidade de Viana do Castelo, onde tem a sua foz.

Saindo-se da povoação pela ponte tem junto desta um arrabalde com tantas e algumas tão boas casas, que é como a continuação da vila. Seguindo a estrada, que por este lado vai paralela ao rio até Viana, encontram-se duas deliciosas quintas, cujos palácios situados entre jardins e meio ocultos na espessura de densos bosques, ainda se miram, como a furto, nas águas cristalinas do Lima. São as residências dos senhores condes de Bertiandos e de Almada. Da outra parte do rio também vai uma estrada, mais chegada á margem e que conduz igualmente àquela cidade. É um passeio encantador. O viajante, ao percorre-la, vendo-se caminhar sob um toldo de verdura e por meio da pomposa vegetação que veste fertilíssimos campos em todas as estações do ano julga, atravessar uma quinta de regalo tratada com esmero.

Próximo da vila, nos subúrbios, vêem-se os edifícios dos dois extintos conventos de Santo António, na margem esquerda, o qual foi de frades capuchos, fundado por D. Leonel de Lima, primeiro visconde de Vila Nova de Cerveira; e de S. Francisco de Val de Pereiras, na margem direita, edificado em 1360 e que, depois de ter pertencido aos religiosos franciscanos, passou em 1513 a ser ocupado por freiras de Santa Clara.

Nos subúrbios da margem esquerda, logo abaixo da ermida de Nossa Senhora da Guia, no monte te chamado dos Medos, descobrem-se vestígios de um antigo castelo. Um pouco mais distante, próximo do sitio onde está a capela de Nossa Senhora da Conceição, existem, ou pelo menos existiam há anos, as ruínas de um forte que dizem ser obra dos romanos.

O termo de Ponte de Lima, por onde corre também o rio Neiva, é muito produtivo em Iodas as variedades de cereais, legumes, hortaliças e frutas, que se cultivam ordinariamente no nosso país. Recolhe vinho, algum azeite, cera e mel. Abunda em caça e criação de gado de espécies varias. O rio cria muito peixe, especialmente lampreias e salmões, em que se faz muito comercio para diversas terras do reino.

Alguns autores nossos pretendem que o Lima fosse aquele rio tão celebrado na antiguidade com o nome de Lethes. Esta opinião não tem mais fundamento do que a amenidade e encantos do nosso Lima, que por eles faz, sem duvida, que todos aqueles que os gozam, se esqueçam por então de tudo o mais.

Conta-se que, vindo a estas paragens uma legião romana capitaneada pelo pro-cônsul Junio Bruto, repugnara atravessar o rio, crendo ser o Lethes, com receio de se esquecer ao passa-lo da pátria e parentes; e que fora preciso para a resolver que o pro cônsul passasse primeiro e depois de chegar á margem oposta começasse de lá a referir algumas particularidades de Roma, para os convencer de que não estava esquecido da pátria.

 Por Ignacio de Vilhena Barbosa

Pelo Censos 2011 Ponte de Lima conta com 43 mil habitantes.

Freguesias de Ponte de Lima

Anais, Arca (integra o perímetro urbano), Arcozelo (vila de Arcozelo), Ardegão, Bárrio, Beiral do Lima, Bertiandos, Boalhosa, Brandara, Cabaços, Cabração, Calheiros, Calvelo, Cepões, Correlhã (integra o perímetro urbano), Estorãos, Facha, Feitosa (integra o perímetro urbano), Fojo Lobal, Fontão, Fornelos, Freixo, Friastelas, Gaifar, Gandra, Gemieira, Gondufe, Labruja, Labrujó, Mato, Moreira do Lima, Navió, Poiares, Ponte de Lima, Queijada, Refóios do Lima, Rendufe, Ribeira (integra o perímetro urbano), Sá, Sandiães, Santa Comba, Santa Cruz do Lima, Santa Maria de Rebordões, São Pedro d'Arcos, Seara, Serdedelo, Souto de Rebordões, Vilar das Almas, Vilar do Monte, Vitorino das Donas, Vitorino dos Piães 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Santos Portugueses - S. Teotónio


Santos Portugueses - S. Teotónio

S. Teotónio, natural da Freguesia de Ganfei, junto à Vila de Valença do Minho e não de Tuy, como diz Duarte Nunes.

Foi varão de admiráveis virtudes e prodígios e, querendo o Conde D. Henrique fazê-lo Bispo de Viseu, ele por não aceitar aquela Dignidade fugiu para Jerusalém e, tornando para a pátria, se agregou ao novo Convento de Santa Cruz, a que havia dado principio D. Telo, Arcediago de Coimbra, onde foi eleito primeiro Prior daquela Santa Congregação, floresrecendo com acções tão meritórias, que alcançou para si eterna gloria no Céu e para os seus nacionais avantajados créditos de honra.

