O Índice Glicémico e a Obesidade
Extractos de uma entrevista dada em data desconhecida por Michel Montignac ao diário espanhol El Mundo
- O paradoxo da alimentação ocidental está em que consumimos menos calorias mas a obesidade multiplicou-se por quatro.
Michel Montignac (1944-1910) defendia que a solução está no Índice Glicémico, um critério metabólico relacionado com a insulina, segundo o qual devemos eliminar os venenos açucar e leite da nossa alimentação, disfrutando em troca de alimentos como o presunto ibérico e o azeite.
- A insulina é uma hormona que orienta a energia em duas direcções: ou queima ou acumula. Se há pouca insulina queimamos muita energia. Se há muita insulina, acumulamos energia convertendo-a em gordura.
- Quais os alimentos que incrementam a segregação de insulina? Os que contém um Índice Glicémico alto, ou seja, os que contém demasiados açucares. É o caso do pão branco, arroz branco, mel, cenouras fervidas, a batata, a farinha, o milho, etc..
- Como se vê esses alimentos têm poucas calorias e são recomendados em muitas dietas, mas a verdade é que fazem engordar, porque o seu consumo desperta o fluxo de insulina. O que não sucede com as lentilhas, feijão ou muitas outras gorduras e hortaliças.
- Também não ocorre com outros alimentos normalmente proibidos, como os frutos secos ou o chocolate com mais de 70% de pureza.
- Não há relação entre calorias e quilos; isso é um mito.
- Na população ocidental, o consumo energético quotidiano diminuiu cerca de 50% desde os anos 30 e 35% desde os anos 60. Mas a obesidade multiplicou-se por quatro. Como é que se explica isto? Quanto menos se come, mais se engorda?
- É um erro falar de quantidades e de calorias. A chave está na qualidade do alimento, as suas características, a sua influência no processo do metabolismo.
- O açúcar é um veneno que não existia nas nossas mesas. Em 1800 o consumo situava-se nos 150 gramas por pessoa/ano. Hoje subiu para 40 quilos na Europa e 60 nos Estados Unidos. É daí que provém o excesso de estimulação da insulina.
- E quando se fala do veneno do açúcar, deve estender-se a ideia às bebidas açucaradas consumidas em grandes quantidades e aos produtos light, que acabam por provocar o mesmo efeito por estimularem a insulina, mesmo que tenham apenas uma caloria.
- A batata é outra novidade. Não fazia parte da nossa dieta e agora está por todo o lado. o arroz pode consumir-se desde que seja basmati; em caso nenhum arroz industrial, cheio de glúten e submetido a vários processos de refinação. A cenoura pode ser consumida crua; ao ser fervida dispara o Índice Glicémico, porque se altera a sua estrutura molecular. O pão branco é pernicioso; o melhor é comer pão integral ou de centeio.
- Os produtos lácteos e os queijos frescos estimulam directamente a segregação de insulina.
- Somos o único animal que se alimenta do leite de outras espécies.
- Há um excessivo consumo de leite de vaca, que acreditamos ser bom para o cálcio; mas hoje podemos dizer que por sua culpa acontece o contrário. O leite de vaca é um risco para a osteoporose e para a descalcificação infantil. É uma verdade incómoda para os interesses extraordinários dos colossos agro-alimentares.
- É um círculo vicioso: os governos assinalam o problema da obesidade e falam de epidemia. Mas acontece que os nutricionistas são pagos pela indústria agro-alimentar, que por sua vez financia os estudos de nutrição. Os médicos das comissões governamentais fazem parte dos conselhos científicos das grandes multinacionais.
- A O.M.S. reconhece o Índice Glicémico como o melhor critério para interpretar o mecanismo da obesidade.
- Mas os produtos das grandes marcas têm um Índice Glicémico desaconselhado. O pior exemplo são os Estados Unidos da América: fast-food, cereais açucarados, donuts, pipocas... Resultado: 39% de obesos.
- Na dieta mediterrânica existe uma forte tradição alimentícia. Consomem-se boas gorduras, como o azeite; peixe, verduras, legumes e fruta.
- Mas somos vítimas dos hábitos americanos.
- O homem sabia comer; a civilização eliminou a sua relação animal e directa com a comida; e com isso a capacidade intuitiva de saber o que é bom e o que é mau.
- O desporto não faz perder peso. Para perder um quilo de gordura é necessário queimar 8 mil calorias; isto é, fazer jogging durante 30 horas seguidas.
- Um copo de vinho depois de comer diminui o risco de doenças cardiovasculares, ajuda a não envelhecer e previne problemas cancerígenos.
- A demonização do vinho, ligando-o ao alcoolismo, vem do puritanismo protestante.



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