História
Estatísticas
Portugal em 1860
Publicou-se, pelo ministério da Justiça, um importante trabalho estatístico, organizado pela repartição de que e chefe o sr. Henrique 0'Neill. É o resumo, por dioceses, dos mapas dos baptismos, casamentos e óbitos que houve em cada uma das freguesias do continente do reino no ano de 1860.
Se a falta de um registo paroquial, regularmente organizado, e a novidade do trabalho, foram circunstâncias que forçosamente haviam de influir no resultado geral, não são contudo os mapas de que falamos menos interessantes pelos factos estatísticos que resumem, e por serem o primeiro trabalho regular que n'este género se fez entre nós.
Procuraremos compendiar os factos mais importantes que o estudo dos referidos mapas nos revela.
Segundo eles, pôde computar-se o numero de freguesias actualmente existentes no continente do reino em 3794, o dos fogos em 968.045, e o dos habitantes em 3.587:482.
Do mapa dos baptismos deduzem-se as seguintes conclusões. O numero dos baptisados em 1860 foi 118.470, dos quais somente 50 eram adultos. Dos haptisados 59.451 eram do sexo masculino e 59.019 do sexo feminino.
Estes últimos números confirmam o que pela estatistica tem sido averiguado, isto e, que nascem anualmente mais rapazes do que raparigas. Se o numero proporcional das crianças de um e doutro sexo varia com relação aos paises e aos tempos, e certo que pôde, na maioria dos casos, adoptar-se como media geral a proporção de 26 rapazes para 25 raparigas, que e com pequena diferença a que apresentam os números citados.
A classificação dos baptizados em referencia á filiação de cada um e a seguinte. Legítimos, 99.698; Naturais, 8.655; Expostos, 10.117.
Do que se conclui, que em relação ao total dos baptizados, os filhos legítimos estão na proporção de 841 para 1.000; e os filhos naturais e os expostos na proporção de 159 para 1.000.
Sem entrarmos no estudo das causas que podem ter produzido tais resultados, devemos dizer que a proporção dos filhos naturais e dos expostos com o numero geral dos nascimentos, e muito menos favorável em Portugal do que em outras nações; por isso que o numero dos primeiros está'na proporção de 1 para 13.7, e o dos segundos na de 1 para 12, ao passo que há nações em que esta relação e de 1 para 47 em referencia aos expostos, e de 1 para 21 em quanto aos filhos ilegitimos.
O mapa dos baptismos apresenta-nos ainda a classificação dos baptizados em referencia á hora do nascimento; por onde se vê que foram mais frequentes os nascimentos nas seis horas que decorrem da meia noite em diante, sendo os menos numerosos os que se verificaram do meio dia ás 6 horas da tarde.
Passando á analise do mapa dos casamentos, vê-se que o numero total deles em 1860 foi de 23.584, o que dá para a população total, conforme esta vem calculada nos mapas, a proporção de 1 para 152.
Deve notar-se que a proporção media dos casamentos com a população, tem sido calculada pela estatística em 1 para 121, donde se conclui que não é Portugal das nações em que seja maior o numero dos casamentos.
Pela inspecção dos mapas, vê-se que os casamentos foram mais frequentes na idade de 20 a 30 anos, decrescendo o numero daí para cima, havendo só 10 casamentos em que os noivos tivessem mais de 80 anos, e 7 em que as noivas excedessem a mesma idade.
O estado dos cônjuges anterior ao casamento verifica-se ter sido o seguinte. Sexo masculino: solteiros 19.895, viúvos 3.689. Sexo feminino: solteiras 21.504, viúvas 2.080.
0 mapa dos óbitos dá-nos o total de 76.816 em 1860, o que equivale aproximadamente a 1 falecimento por cada 46 habitantes.
Dos óbitos, 37.815 foram de indivíduos do sexo masculino, e 39.001 do sexo feminino. 0 excesso de mortalidade nas mulheres é um facto importante, e que merece ser estudado, porque é contrario ao que a estatística tem geralmente verificado até hoje, isto e, que a mortalidade dos homens é sempre maior que a das mulheres. Exemplo do facto que nos apresentam os mapas que analisámos, só encontrámos citados o de Hanover, onde no período decorrido de 1831 a 1841, os óbitos masculinos estiveram para os femininos na razão de 992 para 1.000.
Em relação às idades, os óbitos vem classificados pela forma seguinte.
De 1 a 10 anos, 16.363; de 10 a 20, 3.283: de 20 a 30, 4.240; de 30 a 40, 4.813: de 40 a 50, 4.680; de 50 a 60, 6.002; de 60 a 70, 8.610; de 70 a 80, 7.194; de 80 a 90, 3.352; de 90 a 100, 575; de mais de 100, 67.
Óbitos de indivíduos cuja idade se ignora, 152; mortos ao nascer, 1.624; mortos antes de um ano, 15.861.
D'este resumo se podem conhecer sem dificuldade as idades em que há mais probabilidade de vida.
Em referencia ao estado dos falecidos, os óbitos estão classificados d'esta forma: Solteiros, 47.340; casados, 17.225; viúvos, 11.655. Ignora-se o estado de 596.
Eis em resumo os factos principais que vem compendiados nos mapas publicados pelo ministério da Justiça. De outros mais nos dão eles conta, mas a estreiteza do espaço que nos e concedido, não permite que falemos deles neste numero.
Habitantes em Portugal em 1860: 3.587:482;
26 rapazes para 25 raparigas em Portugal no ano de 1860;
Baptizados em referencia á filiação de cada um : Legítimos, 99.698; Naturais, 8.655; Expostos, 10.117, isto é, em cada 1000, 800 são legítimos;
1 falecimento por cada 46 habitantes
Portugal do século XIX, em Antikuices
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