Foi seu transito a 18 de Fevereiro de 1162 e jaz seu glorioso corpo no Convento de Santa Cruz em sumptuoso mausoléu.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

História de Monção e imagem de 1860 do antigo brasão


História de Monção e imagem de 1860 do antigo brasão


A VILA DE MONÇÃO

Esta antiquíssima vila está sentada em terreno elevado, próximo da margem esquerda do rio Minho, em distancia de duas léguas da praça de Valença, para o norte. Fica- lhe defronte Salvaterra, vila da Galiza.

Como sucede a quase todas as nossas povoações de origem anterior a monarquia, ignora-se a época da fundação desta vila. A historia, que refere Carvalho na sua Corographia, dizendo que a fundou el rei Brigo, pondo-lhe o nome de Obobriga; que arruinada depois, a fundaram de novo os gregos, denominando-a Orozion; que no tempo em que Santiago pregou nesta província a fé crista, era uma cidade chamada Mamia; é um agregado de fábulas, que outros nossos antiquários mais escrupulosos refutam com bons argumentos. Também não se pode dar mais credito a outras noticias que o mesmo autor dá, relativamente a mudanças de local da povoação.

O que de tudo isto se deve deduzir é que a sua antiguidade é mui grande. O nome de Monção é abreviatura de Mons Sanctus, Monte Santo, que dizem lhe davam os godos.

El rei D. Afonso III deu-lhe foral, em Março de 1261. Seu filho, el rei D. Dinis, construiu-lhe o Castelo e cercou-a de muros. D. João II reedificou o castelo e acrescentou- lhe um novo cinto de muralhas, com sua barbacã, pelo que se vê na porta do baluarte o pelicano, divisa deste ultimo monarca.

Na guerra que rompeu entre el rei D. Fernando de Portugal e D. Henrique II de Castela, na segunda metade do século XIV, veio um exercito castelhano pôr cerco a Monção. Apesar de ser pequena para se opor a tão poderoso inimigo, a guarnição defendeu a praça por muito tempo, com incrível valor. Multiplicavam-se os assaltos e estreitava-se o cerco todos os dias; mas os castelhanos eram sempre repelidos e os defensores da vila suportavam com corajosa resignação todo o género de sacrifícios. As coisas, porém, chegaram ao ultimo termo pelo apuro da fome. Ia pois a render-se a praça, quando uma mulher a salvou.

Deosadeu Martins, esposa do capitão mor de Monção, Vasco Gomes de Abreu, praticara em todo o cerco acções de verdadeiro heroísmo, primeiro acudindo ás muralhas na ocasião dos combates, ora animando os seus, ora aremeçando pedras e matérias inflamadas sobre os castelhanos e depois, quando os braços começavam a desfalecer pela fome, correndo a repartir o seu próprio pão pelos soldados que mais dele careciam. Porém este derradeiro recurso não tardou a exaurir-se. A heroína, entrando um dia no seu celeiro, apenas viu um punhado de farinha. Já não havia mais mantimentos na vila. A entrega da praça devia ser imediata. A ilustre matrona teve então uma ideia de inspirada. Mandou fazer alguns poucos pães com aquela farinha e, tomando-os no regaço, sobe acima de uma torre das muralhas e arremeça-os ao inimigo, exclamando: «A vós que não podendo conquistar- nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós mais humanos e porque graças a Deus nos achamos bem providos, vendo que não estais fartos, vos enviamos esse socorro e vos daremos mais se o pedirdes.»

Os sitiadores, que com efeito, já estavam experimentando grande falta de mantimentos, desanimados de tomar a vila por assalto; e julgando-a agora abastecida ainda de viveres para um longo assedio, resolveram imediatamente a retirada e sem mais demora, partiram para a Galiza.

