A predisposição do português para a colonização
«A singular predisposição do português para a colonização híbrida e escravocrata dos trópicos, explica-a em parte o seu passado étnico, ou antes, cultural, de povo indefinido entre a Europa e a África. Nem intransigentemente de uma nem de outra mas das duas. A influência africana fervendo sob a europeia e dando um acre requeime à vida sexual, à alimentação, à religião; o sangue mouro ou negro correndo por uma grande população brancarana quando não predominando em regiões ainda hoje de gente escura; o ar de África, um ar quente, oleoso, amolecendo nas instituições e formas de cultura as durezas germânicas; corrompendo a rigidez doutrinária e moral da igreja medieval; tirando os ossos ao cristianismo, ao feudalismo, à arquitectura gótica, à disciplina canónica, ao direito visigótico, ao latim, ao próprio carácter do povo. A Europa reinando mas sem governar; governando antes a África.»
Casa-Grande e Senzala, Gilberto Freyre

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