Os habitantes de Monção solenizaram com grandes festas e regozijos este sucesso e em comemoração do feito e obséquio da heroína, tomaram por brasão de armas da sua vila, uma torre em campo de prata, tendo sobre as ameias uma mulher com os braços erguidos e dois pães nas mãos e em volta esta legenda: «Deus a deu Deus o há dado», aludindo assim á heroína que concebeu o projecto da salvação publica e ao pão que foi o instrumento dessa gloriosa acção. A câmara mandou também pintar na sua bandeira o retrato de Deosadeu Martins. Depois da sua morte foi por largo tempo honrada a sua memoria, indo a câmara todos os anos, em certo dia, junto da sua sepultura, para aí se abrir e ler a lista dos vereadores.

El rei D. João I deu o senhorio de Monção a Lopo Fernandes Pacheco, em 1423, mas logo depois lho comprou, incorporando-o outra vez na coroa. D. Afonso V fez doação dele a D. Afonso, conde de Ourem e mais tarde marquês de Valença, filho primogénito do primeiro duque de Bragança. Opuseram-se porém os habitantes por tal modo que não foi possível ao conde tomar posse. Sucedendo daí a pouco tempo D. João II no trono e fazendo-se-lhe queixa desta desobediência, ao passo que a vila de Valença, dada também ao conde de Ourem na mesma ocasião, não tinha impugnado a doação, respondeu este soberano: «Valença é fêmea e Monção é macho.» E aquela resistência agradou tanto a D. João II, que já se dispunha para coarctar o poder da nobreza, que deu vários privilégios à vila, ordenando que nunca mais fosse alienada da coroa.

Na luta da restauração da 1640, foi sitiada pelas tropas de Filipe IV. Durou o cerco quatro meses e meio, durante os quais houve rijos combates, terminando por uma honrosa capitulação. E dizem que o general inimigo, ao ver o pequeno numero de combatentes que saiu da praça, ficara maravilhado da sua tenaz resistência.

Monção tinha voto nas antigas cortes, com assento no banco décimo.

Há na vila uma só igreja paroquial, intitulada de Santa Maria, e numa das capelas está a sepultura de Deosadeu Martins. Tem igreja e hospital da Misericórdia, três ermidas, uma delas do bonita fabrica, da invocação de Nossa Senhora do Outeiro e situada num espaçoso campo chamado do Cano. Tinha dois conventos de freiras de que restam os edifícios, um de S. Bento, fundado em 1550 e o outro de S. Francisco. Dentro da povoação há quatro fontes.

Monção ainda conserva em grande parte as suas antigas fortificações; e no século XVII fizeram-se-lhe diversas obras de defensa.

Os subúrbios são muito lindos e amenos. Para se ajuizar da sua beleza basta dizer que se estendem pelas formosíssimas margens do rio Minho.

Entre a vila e o rio há um olho de águas sulfureas, muito medicinares. Próximo também do mesmo rio, porém na distancia de três quartos de légua de Monção, vê-se uma curiosa antigualha. É uma elevada torre que o vulgo denomina Vara do Castelo, porque fazia parte do lindo castelo de Lapela, fundado por ordem de D. Afonso Henriques, ainda antes de ser aclamado rei. Este Castelo foi mandado arrasar no século XVII para desafrontar a praça de Monção, ficando só em pé, para memoria, aquela torre.


A meia légua ao sul de Monção, encontra se o magnifico palácio da Berjoeira, ricamente adereçado no interior e rodeado de belos jardins, com uma grande quinta de regalo. Foi começado em 1806 por Luiz Pereira Velho de Moscoso e por ele acabado no fim de vinte e oito anos de trabalhos, nunca interrompidos. Dizem que importou numa soma que não anda longe de quatrocentos contos. Pertence actualmente ao filho do fundador, o senhor Simão Pereira Velho de Moscoso.

Noutro sitio das cercanias de Monção, chamado Agrelo, há uma curiosidade natural digna de ver-se. É uma gruta formada por um enorme penedo e tão espaçosa que podem estar dentro dela, comodamente, muitas pessoas.

O termo de Monção é mui fértil. Produz muito milho e centeio, legumes, frutas vinho, linho, etc. Cria-se nele bastante gado de diversas espécies e abunda em caça miúda. O rio Minho fornece a vila de muito e bom peixe, principalmente de lampreias e salmão.

Monção conta mais de mil e duzentos moradores.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


***

Pelos Censos 2011 Monção conta com 19 210 habitantes

Freguesias de Monção

Abedim, Anhões, Badim, Barbeita, Barroças e Taias, Bela, Cambeses, Ceivães, Cortes, Lapela, Lara, Longos Vales, Lordelo, Luzio, Mazedo, Merufe, Messegães, Monção, Moreira, Parada, Pias, Pinheiros, Podame, Portela, Riba de Mouro, Sá, Sago, Segude, Tangil, Troporiz, Troviscoso, Trute, Valadares 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Relíquias Sagradas em Portugal - Arcos de Valdevez



Relíquias Sagradas em Portugal - Arcos de Valdevez

Na Freguesia de Santa Maria de Grade é venerada no Altar colateral da direita a famosa Relíquia do Santo Lenho de maior grandeza que se sabe existir no Reino. É visitada de muita romagem todo o ano e particularmente a 3 de Maio, 8 de Setembro, dia da Ascensão e na primeira Oitava do Espírito Santo.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

História de Caminha e brasão antigo (imagem de 1860)




História de Caminha e brasão antigo (imagem de 1860)

A VILA DE CAMINHA

Na parte extrema de Portugal, para o norte sobre o rio Minho, que o separa da Galiza, e junto ao oceano, está edificada a vila de Caminha. Dista de Viana três léguas para o norte, e quatro da praça de Valença, para o sudoeste.

Está assentada agradavelmente entre os rios Minho, que forma o seu porto, e o Coura, que perto dela se incorpora no primeiro, que entra no mar a meia légua da vila. Uma fortaleza, levantada sobre um cabeço seco, na foz do Minho, divide a barra em duas, uma portuguesa, outra galega, ambas de fácil acesso para embarcações do lote de iates.

Dizem que esta vila foi fundada por um fidalgo da Galiza, chamado Caminio, de que lhe provém o nome. Não encontramos memoria da época da sua fundação, mas sim que, achando-se inteiramente arruinada, el rei D. Afonso III a mandara reedificar e povoar pelos anos de 1265. El rei D. Dinis deu-lhe foral em 24 de Julho de 1284 e aumentou- a, fazendo-lhe varias obras de defesa.

D. Afonso V fez conde de Caminha a Pedro Álvares de Sottomaior, visconde de Tuy, fidalgo da Galiza, que passando a Portugal, entrou no serviço daquele soberano e seus descendentes vieram a ser alcaides mores da mesma vila. Filipe IV de Espanha, durante o seu domínio em Portugal, fez duque de Caminha a D. Miguel de Menezes, primogénito dos marqueses de Vila Real, que perdeu a vida no cadafalso por entrar com seu pai e outros fidalgos na conspiração contra D. João IV em favor de Castela.

Por três vezes foi esta vila cercada de fortificações. A primeira vez em tempos muito antigos, ao que parece no reinado de D. Dinis, com muralhas de cantaria, guarnecidas de dez torres e com quatro portas, chamadas da Vila, esta coroada por uma torre com relógio, do Sol, Nova, e da torre do Marquês, junto da qual houve um grande cais onde vinham carregar ou deitar carga navios de muito maior lotação do que os que presentemente ali podem entrar. As areias foram cobrindo o cais até o enterrarem de todo. No principio do século passado (18), já esta ultima porta se achava tapada de pedra, por inútil. O seu nome derivava-se do palácio que os marqueses de Vila Real tinham nesta vila, contíguo á dita porta.

A segunda cerca, muito mais moderna, foi construída com pedra de alvenaria e apenas nela havia a porta de Viana, e um postigo com serventia para o rio Minho. A terceira fortificação, do tempo das guerras da aclamação de D. João IV, também de obra de alvenaria, com fossos e contra escarpa, foi executada em maior escala, abrangendo dentro em si quase toda a povoação e com seis portas.

A igreja matriz, única paroquia da vila, é um dos mais belos templos de arquitectura gótica que possui a província do Minho. Lançou-se a primeira pedra nos seus alicerces no dia 4 de Abril de 1488, reinando D. João II; porém, estando as obras ainda atrasadas quando el rei D. Manuel sucedeu na coroa no ano de 1495, este soberano concorreu com largas esmolas para o seu acabamento. É este templo todo de pedra, com um rico portal ornado de mui variadas esculturas. Possui ricas alfaias e, entre as suas imagens sagradas, sobresai, pela devoção em que é tida e pela excelência da escultura, uma imagem de vulto de Cristo Ecce Homo, que veio de Inglaterra no tempo em que Henrique VIII, abolindo no seu reino a religião católica, declarou a mais cruel perseguição contra os que não quiseram abjurar as santas crenças de seus maiores.

A igreja e hospital da Misericórdia foram fundados no ano de 1551. Por ocasião da guerra da independência contra Castela, estabeleceu-se nesta vila um hospital militar.

Havia dentro da vila um convento de frades capuchos, da invocação de Santo António, edificado em 1618 pelo marquês de Vila Real, D. Miguel de Noronha; e um convento de freiras franciscanas, que existe, intitulado de Nossa Senhora da Misericordia, construído em 1561 por D. André de Noronha, bispo de Portalegre e que primeiro fora abade da igreja matriz de Caminha.

Tem esta povoação uma grande praça em frente da misericórdia, muitas casas boas, as ermidas de Nossa Senhora da Piedade, S. Sebastião, S. João, Nossa Senhora do Guadalupe e Nossa Senhora da Graça; e varias fontes e poços de excelente agua, dentro e fora dos seus muros.

O termo é abundante de cereais, legumes, vinho, fruta, hortaliças, mel e cera, linho, gados e caça. O oceano e o rio Minho não só a abastecem de muita quantidade e infinita variedade de peixes, mas até lhe oferecem nas pescarias um ramo importante de comercio. No rio pescam se em grande abundância salmões, lampreias, solhos, trutas e saveis, que daqui se exportam para muitas terras do interior.

Os arrabaldes de Caminha são muito lindos. Bastam para fazê-los formosos as margens encantadoras do rio Minho. O seu porto é frequentado por muitas embarcações, que lhe entretêm bastantes relações comerciais com Lisboa e outros portos do reino. No ano de 1851 entraram nele cento e treze embarcações, com oito mil cento e quarenta e sete toneladas e saíram cento e oito.

Foram naturais desta vila, o famoso jurisconsulto Pedro Barbosa, que reformou as ordenações do reino e João Soares Rebelo, celebre compositor de musica muito estimado del rei D. João IV.
A população de Caminha anda por mil e trezentas almas. No antigo regímen tinha voto em cortes e os seus procuradores tomavam nelas assento no banco décimo terceiro. Tem por brasão de armas um escudo com uma fortaleza sobre o mar.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


***

Pelos Censos 2011 Caminha tem 16 630 habitantes

Caminha é uma vila do Distrito de Viana do Castelo

Freguesias de Caminha 

Âncora, Arga de Baixo, Arga de Cima, Arga de São João, Argela, Azevedo, Caminha (ou Caminha-Matriz) (Caminha), Cristelo, Dem, Gondar, Lanhelas, Moledo, Orbacém, Riba de Âncora, Seixas, Venade, Vila Praia de Âncora, Vilar de Mouros, Vilarelho (antes de 1891, Caminha-Vilarelho) (Caminha), Vile

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em CAMINHA

PSD: 54,3% - 4 mandatos
PS: 38,6% - 3 mandatos

Candidatos Eleitos pelo Circulo: Caminha

PPD/PSD - JÚLIA PAULA PIRES PEREIRA COSTA
PS - JORGE PAULO AIRES MIRANDA
PPD/PSD - FLAMIANO GONÇALVES MARTINS
PS - MARIA TERESA VARANDA RAMALHOSA GUERREIRO
PPD/PSD - MÁRIO AUGUSTO PAIS PATRÍCIO
PPD/PSD - MARIA CELESTE GARRIDO PAIS DE SOUSA TAXA ARAÚJO
PS - ANTÓNIO MANUEL QUINTAS DE VASCONCELOS

domingo, 18 de setembro de 2011

História: Caminha - São Martinho de Lanheses - Águas Laias

Cidades Perdidas em Portugal

Águas Laias ou Leenas

Na Carta Geográfica de Abraão Ortelio, achamos demarcado este lugar com o nome de Aque Leae Turudorum, quase 41º de latitude e 11º de longitude. Alguns querem que existisse entre as vilas de Monção e Valadares; o que não pode ser pela arrumação daquele Geógrafo. Nosso famoso Agrote persuade-se, com razão, que esta era a cidade de Lais, capital dos Turolicos e que existia onde hoje chamam freguesia de S. Martinho de Lanheses, termo da vila de Caminha.



sábado, 17 de setembro de 2011

História de Arcos de Valdevez e imagem do antigo brasão



História de Arcos de Valdevez e antigo brasão (imagem de 1860)

A VILA DOS ARCOS DE VALDEVEZ

É muito antiga a origem desta vila. Pretendem alguns autores que no tempo dos romanos fora uma povoação importante, com o nome de Arcobrica. O que é certo é que já existia no reinado de el rei D. Afonso Henriques, ao qual se atribui a fabrica primitiva dos arcos que se vêem na sua praça principal.

Dizem alguns escritores, que o seu nome actual se deriva destes arcos, e da situação da vila próximo do rio Vez. Porém outros querem que provenha dos arcos triunfais que os seus moradores levantaram a el rei D. Manuel, quando por aí passou em romaria a Santiago de Galiza, por cuja ocasião lhe deu foral.

No ano de 1128, antes da aclamação de Afonso Henriques como rei de Portugal, alcançou aqui este príncipe uma grande vitoria contra os castelhanos.

Está assentada a vila dos Arcos na província do Minho, em lugar um pouco elevado, perto do rio Vez. Tem uma única paroquia dedicada ao Salvador, cujo templo foi reedificado por D. Pedro II nos fins do século XVII. A igreja da Misericordia, fundada em 1595, passa por uma das melhores de toda a província.

Contam-se na vila e subúrbios varias ermidas, a algumas das quais concorrem muitos cirios em diversas épocas do ano. Também possuía um pequeno convento de frades capuchos da província de Santo António dedicado a S. Bento e construído em 1678.

Além da praça do Pelourinho, guarnecida de casas sobre arcadas, tem esta vila três belos campos, o primeiro entre a igreja paroquial e a do Espírito Santo; o segundo no meio da povoação, ao qual faz frente a casa da câmara; e o terceiro, contíguo  á porta de S. Braz. O Pelourinho é uma boa obra. Muitas fontes de excelente agua abastecem abundantemente esta povoação.

Os arrabaldes são mui formosos. Por todos os lados corre agua e se elevam frondosos arvoredos. As margens do Vez são encantadoras. Todo o termo dos Arcos é fertilissimo, tanto pela abundância dos mananciais, como pela qualidade do torrão, que é do melhor da província. Criam-se nele muitos gados e produz grande quantidade de cereais, principalmente milho, legumes, vinho, frutas, hortaliças e linho. A caça é muita variada e excelente No rio pescam se trutas eirozes, bogas e escalos.

É esta vila cabeça de condado desde o tempo de Filipe IV de Castela, que fez primeiro conde a D. Lourenço de Brito e Lima, cuja descendencia se extinguiu em seu filho, Foi terceiro conde D, Tomas de Noronha, de onde procedem os actuais condes.

Conta esta vila perto de mil e setecentos habitantes. O seu brasão de armas, como se acha na casa da câmara, é o escudo das armas reais, entre a esfera armilar e a cruz da ordem de Cristo, que são as divisas de el rei D. Manuel.

Por Ignacio de Vilhena Barbosa


***
Pelo Censos 2011 Arcos de Valdevez conta com 22 855 habitantes

Arcos de Valdevez é uma vila do Distrito de Viana do Castelo

As freguesias de Arcos de Valdevez são as seguintes:
Aboim das Choças, Aguiã, Álvora, Ázere, Cabana Maior, Cabreiro, Carralcova, Cendufe, Couto, Eiras, Ermelo, Extremo, Gavieira, Giela, Gondoriz, Grade, Guilhadeses, Loureda, Madalena de Jolda, Mei, Miranda, Monte Redondo, Oliveira, Paçô, Padroso, Parada, Portela, Prozelo, Rio Cabrão, Rio de Moinhos, Rio Frio, Sá, Sabadim, Salvador, Salvador de Padreiro, Santa Cristina de Padreiro, Santa Maria de Távora, Santar, São Cosme e São Damião, São Jorge, São Paio, São Paio de Jolda, São Vicente de Távora, Senharei, Sistelo, Soajo, Souto, Tabaçô, Vale, Vila Fonche, Vilela

Eleições Autárquicas - 11/10/2009

Votação por Partido em ARCOS DE VALDEVEZ

PSD: 10419/68,4% - 6 mandatos
PS: 3028/ 19,8% - 1 mandato


Candidatos Eleitos pelo Circulo: Arcos de Valdevez

PPD/PSD - Francisco Rodrigues de Araújo
PPD/PSD - Hélder Manuel Rodrigues Barros
PPD/PSD - Elisabeth Morais Caldas
PS - Júlio Gomes de Abreu Viana
PPD/PSD - Martinho José Pereira Araújo
PPD/PSD - José Pedro Machado de Matos Teixeira
PPD/PSD - Belmira Margarida Torres Rei

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Crime: Padre dispara sobre homem em Monção e depois tenta dar-lhe a absolvição


Crime em Portugal



Crimes em Monção

Padre dispara sobre homem e depois tenta dar-lhe a absolvição


Por uma correspondência da Revolução de Setembro consta que em Monção houvera nos seis meses que findaram com o janeiro ultimo nada menos de cinco assassinamentos.

O derradeiro dos cinco foi acompanhado de uma circumstancia singular. C. Ligeiro junto de sua casa e ao olho do sol cai varado de um tiro. De seus dois matadores um é eclesiastico e lhe oferece confissão porque não é a alma que lhe eles querem matar; o moribundo recusa; segundo tiro lhe abrevia as ânsias do passamento.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Portugal - Eleições 2011 - Resultados Viana do Castelo


Resultado das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011 - Viana do Castelo

PSD - 43,59%, 3 deputados (Em 2009: 31,33%, 2 deputados)
Deputados eleitos pelo PSD em Viana do Castelo: Carlos A. Amorim, Eduardo Teixeira, Rosa Arezes

PS - 26,18%, 2 deputados (Em 2009: 36,26%, 3 deputados)
Deputados eleitos pelo PS em Viana do Castelo: Fernando Medina, Jorge Fão

CDS/PP - 13,44%, 1 deputado (Em 2009: 13,60%, 1 deputado)
Deputado eleito pelo CDS em Viana do Castelo: Abel Baptista

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

História: Comarca de Valença em 1755

História




Comarca de Valença em 1755 

Está a sua Vila Capital assentada nas margens do rio Minho na raia setentrional desta Província em 42 gr. e 5 min. de latit. e 10 e cinco min. de long. defronte da Cidade de Tuy, da qual dista pouco menos de tiro de canhão, da Cidade de Lisboa 68 léguas. Foram seus povoadores os Capitães companheiros do invencível Português Viriato, que depois de obrigar á paz ao Cônsul Romano Decio Junio Bruto, formaram esta retirada contra a sua cautelosa perfídia, cento e trinta e seis anos antes da vinda de Cristo.

Deu-lhe foral EIRey D. Afonso II em 1217, e foi a primeira terra do Reino, em que recaio o titulo de Marquesado com a singularidade de ser seu primeiro Marquês o Senhor D. Afonso primogénito do primeiro Duque de Bragança. Hoje tem o mesmo titulo sobre esta Vila D. Francisco de Portugal oitavo Conde de Vimioso primeiro Marquês de Valença por mercê do Senhor Rei D. João V que procede por varonia da Sereníssima Casa de Bragança, e é uma das pessoas mais eruditas, que neste século tão copioso de grandes talentos floresce neste Reino.

A Igreja Matriz da invocação de S Estêvão é uma das cinco Colegiadas desta Província do Minho, que se compõem de quatro Dignidades, Chantre, Mestre Escola, Tesoureiro e Subchantre com nove Cónegos, data tudo da (...) Primaz, e os rendimentos de todas competentes á barateza do país. Fora dos muros tem o 1)Mosteiro de S. Salvador de Ganfei da Ordem de S. Bento fundado pelos anos de 691.

O 2)Convento de S. Clara de Religiosas Franciscanas, e outra Paroquia da invocação de S. Maria dos Anjos, que compreende parte dos moradores da Vila, e os do lugar Orgeira, que lhe fica pouco distante.

Tem voto nas Cortes com assento no banco dez, e na Comarca se compreende a Vila de Caminha, que goza mesmo privilegio com assento no banco treze. Contam-se nela três Vilas, e dois Coutos com cinquenta Freguesias compostas de perto de dez mil fogos e de trinta mil almas, e os Conventos seguintes.

O Convento de Religiosos Franciscanos de S. Antonio de Caminha fundado pelos annos de 1618.

S. Salvador de Paderne de Cónegos Regrantes, 1130.

S. Maria de Feaens de Religiosos de S. Bernardo, 1150.



História: Viana do Castelo em 1755

História




Comarca de Vianna 

EM 41 gr. e 44 min. de lat. e 9. e 52 min de long. na foz do rio Lima está situada a vila de Viana do Castelo, 62 léguas distante de Lisboa. Foi fundada pelos os Galos Celtas duzentos e noventa e seis anos antes da vinda de Cristo em um monte pouco distante do lugar que hoje ocupa. He cercada de fortes muros ao moderno com cinco portas, e na entrada da barra se defende com uma famosa torre bem guarnecida de artilharia.

Deu-lhe foral EIRey D. Afonso III reedificando-a, ou mandando-a povoar de novo no delicioso sitio em que está assentada com a comodidade do seu porto capaz de um grande comércio, o qual já tiveram seus moradores tão consideravel que contavam mais de cem navios. de que eram proprietarios.


Goza de voto em Cortes com assento no banco terceiro, e em diversos tempos foi cabeça de Condado na família dos Menezes, cujo titulo se extinguiu com as linhas daquella illustre casa, a quem fora concedido.

Hoje é uma das praças mais consideraveis do Reino na fronteira de Galiza, reside nela o Governo das armas da Província com toda a sua Corte militar, pelo que sempre está bem defendida.

Tem duas Freguesias a de N. Senhora da Assunção, que é Colegiada, erigida por Xisto IV pelos anos de 1486, que consta de seis Prebendas de competente rendimento, e a de N. Senhora de Monserrate, que fica no arrbalde, e o 1)Convento de S. Ana de Religiosas de S. Bento fundado em 1512. O 2)Mosteiro de Monges do mesmo instituto em 1550. O de 3)S. Teotónio de Cónegos Regrantes de S. Agostinho em 1631. O de 4)S. Domingos fundação do Venerável Arcebispo D. Fr. Bartolomeu dos Mártires em 1563. O de 5)Carmelitas descalços, e um de 6)Capuchos de S. António, o Recolhimento de Santiago, o Hospital, e dezoito sumptuosas Ermidas.

Toda a Comarca consta de sete Vilas, doze Concelhos, treze Coutos, duzentas e setenta e seis Paroquias cem quarenta mil fogos e cento e quarenta mil almas, e dos Conventos seguintes.

S. Francisco do Monte de Capuchos de S. António de Ponte de Lima, 1398.

S. Francisco de Val de Pereiras de Religiosas Franciscanas no termo de Ponte do Lima, 1515.

S. Maria de Refoyos de Conegos Regrantes termo de Ponte de Lima, 1124.

O Convento de Freiras de S. Francisco de Monção, 1550.

S. Payo dos Milagres de Franciscanos de Vila nova de Cerveira.

O de Capuchos de S. António dos Arcos de Valdevez, 1678.

S Maria de Miranda de Religiosos de S. Bento, 1590.

S. Martinho de Castro de Cónegos Regrantes termo de Ponte da Barca, 1136.

N. Senhora da Conceição de Vila nova de Muia de Cónegos Regrantes de S. Agostinho, 1103.

S André de Rendufe de Religiosos de S. Bento, 1100.

N.S. da Anunciação do Bouro de Religiosos de S. Bernardo, 1107.